thumb|260px|direita|<center>O Barão de Catas Altas e a esposa e baronesa de Catas Altas Clara Rosalina Gomes Baião. Antônio José Gomes Bastos (Minas Gerais, 29 de junho de 1840 — 3 de novembro de 1924) foi um tropeiro, militar, político e nobre brasileiro. Foi agraciado com o título de 2º Barão de Catas Altas, em 23 de dezembro de 1887. Foi o primeiro presidente da Intendência Municipal da Vila do Guarará, e um dos maiores propugnadores de sua criação. Proprietário de fazenda de café no distrito de Bicas. Foi uma das principais figuras, senão a maior em relevância histórica, no período que vai de 1890 a 1920, em Guarará e Bicas, na Zona da Mata Mineira. Fora ele e não outro o grande defensor da lavoura e das questões agrárias em toda região, até porque era ele próprio um dos grandes fazendeiros locais.

Biografia Ele fora o segundo a ser agraciado com este título pelo império, embora não tenha havido entre ele e o 1º Barão de Catas Altas, João Batista Ferreira de Sousa Coutinho, nenhum grau de parentesco ou correlação familiar e a concessão do título de segundo Barão de Catas Altas foi outorgada em 1887 pelo imperador Pedro II. Por esta época entretanto Antônio José Gomes Bastos era já um adepto das ideias liberais e um chefe militante daquele partido. Em detrimento a isso, conforme narrativa do filho Sebastião Gomes Baião,BAIÃO, Sebastião Gomes. - Reportagens históricas sobre o município de Guarará, pg o pai e Barão, despojado de grandes ambições, recusara, por várias vezes, a senatoria estadual que lhe foi oferecida e, como um bom e devotado cristão que era, por inúmeras vezes abriu sua casa para hospedar aos altos dignitários do clero, sendo por todos muito benquisto, o que lhe valeu em 1907 uma carta de bênção especial concedida por Sua Santidade o Papa Pio X.

Antônio José Gomes Bastos era filho de José Joaquim Gomes (1810-1849) e de Maria Silveria Bastos (1815-1905). Seus pais transferiram-se, em 1833, de Queluz para o arraial do Espírito Santo, onde abriram e fundaram, no futuro arraial das Bicas, a "Fazenda do Campestre"Anuário genealógico brasileiro, Volume 1 - Salvador de Moya. Instituto de Estudos Genealógicos, 1939 e foi aí onde ele nasceu, em 29 de junho de 1840.

Em 1849, aos 9 anos, morre-lhe o pai e ele, órfão, foi morar com o tio e padrinho, Antônio Alves Barbosa, que o criou e cuidou de seus estudos até a maioridade.

Os primeiros estudos foram colhidos na escola primária que funcionava na Rua Santa Rita, no arraial do Espírito Santo do Mar de Espanha (hoje Guarará), depois, em 1855, seu tio o matriculou em um internato em Barbacena onde ele se tornaria aluno [Neste colégio] do padre José Joaquim Corrêa de Almeida (Ver caricatura), grande poeta e exímio latinista, além de um apreciado músico de sua época.BAIÃO, Sebastião Gomes. - Reportagens históricas sobre o município de Guarará

Pode-se entender que começava aqui a formação intelectual do Barão. Seu mestre, o padre Corrêa de Almeida, autor de "Sonetos e sonetinhos", ficara conhecido por sua brilhante produção poética de teor satírico.Jornal "O Arauto de Minas",Ano XI, Número 16, pg 2 - São João Del Rei, 9 de outubro de 1887. Ele, o padre, era dono de uma grande devoção religiosa mas que, segundo a historiadora Maria Marta Araújo,ARAÚJO, Maria Marta - Sermão em forma de poesia; Poemas do padre Correia de Almeida criticavam a escravidão durante o Império e o autoritarismo dos presidentes na República, 3/1/2011. "não impediu que ele aproveitasse alguns prazeres, como a realização de saraus e preleções em sua casa, que fazia as vezes de salão literário." e até mesmo, como um homem de cultura e formador de caráter "... chegou a integrar uma sociedade cultural para a promoção de bailes dançantes em Barbacena." Uma outra de suas características era a humanista e "...quando podia, Correia de Almeida denunciava a discriminação racial, inclusive entre os religiosos, e era contundente ao expressar sua indignação." Nota-se assim o decuro na formação de caráter de Antônio José de Gomes Bastos e de seus condiscípulos.

