A mineração sempre teve uma relação estreita com a economia do Brasil. Desde o período colonial, o Brasil transformou a mineração - também responsável por parte da ocupação territorial - em um dos setores básicos da economia nacional. Atualmente, é responsável por três a cinco por cento do Produto Interno Bruto brasileiro.
Na obtenção de matérias-primas, é utilizada por indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, fertilizantes, petroquímica e responsável pela interiorização da indústria, inclusive em regiões de fronteiras. Em 2020, o setor mineral representou 3,18% do PIB. É um setor, portanto, de profunda importância, pois, além do que já representa para a economia nacional, há importantes depósitos minerais no subsolo brasileiro. Entre as substâncias encontradas, destacam-se o nióbio, minério de ferro (segundo maior produtor mundial), tantalita, manganês, entre outros.
A atividade mineradora é responsável pela criação de empregos diretos e indiretos, representando 200.293 empregos em 2021, com faturamento global de R$ 339 bilhões e um saldo na balança comercial de US$ 49 bilhões.http://www.cgee.org.br/arquivos/estudo011_02.pdfEm que pesem suas vantagens econômicas, a mineração está associada a uma série de importantes problemas sociais e ambientais, incluindo desigualdade, violência e criminalidade, conflitos fundiários, violações de direitos humanos, doenças, poluição das águas, ar e solo, alterações na paisagem e desmatamento.
História
thumb|left|Lavagem de diamantes em Serro Frio, Minas Gerais, por Carlos Julião, c. 1770
Durante todo o século XVIII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos (ouro, prata, cobre) e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planalto Central e Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A descoberta de ouro, diamante e esmeraldas nessa região provocou um afluxo populacional vindo de Portugal e de outras áreas povoadas da colônia, como São Paulo de Piratininga, São Vicente e o litoral nordestino. Já de início, o choque na corrida pelas minas levou a um conflito entre paulistas e grupo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil (Guerra dos Emboabas).
No total, estima-se que entre 1.000 e 3.000 toneladas de ouro foram levadas para a metrópole.
Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos tropeiros.
O país passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um novo polo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na sociedade.
As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escrava. A mineração também provocou o aumento do controle do comércio de escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os escravos eram os únicos que trabalhavam.
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos indígenas, através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil.
Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a capital do Brasil.
Conforme a Enciclopédia Delta de História do Brasil (1969), durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia, como o ouro, e, antes dele, o açúcar. Após o enfraquecimento da mineração, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos. Esse vácuo — o período do renascimento agrícola — gerou uma crise econômica que só teria fim mais tarde com a ascensão do café. Durante a crise, o poder aquisitivo da população caiu drasticamente.
Impostos
Entre 1735 e 1750, instituiu-se o sistema de impostos de capitação (per capita isto é, por cabeça, por pessoa) que previa a cobrança de 17 gramas de ouro por escravo.
O quinto que visava entregar à coroa 20% do ouro ou metais preciosos encontrados pelos mineradores. A Derrama que é a cobrança dos impostos atrasados. A coroa manteve apenas o imposto de quinto e fixou uma cota de 100 arrobas (cerca de 1 500 quilos) (finta) anuais para toda a área mineradora.
Em 1717 e 1719, também foi criado casas de fundição, onde as autoridades recolhiam o quinto e transformavam o ouro em barras, gravadas com o selo real. Porém no final do século XVIII com o rápido esgotamento das minas, o montante de ouro entregue à coroa, ficou cada ano mais distante da meta exigida. A ameaça de aplicação da derrama tornou-se, então, motivo de constante preocupação e descontentamento para os mineradores.
Em junho de 1720 aproximadamente 2 mil mineiros se revoltaram, comandados pelo tropeiro português Filipe dos Santos, tomaram Vila Rica e exigiram do governador da capitania que não concretizasse a criação das casa de fundição. O governo não aceitou, prendeu os revoltosos e enforcou e decapitou o líder Felipe dos Santos.
Linha do tempo Início do primeiro ciclo do ouro na década de 1690, descobertas filões nas atuais Tiradentes e São João del-Rei.Aventuras na História A idade do ouro e do contrabando. Acessado em 15/06/09. Em 1729, diamantes foram descobertos na mesma área. Em 1760, em torno de metade do ouro do mundo vinha do Brasil. No início do século XVIII, aproximadamente 400 000 imigrantes portugueses vieram explorar as minas do sudeste brasileiro. Mais de um milhão de escravos foram enviados da África para trabalhar nas minas de ouro. Em 1988, o Brasil era o 5° maior produtor mundial de ouro no mundo.
