A "carta de Zinoviev" se refere a um documento controverso publicado pela imprensa britânica em 1924. Se tratava de uma carta supostamente escrita por Grigori Zinoviev, presidente do Conselho Executivo da Internacional Comunista, para o comitê central do Partido Comunista da Grã-Bretanha. A carta, mais tarde comprovada com sendo um documento forjado, era uma suposta diretiva de Moscou pedindo uma maior agitação comunista no país, e ajudou a assegurar a queda do governo socialista de Ramsay MacDonald, do Partido Trabalhista, nas eleições de outubro daquele ano.

História Em janeiro de 1924, após uma surpreendente eleição geral, Ramsay MacDonald levou o Partido Trabalhista ao poder na Grã-Bretanha. Pela primeira vez na História, o país tinha um governo socialista, o que provocou certo alvoroço entre a elite. Entretanto, o primeiro-ministro MacDonald não estava em situação de iniciar amplas reformas no sistema político. Seu governo era minoritário e instável, dependendo da boa vontade dos parlamentares do Partido Liberal. Quando os liberais abandonaram a coalizão trabalhista, o governo de MacDonald sucumbiu, forçando o primeiro-ministro a convocar novas eleições, marcadas para 29 de outubro daquele mesmo ano.

Quatro dias antes das eleições, um documento publicado pelo jornal conservador Daily Mail causou um alvoroço na sociedade britânica. A carta, datada de 15 de setembro de 1924 e supostamente escrita por Grigori Zinoviev, então presidente do Conselho Executivo da Internacional Comunista, era endereçada ao comitê central do Partido Comunista da Grã-Bretanha, dando instruções de como o Partido Trabalhista deveria ser controlado, iniciando, desta forma, uma revolução socialista no país.

Ao ser publicada pela imprensa, a carta foi acompanhada de uma nota de protesto do Ministério das Relações Exteriores. O temor da população resultou numa votação maciça no Partido Conservador, que retomou o poder através da conquista de 419 assentos no Parlamento britânico, comparados a apenas 258 no pleito anterior.

O documento tornou delicadas as relações entre o Reino Unido e a União Soviética, que haviam firmado acordos comerciais em 8 de agosto de 1924. Em 21 de novembro, o novo governo conservador, do primeiro-ministro Stanley Baldwin, cancelou os tratados comerciais estabelecidos pelo governo anterior.

Autenticidade da carta Desde o início, muitos suspeitavam da falsidade do documento, já que ele continha alguns erros grosseiros - como, por exemplo, uma menção à "Terceira Internacional Comunista". No entanto, a carta foi tomada como verdade, mesmo por algumas pessoas no governo, apesar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro Ramsay MacDonald. A difícil comunicação com a sede da Organização Internacional Comunista em Moscou impediu uma pronta negação do ofício: a questão foi discutida apenas em 17 de novembro.

A prova definitiva de que a carta era um produto do serviço secreto britânico foi dada por um funcionário do MI6, em 1999.

Referências bibliográficas Healey, Tim (tradução de Maria Clara de Mello Motta). Memórias do Século XX: Os grandes mistérios do século. 1a.ed. Rio de Janeiro: Reader's Digest, 2005. pg. 61. ISBN 8576450402

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