Marcio Araújo de Lacerda (Leopoldina, 22 de janeiro de 1946) é um empresário e político brasileiro, ex-prefeito de Belo Horizonte.

Biografia Nascido em Leopoldina, filho de mãe professora e pai topógrafo, mudou-se para Belo Horizonte com 17 anos e ingressou no curso de eletrotécnica no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, de onde saiu para o primeiro emprego, na Companhia Telefônica de Minas Gerais (CTMG), em 1965. Dois anos depois, iniciou o curso de Administração na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Militância Em 1969, durante o momento mais crítico da Ditadura Militar, foi preso em decorrência da militância no PCB e na ALN. Nesse período, atendia pelos codinomes de Humberto e Gringo. Há poucas informações sobre a natureza das operações de Marcio Lacerda. Sabe-se, no entanto, que esteve preso no presídio de Linhares em Juiz de Fora no mesmo período em que Fernando Pimentel esteve preso. Saiu da prisão em 1973, em liberdade condicional e retomou o curso de Administração. Sua prisão de quatro anos lhe custou o emprego e a interrupção do curso universitário, só retomado em 1973 e concluído em 1977.

Carreira empresarial Após ser solto, tornou-se diretor na Tele-América S/A, empresa privada do ramo de telefonia. Em 1975 e fundou a Construtel, também especializada na construção de redes de telefonia. Dois anos mais tarde terminou sua graduação em Administração pela FACE/UFMG. Em 1979 fundou também a Batik, especializada na produção de equipamentos de telefonia.

A Construtel atingiu seu auge em 1992, ano em que Lacerda vendeu 51% do capital da empresa para a italiana FIRT, permanecendo com o restante do capital. O consórcio passou a atuar então em países como Chile e Bolívia. Durante o período em que suas empresas cresceram, Lacerda também foi bastante ativo em cargos de direção de entidades empresariais, como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o Centro das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Cici) e a Associação Brasileira de Empresas Construtoras de Redes Telefônicas (Abecortel). Obteve, assim, prestígio junto ao empresariado, que foi bastante utilizado posteriormente em sua carreira política.

Em 1994 Lacerda colaborou com R$250.000,00 (equivalente a R$ 2.354.293,95 em valores corrigidos) para a campanha de Fernando Henrique Cardoso. A Construtel tinha, então, contratos com as empresas de telecomunicações de dezesseis estados brasileiros. No ano seguinte, Lacerda vendeu a Batik para um grupo norte-americano por cerca de 50 milhões de reais.

Com a virtual inatividade de suas atividades empresariais, Lacerda começou, a partir de 2001, a dedicar-se a cargos na FIEMG.

Vida política Em 2002, Lacerda atuou como um dos coordenadores da campanha presidencial de Ciro Gomes.

Em 2003, aceitou o convite do então nomeado Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, para assumir a secretaria executiva do ministério durante o primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2007, foi nomeado pelo ex-governador Aécio Neves como secretário estadual de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Deixou o cargo em 2008 para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. 

No mesmo ano, Lacerda foi eleito presidente do Conselho de Administração da Cemig e também eleito para o conselho do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI) e para o Conselho Estadual de Geologia e Mineração (CEGEM). Foi também vice-presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e membro atuante do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano e do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG).

Prefeitura de Belo Horizonte Lacerda deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais em maio de 2008 para concorrer ao cargo de prefeito de Belo Horizonte, com apoio da inédita aliança entre o governador Aécio Neves e o então prefeito, Fernando Pimentel. Foi eleito no segundo turno, derrotando Leonardo Quintão, do PMDB, com 59,12% dos votos válidos. Com a eleição de Lacerda, o PT e o PSB de Belo Horizonte se mantiveram por mais 4 anos na Prefeitura de Belo Horizonte, totalizando 20 anos no poder em 2012.

Durante sua gestão à frente da Prefeitura de Belo Horizonte:

Assumiu como prefeito em 1 de janeiro de 2009, sendo depois reeleito em 2012. Sendo eleito três vezes como O Melhor Prefeito do Brasil  e por duas vezes Prefeito Amigo da Criança

Os oito anos de sua gestão ficaram marcados por obras de infraestrutura, Saúde, Educação e Mobilidade Urbana. Durante seu governo foram inauguradas 95 escolas, 89 de Educação Infantil, as chamadas Umeis, e seis de Ensino Fundamental. 

Em dezembro de 2015, a Prefeitura inaugurou o Hospital do Barreiro. Não era inaugurado um hospital 100% SUS há mais de 70 anos na capital mineira.

Também no governo Márcio Lacerda entrou em funcionamento o sistema BRT Move de transporte público que atualmente transporta mais de 500 mil passageiros por dia, um transporte de qualidade, mais rápido e confortável para a população. 

Entretanto, foi duramente criticado, sendo alvo do Movimento Fora Lacerda. Nas palavras do Movimento: "A articulação Fora Lacerda! é um movimento livre e apartidário que reúne entidades, outros movimentos e cidadãos em torno da ideia de contestar a atual gestão da Prefeitura de Belo Horizonte, em tudo aquilo em que ela está afetando a cidade e a população."

Gestão empresarial O governo Marcio Lacerda ficou conhecido por trazer para a administração pública métodos e conceitos próprios da iniciativa privada. Por meio de parcerias público-privadas (PPP), a prefeitura ampliou e modernizou, por exemplo, as redes de escolas, centros de saúde e parques, além de dar início à substituição de toda a iluminação pública da cidade.

Política habitacional Nos oito anos de seu governo foram construídas e entregues quase 14 mil unidades habitacionais em Belo Horizonte.

