Daniel Michael Blake Day-Lewis, Kt (Londres, 29 de abril de 1957) é um ator britânico. É amplamente considerado um dos maiores atores da história do cinema. Com a conquista de seu terceiro Oscar de Melhor Ator em 2013, tornou-se o primeiro e, até o momento, o único homem da história a realizar tal feito. Nascido e criado em Londres, filho de um poeta e de uma atriz, destacou-se no palco do National Youth Theatre, antes de ser aceito na Bristol Old Vic Theatre School, na qual estudou por três anos. Apesar de sua educação e formação tradicional no Bristol Old Vic, Daniel é conhecido por empregar a técnica de atuação conhecida como "O Método". Reservado, Daniel raramente dá entrevistas e faz poucas aparições públicas.

Daniel Day-Lewis alternou entre teatro e cinema no começo da década de 1980, quando entrou para a Royal Shakespeare Company. Interpretou Romeu em Romeu e Julieta e Fluta em Sonho de uma Noite de Verão, antes de aparecer no filme The Bounty de 1984. Seu primeiro papel aclamado pela crítica foi My Beautiful Laundrette (1985), ganhando um mais amplo reconhecimento público com A Room with a View (1985). Assumiu então seu papel de ator principal em A Insustentável Leveza do Ser (1988).

Aclamado como um dos atores mais destacados de sua geração, Day-Lewis ganhou vários prêmios, incluindo três Óscar de Melhor Ator por suas atuações em My Left Foot (1989), There Will Be Blood (2007) e Lincoln (2012). Com o Óscar pela sua atuação em Lincoln, tornou-se o primeiro homem a conquistar três vezes o prêmio na categoria de melhor ator. Foi também indicado por Em Nome do Pai (1993), Gangs of New York (2002) e Phantom Thread (2017). Entre outros prêmios, ganhou também quatro BAFTA de Melhor Ator, três prêmios Screen Actors Guild e dois Globos de Ouro. Em 2012, a revista Time declarou Day-Lewis the "World's Greatest Actor." Por sua contribuição ao teatro, foi condecorado cavaleiro em 2014 pelo príncipe William no Palácio de Buckingham. Em 2017 anunciou a aposentadoria como ator. Porém em 2024 foi anunciado que voltará aos cinemas para estrelar o longa de estreia de seu filho, Ronan Day-Lewis.

Primeiros anos

Daniel Michael Blake Day-Lewis nasceu em 29 de abril de 1957 em Kensington, Londres, sendo o segundo filho do poeta Cecil Day-Lewis (1904–1972) e sua segunda esposa, a atriz Jill Balcon (1925–2009). Sua irmã mais velha, Tamasin Day-Lewis (nascida em 1953), é uma chef de televisão e crítica gastronômica.. Seu pai, que nasceu na cidade irlandesa de Ballintubbert, Condado de Laois, era de ascendência protestante anglo-irlandesa, viveu na Inglaterra desde os dois anos de idade e foi nomeado poeta laureado em 1968..Peter Stanford (2007). "C Day-Lewis: A Life". p. 5. A&C Black A mãe de Day-Lewis era judia. Seus ancestrais judeus asquenazes eram imigrantes na Inglaterra no final do , vindos da Letônia e da Polônia. O avô materno de Day-Lewis, Sir Michael Balcon, tornou-se o chefe do Ealing Studios, ajudando a desenvolver a nova indústria cinematográfica britânica.. O BAFTA de Contribuição Excepcional ao Cinema Britânico é apresentado todos os anos em homenagem à memória de Balcon.

Dois anos após o nascimento de Day-Lewis, ele se mudou com sua família para Croom's Hill em Greenwich via Port Clarence, Condado de Durham. Ele e sua irmã mais velha não viam muito seus dois meio-irmãos mais velhos, que eram adolescentes quando o pai de Day-Lewis se divorciou de sua mãe. Morando em Greenwich (ele frequentou as escolas primárias Invicta e Sherington), Day-Lewis teve que lidar com crianças difíceis do sul de Londres. Nesta escola, ele foi intimidado por ser judeu e "chique". Ele dominou o sotaque e os maneirismos locais, e credita isso como sendo sua primeira performance convincente. Mais tarde na vida, ele é conhecido por falar de si mesmo como um personagem desordeiro em seus anos mais jovens, muitas vezes em apuros por furtos em lojas e outros crimes mesquinhos.Jenkins, Garry. Daniel Day-Lewis: The Fires Within . St. Martin's Press, 1994, ASIN B000R9II4O

