Völuspá (A Profecia da Vidente) é o primeiro e mais conhecido poema da Edda poética. Conta a história da criação do mundo e de seu iminente final, narrada por uma völva e dirigida a Odin. É uma das principais fontes primárias para o estudo da mitologia nórdica.

A profecia começa com uma invocação a Odin, após a qual a vidente começa a relatar a história da criação do mundo de forma resumida. A vidente explica como conseguiu tal conhecimento, conhecendo assim a fonte da onisciência de Odin, e outros segredos dos deuses de Asgard. Menciona os acontecimentos presentes e futuros, aludindo a muitos dos mitos nórdicos, como a morte de Balder e a prisão de Loki. Por último, a vidente fala do fim do mundo, Ragnarök, e de sua segunda vinda.

Preservação

O Völuspá é encontrado no manuscrito de Codex Regius (ca. 1270) e no Codex Hauksbók, de Haukr Erlendsson (ca. 1334), e muitas de suas estrofes são citadas ou parafraseadas na Snorri Sturluson da Edda em prosa (escrita ca. 1220, o mais antigo manuscrito existente data de ca. 1300). A ordem e o número de estrofes variam em suas fontes. Alguns editores e tradutores reorganizaram o material ainda mais. A versão do Codex Regius é geralmente usada como base das traduções.

Estrutura O poema consiste em cerca de 60 estrofes fornyrðislag. Na edição de Sophus Bugge, a versão de Hauksbók tem 59 estrofes enquanto a versão do Codex Regius tem 62 estrofes. Alguns manuscritos contem estrofes que não estão nos outros. A versão normalizada de Bugge tem 66 estrofes. O poema faz um uso esporádico de refrões.

O Mito da Criação No início dos tempos existiam dois mundos, o do fogo e o do gelo. No abismo entre eles, Ginnungagap, caíram faíscas do primeiro sobre o gelo do mundo gélido. Daí surgiu o gigante Ymir, o progenitor dos gigantes, bem como a vaca Ödhumla, da qual os Asses (deuses) traçam a sua origem:

Os deuses mataram Ymir e criaram a terra a partir da sua carne, as montanhas dos seus ossos, a floresta dos seus cabelos, das suas feridas as águas e do seu crânio o firmamento. Depois, os Asses criaram o primeiro par de seres humanos a partir de dois troncos de árvore, Askr e Embla.

Interpretações A recriação do mundo A misteriosa divindade suprema mencionada ao final do poema tem sido objeto de muitas interpretações e controvérsias. Foi sugerido, entre outras coisas, que a passagem se refere a Jesus e que o poema, portanto, trata na realidade da vitória do cristianismo sobre o paganismo.Lindow (2001) s. 441 Esta visão é rejeitada pela historiadora das religiões norueguesa Gro Steinsland. Ela sugere que a ideia de um deus supremo é uma ideia pagã original, resultante de uma influência cristã. Steinsland baseia seu ponto de vista no fato de o poema conter tantos conceitos pagãos — incluindo o fato de que alguns dos deuses pagãos realmente sobrevivem ao Ragnarök — que seria impossível ter sido criado com um propósito cristão. Ela acredita, portanto, que o texto expressa uma tendência monoteísta dentro da religião pagã, e que a religião nórdica provavelmente teria evoluído para uma religião monoteísta se tivesse sobrevivido à conversão.Steinsland (2005) s. 129 Outros sugeriram que a figura mencionada é Heimdall.Clunies Ross (1994) (s. 237) Uma proposta ainda mais radical é que o poema reflete um culto real a Heimdall e que a obra trata da derrubada de Odin para que a antiga ordem, com Heimdall como deus governante, seja restaurada.Höckert (1926)

A visão de Nidhug A aparição de Nidhug na edição do Hauksbók é outra passagem muito enigmática e debatida. Uma das questões centrais é se esta é uma visão do futuro ou um evento no presente do poema. A resposta tem grande importância para a compreensão da visão de mundo subjacente à obra. Se a visão for um evento futuro, a perspectiva temporal do poema torna-se cíclica, e o mundo ressurgirá e será destruído repetidamente, pois o mal e o caos sobrevivem — o que, na lógica do poema, levaria um dia a um novo fim do mundo. Se for uma visão do presente, o desenvolvimento seria linear e a remoção do mal do mundo seria definitiva.Steinsland (2005) s. 130

