(; – ) foi um político da época da República Romana, no século II a.C. Pertencia à gente Semprônia e era irmão do famigerado reformista Tibério Semprônio Graco — como ele, era membro da facção dos populares. Sua eleição ao cargo de tribuno da plebe ocorreu em 122 a.C. Era um defensor de reformas políticas em favor da plebe, o que o levou à morte pelas mãos dos senadores romanos, em 121 a.C..

A política assistencialista de Caio Graco levou o poeta satírico Juvenal, em suas Sátiras, cunhar a expressão Pão e Circo (panem et circenses).

Contexto Caio Graco nasceu em família de grande tradição na política da Roma Antiga. Seu pai, Tibério Graco, o Velho, foi muito influente e estabeleceu uma grande e poderosa clientela na Hispânia. Sua mãe, Cornélia Africana, filha de Cipião Africano, era uma nobre matrona que tinha grande influência sobre os dois irmãos Gracos; já viúva, ela recusou uma proposta de casamento de Ptolemeu VIII, o faraó do Egito ptolemaico, preferindo devotar sua vida à criação de seus filhos.Bradley (2007)

A família dos Gracos era ligada à facção dos Cláudios na política romana, a despeito da ascendência de Cornélia. Supõe-se, contudo, que os dois irmãos Gracos tenham mantido relações com os mais poderosos membros dos Cláudios e dos Cornélios Cipiões.

Caio Graco era nove anos mais novo que seu irmão Tibério Graco e foi muito influenciado tanto por suas políticas reformistas quanto por sua morte pelas mãos de um grupo de senadores. Plutarco sugere que que foi "a dor que ele sofreu [que] o encorajou a falar destemidamente sempre que lamentava o destino de seu irmão".Plutarch, Makers of Rome, Penguin Books, 1965 Alguns aspectos de suas reformas, especialmente as reformas jurídicas, foram direcionados às pessoas responsáveis pela morte de Tibério.

Primeiros anos thumb|direita|Caio Graco discursa no Fórum Romano. A carreira política de Caio começou em 133 a.C., quando ele serviu na comissão responsável por implementar a Lex Sempronia Agraria de Tibério. Nos anos seguintes, já depois da morte de Tibério, Cipião Emiliano concordou representar os aliados italianos, que estavam protestando justamente contra as injustiças que a reforma de Tibério se propunha resolver, e a plebe romana se voltou contra ele, acusando-o, ironicamente, de agir contra o legado de Tibério Graco com a intenção de revogar sua lei e incitar um derramamento de sangue.Apiano, História Romana, Guerras Civis 1.19

Em 129 a.C., Cipião morreu repentinamente e Caio, um dos seus principais inimigos, foi implicado na morte. Caio Papírio Carbão, seu aliado, havia proferido, naquele dia, um poderoso discurso contra Cipião. Além disto, entre 132 a.C., quando retornou da Hispânia, e sua morte, em 129 a.C., Cipião "inexoravelmente começou a unir a oligarquia reinante contra Caio".Stockton 85-6 Outros membros da família dos Gracos também foram formalmente acusados, especialmente Semprônia, irmã de Caio e esposa de Cipião Emiliano, que se referia a ela como "deformada" e "estéril", e Cornélia Africana, mãe de Caio e Semprônia.Apiano, História Romana, Guerras Civis 1.20

Questor Em 126 a.C., Caio foi eleito questor da província romana da Sardenha, onde ganhou uma boa reputação. Durante seu mandato, Caio aproveitou para aprimorar suas habilidades oratórias.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 2</ref>

Em um inverno sardenho particularmente difícil, o legado da guarnição local requisitou suprimentos das cidades vizinhas, apesar dos protestos. Quando elas apelaram e conseguiram a aprovação do Senado para manterem suas provisões, Caio um pedido pessoal por ajuda. Temendo uma artimanha visando angariar apoio popular, o Senado recusou-se a receber os emissários de Micipsa, rei da Numídia, que havia enviado cereais a Caio em resposta ao seu pedido. Além disso, os senadores ordenaram que a guarnição fosse trocada, mas mantiveram Caio na Sardenha, longe de Roma.