Em 1968, os pais de Day-Lewis, achando seu comportamento muito selvagem, o enviaram como interno para a escola independente Sevenoaks School, em Kent. Na escola, ele foi apresentado aos seus três interesses mais proeminentes: marcenaria, atuação e pesca. No entanto, seu desdém pela escola cresceu e, após dois anos em Sevenoaks, ele foi transferido para outra escola independente, Bedales em Petersfield, Hampshire. Sua irmã já era aluna lá, e tinha um ethos mais relaxado e criativo. Ele fez sua estreia no cinema aos 14 anos em Sunday Bloody Sunday, no qual interpretou um vândalo em um papel não creditado. Ele descreveu a experiência como "o paraíso" por receber duas libras para vandalizar carros caros estacionados em frente à sua igreja local.Por algumas semanas em 1972, a família Day-Lewis viveu em Lemmons, a casa de Kingsley Amis e Elizabeth Jane Howard no norte de Londres. O pai de Day-Lewis tinha câncer de pâncreas, e Howard convidou a família para Lemmons como um lugar que eles poderiam usar para descansar e se recuperar. Seu pai morreu lá em maio daquele ano. Na época em que ele deixou Bedales em 1975, a atitude indisciplinada de Day-Lewis havia diminuído e ele precisava fazer uma escolha de carreira. Embora ele tivesse se destacado no palco do National Youth Theatre em Londres, ele se candidatou a um estágio de cinco anos como marceneiro. Ele foi recusado devido à falta de experiência.. Ele foi aceito na Bristol Old Vic Theatre School, que frequentou por três anos junto com Miranda Richardson, eventualmente se apresentando no próprio Bristol Old Vic. Em um ponto, ele foi substituto de Pete Postlethwaite, com quem mais tarde co-estrelaria o filme Em Nome do Pai (1994).

John Hartoch, professor de atuação de Day-Lewis em Bristol Old Vic, relembrou:

Carreira

Em 1981, ele estava de volta, com dois pequenos papéis nos filmes para televisão Frost in May e Artemis 81. Seu primeiro filme relevante viria no ano seguinte, com o drama Gandhi, a respeito do líder pacifista indiano. Sua participação, porém, também é pequena: fazia um garoto de rua chamado Colin.

Seguiram-se papéis pequenos em filmes de pouca relevância, como How Many Miles to Babylon?, no qual interpretava um ricaço que acompanhava seu amigo de infância, um operário, num exército da Primeira Guerra Mundial; e The Bounty (Rebelião em Alto Mar), no qual contracenou com Mel Gibson, Anthony Hopkins e Liam Neeson; e My Brother Jonathan, obscuro drama feito para televisão.

Para chamar a atenção, Day-Lewis precisava de um papel ao mesmo tempo difícil e chocante, que desafiasse a ele mesmo e ao público. Sua grande chance viria com My Beautiful Laundrette, que tornaria seu nome e o do diretor Stephen Frears famosos. O filme retrata a paixão entre um inglês e um árabe que, juntos, gerenciam uma lavanderia e enfrentam o preconceito da sociedade londrina.

A profunda atuação de Day-Lewis causou rebuliço ainda maior na indústria cinematográfica americana porque My Beautiful Laundrette estreou em Nova York simultaneamente com outro filme seu, A Room With a View, no qual interpreta um personagem completamente distinto. Ele encarna Cecil Vyse, o aristocrático noivo da protagonista vivida por Helena Bonham Carter. Sua versatilidade simplesmente deixou Hollywood estarrecida. Por ambos os papéis, a Associação de Críticos de Nova York lhe deu o prêmio de melhor ator coadjuvante/secundário do ano.

Dois anos depois, as expectativas que rodeavam Day-Lewis se confirmaram em outro filme de época: The Unbearable Lightness of Being (A Insustentável Leveza do Ser), de Philip Kaufman. Passado na Tchecoslováquia da década de 1960, o filme abordava a estranha relação a três de Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin, pouco antes da invasão russa na chamada Primavera de Praga. Também em 1988, Day-Lewis tentaria variar seu estilo na comédia Stars and Bars.

