Beatriz Ferreira Milhazes (Guanabara, 1960)Mondadori Electa (2012). Beatriz Milhazes: Snow in the Tropics. Antique Collectors Club Limited. ISBN 978-88-370-8756-2. é uma artista plástica brasileira.
Biografia É formada em Comunicação Social. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage) em 1980, onde estudou até 1983. Como professora de pintura e coordenadora de projetos educacionais, lecionou até 1996.
Milhazes é considerada uma das mais importantes artistas brasileiras. Consolidou sua carreira no circuito nacional e internacional de Artes Plásticas com participação nas bienais de São Paulo (1998 e 2004), Shangai (2006) e Veneza (2003, 2024) onde desenvolve um projeto especial para o Pavilhão de Artes Aplicadas, na sale d’armi, Arsenale, uma colaboração entre o Victoria and Albert Museum (V&A), de Londres, e La Biennale.
Exposições com um panorama atual de seu trabalho em museus e instituições prestigiosas, como na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2008); Fondation Cartier, Paris (2009); Fondation Beyeler, Basileia (2011); Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2012); no Museo de Arte Latinoamericano (Malba), Buenos Aires (2012); Paço Imperial, Rio de Janeiro (2013), Pérez Art Museum, Miami (2014/2015), White Cube Gallery, Londres (2018), MASP – Museu de Arte de São Paulo (2020) e Pace Gallery, Nova Iorque (2022).
Suas obras integram as coleções do MoMA – The Museum of Modern Art, Nova Iorque; Solomon R. Guggenhein Museum, Nova Iorque; SFMoMA – San Francisco Museum of Modern Art, São Francisco; MNBA - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; Fundação Edson Queiroz, Fortaleza; Tokyo Art Museum, Tóquio; 21st Century Museum of Contemporary Art, Kanazawa; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid; Fondation Beyeler, Basileia; Centre Georges Pompidou, Paris; Tate Modern, Londres.
É representada pelas galerias de arte Fortes D’Aloia e Gabriel (FDAG), Max Hetzler Gallery, White Cube Gallery e Pace Gallery.
Carreira A trajetória de Beatriz Milhazes nas Artes Plásticas começou em 1980 ao ingressar na EAV/Parque Lage, onde, mais tarde, passou a ser professora e a coordenar atividades culturais.Secretaria de Estado de Cultura do Espírito Santo. Maes recebe exposição da artista plástica Beatriz Milhazes, nesta terça, acesso em 2 de junho de 2010
Cursou gravura em metal e linóleo no Atelier 78, com Solange Oliveira e Valério Rodrigues, nos anos 1995 e 1996. Em 1997, participou do livro" As Mil e Uma Noites à Luz do Dia" : Sherazade Conta Histórias Árabes, de Katia Canton, com suas ilustrações.
Prêmios e medalhas AnoPrêmio1984Prêmio Iberê Camargo, prêmio de aquisição do 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro1989Especial referência do júri da II Bienal Internacional de Cuenca, Equador1990Prêmio Brasília de Artes Plásticas do Museu de Arte de Brasília1992Prêmio Eco Art, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro2007Chevalier des Arts et des Lettres outorgada pelo governo francês2010Ordem do Ipiranga outorgada pelo Governador de São Paulo José Serra2016Ordem do Mérito Cultural – Classe Comendador
Atividades didáticas AnoUniversidades1986/96Lecionou e coordenou o Departamento de Pintura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro1997Tylers University, Filadelfia PA, EUA - Artista visitanteWichita University, Wichita KS, EUA - Artista visitante1998Yale University, New Haven CT, EUA - Artista visitante2005Massachusetts College of Art, Boston MA, EUA - Artista visitante2008Programas especiais da Idyllwild Arts, Los Angeles CA, EUA2013School of the Art Institute of Chicago, Chicago IL, EUA - Artista visitanteAnoOficinas2016MASP Museu de Arte de São Paulo – Oficina de desenho, Histórias de Crianças2017Carpintaria, (Fortes D’Aloia & Gabriel), Rio de Janeiro – Oficina infantil, Marola, Mariola e Marilola2018Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris – Oficina infantil2019MASP Museu de Arte de São Paulo – Oficina infantil, O Círculo e seus Amigos2023Instituto Incluzartiz – Oficina InfantilTurner Contemporary, Margate, Inglaterra – Oficina infantil por ocasião da mostra Beatriz Milhazes: MaresiasCliftonville Cultural Center, Margate, Inglaterra.
Pinturas "Abram o reino" (1988); "Me perdoa… Te perdôo!" (1989); “Paz e Amor” (1992); "Viagem ao centro da Terra" (1993); "O Beijo" (1995); "Gavião e Passarinhos" (1998); "Os pares" (1999); "Batulada" (1999); "O Selvagem" (1999); "O Mágico" (2001); "Ilha de Capri" (2002); "O Diamante" (2002); "O Caipira" (2004); “Beleza Pura" (2006); "Mulatinho" (2008); "Popeye" (2007-2008); "Sinfonia Nordestina" (2008); "Pierrot e Colombina" (2009); "O Moderno" (2015); “Coqueiral em marrom e azul celeste” (2016-2017); "Mistura sagrada" (2022); "Meia noite, meio dia" (2023); "O Vendedor de Frutas" (2023).
Técnica Em 1989, Beatriz Milhazes desenvolveu sua técnica de pintura baseada no processo de monotipia seca. Sobre uma folha de plástico transparente, são pintados com várias camadas de tinta acrílica os diversos motivos, elementos e áreas sólidas de cor criados individualmente. As camadas justapostas formam uma película suficientemente espessa e resistente para que possam ser transferidas para a tela de algodão e/ou linho após a aplicação de um medium acrílico. A técnica impõe um grande controle e distanciamento para a construção das imagens assim como oferece um resultado “painterly” para a superfície das pinturas. A importância desta descoberta abriu portas importantes para o desenvolvimento da linguagem da artista e conceitos na pintura e se mantém presente em sua prática de atelier.
Sua obra é focada principalmente na pintura; também desenvolve trabalhos no campos da colagem, gravura, cenografia e projetos para espaços específicos. Realizou ilustrações para livros, como em “1001 Noites à Luz do Dia - Sherazade conta histórias árabes", de Katia Canton; e projetos gráficos para editoriais de revistas e jornais.
Projetos especiais Ano Projetos especiais2004Gávea. Projeto Brasil 40º - Projeto criado para a fachada de vidro da Selfridge's & Co, Manchester, Reino Unido2005/2006Peace and Love - Painel de vinil criado para a estação de metrô Gloucester Road - Platform for Art, London Underground, Londres, Reino Unido2005/2007Guanabara - Painel de vinil criado para o restaurante Level 7 da Tate Modern, Londres, Reino Unido2007O Sonho - Seis paneis criados para a loja da Taschen de Nova York projetada por Philippe Starck, EUA2008Bailinho - Projeto criado para as janelas de uma das salas da Pinacoteca do Estado de São Paulo, BrasilMaracolouco - Projeto criado para a fachada de vidro do Museum of Contemporary Art (MOT) - Tóquio, JapãoGamboa - Móbile criado para a Prospect.1, New Orleans-US Biennial, Inc. - Louisiana State Museum, EUA2009Casa de Baile e Samambaia - Projeto criado para a fachada de vidro da Fondation Cartier, Paris, França2009/10American Seasons - pintura mural projetada para a [wall-painting designed for the] K & L Gates Center,. Pittsburgh, USA. 2009.2010Arpoador - Criação de um jardim para o Festival de Jardins do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, BrasilSaravá - Projeto criado para a fachada de vidro da galeria Stephen Friedman, Londres, Reino UnidoO Sol - Cerâmica criada para o chão da Fondation Beyeler, Basel, Suíça2011Aquarium - Criação de um móbile para o Atelier Cartier e a Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, FrançaGamboa - Móbile recriado para a Fondation Beyeler, Basel, Suíça2012Jardim Verde - Criação de um painel para a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, PortugalJoaquim Maria - Cortina criada para MALBA - Fundacion Costantini, Buenos Aires, Argentina2013Gamboa I - Móbile criado para o Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ2013/14Oceana Norte e Oceana Sul - Mosaicos de cerâmica criados para dois murais nas duas torres do Projeto Oceana, Key Biscayne de Eduardo Constantini, Miami EUA.2015/16Oilalá - Painel de vinil criado para Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro2016Gamboa II – Móbile criado para o The Jewish Museum, Nova York, EUAMoon Love Dreaming - Projeto permanente (wall-painting) desenvolvido para The Grace Farms Foundation – Nova Canaã/Conecticute, Estados Unidos. O projeto arquitenônico do local foi desenvolvido pelo SANAA (Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa).2016/17Tuiuti e Paquetá – Projetos permanentes de cerâmica e de wall-painting, respectivamente, desenvolvidos para o driveway e o lobby do Hospital Presbiteriano de Nova York.2018/19Yellow Flower Dream – obra criada para a A-Art House, dentro do projeto Art House Project, ilha de Inujima, Japão.2020Gamboa Seasons in La Jolla – mural impresso reproduzindo as imagens do poliptico Gamboa Seasons, parte do La Jolla Murals, no bairro de La Jolla, San Diego, CA. Inagurado em jul 2020Artycapucine LV – Criação de desenho exclusivo para bolsa Capucines, ícone da marca. Lançamento set 20202021Safety Curtain Project, mip-museum in progress e Opera de Viena. 21 out 2021 a 30 jun. 2022.2022O Esplendor - Projeto criado para a fachada de vidro do Long Museum, Shangai, por ocasião da mostra Beatriz Milhazes: Ballet em Diagonais2023O Esplendor – Projeto criado para a fachada de vidro da Turner Contemporary, Margate, Reino Unido, por ocasião da mostra Beatriz Milhazes: Ballet em Diagonais
Cenografia miniaturadaimagem|367x367px|Tempo de Verão, 2004 Ano Cenografia1987Dançando Villa-Lobos1994Poème de l’Enfant et sa Mère1995/96Santa Cruz1998/99A Rosa e o Caju2000Os PássarosJoaquim Maria2004Tempo de Verão2008Meu Prazer2012Camélia2015/16Sempre seu
Gamboa Originalmente inspirada no cenário Tempo de Verão, criado em 2004 para a apresentação de Marcia Milhazes Cia de Dança, o mobile Gamboa de Beatriz Milhazes se transformou desde então em uma ocupação especial que se adapta às especificações de cada local onde ele é apresentado.
Tempo de Verão (2004) foi concebido como um candelabro que flutuava no palco, e existia somente em sua relação com a performance. Sua intensidade estava concentrada nas pontas, compostas por uma rica mistura de elementos suspensos por fios que iluminava a cena da dança. Em Gamboa, estes elementos elaborados ocupam o espaço em vários pontos ao longo dos fios, organizando o equilibrio entre peso e volume. Nasce, então, a ideia de uma escultura completa, uma obra em si mesmo.
Henri Matisse, Tarsila do Amaral, e Piet Mondrian assim como o desfile de Carnaval no Rio de Janeiro, criado pelo carnavalesco Fernando Pinto nos anos 80, são fortes referências no trabalho de Beatriz Milhazes desde o início do desenvolvimento de sua linguagem visual. Cada versão do Gamboa é produzida a partir dos desenhos de Beatriz por artesãos baseados em motivos e ornamentos do Carnaval. Com a coordenação de Sergio Farias e Glauce Milhazes, por artesãos da Imperatriz Leopoldinense (Gamboa, Gamboa I e II) e Gabriel Haddad e Leonardo Bora (Gamboa III) coordenando artesãos da Grande Rio. Uma rica mistura de materiais novos e reciclados de outros desfiles trazem para a obra a energia e o espírito da rica cultura carioca e suas tradições.
Com suas performances, Marcia Milhazes Cia de Dança desenvolve um diálogo contínuo com diversas versões da obra ao longo do tempo, incluindo a mais recente instalação, Gamboa III na Pace Gallery em Nova Iorque. Ao entrar no ambiente das artes visuais, suas coreografias são um acontecimento – a criação de um harmonioso e infinito ciclo.
O cenário Tempo de Verão da apresentação de Marcia Milhazes Cia de Dança, em 2004, se transformou em um conceito espacial baseado no formato de móbiles e ganhou os espaços de Museus, Instituições e Galerias de arte, a partir de 2008.