Caio retornou a Roma para apelar desta decisão. Ele foi acusado de ter abandonado ilegalmente seu posto, mas conseguiu apoio popular quando revelou publicamente que já havia servido por doze anos — dois anos a mais do que o necessário — e que já havia servido como questor por dois quando o necessário era apenas um. Além disto, ele defendeu que sempre havia utilizado o dinheiro enviado por Roma para ajudar a província e que não havia enriquecido em sua posição, como era comum.

Ele foi acusado também de ajudar uma revolta em Fregelas, mas sem provas. Seu apoio às reformas de Caio Papírio Carbão e Marco Fúlvio Flaco, sua evidente habilidade oratória e sua associação com as reformas de seu irmão levaram vários senadores da facção dos optimates a tentarem processá-lo com base em acusações falsas ou muito exageradas. Caio conseguiu se livrar das acusações facilmente e, em 123 a.C., foi eleito para servir como tribuno da plebe no ano seguinte.Cary (1989)

Tribuno da plebe (122–121 a.C.) thumb|direita|Estátua dos irmãos Graco, Caio e Tibério, ídolos da plebe romana no final do século II a.C.. Caio utilizou sua celebrada oratória, considerada a melhor de Roma, para atacar seus adversários políticos sempre que podia e lamentava com frequência o destino de Tibério. Ele criticava o fracasso do Senado em emular o respeito que seus antepassados tinham pela função de tribuno, citando as antigas decisões de declarar guerra aos falérios por terem insultado o tribuno Genúcio e a condenação à morte de Caio Vetúrio por ter se recusado a abrir caminho para um tribuno. Ele ainda admoestava a plebe por ter permitido que Tibério e seus aliados fossem surrados até a morte e citou as sentenças de exílio que se seguiram ao massacre, afirmando que elas eram ilegais por que aos acusados foi negado o direito de um julgamento.<ref>Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 3

Reformas em 122 a.C. As reformas sociais de Caio tinham alcance muito mais amplo que as de seu irmão. Possivelmente motivadas pelo destino de seu irmão, algumas de suas primeiras reformas tratavam do sistema judiciário. Ele propôs duas medidas iniciais, a primeira proibindo a re-eleição de um magistrado que houvesse sido deposto pelo povo para um segundo mandato. A segunda estabelecia o direito do povo de processar qualquer magistrado que tivesse exilado cidadãos sem julgamento.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 4

As cortes com poder de decidir pela pena de morte e que não fossem ordenadas pelo povo foram declaradas ilegais através de uma medida retrospectiva, o que levou o ex-cônsul Públio Popílio Lenas. Outras reformas ao sistema judiciário foram aprovadas para dificultar as absolvições por júris senatoriais de senadores acusados de extorsão: a Lex Acilia Repetundarum colocou os julgamentos dos crimes de extorsão sob o controle dos equestres e os procedimentos do julgamento foram reformulados para aumentar a vantagem da acusação. Os júris nos casos criminais passaram a ser compostos por senadores e equestres.

A Lex Sempronia Agraria foi reforçada e teve seu escopo ampliado. Grandes colônias ultramares foram planejadas para abrigarem milhares de colonos, entre os quais, possivelmente, estavam um grande número de aliados italianos além dos cidadãos romanos. A Lex Frumentaria requeria que o estado comprasse cereais em grandes quantidades no norte da África e da Sicília para permitir a distribuição aos habitantes de Roma a um preço baixo mensalmente. Estradas secundárias foram construídas por toda a Itália para facilitar o comércio e a comunicação com Roma. Os censores romanos leiloaram contratos para coletores de impostos na Ásia.