Devido ao déficit em política habitacional da prefeitura, surge em abril de 2009 a ocupação urbana “Dandara”, localizada em um latifúndio urbano utilizado para fins de especulação imobiliária. A ocupação é apoiada por movimentos sociais e pela Pastoral da Terra. Em 2009, a PBH apresentou o projeto que previa a doação de imóveis públicos para o Programa Minha Casa, Minha Vida. Marcio planejou também a ocupação ordenada da região do Isidoro, onde poderiam ser construídas mais habitações populares. As residências seriam destinadas às famílias inscritas nos programas habitacionais da Prefeitura, em especial do Minha Casa, Minha Vida. Porém, o terreno foi ocupado.

O prefeito Marcio Lacerda tentou negociar a desocupação com os ocupantes, mas não obteve sucesso. Na ocupação Eliana Silva, o governo do estado ordenou e a Polícia Militar, para desalojar cerca de 300 famílias, usou a Tropa de Choque, helicópteros e o Caveirão, veículo blindado que nunca havia sido usado em ocupações.

Na comunidade de Zilah Spósito, o governo do estado cumpriu outra ação de reintegração de posse através da Polícia Militar.

Política cultural Além de fortalecer os eventos culturais que se tornaram Patrimônio de Belo Horizonte, entre eles o Festival Internacional de Teatro e Dança, o Festival Internacional de Quadrinhos, de Arte Negra e etc., em 2013, durante a gestão de Lacerda, a Prefeitura passou a realizar anualmente a Virada Cultural. Nos últimos anos BH passou a ser conhecida também por oferecer um dos maiores carnavais de rua do país.  

Depois de dez anos de funcionamento contínuo o projeto “Arena da Cultura” foi interrompido logo no início da gestão de Marcio Lacerda. O projeto conseguia, em alguma medida, descentralizar os núcleos de produção, ensino, reflexão e difusão artísticas na cidade, por meio das inúmeras atividades (ciclos de formação, oficinas, workshops, debates…) nos campos das artes plásticas, dança, música e teatro. Sob o pretexto da necessidade de “mudanças no modelo de gestão”, a Fundação Municipal de Cultura (FMC) interrompeu as atividades durante 2009 e, somente agora, em março, anunciou o retorno do projeto para o segundo semestre de 2010, o que significa que, na mais otimista das hipóteses, ele terá sido interrompido por apenas 1 ano e meio (em uma gestão de 4 anos) – o que significa abandonar a formação sócio-artística de aproximadamente 1000 cidadãos de diversas regiões de Belo Horizonte.”

Em 2010, a prefeitura de Belo Horizonte anunciou o cancelamento do Festival Internacional de Teatro (FIT), devido às “eleições e à Copa do Mundo”. Setores ligados à cultura se mobilizaram e, diante da pressão da classe artística, Lacerda voltou atrás e permitiu a realização do FIT 2010. Durante a abertura do Festival na Praça da Estação, o público espectador deparou-se com um espaço cercado por gradil e teve que passar por um portão estreito. Quando apareceu, Marcio Lacerda foi fortemente vaiado pelos presentes.

Durante a cerimônia de posse do Conselho Municipal de Cultura (CMC), Marcio Lacerda mandou os seguranças retirarem do recinto um conselheiro que teria criticado as políticas higienistas do prefeito. Os demais conselheiros interrompem a solenidade em protesto.

Política urbana Foi durante a gestão de Marcio Lacerda que BH recebeu jogos oficiais da Copa das Confederações em 2013, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas Rio 2016. A cidade passou por uma grande transformação em sua estrutura urbana, com intervenções como a implantação do Move, a construção do Centro de Operações da Prefeitura e a realização de diversas outras obras.

Foi ampliado o programa Vila Viva de urbanização de vilas e favelas. A Prefeitura construiu também a Via 210, que liga as regiões Oeste e Barreiro, iniciou as obras da Via 710, que ligará as regiões Nordeste e Leste e duplicou algumas das principais avenidas da cidade, casos da Cristiano Machado, Antônio Carlos e Pedro I.

Em 2009, Marcio Lacerda lançou o “Movimento Respeito por BH” que, com o discurso de “moralizar” o uso dos espaços públicos em Belo Horizonte, serviu como pretexto para a prefeitura aumentar a arrecadação com multas, limitar enormemente as possibilidades de uso dos espaços da cidade e para perseguir comerciantes de rua, tais como artesãos, pipoqueiros e engraxates. A prefeitura, por outro lado, afirmou que o objetivo da investida não é arrecadar, mas melhorar a qualidade de vida. O esforço de Lacerda em proceder a uma reforma cosmética da cidade visando a Copa do Mundo de 2014 começou a se evidenciar. O novo Código de Posturas de Belo Horizonte, cuja campanha foi feita pelo filho do prefeito sem licitação, foi apresentado à população sem qualquer debate aprofundado. Embora apresentado pela mídia como um avanço, o código pode ser entendido como mais uma estratégia de Lacerda para “limpar” as ruas de Belo Horizonte de seus habitantes. O código impôs sérias restrições aos usos dos espaços públicos de Belo Horizonte, em uma iniciativa que perseguiu comerciantes informais, que limitou o número de bares que poderia manter mesas nas calçadas. Através deste Código, em 2010 foi intensificada a perseguição contra bares tradicionais de Belo Horizonte, como o Bar do João, na Savassi.

A gestão foi acusada de higienismo já em seu início, quando proibiu o ingresso de animais, bicicletas, bolas e petecas nos parques de Belo Horizonte com animais. Algumas denúncias sobre o abandono do Zoológico de Belo Horizonte pelo poder público também surgiram.