O sjambok ou jambock é um pesado chicote de couro. É tradicionalmente feito de pele de hipopótamo ou rinoceronte adulto, mas também é comumente feito de plástico.

Uma tira da pele do animal é cortada e trabalhada numa faixa de 90 a 150 centímetros de comprimento, afinando-se de cerca de 25 mm de espessura na alça até cerca de 10 mm na ponta. Essa tira é então enrolada até adquirir uma forma cilíndrica afunilada. O chicote resultante é ao mesmo tempo flexível e durável. Uma versão em plástico foi fabricada para a Polícia da África do Sul durante a era do apartheid e usada no controlo de distúrbios.

Peter Hathaway Capstick descreve o sjambok como um chicote curto, semelhante a uma espada, feito de couro de pénis de rinoceronte, capaz de abrir um homem como uma navalha.Peter Capstick, Death in the Long Grass, p. 243

O sjambok foi muito usado pelos Voortrekkers para conduzir os seus bois durante a migração a partir do Cabo da Boa Esperança, e continua a ser usado por pastores para conduzir o gado. É amplamente disponível na África do Sul, sendo vendido tanto por comerciantes informais como em lojas comuns, numa variedade de materiais, comprimentos e espessuras.

Uso pela polícia

África do Sul Na África do Sul, o uso do sjambok pela polícia é por vezes visto como sinónimo da era do apartheid, mas o seu uso sobre as pessoas começou muito antes. Às vezes é usado fora do judiciário oficial por aqueles que aplicam punições impostas por tribunais extralegais. Os polícias sul-africanos preferiam o sjambok, e a Polícia da África do Sul afirmava que ele causava menos ferimentos em comparação com o cassetete de madeira. Apesar disso, a perceção pública do sjambok era negativa, tanto a nível nacional como internacional. As alegações de brutalidade policial relacionadas com o sjambok eram generalizadas, o que acabou por levar à sua proibição efetiva no controlo de distúrbios em setembro de 1989.

Reino Unido Em 1963, um inquérito à polícia municipal de Sheffield (Sheffield City Police) concluiu que chicotes de rinoceronte tinham sido usados em suspeitos.

Outros tipos O nome parece ter tido origem como cambuk na Indonésia, onde era o nome de uma vara de madeira usada para castigar escravos, possivelmente derivada do persa chabouk ou chabuk. Quando escravos maláios chegaram à África do Sul nos séculos XVII e XVIII, o instrumento e o seu nome foram importados com eles, o material foi mudado para couro, e o nome acabou por ser incorporado no afrikaans, grafado como sambok. É conhecido em bengali como chabuk.

No Estado Livre do Congo, onde era chamado de chicotte, o chicote foi notoriamente usado para aterrorizar trabalhadores nativos e inúmeros outros civis, incluindo crianças. Era usado principalmente como instrumento de tortura e mutilação pela Força Pública, a força militar predominantemente nativa usada para suprimir a dissidência e manter o domínio colonial. Após 1908, quando o Estado Livre do Congo foi dissolvido na sequência do clamor internacional contra as generalizadas violações dos direitos humanos, a nova administração belga fez algum esforço para reformar a colónia, mas o chicotte continuou a ser amplamente usado. Só foi formalmente proibido em 1960, com a independência da República Democrática do Congo.

O instrumento é também conhecido como imvubu (hipopótamo em zulu), kiboko (hipopótamo em suaíli) e mnigolo (hipopótamo em malinké). Nas colónias portuguesas de África, era chamado de chicote, do termo português para o objeto, de onde deriva o francês chicotte, ou fimbo, e era usado para disciplinar trabalhadores indígenas, provocando mutilações permanentes e, muitas vezes, a morte. A tarifa oficial de punição foi, com o tempo, reduzida de vinte açoites para oito, depois (em 1949) seis, e progressivamente quatro e dois, até o açoitamento ser completamente proibido em 1955.

No norte de África, particularmente no Egito, o chicote era chamado de kurbash, palavra árabe para chicote. O termo shaabuug é usado na língua somali; também pode referir-se a um chicote de couro genérico.

Na cultura popular No filme Would You Rather, os jogadores têm a opção de esfaquear outro concorrente com um furador de gelo ou açoitar outro concorrente com um sjambok.

Em Elephant Adventure, de Willard Price, o cruel traficante de escravos árabe conhecido como Thunder Man gosta de açoitar cativos com um sjambok feito de pele de hipopótamo.

No romance V., de Thomas Pynchon, o sjambok é um elemento importante na narrativa das Guerras Héreros, onde serve de símbolo para a violência e a perversão sexual dos colonizadores alemães e europeus.

Curiosidades A palavra sjambok originou a palavra em inglês jambock, que foi usada como código pelos pilotos brasileiros que lutaram na Itália na Segunda Guerra Mundial, no 1.º Grupo de Aviação de Caça.

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