The Thing (palop/) é um filme norte-americano de 1982, dos gêneros terror e ficção científica, dirigido por John Carpenter e escrito por Bill Lancaster. É baseado em Who Goes There?, uma novela de John W. Campbell Jr. publicada na revista Astounding Science Fiction em agosto de 1938. O enredo gira em torno de uma equipe de pesquisadores norte-americanos na Antártida que encontra a "Coisa", uma forma de vida extraterrestre parasita que assimila e depois imita outros organismos. Os exploradores são dominados pela paranoia e pelo conflito quando percebem que não podem mais confiar um no outro e que qualquer um deles pode ser a Coisa. Kurt Russell interpretou o papel principal, enquanto A. Wilford Brimley, T. K. Carter, David Clennon, Keith David, Richard Dysart, Charles Hallahan, Peter Maloney, Richard Masur, Donald Moffat, Joel Polis e Thomas Waites integraram o elenco de apoio.
O longa-metragem é a segunda adaptação cinematográfica da obra literária, sendo precedido por The Thing from Another World (1951), e começou a ser desenvolvido em meados da década de 1970. Para sua produção, foram cogitados vários diretores e roteiristas, cada um com ideias diferentes quanto à abordagem da história. As filmagens começaram em agosto de 1981 e duraram cerca de 12 semanas. Foram usadas locações refrigeradas em Los Angeles, Juneau (Alasca) e Stewart (Colúmbia Britânica). Boa parte do orçamento de 15 milhões de dólares foi destinada aos efeitos de composição de criatura, providenciados por uma grande equipe liderada por Rob Bottin. Os efeitos foram obtidos a partir de uma mistura de produtos químicos e alimentícios, borracha e peças mecânicas, o que resultou na criação de um alienígena capaz de assumir a forma de qualquer ser vivo.
The Thing foi hostilizado pela crítica na época de seu lançamento, sendo descrito como "lixo instantâneo" e "excesso miserável" pelo New York Times e proposto como "o filme mais odiado de todos os tempos" pela revista Cinefantastique. Algumas críticas elogiaram os efeitos especiais e criticaram sua repulsão visual, enquanto outras opinaram que a caracterização dos personagens havia sido pobremente realizada. O filme arrecadou 19,6 milhões de dólares durante sua exibição nos cinemas. Diversas razões foram apontadas para o fracasso da obra em impressionar o público: a concorrência de filmes como E.T. the Extra-Terrestrial, que oferecia uma visão otimista sobre visitas alienígenas; uma temporada repleta de filmes de ficção científica e fantasia bem-sucedidos; e um público que, por estar vivendo numa época de recessão, rejeitou o tom niilista de The Thing.
O longa-metragem atingiu um público maior quando disponibilizado em home-vídeo e na televisão. Reavaliado como um dos melhores filmes de ficção científica e terror de todos os tempos, tornou-se um clássico cult, com uma nota de 84% no Rotten Tomatoes e uma aprovação de 95% do público. Cineastas apontaram sua influência em seus trabalhos e a obra já foi referenciada em outras mídias, como televisão e jogos eletrônicos. The Thing originou diversos produtos de merchandising, incluindo uma romantização de 1982, atrações em parques temáticos, jogos de tabuleiro, sequências em quadrinhos, um videogame e uma pré-sequência homônima lançada em 2011. Uma refilmagem foi anunciada em 2020.
Enredo No espaço sideral, um disco voador entra na atmosfera terrestre (10000 anos no passado). Na Antártida (no presente), um norueguês atira de um helicóptero contra um cão de trenó, que corre até as proximidades de uma estação de pesquisa americana. No solo, o atirador acidentalmente explode a aeronave e mata o piloto. Após atingir a perna de George Bennings, um dos cientistas americanos, o norueguês é morto por Garry, o chefe da estação. Dr. Cooper e o piloto MacReady investigam a base norueguesa, onde descobrem um grande bloco de gelo escavado e um cadáver humanoide fumegante, o qual levam para a estação. Uma autópsia realizada nos restos mortais revela um conjunto normal de órgãos.
