A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), popularmente conhecida como teste da orelhinha, é um exame realizado na orelha dos bebês em até 48 horas após o nascimento, com o objetivo de detectar precocemente perdas auditivas congênitas. Essa triagem aumenta a possibilidade de escolher um tratamento adequado para bebês com esse diagnóstico. A perda auditiva congênita é uma das condições mais comuns ao nascimento, com prevalência estimada de 1 a 3 por 1.000 nascidos vivos em populações de baixo risco, e de até 10 por 1.000 entre aqueles com fatores de risco. A realização da TANU, tornou-se obrigatória para todos recém-nascidos brasileiros, a partir da lei federal 12.303/2010. O diagnóstico precoce é fundamental para uma intervenção eficaz, sendo ideal ser feita antes dos seis meses de vida da criança porque possibilita, em geral, melhores resultados para o desenvolvimento da função auditiva, aquisição da linguagem, da fala, do processo de aprendizagem e, consequentemente melhor desenvolvimento infantil. É um procedimento realizado nos primeiros dias de vida com o objetivo de identificar precocemente alterações auditivas, possibilitando diagnóstico e intervenção em períodos críticos para o desenvolvimento da linguagem. miniaturadaimagem|Ministério da Saúde, 2012

História Em 2 de agosto de 2010, o então Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei n.º 12.303, denominada Lei do Teste da Orelhinha, que dispõe sobre a obrigatoriedade de realização deste exame em todos os hospitais e maternidades, públicos ou particulares.

É fundamental que TANU seja universal, ou seja, realizada em crianças com e sem fator de risco para deficiência auditiva, com índices de triagens realizadas superiores a 95% dos nascidos vivos. Entretanto, no Brasil, essa universalidade ainda não é uma realidade. Atualmente, o indicador nacional de universalidade da triagem aponta 37,2%, representando um índice bem inferior ao que é recomendado e preconizado pelo Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva – COMUSA e pelo Joint Committee on Infant Hearing.

Métodos de Triagem Auditiva Neonatal Emissões Otoacústicas Evocadas Consiste em uma liberação de energia sonora produzida na cóclea que se propaga pela orelha média até o meato acústico externo. Apesar de oferecer dados importantes sobre a lesão coclear, a presença das emissões otoacústicas depende de condições normais de orelha média e de um ambiente silencioso para realização do exame. É o método mais utilizado em triagens de recém-nascidos sem fatores de risco.   Vantagens: rápido, de baixo custo e de fácil aplicação.   Limitações: não detecta alterações nas vias auditivas centrais e pode ser influenciado por presença de líquido no canal auditivo ou ouvido médio.   Potenciais Evocados auditivos de Tronco Encefálico (PEATE) Avalia as respostas elétricas das vias auditivas até o tronco encefálico.   Indicado para recém-nascidos com fatores de risco ou que falharam nas EOAs.   Vantagens: maior sensibilidade, especialmente para perdas auditivas retrococleares.   Limitações: custo mais elevado e maior tempo de realização.  

Esses exames não medem diretamente a audição, mas avaliam a integridade das vias auditivas periféricas e centrais, servindo como um rastreio inicial.  

O teste da orelhinha deve ser realizado pelo profissional com graduação em fonoaudiologia, ou seja, um fonoaudiólogo.CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Parecer nº 260, de 10 de junho de 2000. "Dispõe sobre a atuação do fonoaudiólogo em Triagem Auditiva Neonatal Universal." Brasília, 2000

Indicadores de risco para Deficiência Auditiva em recém-nascidos (IRDA) A identificação de Indicadores de risco para Deficiência Auditiva (IRDA) na história clínica de neonatos e lactentes é de suma relevância para que a criança possa receber o acompanhamento auditivo ideal, assim como as estratégias adequadas para seu quadro precocemente.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012. 32 p. : il. ISBN 978-85-334-1

Em casos de perda auditiva a intervenção precoce é necessária para que a criança possa ter a oportunidade de acessar tecnologias assistivas e acompanhamento com fonoaudiólogo logo nos primeiros seis meses de vida, dado que se a intervenção for realizada neste período possibilita melhores resultados para o desenvolvimento da função auditiva e consequentemente da comunicação oral.

Fatores como a audição e a comunicação influenciam no desenvolvimento psicossocial do indivíduo como um todo e caso a criança tenha acesso ao tratamento correto poderá ter uma melhor qualidade de vida.

De acordo com a cartilha do Ministério da Saúde de diretrizes de atenção à Triagem Auditiva Neonatal (TANU), diversos estudos epidemiológicos demonstram que a prevalência da deficiência auditiva varia de um a seis neonatos para cada mil nascidos vivos, e de um a quatro para cada cem recém-nascidos provenientes de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).Paredes, Hugo Demesio Maia Torquato, et al. “Indicadores de Risco Para Deficiência Auditiva Na Triagem Auditiva Neonatal de Um Hospital de Referência Em Macaé, Estado Do Rio de Janeiro / Risk Indicators for Hearing Loss in the Neonatal Hearing Screening of a Reference Hospital in Macaé, Rio de Janeiro State.” Brazilian Journal of Development, vol. 7, no. 6, 24 June 2021, pp. 62554–62567, 10.34117/bjdv7n6-571. Accessed 29 July 2022.

Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA) São considerados neonatos ou lactentes com indicadores de risco para deficiência auditiva aqueles que apresentarem os seguintes fatores em suas histórias clínicas:Griz, Silvana Maria Sobral, et al. “Indicadores de Risco Para Perda Auditiva Em Neonatos E Lactentes Atendidos Em Um Programa de Triagem Auditiva Neonatal.” Revista CEFAC, vol. 13, no. 2, 23 July 2010, pp. 281–291, 10.1590/s1516-18462010005000071. Accessed 15 Jan. 2022.

