O esperanto é a língua planejada mais falada no mundo (Esperantujo, 120 países). Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto já saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social).Sikosek, Ziko M. Esperanto Sen Mitoj (literalmente, "esperanto sem mitos"). Segunda edição. Antuérpia: Flandra Esperanto-Ligo, 2003. p.188.

Seu iniciador, o médico Ludwik Lejzer Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887 com a intenção de criar uma língua de mais fácil aprendizagem e que servisse como língua franca internacional para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).

O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio e na atualidade principalmente na internet. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.

Atualmente, é uma língua com uma comunidade de mais de 400 000 - 2 000 000 de falantes de todos os níveis espalhados pelo mundo, segundo estimativas de final de século unidas às mais recentes. Apenas na Duolingo há mais de 400 000 estudantes ativos mensais para a versão em inglês do curso de esperanto e mais de meio milhão nos cursos disponíveis em espanhol, francês e português e estima-se que mais de 210 000 concluíram o curso até 2020. De todos os falantes, cerca de 1000 são falantes nativos de esperanto.GORDON, Raymond G., Jr.. Ethnologue: Languages of the World. Dallas, Tex. : SIL International, 2005. (Fifteenth edition.) Disponível online. Na Polônia, o esperanto está na lista do patrimônio cultural imaterial.WALASZEK, Jerzy Antoni. Esperanto - herança cultural polonesa. La Ondo de Esperanto, 2015, No. 1. Disponível online [cit. 2014-12-02]. (em esperanto)Esperanto na lista de Patrimônio Cultural Imaterial Polonês [online]. Nowiny Lokalne, 2014-11-21, [cit. 2014-12-02]. Disponível online. (polonês)A língua esperanto inserida na Lista de Patrimônio Cultural Imaterial Polonês [online]. 2014-11-24, [cit. 2014-12-02]. Disponível online. (polonês) Como idioma, goza de certo reconhecimento internacional, por exemplo, duas resoluções da Unesco (sua revista está em esperanto) ou o apoio de personalidades da vida pública.

Apesar da facilidade gramatical, o esperanto enfrenta dificuldade de ser adotado como língua auxiliar universal.

Origem do nome "Esperanto" é formado pela junção do radical esper (em esperanto, com origem no latim sperare, "esperar"), da desinência ant (própria do particípio presente) e da desinência o (dos substantivos). Significa, portanto, "aquele que espera", "aquele que tem esperança".FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 703.

História miniaturadaimagem|Tabela comparando o protoesperanto com o esperanto atual e apresentando uma tradução em português|624x624px Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok na atual Polônia (na época Império Russo). Em Białystok, moravam povos com diversas línguas diferentes que, por esta causa, fazia com que dificultasse a comunicação no cotidiano da população da cidade. Estes motivos motivaram Zamenhof a criar uma língua neutra.

Durante a adolescência, criou a primeira versão da lingwe universala, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscou estudar medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.

Zamenhof pôs-se então a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.

O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polaco e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado: volapük. As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas.

Em 1905, aconteceu o primeiro Congresso Universal de Esperanto, em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando quase mil pessoas, de diversos povos. Em 1906, foi fundado, no Brasil, o primeiro grupo esperantista: o Suda Stelaro, em Campinas.

Todo o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas, com o advento das duas guerras mundiais, o movimento teve um recuo: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e matavam os esperantistas na Alemanha e nos países dominados por esta; as tropas de Stalin faziam o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao esperanto também ganhou proporções assustadoras.

Após a segunda guerra mundial, o esperanto reergueu-se. Em 1954, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) passou a reconhecer formalmente o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura, e, em 1985, a Unesco recomendou, aos países-membros, a difusão do esperanto.

Após 1995, com a popularização e disseminação da internet, o movimento esperantista ganhou uma nova força propulsora. Uma evidência do maior interesse contemporâneo pelo esperanto é o considerável número de artigos na Wikipédia em esperanto: mais de , em dezembro de 2013, com índice de profundidade 18 — número maior que o de muitas línguas étnicas.

Em 2022, a Wikipédia em Esperanto contava com 322 216 artigos. Em junho de 2026 já possuía 387 088 artigos.

Propriedades linguísticas Classificação O esperanto é uma língua aglutinante, sem gêneros gramaticais para entidades assexuais, sem conjugação de verbos variáveis por pessoa ou número e com três modos — indicativo, imperativo e subjuntivo, além das formas nominais do verbo e seis particípios; tem apenas dois casos morfológicos: o acusativo e o nominativo.

Como uma língua construída, o esperanto não é relacionado genealogicamente a nenhuma língua étnica; pode ser descrito como uma língua de léxico predominantemente românico e de morfologia aglutinante. A fonologia, a gramática, o vocabulário e a semântica são baseados em línguas indo-europeias ocidentais. Os fonemas são essencialmente eslavos, assim como muito da semântica, enquanto o vocabulário é derivado primordialmente de línguas românicas, com uma menor contribuição de línguas germânicas e algumas palavras de várias outras línguas (o dicionário etimológico de esperanto "Konciza Etimologia Vortaro", de André Cherpillod, faz referência a 110 línguas).