Trancado no canil da estação, o cachorro metamorfoseia-se num monstro com tentáculos que absorve os outros cães. Com um lança-chamas, Childs mata a criatura, cuja autópsia revela se tratar de um organismo que pode imitar perfeitamente outros indivíduos. Ao escavarem um determinado ponto, os pesquisadores encontram uma espaçonave alienígena. Blair descobre que a equipe pode estar infectada e que a infecção pode se alastrar para o mundo inteiro. Bennings é absorvido pela criatura, que é incinerada por MacReady. Blair desmantela o helicóptero e começa a destruir os equipamentos de comunicação, mas é aprisionado no galpão de ferramentas.
O grupo decide fazer um teste sanguíneo para determinar quem está infectado, mas alguém sabota o procedimento, destruindo os estoques de sangue. MacReady assume o comando e, junto com Windows e Nauls, encontra na neve o cadáver de Fuchs, que estava desaparecido. Windows retorna à base e, como os outros dois demoram a voltar, a equipe decide abandoná-los. Nauls aparece e informa que livrou-se de MacReady ao descobrir que a jaqueta do piloto estava rasgada, o que indicaria que ele havia se tornado uma das criaturas. MacReady ressurge ameaçando detonar a estação com dinamite se alguém atacá-lo.
MacReady é bruscamente atacado por Nauls e Norris, que é jogado no chão e começa a passar mal. Cooper tenta revivê-lo com um desfibrilador, mas o peito de Norris se abre em uma cavidade que se fecha rapidamente, cortando os antebraços de Cooper; da cabeça de Norris se desprende outro ser com várias pernas. MacReady incinera as duas criaturas e inicia um novo teste, com base na teoria de que o sangue de um indivíduo infectado tentará "fugir" quando tocado por um fio aquecido. Todos passam no teste, exceto Palmer, que assume a forma monstruosa e mata Windows. MacReady põe fogo em Palmer e no cadáver de Windows, que começava a se transformar.
Childs fica de guarda e os outros procuram Blair, mas descobrem que este escapou por um túnel onde está construindo uma espaçonave com peças diversas. De volta à superfície, eles não encontram Childs e MacReady conclui que a Coisa pretende congelar até ser resgatada e transportada para outras regiões. Ele e Garry decidem destruir a estação para detê-la, porém, Blair mata Garry e assume a forma alienígena. MacReady explode a criatura com dinamite, destruindo também a base. Childs retorna, alegando que se perdeu na tempestade ao perseguir Blair. Enquanto tomam uma bebiba, MacReady e Childs concluem que, se um deles for a Coisa, não há mais nada a fazer.
Elenco Segundo o Instituto Americano de Cinema, doze atores interpretaram os integrantes da equipe de pesquisadores da estação científica norte-americana. Além deles, aparecem outros quatro em papéis menores e sem nome. Na ordem dos créditos:
Kurt Russell interpretou MacReady, um piloto de helicóptero; A. Wilford Brimley interpretou Blair, um biólogo; T. K. Carter interpretou Nauls, o cozinheiro; David Clennon interpretou Palmer, piloto e mecânico reserva; Keith David interpretou Childs, o mecânico; Richard Dysart interpretou Dr. Copper, o médico; Charles Hallahan interpretou Norris, um geofísico; Peter Maloney interpretou Bennings, um meteorologista; Richard Masur interpretou Clark, um veterinário; Donald Moffat interpretou Garry, o comandante; Joel Polis interpretou Fuchs, um biólogo; Thomas Waites interpretou Windows, o operador de rádio; Norbert Weisser interpretou um norueguês; Larry Franco interpretou o passageiro norueguês com rifle; Nate Irwin interpretou um piloto de helicóptero; William Zeman interpretou um piloto.