Pessoas na família com deficiência auditiva desde o nascimento (congênita) ou com início na infância Consanguinidade Infecções adquiridas no nascimento: Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes, HIV Infecções bacterianas ou virais adquiridas após o nascimento: Meningite, Citomegalovírus, Herpes, Sarampo, Varicela Peso ao nascimento inferior a 1.500 gramas Prematuridade ou pequeno para a idade gestacional (PIG) Hiperbilirrubinemia Apgar de 0 a 4 no 1º minuto, ou 0 a 6 no 5º minuto Permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais de 5 dias Uso de ventilação mecânica no nascimento Uso de antibióticos que podem prejudicar a audição como aminoglicosídeos e/ou diuréticos de alça Malformações na cabeça e no rosto envolvendo orelha e osso temporal Síndromes associadas à deficiência auditiva: Wardenburg, Alport, Pendred, entre outras Traumatismo cranianoBárbara, Carolina, et al. PREVALÊNCIA de INDICADORES de RISCO PARA SURDEZ EM NEONATOS EM UMA MATERNIDADE PAULISTA Prevalence of Deafness Risk Indicators in Newborns in a São Paulo’ Upcountry Materninty Hospital. Vol. 11, 2009. Accessed 29 July 2022.

Indicadores pré-natais Histórico de perda auditiva sensorioneural congênita na família; Consanguinidade entre os pais aumenta as chances de Deficiência Auditiva congênita; Uso de álcool, drogas psicotrópicas, de medicação ototóxica e tabagismo durante a gestação, uma vez que tais substâncias atravessam a barreira placentária e prejudicam o desenvolvimento fetal; Infecções intra-uterinas como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes, sífilis e HIV; Diabetes gestacional; A ausência de acompanhamento médico pré-natal pode ser um indicador de risco, uma vez que diversas patologias que acometem a audição podem passar despercebidas durante o período gestacional.

Indicadores pós-natais Hiperbilirrubinemia neonatal, que pode produzir efeito tóxico nas vias auditivas centrais provocando perda auditiva; Asfixia severa neonatal que pode provocar lesão e morte das células do sistema auditivo; Traumatismo craniano principalmente na região do osso temporal; Uso de medicamentos ototóxicos como  aminoglicosídeos em combinação com diuréticos, tombramicina, furosemida, gentamicina, amicacina, vancomicina e, indometacina; Permanência na UTIN por mais de 5 dias; Apgar Neonatal de 0 a 4 no primeiro minuto, ou 0 a 6 no quinto minuto. O índice de Apgar verifica o estado clínico do recém-nascido e também avalia riscos de uma asfixia perinatal. São observados cinco critérios: frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e coloração da pele;Silva, Daniela Polo Camargo da, et al. “Influência Do Apgar Baixo Na Primeira Triagem Auditiva Do Neonato.” ABCS Health Sciences, vol. 44, no. 2, 30 Aug. 2019, 10.7322/abcshs.v44i2.1183. Accessed 29 July 2022.

Peso ao nascer inferior a 1.500 gramas; Anomalias craniofaciais envolvendo orelha e osso temporal; Síndromes genéticas que usualmente expressam deficiência auditiva como Waardenburg, Alport, Pendred, etc; Distúrbios neurodegenerativos como síndrome de Charcot-Marie-Tooth, ataxia de Friedreich; Infecções bacterianas ou virais pós-natais como citomegalovírus, herpes, sarampo, varicela e meningite; Ventilação mecânica; Quimioterapia; Hipocalcemia neonatal; A preocupação do cuidador acerca da fala e comunicação oral da criança também deve ser um indicativo, uma vez que estes aspectos podem estar atrasados por uma possível Perda Auditiva.Alvarenga, Kátia de Freitas, et al. “Participação Das Famílias Em Programas de Saúde Auditiva: Um Estudo Descritivo.” Revista Da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, vol. 16, 1 Mar. 2011, pp. 49–53,www.scielo.br/j/rsbf/a/fGzNCRtzZV3KSkwJpFw8QgK/?lang=pt

Importância do Teste da Orelhinha Os testes de triagem neonatal, quando feitos no período recomendado, têm a capacidade de identificar as doenças- alvo ainda em fase pré-sintomática em recém-nascidos e permitir intervenção precoce, prevenção de manifestações e acompanhamento da saúde da criança, seus benefícios já são consolidados na literatura.

O Teste da Orelhinha ou Triagem Auditiva Neonatal é um exame importante para detectar problemas de audição em recém-nascidos, e assim, iniciar o diagnóstico e o tratamento das alterações auditivas desde cedo. O tratamento precoce é fundamental para evitar possíveis prejuízos no desenvolvimento da linguagem e consequentemente da fala.

Exames a serem feitos Para os neonatos e lactentes sem indicador de risco, utiliza-se o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE). Caso não se obtenha resposta satisfatória (falha), repetir o teste de EOAE, ainda nesta etapa de teste. Caso a falha persista, realizar de imediato o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (Peate-Automático ou em modo triagem).

Para os neonatos e lactentes com indicador de risco, utiliza-se o teste de PEATE, além de serem monitorados até os três meses de idade, com nova avaliação com os pais/responsáveis orientados sobre a importância deste monitoramento, devido a possíveis alterações de orelha média, ou perdas auditivas leves permanentes. alt=Figura contendo um fluxograma, mostrando as etapas e possíveis exames a serem feitos dentro do programa de triagem auditiva neonatal universal.|miniaturadaimagem|335x335px|Exemplo de fluxograma de um programa de Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU)