O rio Paraguai (; ) é um curso de água da América do Sul que percorre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.

O rio possui extensão total de , o que o coloca entre os 40 rios mais extensos do mundo. O rio parte da Chapada dos Parecis em Mato Grosso e culmina na confluência com o Rio Paraná.

Sua bacia, a Bacia do Rio Paraguai, possui uma área de milhão de quilômetros quadrados e representa da área da Bacia do rio da Prata. A área da sua bacia no território brasileiro é de quilômetros quadrados.

Etimologia miniaturadaimagem|Aguarela de indígenas paiaguás com descrição de seus costumes.|300px

"Paraguai" é um termo guarani que significa "rio dos paiaguás", formado pela junção de payagua e y (rio).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 371.

Os paiaguás habitavam principalmente as margens do Rio Paraguai e de seus afluentes. O termo é um exônimo dado a eles pelos guaranis, dos quais eram inimigos. Provavelmente, os guaranis comunicaram aos espanhóis que o rio era o "rio dos paiaguás" dando, então, origem ao seu nome.

Geografia A Bacia do Rio Paraguai possui uma área de milhão de quilômetros quadrados e representa da área da Bacia do rio da Prata, abrangendo, além do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Sua área no território brasileiro é de quilômetros quadrados, abrangendo os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O rio parte de suas nascentes na Chapada dos Parecis, próximo à cidade de Diamantino, e deságua em uma confluência com o Rio Paraná, próximo da cidade de Corrientes. O rio possui extensão de , sendo em território brasileiro.

Os principais afluentes do Rio Paraguai são os rios Cabaçal, Jauru e Sepotuba na margem direita, e os rios Cuiabá, Taquari, Negro, Miranda e Apa na margem esquerda.

O rio possui uma regularidade fluvial amparada em três fatores, segundo o geógrafo Orlando Valverde: chuvas periódicas anuais; a extensa zona de inundação e represamento, representada pelo Pantanal; e a uniformidade do gradiente e os desníveis fracos. Durante enchentes, o escoamento do rio é mais lento. As águas podem demorar até seis meses para sair do território brasileiro.

Subdivisões A classificação de Almeida de 1945 divide o rio em quatro segmentos: Paraguai Superior, Alto Paraguai, Médio Paraguai e Paraguai Inferior. A primeira, das nascentes até a foz do Rio Jauru; a segunda até a foz do Rio Apa; a terceira até a cidade de Lomas Valentinas; e a quarta até a confluência com o Rio Paraná. Os dois primeiros segmentos (Paraguai Superior e Alto Paraguai) formam a Bacia do Alto Paraguai.

A primeira divisão, Paraguai Superior, possui extensão de e caracteriza-se por possuir corredeiras, um caminho tormentoso, e um gradiente de, em média, . As altitudes variam de 300 a 125 metros acima do nível do mar. Este primeiro trecho do rio caracteriza-se por ser de difícil navegação. A partir da foz do Rio Sepotuba, a do fim deste trecho, as condições de navegação se tornam mais favoráveis. O material do leito do rio se torna mais erodível, as margens se tornam mais baixas e largas, e a largura do rio fica em torno de 100 a 200 metros.

A segunda, Alto Paraguai, possui extensão de . As altitudes vão de 125 a 83 metros, o que representa um desnível baixo em relação à sua extensão. O trecho é delimitado pelo acidente Fecho dos Morros. O geógrafo Orlando Valverde afirma que este acidente é mais topográfico do que fluvial, pois as características hidrológicas do rio se mantém similares nas duas partes delimitadas pelo Fecho. Na primeira parte, possui valores médios de gradiente de , largura de e profundidade . Possui um grande número de lagoas e braços d'água, como o Paraguai Mirim. Próximo do Fecho, o rio estreita repentinamente e a profundidade alcança , por causa de uma erosão mais acelerada. Depois, o gradiente fica em , a largura média em e a profundidade em .

Os dois últimos trechos localizam-se fora do território brasileiro e possuem extensões de e , respectivamente.

História

O Rio Paraguai possui importância e relevância desde a habitação por povos indígenas do seu entorno, formando uma grande sociodiversidade étnica. No século XVI, a Coroa espanhola inicia a fundação de províncias na região, mesmo com a dificuldade de navegação pelo seu despreparo com rios menores. No fim do século, inicia-se a fundação de cidades. Os espanhois escravizavam e dizimavam os indígenas da região.

Os limites da região só são definidos com os tratados de Madri e de Santo Ildefonso. Portugeses e espanhóis disputavam a região do Mato Grosso. Jesuítas espanhóis fundaram missões entre o Rio Paraguai e o Rio Paraná. Disputas políticas entre Paraguai e Brasil a respeito do uso do rio e da cobrança de impostos pelo seu uso, entre outras discordâncias, culminaram na Guerra do Paraguai. Após a guerra, o período foi marcado pela melhoria dos meios de transporte e de uma circulação mais pacífica entre os países em torno do rio.

Ver também

Serviço de Navegação da Bacia do Prata Administração da Hidrovia do Paraguai

Bibliografia

Categoria:Hidrônimos de origem tupi