Ao término dos estudos, Antônio José abandona a vida acadêmica e dedica-se à lavoura e, em pouco, à atividade que mais prosperava na época, o comércio das tropas (mascate), comércio este que crescia e oferecia as melhores possibilidades para o crescimento econômico. Tornou-se assim um grande e respeitado tropeiro, adquiriu animais (algo em torno de 100 muares) e entre os anos 1860 e 1865 aproximadamente, percorreu as províncias de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Dentre suas viagens, quase constantes, estavam as localidades e cidades de Oliveira, Formiga, Bagagem, Paracatu, Queluz, Ouro Preto, Sabará, etc. Além destas viagens pelo sertão, tinha ele, como o maior centro de suas atividades, a corte, como era então chamada a cidade do Rio de Janeiro. Com pouco e, devido a esta classe específica de negócios, ele estreitou relacionamentos com as mais importantes firmas daquela praça, justamente as que mais careciam de seus serviços.

Este convívio frequentes e as permanências periódicas na corte, "haveriam de aparelhá-lo com as qualidades de distinção e cavalheirismo que sempre revelou e que contrastavam com as arestas de uma franqueza rude, traço dominante de sua personalidade." Oportunidades em que estivera ele presente em eventos sociais, como em novembro de 1865, em uma solenidade, quando se avistara com a família imperial.Jornal "Correio Mercantil" ANNO XXII, N. 424, de 28 de novembro de 1865

Em 8 de novembro de 1866, aos 26 anos, ele se casa com Clara Rosalina Gomes Baião e o casal passa a residir nas terras que ele possuía no arraial do Espírito Santo do Mar de Espanha, o assim chamado "Sítio da Experiência", onde ele se fixa definitivamente, abandonando a vida de tropeiro e, em pouco, ele se torna um próspero lavrador.Jornal "Diario de Minas", ANNO I, N. 159, de 8 de janeiro de 1867

O Homem Público Dado o seu temperamento e por força das necessidades do meio e da época, dedicou parte de suas atividades à política. Filiou-se ao Partido Liberal e, quase que de imediato, dada a morte do chefe do partido, tornou-se ele o chefe do mesmo, no distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha. Sustentou lutas memoráveis. Passou por todos os cargos públicos do âmbito municipal, prestando os mais assinalados serviços à causa pública. Assim se refere a ele o Jornal "O Momento" de Bicas em matéria exibida à primeira página da edição de 5 de dezembro de 1940:

Em 1867, no início do ano, ele é remanejado ou promovido de 3º para 1º suplente do subdelegado do arraial do Espírito Santo do Mar de Espanha. Alguns anos depois, em 15 de junho de 1881 ele recebe duas comendas; é agraciado com o título honorífico de cavaleiro da Ordem da RosaJornal "A Provincia de Minas", de 26 de junho de 1881 e com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.Novo e completo indice chronologico da História do Brasil - 1842 a 1889, pg. 125 Dois anos depois, em 1883, é eleito vereador para representar o distrito do Espírito Santo na Câmara de Mar de Espanha, com legislatura até 1886. Em 23 de dezembro de 1887, ele é agraciado com o título de 2º Barão de Catas Altas.Jornal "Cidade do Rio", quinta-feira, 2 de janeiro de 1888. Assim diz o Annuário Genealógico Brasileiro:

Ativista Agrário Em 1 de junho de 1884, ele participa da criação, da instalação e torna-se conselheiro do Centro Agrícola do Município do Mar de Espanha.

Em 1886 ele participa da criação de uma associação, para promover os produtos e os produtores locais nas feiras e exposições Agrícola-industriais, nacionais e regionais.