Em 1989 o ator conseguiu o primeiro Oscar por seu tocante retrato de um homem com paralisia cerebral em My Left Foot (Meu Pé Esquerdo). Esta era a única parte de seu corpo que ele conseguia controlar, e a utilizava habilmente para pintar e escrever. Ficou famosa a decisão de Day-Lewis de não sair da cadeira de rodas mesmo quando não estava sendo filmado, para compreender ao máximo o sofrimento de seu personagem inválido. miniaturadaimagem|Day-Lewis em Nova Iorque, dezembro de 2007

Além do Oscar, seu sucesso no ano lhe rendeu um dividendo inesperado: o relacionamento com a atriz francesa Isabelle Adjani. A revista inglesa Empire o elegeu, em 1990, uma das 50 pessoas mais bonitas do planeta; cinco anos depois, ele entraria na lista das 100 estrelas mais sexys do cinema, na lisonjeira 11ª colocação.

O namoro de cinco anos com a atriz gerou seu primeiro herdeiro, Gabriel Kane, nascido em abril de 1995. Mais tarde, Day-Lewis se envolveu com Rebecca Miller, filha do dramaturgo Arthur Miller, com quem está casado desde 1996. Este relacionamento lhe rendeu mais dois filhos: Ronan Day-Lewis (nascido em 1998) e Cashel Blake Day-Lewis (nascido em 2002).

Depois de Meu Pé Esquerdo, Day-Lewis tornou-se requisitado para todo e qualquer papel dramático nos Estados Unidos e na Inglaterra. Seguindo no sentido contrário, ele fez questão de tornar-se ainda mais criterioso com a escolha de papéis. A pressão foi tão grande que seu esperado retorno ao teatro, encenando Hamlet com o National Theatre inglês, foi abreviado quando, uma noite, ele foi embora no meio da peça devido a uma exaustão nervosa.

Esteve afastado até 1992, quando reapareceu no filme de ação The Last of the Mohicans, de Michael Mann. Para viver um índio que protege a filha de um coronel britânico em meio à guerra franco-indígena, Day-Lewis preparou-se por mais de um ano e ganhou um corpo invejável. Aos que duvidavam que um inglês pudesse encarnar um nativo americano, ele respondeu com seu típico processo de imersão: ao longo dos meses de gravação, recusou cigarro industrializado, por exemplo. Fazia questão de enrolar seu próprio fumo, como os índios moicanos no século XVIII.

Depois, Day-Lewis aceitou o convite do seu amigo Jim Sheridan, que lhe havia garantido o Oscar com Meu Pé Esquerdo, para estrelar seu novo filme, In the Name of the Father (Em Nome do Pai). Tratava-se de um drama a respeito de um irlandês injustamente acusado de participar de um atentado terrorista do IRA. Repetindo a história, mais uma chuva de indicações a grandes prêmios se seguiu: Oscar, Globo de Ouro, BAFTA… O filme também alterou profundamente a percepção de Day-Lewis a respeito da Irlanda, a ponto de pedir cidadania irlandesa.thumb|Daniel Day-Lewis no British Academy Film Awards, fevereiro de 2008. No mesmo ano, o ator tentou mais um filme de época, em The Age of Innocence (A Época da Inocência), de Martin Scorsese. O resultado não foi satisfatório, e a partir de então ele se tornou cada vez mais recluso. Seu próximo filme ocorreria apenas três anos depois, no longa-metragem baseado na mais famosa peça de seu sogro, Arthur Miller, o drama As Bruxas de Salem, no qual sua ex-amante, vivida por Winona Ryder, lança um vilarejo americano do século XVII em uma histeria inquisitiva ao afirmar que suas colegas são bruxas com pactos com o demônio.

O filme ficou aquém das expectativas da crítica, rendendo apenas uma indicação ao Oscar para Miller, pelo roteiro, e para Joan Allen, que interpretava a resignada esposa de Day-Lewis. O ator, porém, não se abateu e retornou em 1997 com mais um drama irlandês dirigido por Sheridan: The Boxer (O Lutador), rendendo a ele mais uma indicação ao Globo de Ouro. Retornou aos cinemas convencido por Scorsese, Leonardo DiCaprio e Harvey Weinstein. Os três admitiram publicamente que atraíram Day-Lewis para Nova York sob falsos motivos apenas para convencê-lo, conjuntamente, de que deveria interpretar o açougueiro no épico Gangs of New York (Gangues de Nova York).