Etienne Henri (ou Nicolas) Méhul (Givet, 22 de junho de 1763 — Paris, 18 de outubro de 1817) foi um compositor francês, "o mais importante compositor de ópera na França durante a Revolução Francesa". Ele também foi o primeiro compositor a ser chamado de "Romântico".

Vida Méhul nasceu em Givet, nas Ardenas, filho de Jean-François Méhul, comerciante de vinhos, e sua esposa Marie-Cécile (nascida Keuly). Suas primeiras aulas de música vieram de um organista local cego. Quando mostrou potencial, foi enviado para estudar com um músico e organista alemão, Wilhelm Hanser [de], no mosteiro de Lavaldieu, a poucos quilômetros de Givet. Lá, Méhul desenvolveu seu amor vitalício pelas flores.Adélaïde de Place pp. 8–11

Em 1778 ou 1779, foi para Paris e começou a estudar com Jean-Frédéric Edelmann, cravista e amigo do ídolo de Méhul, Christoph Willibald Gluck. A primeira composição publicada de Méhul foi um livro de peças para piano em 1783. Ele também arranjou ares de óperas populares e, no final da década de 1780, começou a pensar em uma carreira operística para si mesmo.Adélaïde de Place, Étienne-Nicolas Méhul, Paris, Éditions Bleu Nuit, coll. « Horizons », 2005, 176 p. ISBN 978-2-913575-74-5

Em 1787, o escritor Valadier ofereceu a Méhul um de seus libretos, Cora, que havia sido rejeitado por Gluck em 1785. A Académie royale de musique (Ópera de Paris) colocou a obra de Méhul, sob o título Alonzo et Cora, em ensaio em junho de 1789. No entanto, os ensaios foram abandonados em 8 de agosto, provavelmente porque a Ópera vinha enfrentando sérias dificuldades financeiras durante toda a década de 1780, e a ópera só estreou em 1791.Adélaïde de Place pp. 27–28 Enquanto isso, Méhul encontrou um colaborador ideal no libretista François-Benoît Hoffman, que escreveu as letras da primeira ópera de Méhul a ser apresentada, Euphrosine. Sua estreia em 1790 foi um imenso sucesso e destacou o compositor como um novo talento. Também foi o início de sua longa relação com o teatro Comédie Italienne (que logo seria renomeado para Opéra-Comique).

Apesar do fracasso de Cora em 1791 e da proibição de Adrien por razões políticas no ano seguinte, Méhul consolidou sua reputação com obras como Stratonice e Mélidore et Phrosine. Durante a Revolução Francesa, Méhul compôs muitas canções patrióticas e peças de propaganda, sendo a mais famosa o Chant du départ. Méhul foi recompensado ao se tornar o primeiro compositor nomeado para o recém-fundado Institut de France em 1795. Ele também ocupou o cargo de um dos cinco inspetores do Conservatório de Paris. Méhul mantinha relações amistosas com Napoleão e tornou-se um dos primeiros franceses a receber a Légion d'honneur.

O sucesso operístico de Méhul não foi tão grande na primeira década do século XIX quanto havia sido na década de 1790, embora obras como Joseph (1807) tenham se tornado famosas no exterior, especialmente na Alemanha. O fracasso de sua ópera Les amazones em 1811 foi um duro golpe e praticamente encerrou sua carreira como compositor para teatro. Apesar de sua amizade com Napoleão, a posição pública de Méhul sobreviveu intacta à transição para a Restauração Bourbon. No entanto, o compositor agora estava gravemente doente com tuberculose e faleceu em 18 de outubro de 1817.Biografia geral de Bartlet (1997) pp.vii-ix Seu túmulo está no Cemitério Père Lachaise, próximo ao túmulo do compositor François Joseph Gossec.

Em 1797, Méhul adotou seu sobrinho de sete anos, o compositor Joseph Daussoigne-Méhul, e irmão mais novo de Joseph. Ele desempenhou um papel importante na educação musical e carreira de seu sobrinho; contando-o entre seus alunos no Conservatório de Paris. Após sua morte, Daussoigne-Méhul completou a ópera inacabada Valentine de Milan, de Méhul, que estreou na Opéra-Comique em 1822. Ele também escreveu novos recitativos para sua ópera Stratonice em 1821, para uma remontagem dessa obra em Paris.