A Lex Militaris de Caio previa um jogo de uniforme e equipamentos gratuitos para os soldados, reduzia o tempo de serviço militar e proibia o alistamento de adolescente com menos de dezessete anos. Estas reformas tinham como objetivo aumentar o moral do exército e, principalmente, conseguir o apoio dos soldados mais pobres, seus futuros eleitores.Allen, Fritz & Cedric (1999)

Caio propôs ainda uma lei cujo objetivo era estender a cidadania romana para todos os cidadãos latinos e a cidadania latina para todos os italianos aliados, mas ela foi rejeitada por causa dos plebeus da cidade de Roma, que não tinham interesse nenhum em dividir as benesses da cidadania (especialmente a ração de cereais e os jogos romanos) com mais gente. Esta rejeição foi, em parte, responsável pela desastrosa Guerra Social da década de 90 a.C..

Em mais um golpe ao poder do Senado, Caio alterou a forma como os discursos eram fisicamente realizados na Rostra do fórum. Antes, quem discursava no fórum se voltava para direita, ficando de frente para a Cúria, onde se reunia o Senado, e o Comício. Caio se voltava para a esquerda, encarando o próprio Fórum, o que o deixava de costas para o Senado.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 5Fredrick (2002), p. 198–199

Caio foi muito eficiente em sua administração. Ele supervisionou a implementação de cada nova lei e escolheu pessoalmente 300 novos juristas equestres.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 6 No final do ano, Caio ajudou na eleição de Caio Fânio Estrabão ao consulado e foi re-eleito tribuno da plebe para o ano de 121 a.C..Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 8

Resposta senatorial thumb|direita|Caio Graco se despede de sua esposa Licínia.1858. Por Dióscoro Puebla, na Real Academia de Belas-Artes de São Fernando, em Madrid. O Senado interpretou a popularidade de Caio e suas reformas como ameaças e passou a apoiar um outro tribuno, Marco Lívio Druso. Ele recebeu ordens estritas de não incitar atos violentos e de propor leis de interesse da plebe sempre indicando que contava com o apoiava com o apoio dos senadores. Contudo, as leis propostas por ele eram pouco críveis e em nada ajudavam na situação da plebe. Elas tinham como único objetivo minar a posição de Caio.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Caio Graco 8-9

Quando Caio propôs que duas colônias fossem fundadas para abrigar cidadãos romanos, o Senado o acusou de estar tentando roubar a atenção da plebe antes que Druso propusesse sua versão da mesma lei, que previa a criação de doze colônias com mais de cidadãos. O mesmo aconteceu quando Caio propôs a concessão de pequenos lotes de terra para os romanos mais pobres em troca de um pequeno aluguel a ser pago ao tesouro romano; os senadores o acusaram de tentar roubar a ideia de Druso, que propunha a mesma lei, mas sem a necessidade do pagamento do aluguel. Finalmente, quando Caio propôs que os latinos recebessem direito de votar, o Senado protestou, mas aprovou uma versão proposta por Druso que impedia que os latinos fossem surrados pelos lictores, um direito até então reservado aos romanos. Druso se esforçou bastante para garantir que ele não seria visto como o responsável por essas leis, política ou economicamente, mas apenas como o instrumento do Senado na proposição de leis que favoreciam a plebe. O plano funcionou e a hostilidade em relação aos senadores diminuiu.

Quando uma lei foi aprovada prevendo a fundação de uma colônia em Cartago, que havia sido destruída em 146 a.C. por Cipião Emiliano, Caio foi nomeado para supervisionar a operação e partiu de Roma para a África. Druso aproveitou a ausência de Caio para atacar Marco Fúlvio Flaco, seu aliado, conhecido por agitar a população contra o Senado e por suspeitas de inflamar a revolta contra Roma entre os aliados italianos.

Na eleição para o consulado de 122 a.C., um candidato emergiu para competir com Caio Fânio Estrabão, aliado de Caio Graco, Lúcio Opímio. Um ferrenho conservador e membro da elite oligárquica de Roma, Opímio queria restaurar o poder e a glória do Senado e, por isso, contava com um grande apoio em Roma. Opímio assumiu para si a missão de depor Caio Graco.

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