António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa GCIP • GCCa • ComRB (Valença, 12 de dezembro de 1954) é um professor universitário português, doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genebra) e História Moderna e Contemporânea (Paris-Sorbonne). Atualmente, é professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e reitor honorário da mesma universidade.

É autor de mais de 150 publicações, entre livros, capítulos e artigos, editadas em 12 países. As suas investigações e interesses incidem sobre história e psicologia da educação, educação comparada, e formação de professores.

Foi candidato independente às eleições presidenciais de 2016, agregando vários apoios à esquerda, nomeadamente dos três ex-Presidentes da República, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio. O LIVRE/Tempo de Avançar,e o PCTP/MRPP manifestaram-lhe o apoio formal, bem como vários membros do Partido Socialista, nomeadamente o presidente do partido, Carlos César, e a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes. Foi ainda um dos candidatos que encaixam no perfil presidencial definido pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, juntamente com Edgar Silva e Marisa Matias, e um dos candidatos recomendados pelo primeiro-ministro e secretário-geral do PS António Costa, juntamente com Maria de Belém.

Biografia Natural de Valença, onde nasceu a 12 de dezembro de 1954, filho do juiz Alberto Manuel de Sequeira Leal Sampaio da Nóvoa (1927–2022) e de Saladina do Faro Fernandes Seixas Sampaio da Nóvoa (?–julho de 2014), é o segundo de cinco filhos, quatro irmãos e uma irmã.

É descendente direto do historiador Alberto Sampaio (1841–1908), da Casa de Boamense. É nesta casa, situada em Cabeçudos, concelho de Vila Nova de Famalicão, que a família, de raízes fidalgas minhotas, se reúne em férias e festividades.

Sampaio da Nóvoa fez a instrução primária na Escola Pública de Caminha, tendo feito dois anos num e terminado a quarta classe na localidade de Nova Oeiras, onde a família se instalou no início de 1964 e reside até hoje. Na adolescência, é convidado por um olheiro da Académica de Coimbra a fazer testes para a equipa de futebol e chega à Universidade de Coimbra com 16 anos, matriculado em Matemática e com um ordenado de jogador juvenil de 1 300 escudos, dos quais 900$00 eram para pagar a residência estudantil.

Em Coimbra, vive na República 5 de Outubro, uma residência mista e «fortemente politizada». Pouco depois da chegada à cidade, é delegado da associação de estudantes e, para além do futebol, frequenta os palcos do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra. Na cidade (ainda se vivia no Estado Novo) é uma vez agredido à bastonada pela polícia, numa manifestação de celebração da Tomada da Bastilha, na Praça da República, onde distribuía panfletos antirregime.

Entre o teatro, as leituras e as tertúlias políticas, recusa um convite para passar à equipa de futebol sénior da Académica e não acaba a licenciatura em Matemática, para ir para a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, em Lisboa, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1973. Teve como colegas, entre outros, a atriz São José Lapa e encenador Carlos Fragateiro, de quem é amigo.. Obteve nessa escola, ao fim de quatro anos, o bacharelato em Teatro, variante de Formação de Atores e EncenadoresSOL.

Pós-25 de Abril Casa-se com Lénia Real aos 19 anos, a idade que tinha aquando da Revolução dos Cravos. Por esta altura, a intervenção política sobrepõe-se ao teatro e ao Conservatório. Conhece José Afonso e, através deste, associa-se à Liga de Unidade e Ação Revolucionária (LUAR). Nas eleições autárquicas de 1976, dinamiza uma das primeiras listas de cidadãos independentes, a TMUPA – Trabalhadores e Moradores Unidos Pela Autarquia, para concorrer à Assembleia de Freguesia de Parede, concelho de Cascais.