Atualidade Em 2019, os números do Brasil eram os seguintes: era o maior produtor mundial de nióbio (88,9 mil toneladas);USGS Niobium Production Statistics o 2º maior produtor mundial de tântalo (430 toneladas);USGS Tantalum Production Statistics o 2º maior produtor mundial de minério de ferro (405 milhões de toneladas);USGS Iron Ore Production Statistics o 4º maior produtor mundial de manganês (1,74 milhão de toneladas);USGS Manganese Production Statistics o 4º maior produtor mundial de bauxita (34 milhões de toneladas);USGS Bauxite Production Statistics o 4º maior produtor mundial de vanádio (5,94 mil toneladas);USGS Vanadium Production Statistics o 5º maior produtor mundial de lítio (2,4 mil toneladas);USGS Lithium Production Statistics o 6º maior produtor mundial de estanho (14 mil toneladas);USGS Tin Production Statistics o 8º maior produtor mundial de níquel (60,6 mil toneladas);USGS Nickel Production Statistics o 8º maior produtor mundial de fosfato (4,7 milhões de toneladas);USGS Phosphate Production Statistics o 12º maior produtor mundial de ouro (90 toneladas);USGS Gold Production Statistics o 14º maior produtor mundial de cobre (360 mil toneladas);USGS Copper Production StatisticsAnuario Mineral Brasileiro o 14º maior produtor mundial de titânio (25 mil toneladas);USGS Titanium Production Statistics o 13º maior produtor mundial de gipsita (3 milhões de toneladas);USGS Gypsum Production Statistics o 3º maior produtor mundial de grafite (96 mil toneladas);USGS Graphite Production Statistics o 21º maior produtor mundial de enxofre (500 mil toneladas);USGS Sulfur Production Statistics o 9º maior produtor mundial de sal (7,4 milhões de toneladas),USGS Salt Production Statistics além de ter tido uma produção de cromo de 200 mil toneladas.
Minérios metálicos thumb|Mina de ferro em Itabira-MG thumb|Extração de bauxita no Pará thumb|Extração de nióbio em Araxá-MG thumb|Mina de ouro datada de 1714, localizada em Ouro Preto-MG No ano de 2020, os minérios metálicos totalizaram perto de 80% do valor total da produção mineral brasileira que foi comercializada. Onze elementos totalizaram 99,7% do valor: alumínio, cobre, cromo, estanho, ferro, manganês, nióbio, níquel, ouro, vanádio e zinco. O maior destaque brasileiro é no ferro, que tem a maioria da participação (73,9%), cuja produção é em sua grande parte realizada nos estados de Minas Gerais e Pará.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em 2019 existiam 9.415 empresas mineradoras no país. Na região Sudeste sobressaem o minério de ferro, ouro, manganês e bauxita, no Quadrilátero Ferrífero; nióbio e fosfato em Araxá; gemas, em Governador Valadares; e grafita, em Salto da Divisa, todos no estado de Minas Gerais; além de agregados, em São Paulo e Rio de Janeiro, e rochas ornamentais, no Espírito Santo."O peso da mineração na Região Sudeste". CETEM O faturamento do setor de mineração no Brasil foi de R$ 153,4 bilhões em 2019. As exportações foram de US$ 32,5 bilhões. A produção de minério de ferro do país foi de 410 milhões de toneladas em 2019. O Brasil é o segundo maior exportador global de minério de ferro e tem a segunda posição no ranking de reservas: debaixo do solo brasileiro há pelo menos 29 bilhões de toneladas. As maiores reservas atualmente estão nos estados de Minas Gerais e do Pará."Ibram: produção de minério em 2019 caiu, mas faturamento cresceu". Agência Brasil
Segundo dados de 2020, o Pará é o maior estado minerador brasileiro. Minas Gerais é o segundo maior produtor, com atividade de mineração em mais de 250 municípios, e mais de 300 minas em operação. Em 2020, dos 10 maiores municípios mineradores, sete estão em Minas. Em 2013, possuía 58 das 200 maiores minas do Brasil. A Vale S.A. é a principal empresa atuante na produção do minério de ferro no estado. Em 2020, o estado respondeu por 40% da produção mineral do país, e nele atuam mais de 1.800 empresas, gerando mais de 64 mil postos de trabalho.
Em 2020, na Região Sudeste, em termos de produção bruta (ROM), os números foram os seguintes: Minas Gerais foi o maior produtor do país de ferro (322 milhões de toneladas, comercializando a um valor total de R$ 66,4 bilhões), zinco (2,9 milhão de toneladas a um valor de R$ 564 milhões) e nióbio (em forma de pirocloro) (3,7 milhão de toneladas a um valor de R$ 276 milhões). Além disso, Minas foi o 2º maior produtor de alumínio (bauxita) (1,75 milhão de toneladas a um valor de R$ 102 milhões), 4º de manganês (334 mil toneladas a um valor de R$ 58 milhões) e 5º de estanho (531 mil toneladas a um valor de R$ 1,8 milhões). Foi também o maior produtor de ouro, em termos de produção beneficiada, com 34,1 toneladas a um valor de R$ 9,6 bilhões). Minas Gerais teve 39,87% do valor da produção mineral comercializada do Brasil, com R$ 77,12 bilhões.