Produção Desenvolvimento thumb|left|upright|O diretor John Carpenter em 2001. O desenvolvimento do longa-metragem começou em meados da década de 1970, quando os produtores David Foster e Lawrence Turman sugeriram à Universal Pictures uma adaptação da novela de John W. Campbell, Who Goes There?, publicado em 1938. A obra já havia sido adaptada em 1951 no filme The Thing from Another World, de Howard Hawks e Christian Nyby, mas Foster e Turman queriam desenvolver um projeto que fosse mais fiel ao material original. Os roteiristas Hal Barwood e Matthew Robbins detinham o direito de fazer uma adaptação, mas descartaram a possibilidade de fazer um novo filme, de modo que a Universal adquiriu os direitos deles. Em 1976, Wilbur Stark comprou os direitos de refilmagem de 23 longa-metragens da RKO Pictures, entre eles The Thing from Another World, de três financiadores de Wall Street que não sabiam o que fazer com eles, em troca de retorno quando os filmes fossem produzidos. A Universal, por sua vez, obteve de Stark o direito de refazer o filme e, como resultado ele recebeu crédito de produtor executivo em todos os anúncios impressos, pôsteres, comerciais de televisão e material de imprensa do estúdio.
Em 1976, o co-produtor Stuart Cohen abordou pela primeira vez John Carpenter para o projeto, mas como este era, sobretudo, um cineasta independente, a Universal escolheu o diretor Tobe Hooper, de The Texas Chain Saw Massacre, então já contratado do estúdio. Entretanto, os produtores ficaram descontentes com Hooper e com o conceito de seu parceiro de escrita, Kim Henkel. Depois de várias outras propostas fracassadas a roteiristas diferentes e tentativas de atrair outros diretores, como John Landis, o projeto foi suspenso. Apesar disso, o sucesso do filme de terror de ficção científica Alien (1979), de Ridley Scott, ajudou a revitalizar o projeto, ao mesmo tempo em que a contratação de Carpenter tornou-se mais viável após o sucesso de seu filme de terror Halloween (1978).
Carpenter relutou em participar do projeto, pois achava que seria difícil superar a adaptação de Hawks, embora considerasse o monstro do filme imperceptível. Cohen sugeriu que o cineasta lesse o romance original. Carpenter achou interessante a "astúcia" das imitações conduzidas pela criatura e as questões que isso levantava. Ele traçou paralelos entre a obra de Campbell e o romance de mistério And Then There Were None (1939), de Agatha Christie, e observou que a história de Who Goes There? era "oportuna" para ele, o que significava que ele poderia torná-la "fiel aos [seus] dias", assim como Hawks fez em sua época. Carpenter, um fã da adaptação de Hawks, homenageou-o em Halloween e assistiu a The Thing from Another World várias vezes em busca de inspiração antes do início das filmagens. Carpenter e o diretor de fotografia Dean Cundey haviam trabalhado juntos em Halloween e The Thing foi o primeiro projeto de grande orçamento dos dois para um grande estúdio de cinema.
Depois de garantir o roteirista e a equipe, a produção foi interrompida novamente quando Carpenter quase desistiu, acreditando que um projeto passional dele, El Diablo (1990), estava prestes a ser produzido pela EMI Films. Os produtores discutiram várias possibilidades de substituições, incluindo Walter Hill, Sam Peckinpah e Michael Ritchie, entretanto, o desenvolvimento de El Diablo não estava tão iminente quanto Carpenter acreditava, e ele permaneceu com The Thing.
A Universal inicialmente estabeleceu um orçamento de 10 milhões de dólares, com 200 mil para os "efeitos de criatura", na época a maior quantia que o estúdio já havia destinado para um filme de monstros. As filmagens estavam programadas para serem concluídas em 98 dias. Os estúdios de produção da Universal estimaram que seriam necessários pelo menos 17 milhões em virtude dos custos de marketing e outros, visto que o plano envolvia construções de sets adicionais, entre os quais cenários externos e um grande cenário, estimado em 1,5 milhão, para a morte de Bennings prevista no roteiro original. Quando os storyboards e designs foram finalizados, a equipe estimou que precisaria de pelo menos 750 mil dólares para os efeitos de criatura, valor com o qual os executivos da Universal concordaram depois de ver o número de funcionários empregados por Rob Bottin, o designer de efeitos especiais de maquiagem.