Através do teatro, chega à formação de professores, dando aulas de expressão dramática no Magistério Primário de Aveiro, de 1977 a 1979. Em Aveiro, em 1979, chega a fundar o Grupo Experimental de Teatro da Universidade e, por esta altura, lança, com Carlos Fragateiro, os Encontros Internacionais de Teatro e Educação. Estes encontros culminariam, em 1992, na criação, com Fragateiro e outros colegas, da IDEA – Associação Internacional de Drama/Teatro e Educação, ligada à UNESCO e fundada no Teatro Rivoli, e na organização do Congresso Mundial de Teatro, que contou com a presença de Vanessa Redgrave, Glenda Jackson, Eduard Bond, entre outros.

Acaba por ir para a Suíça, onde obtém o Diplôme d’Études Avancés em Ciências da Educação (30 ECTS ou um semestre) – reconhecido em Portugal como licenciatura, pela Universidade de Aveiro, em 1984 – e conclui, dois anos depois, o doutoramento em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, defendendo uma tese sobre a história do processo de profissionalização da actividade docente em Portugal (séculos XVIII a XX), classificada com a nota máxima.

O filho André nasce em 1985 e Sampaio da Nóvoa volta para Lisboa, onde é professor convidado do Instituto Superior de Educação Física até o ano seguinte. Em 1986, poucos meses depois do doutoramento, é convidado para a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, na qual viria a ser presidente do Conselho Científico (1999/2001). Em 1990, é nomeado professor associado. Em 1994, torna-se professor agregado, depois de fazer as provas públicas de agregação na Universidade de Lisboa, sendo aprovado por unanimidade. Constrói a sua carreira académica nesta instituição e é professor catedrático a partir de 1996.

Entre 1996 e 1999, foi consultor para os assuntos da educação da Casa Civil do presidente da República Jorge Sampaio. Foi presidente da International Standing Conference for the History of Education, ISCHE, de 2000 a 2003.

Em 2006, completa um segundo doutoramento, na Universidade de Paris IV (Paris-Sorbonne), em História Moderna e Contemporânea. Quando estava como professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, em 2002, é convidado para vice-reitor da Universidade de Lisboa por José Barata-Moura. É eleito reitor em maio de 2006.

Em novembro de 2008, a meio do seu primeiro mandato, demite-se do cargo no contexto da reforma estatutária da universidade. Foi reeleito a 12 de março de 2009, conforme os novos requisitos legalmente estabelecidos. Promoveu e liderou, a partir de 2012, com o reitor da Universidade Técnica de Lisboa, António Cruz Serra, o processo de fusão da Universidade de Lisboa (mais conhecida por Clássica) com a Técnica, dando origem à nova Universidade de Lisboa. A fusão teve o intuito de «juntar, numa mesma instituição, as diversas áreas do conhecimento, criando desta forma as melhores condições para acompanhar a evolução contemporânea da ciência, tecnologia, artes e das humanidades.» Manteve-se reitor da Clássica até à conclusão da fusão, em julho de 2013.

Em 2012 foi-lhe atribuído, por unanimidade, o título de membro honorário da Universeum, the European Academic Heritage Network, uma rede de universidades reconhecida pelo Conselho Europeu, que procura valorizar o património científico, museológico, monumental, botânico e arquivístico das universidades europeias.. Desde 2012, é também presidente do Conselho Consultivo da área de Educação (Qualificação das Novas Gerações) da Fundação Calouste Gulbenkian.

Por designação do presidente Aníbal Cavaco Silva, foi presidente da comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas de 2012, tendo proferido um discurso em que expõe a sua visão sobre o país e uma crítica em relação ao caminho de austeridade seguido durante o governo de Passos Coelho, e chegando a citar José Gomes Ferreira, Miguel Torga, Franklin D. Roosevelt, Manuel Laranjeira, Teixeira de Pascoaes, Alberto Sampaio, Antero de Quental, Sophia de Mello Breyner Andresen e José Afonso.