Em 13 de maio de 1897, por sua iniciativa é criado e instalado o Centro Agrícola de Guarará. Esta organização ou associação tinha como princípio promover o progresso e o desenvolvimento da lavoura. O Barão, além de o principal idealizador, foi o presidente da associação recém-criada.Jornal "O Minas Gerais", ANNO VI, N. 132, de 20 de maio de 1897

No ano de 1905 ocorre em toda região protestos e reuniões contra as sobre taxas da lavoura. Candidato ao senado, em 1905, recebe uma votação inexpressiva, ao contrário de João Pinheiro da Silva, que é eleito senadorJornal "O Pharol", sábado 25 de março de 1905 e, posteriormente, em 1906, Presidente de Minas Gerais. No pleito de novembro daquele mesmo ano, 1905, o Barão é eleito juntamente com o Dr Belisário da Cunha Monteiro de Castro pela minoria, como vereadores do município de Guarará.Jornal "O Pharol", domingo 2 de abril de 1905 Reunião de Lavradores em Santana do Deserto em 2 de julho de 1905.Jornal "O Pharol", quarta 5 de julho de 1905 Na reunião em Santana do Deserto, estiveram presentes mais de 300 lavradores de toda a região, os quais em uma assembleia dirigida por ele (o Barão de Catas Altas) e pelo Dr Melo Brandão e secretariada pelo Coronel Eduardo Carneiro e Renato da Silva Carneiro, protestaram contra os excessivos fretes cobrados pelas estradas de ferro, pela baixa dos preços do café, pela falta de mão de obra e pelos impostos excessivos cobrados pelo governo.Jornal "Gazeta de Notícias", de 12 de julho de 1905 E três anos depois, em 1908, ele participa como secretário, do "Congresso de Leopoldina" ou Congresso dos lavradores em Leopoldina. Que fora uma reunião convocada para tratar, entre outros assuntos, da fundação da Confederação Agrária, sendo a mesma oficializada. Tendo em conta o acertado em Leopoldina, o Barão não perde tempo e convoca para o dia 25 do mesmo mês de outubro uma "Reunião de Lavradores em Guarará".Jornal "O Pharol", terça 20 de outubro de 1908 A chamada Confederação Agrária, já oficializada em Cataguases e Leopoldina. Nessa reunião, além dos pontos comuns e divergentes foram eleitos os representantes (delegados) que foram, além dele, o Barão, o coronel Joaquim Monteiro de Bastos, Sebastião Gomes Baião (filho do Barão) e o coronel Arlindo Ribeiro de Oliveira (irmão de José Ribeiro de Oliveira e Silva).Jornal "O Pharol", terça 27 de outubro de 1908 E dois anos depois, em 25 de julho de 1910, ele participa do Congresso mineiro das classes produtoras, realizado em Juiz de Fora, que, entre outros assuntos, se põe contra a elevação do câmbio e a politicagem no congresso...Jornal "Correio da Manhã" ANNO X, N 3.295, Rio de Janeiro, terça 26 de julho de 1910 pede ao Congresso mineiro a supressão do imposto de 8,5% advalorem sobre o café e da sobretaxa de 3 francos, criando-se o imposto de 4 francos por saca de café, o qual deveria ser pago no ato da exportação para os mercados estrangeiros.Jornal "O Pharol", terça 27 de julho de 1910Jornal "Correio da Manhã" 26 de julho de 1910

O descontentamento era uma tônica entre os produtores rurais, contra o governo, visto que no ano anterior 1909 ele mesmo, o Barão, declarou-se contra e manifestou seu apoio ante a candidatura Hermes-Venceslau.Jornal "Gazeta de Notícias", 22 de novembro de 1909 Não bastasse as fortes crises que grassavam no campo e os protestos daí decorrentes, em 1911, uma seca prolongada e sem precedentes, assolou toda região, culminando em enormes prejuízos à safra das lavouras. São essas as palavras do editorialista e emendadas pelas do Barão, dirigidas ao jornal "Gazeta de Noticias" de 12 de fevereiro de 1911:

O Republicano