Obras

Óperas Artigo principal: Lista de óperas de Étienne Méhul

Para piano

3 Sonatas para Piano, op. 1 (1783) 3 Sonatas para Piano, op. 2 (1788) Fierement para Piano

Música orquestral

Burlesco Ouverture (1794) Ouverture pour instruments à vent (1794) Sinfonia em Dó (1797, apenas partes sobreviveram) Sinfonia nº 1 em sol menor (1808/09) Sinfonia nº 2 em ré maior (1808/09) Sinfonia nº 3 em dó maior (1809) Sinfonia nº 4 em mi maior (1810) Sinfonia nº 5 (1810, apenas o primeiro movimento sobreviveu; incompleta e não executada

Música vocal

Chant du départ (1794) Chant des victoires (1794) Messe Solennelle pour soli, chœurs et orgue (1804) Chant du retour pour la Grande Armée (1808) Chant lyrique pour l'inauguration de la statue de Napoléon (1811)

Balés

Le jugement de Pâris (1793) La dansomanie (1800) Persée et Andromède (1810) (junto com música de Haydn, Paer e Steibelt)

Música incidental para peças teatrais

Timoléon (por Marie-Joseph Chénier)) Les Hussites (por Alexandre Duval))

Discografia The Complete Symphonies (Symphonies No.1-No.4). Lisbon Gulbenkian Foundation Orchestra, Michel Swierczewski (including the Ouvertures La Chasse du jeune Henri and Le Trésor supposé), Nimbus Records, 1992 Symphonies Nos 1 and 2. Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski, Erato/Apex, 2003 Overtures: Mélidore et Phrosine; Ariodant; Joseph; Horatius Coclès; Bion; Le jeune sage et le vieux fou; Le trésor supposé; Les deux aveugles de Tolède; La chasse du jeune Henri. Orchestre de Bretagne/ Stefan Sanderling, ASV, 2003 Stratonice. Petibon/Beuron/Lescoart/Daymond, Corona Coloniensis, Cappella Coloniensis, William Christie, Erato 1996 Joseph (as Joseph in Aegypten), two versions of the work in German both recorded in 1955: (a) Alexander Welitsch/Libero di Luca/ Horst Guenter/Ursula Zollenkopf, Symphony Orchestra and Choir of NWDR, Wilhelm Schuechter; (b) Alexander Welitsch/Josef Traxel/Bernhard Michaelis/Friederike Sailer, Stuttgart Radio Symphony Orchestra, Suedfunk Chor, Alfons Rischner. Gala, 2004. Joseph (in French): Nathalie Dessay, soprano ; Brigette Lafon, mezzo-soprano ; Laurence Dale, Antoine Normand, Philippe Pistole, tenors ; René Massis, baritone ; Frédéric Vassar, Philippe Jorquera, basses ; Abbi Patrix, speaker ; Ensemble choral "Intermezzo" ; Orchestre régional de Picardie "Le Sinfonietta" ; Claude Bardon, conductor. Chant du monde, c. 1989. La Chasse du jeune Henri, Le Trésor supposé and Timoléon Royal Philharmonic Orchestra/Sir Thomas Beecham, Sony, 2002. L'Irato Turk/Auvity/Courtin/Buet/Chamber Choir Bonn, L'arte del mondo, Walter Ehrhardt, Capriccio, 2006. Piano Sonatas opp. 1 (nos. 1-3) & 2 (nos. 4-6). Brigitte Haudebourg, piano. Arcobaleno, c. 1990. Le chant du départ; Chant Funèbre à la Mémoire de Féraud; Hymne pour la Fête des Epoux; Ouverture. Edwige Perfetti, soprano ; Tibère Raffali, Christian Papis, tenors ; Gilles Cachemaille, baritone -- Orchestre d'Harmonie des Gardiens de la Paix de Paris ; Claude Pichaureau, conductor -- Chœur de l'Armée Française ; Serge Zapolski, chorus-master -- Chorale a Chœur Joie la Gondoire ; Daniel Catenne, chorus-master -- Chorale Populaire de Paris ; Jean-Claude Chambard, chorus-master. Musifrance, n.d. Chant national du 14 juillet 1800; Hymne à la raison; Le chant du départ Chœur et Orchestre du Capitole de Toulouse ; Michel Plasson, conductor. EMI, 1990.

Referências

Fontes Introduction to the edition of Méhul's opera Stratonice by M.Elizabeth C. Bartlet (Pendragon Press, 1997) David Charlton, section on Méhul in The Viking Opera Guide ed.Holden (1993) David Charlton, chapter on "French Opera 1800-1850" in The Oxford Illustrated History of Opera ed. Roger Parker (OUP, 1994) Berlioz Evenings with the Orchestra, translated by Jacques Barzun (University of Chicago Press, 1953) Booklet notes by David Charlton to the recording "The Complete Symphonies" (Nimbus, 1989) Booklet notes by Ates Orga to the recording of Méhul's "Overtures" (ASV, 2002). David Cairns Berlioz: the Making of an Artist (André Deutsch, 1989).

Ligações externas

A portrait of Méhul by Antoine-Jean Gros Biography and Works, France Diplomatie Culture Notes on the Symphony No.1 by Herbert Glass, Los Angeles Philharmonic Website Berlioz and Méhul, The Hector Berlioz Site

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