A pragmática e outros aspectos da língua não descritos especificamente nos documentos originais de Zamenhof foram influenciados pelas línguas nativas dos primeiros falantes, principalmente russo, polonês, alemão e francês. A relação entre grafemas e fonemas é biunívoca (uma letra para cada som e um som para cada letra) e a morfologia é extremamente regular e fácil de aprender.

Tipologicamente, a ordem sintática padrão do esperanto é sujeito-verbo-objeto e adjetivo-substantivo. Novas palavras podem ser formadas a partir de processos de construção com morfemas já existentes na língua, ou podem ser introduzidas como neologismos.

Fonologia thumb|300px|Primeira edição do Unua Libro, em russoO esperanto tem cinco vogais e 23 consoantes, das quais duas são semivogais. Não há tons. A sílaba tônica é sempre a penúltima (paroxítona), a não ser que a palavra tenha apenas uma vogal ou que a vogal final tenha sido omitida (situação em que é tônica a última sílaba; neste caso, é graficamente substituída por um apóstrofo: kastelo = kastel’) - recurso estilístico para a poesia.

Consoantes Bilabial Labio-dental Alveolar Pós-alveolar Palatal Velar Glótico Plosiva         Nasal               Vibrante               Fricativa         Africada             Lateral               Aproximante  u̯          

Vogais Anterior Posterior Fechada Média Aberta

Gramática

A gramática segue poucas regras simples, entre elas as chamadas 16 regras do esperanto, sendo porém necessário algum estudo para uma aprendizagem satisfatória.

As palavras são formadas pela junção regular de radicais (prefixos, sufixos e outros), de modo que "novas" palavras criadas ad hoc são compreendidas trivialmente através da sua análise morfológica (inconsciente, no caso de falantes fluentes).

As diferentes classes gramaticais são marcadas por desinências próprias: substantivos recebem a desinência -o, adjetivos recebem a desinência -a, advérbios derivados recebem a desinência -e e todos os verbos recebem uma de seis desinências de tempos e modos verbais.

A pluralidade é marcada nos substantivos e adjetivos concordantes pela desinência j, e o caso acusativo é marcado pela desinência n, cuja ausência indica o nominativo. Assim, bela birdo significa "bela ave", belaj birdoj, "belas aves", e belajn birdojn, como em mi vidas belajn birdojn ("eu vejo belas aves"), "belas aves" complementando diretamente uma ação (nesse caso, sendo vistas).

Substantivo Nominativo Acusativo Singular -o -on Plural -oj -ojn Adjetivo Nominativo Acusativo Singular -a -an Plural -aj -ajn

As seis inflexões são três tempos e três modos verbais. O tempo presente é marcado por as, o futuro por os, e o passado por is; o modo infinitivo é marcado por i, o condicional por us, e o volitivo (imperativo + conjuntivo) por u. Assim: mi vidas, "vejo"; mi vidos, "verei"; mi vidis, "vi"; vidi, "ver"; mi vidus, "eu veria"; ni vidu, "vejamos". As desinências não variam de acordo com a pessoa.

Tempo verbal Desinência Presente -as Passado -is Futuro -os Modo verbal Desinência Infinitivo -i Volitivo -u Condicional -us

Além dessas formas, o verbo pode se apresentar na forma de particípio. São os particípios do esperanto:

Desinência do Particípio Tempo Ativo Passivo Presente -anta -ata Passado -inta -ita Futuro -onta -ota

Terminados em -a, os particípios são usados com o verbo esti (ser/estar) para a formação de tempos compostos. A desinência -a pode também designar um adjetivo do particípio. Trocando-se o -a por -o, constrói-se um substantivo do particípio, e por -e, um advérbio do particípio.

Vocabulário

O vocabulário original do esperanto foi definido em Lingvo internacia, publicado por Zamenhof em 1887. Trata-se de uma compilação de 900 radicais, passíveis de expansão para dezenas de milhares de palavras com prefixos, sufixos e composição. Em 1894, Zamenhof publicou o primeiro dicionário de esperanto, Universala Vortaro, com uma maior quantidade de radicais. As próprias regras da língua permitem a introdução de novos radicais de acordo com a necessidade, recomendando apenas que isso seja feito a partir das formas mais internacionais.

Desde então, muitas palavras têm sido "emprestadas", basicamente mas não apenas de línguas da Europa ocidental. Nem todas as novas palavras propostas entram em uso generalizado, mas muitas o fazem, especialmente termos técnicos e científicos. Termos para uso cotidiano, por sua vez, geralmente são feitos a partir de outros radicais — por exemplo, komputilo (computador) a partir de komputi (computar) com o uso do sufixo il (para indicar ferramentas). Há frequentes debates entre esperantófonos sobre a justificabilidade da introdução de uma palavra em particular e sobre as possibilidades de alcançar o sentido pretendido através da construção de palavras com elementos já existentes.

Sistema de escrita