Em 2014, esteve no Brasil numa missão internacional da UNESCO junto do governo brasileiro e como professor visitante na Universidade de Brasília, da qual é Doutor Honoris Causa desde Junho de 2015. Para além de inúmeras colaborações regulares nos programas de doutoramento de universidades estrangeiras como a de Barcelona, Genebra, Montreal, São Paulo, entre outras, foi professor convidado da Universidade de Wisconsin-Madison (1993/94) e da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (2002). Em 1995, foi investigador visitante, durante um semestre, do Institut national de recherche pédagogique da Universidade de Paris V (Paris Descartes) e, em 2001, da Universidade de Oxford.

É reitor honorário da Universidade de Lisboa, desde fevereiro de 2014. É diretor da iniciativa Políticas Públicas ULisboa, desde setembro de 2014 a abril de 2015. É membro do Conselho das Ordens Honoríficas de Mérito Civil, entre 2008 e 2022, académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e desde 2022 sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa, na classe de Letras, 3.ª secção, de Filosofia, Psicologia e Ciências da Educação.Site da Academia das Ciências de Lisboa. É Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve desde Maio de 2015.

Anunciou, no início de 2015, que era candidato independente às eleições presidenciais portuguesas de 2016.

A 25 de Outubro de 2016 recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Lusófona.

Entre 2022 e 2024, foi membro do Conselho de Estado, eleito pela Assembleia da República, em representação do PS, para a XV Legislatura.Manuel Alegre eleito para o Conselho de Estado, Lusa 29.04.2022

Eleições presidenciais de 2016 Sampaio da Nóvoa foi dos primeiros candidatos a anunciarem a sua candidatura ao Palácio de Belém, tendo-o feito a 29 de abril de 2015, no Teatro da Trindade, em Lisboa, e formalizou-a junto do Tribunal Constitucional a 22 de dezembro, com cerca de 13 000 assinaturas.

Organização da candidatura O diretor da campanha foi Pedro Delgado Alves, membro da Comissão Nacional do PS e deputado à Assembleia da República, que substituiu o anterior diretor José Romano, também do PS. A comissão de honra foi presidida por Jorge Miranda.

A candidatura teve 40 mandatários para as 20 causas escolhidas: um homem e uma mulher para cada. Os mandatários nacionais foram António Correia de Campos, ex-ministro da Saúde e membro do PS, e Teresa Salgueiro, cantora e ex-vocalista dos Madredeus. Os coordenadores nacionais das causas foram Manuel Carvalho da Silva e Gabriela Canavilhas. As causas e respetivos mandatários foram: 25 de Abril e liberdades: Maria Antónia Palla e Vasco Lourenço Ambiente e alterações climáticas: Júlia Seixas e Filipe Duarte Santos Assuntos constitucionais: Isabel Moreira e Gomes Canotilho Cidadania sénior: Rosário Gama e António Betâmio de Almeida Cidades e desenvolvimento territorial: Maria do Céu Albuquerque e João Ferrão Combate à pobreza e exclusão social: Isabel Guerra e Alfredo Bruto da Costa Conhecimento: Sofia Aboim e Miguel Castanho Cultura: Maria do Céu Guerra e Rui Vieira Nery Desporto: Rosa Mota e Carlos Lopes Diáspora: Ana Maria Faria e Hermano Sanches Ruivo Economia e inovação: Inês Santos Silva e Fortunato Oliveira Frederico Igualdade e combate às discriminações: Elza Pais e Miguel Vale de Almeida Juventude: Sara Barata Belo e Miguel Gonçalves Guedes Língua portuguesa: Lídia Jorge e Eduardo Lourenço Mar: Vanda Nunes e Mário Ruivo Movimentos sociais e cidadania: Pilar del Río e António-Pedro Vasconcelos Segurança e defesa: Helena Carreiras e Fernando Melo Gomes Serviços públicos: Ana Maria Bettencourt e António Arnaut Trabalho: Guadalupe Simões e Sérgio Monte União Europeia: Ana Gomes e Rui Tavares

Apoios nas eleições Nóvoa contou desde cedo com vários apoios de partidos e personalidades da esquerda portuguesa, tendo sido o primeiro candidato a ser formalmente apoiado por um partido político.