O pesquisador americano John Lindow interpreta-a num contexto cristão. Ele acredita que o dragão deve ser visto como uma imagem dos antigos deuses demoníacos que não desapareceram mesmo quando o verdadeiro deus surgiu. Lindow encontra um paralelo possível na Saga de Erasmo, onde um dragão aparece quando uma estátua de Thor é destruída. Na Idade Média, o dragão representava uma revelação da verdadeira natureza dos deuses; como povo do diabo, eles não podiam ser eliminados, apenas mudar de forma.Lindow (2001) s. 441-442 Gro Steinsland rejeita, porém, a possibilidade de o dragão aparecer no novo mundo, pois a diferença entre o novo e o antigo mundo é tão fundamental que o mal destrutivo não pode fazer parte do novo. O novo mundo carece completamente dos problemas deste mundo: por exemplo, os grãos crescem sem serem semeados e velhos inimigos se reconciliam. Com base nisso, Steinsland conclui que a compreensão do tempo no poema deve ser linear e que o dragão deve pertencer à narrativa moldura, assim como a menção da vidente a si mesma. O dragão funcionaria, portanto, como um sinal do fim iminente do mundo, ou seja, era uma imagem poética de que a sua visão estava prestes a tornar-se realidade.Steinsland (2005) s.131 Preben Meulengracht Sørensen apontou que o fato de a estrofe ser narrada no presente, ao contrário das anteriores no futuro, é um argumento essencial de que ela descreve uma situação no tempo presente.Meulengracht Sørensen (2006) s. 75

Sinopse

thumb|"Odin and the Völva" (1895) por Lorenz Frølich. O poema começa com a völva pedindo silêncio para "os filhos de Heimdallr" (seres humanos) e perguntando a Odin se ele quer que ela recite o conhecimento antigo. Ela diz que ela se lembra dos gigantes nascidos na antiguidade que criaram ela.

Então ela começa a relatar o mito da criação; o mundo estava vazio até que os filhos de Borr levantaram a terra para fora do mar. Os Æsir, então, estabeleceram ordem nos cosmos, encontrando lugares para o Sol, a Lua e as Estrelas, e, assim, começando o ciclo do dia e da noite. A era dourada, que seguiu os Æsir, tinha ouro suficiente e eles, contentes, construíram templos e fizeram ferramentas. Mas, então, as três poderosas donzelas dos gigantes vieram de Jotunheim e a era de ouro acabou. Assim, os Æsir criaram os anões, dos quais Durinn e Motsongir são os mais poderosos.

Neste ponto, dez estrofes do poema acabaram e sucedem-se seis estrofes que contêm nomes de anões. Esta seção, às vezes chamada de (catálogo de anões), é geralmente considerada uma interpolação e às vezes omitida por editores e tradutores.

Depois do Dvergatal, a criação do primeiro homem e da primeira mulher são recontados e a Yggdrasil, a árvore do mundo, é descrita. A vidente recorda os eventos que levaram à primeira guerra, e o que ocorreu na luta entre os Æsir e os Vanir.

A vidente, então, revela a Odin que ela sabe alguns de seus segredos, sobre o que ele sacrificou na busca do conhecimento. Ela conta-lhe que sabe onde seu olho está escondido e como ele abriu mão dele em troca da sabedoria. Ela pergunta-lhe, em vários refrões, se ele entende, ou se quer ouvir mais.

A vidente começa a descrever o assassinato de Balder, o mais justo dos deuses e o inimigo de Loki, e dos outros. Então ela profecia a destruição dos deuses onde o fogo e o dilúvio oprimem o céu e a terra quando os deuses lutarem sua última batalha com seus inimigos. Este é o "destino final dos deuses" - Ragnarök. Ela descreve o chamado para a batalha, a morte de muitos dos deuses e como Odin é assassinado.

Finalmente, um mundo belo e renascido vai levantar-se das cinzas da morte e destruição, onde Balder vai viver novamente neste novo mundo, onde a terra é abundante sem clamar por sementes. Uma última estrofe descreve a repentina aparição do dragão Níðhöggr, trazendo corpos em suas asas, antes que a vidente acorde do transe.

Notas

Bibliografia Bugge, S. (1867): Norræn fornkvæði Malling, Christiania (Oslo). Dronke, U. (1997): The Poetic Edda: Volume II: Mythological Poems. Clarendon Press, Oxford. Björnsson, E. (ed.): Völuspá Nordal, S. (1952): Völuspá. Helgafell, Reykjavik. Thorpe, B. (tr.) (1866): Edda Sæmundar Hinns Froða: The Edda Of Sæmund The Learned (2 vol.) Trübner & Co., Londres. García Pérez, R. (traducción, introducción y notas) (2014): Völuspá. La profecía de la vidente. Miraguano ediciones, Madrid. Völuspá and the Feast of Easter", Alvíssmál 12 (2008): 3-28

Ligações Externas Tradução e Notas de A Profecia da Vidente do Nórdico Antigo ao Português

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