thumb|250px|Fronteiras da Bulgária de acordo com o Tratado de San Stefano em 3 de Março de 1878 e do subsequente Tratado de Berlim. A história da Bulgária moderna têm início em 3 de Março de 1878, quando o Tratado de San Stefano dá autonomia ao estado búlgaro, que compreendia as regiões da Mésia, Trácia e Macedônia. Baseados nesta data, os búlgaros comemoram todos os anos o Dia da Nação Búlgara. No entanto, cientes de que o novo estado teria hegemonia nos Bálcãs, outras grandes potências, em especial a Áustria-Hungria, rejeitaram o tratado e conseguiram diminuir o território que viria a compor o Reino da Bulgária, dando uma sobrevida ao Império Otomano na península balcânica.

Estabelecimento e desenvolvimento

thumb|200px|right|Fronteiras da Bulgária, de acordo com o Tratado de San Stefano de 3 de Março de 1878.

Como resultado do Tratado de Berlim de 1878, realizado sob a supervisão de Otto von Bismarck, o representante máximo do Império Alemão, e de Benjamin Disraeli do Reino Unido, que revisou o tratado anterior (San Stefano), o futuro Reino da Bulgária teve seu território reduzido.

Mesmo assim, criou-se um Principado da Bulgária autônomo, situado entre o rio Danúbio e a Stara Planina, incluindo a antiga capital búlgara de Veliko Turnovo e também Sófia. Este estado estava nominalmente sob o domínio do Império Otomano, mesmo sendo governado por um príncipe eleito por um congresso de búlgaros notáveis e era aprovado pelas grandes potências. Estas, especialmente os impérios aliados da Áustria-Hungria e da Alemanha exigiram que o príncipe não poderia ser russo, mas o sobrinho do czar Alexandre II foi mesmo assim eleito: tratava-se do Príncipe Alexandre I da Bulgária. Para contrabalançar a influência búlgara nos Bálcãs, a província da Rumélia Oriental foi criada logo ao sul, e a Macedônia permaneceu sob a soberania otomana.

Unificação com a Rumélia Oriental e guerra contra a Sérvia

thumb|left|200px|Estados balcânicos por volta de 1900.

Os búlgaros adotavam uma avançada constituição democrática, e poder logo foi passado ao Partido Liberal liderado por Stefan Stambolov. O Príncipe Alexandre tinha uma educação conservadora, e no começo opôs-se às políticas de Stambolov, mas em 1885 ela já era considerado suficientemente simpático ao seu novo país, a ponto de ganhar também o apoio dos liberais.

O príncipe também deu apoio à unificação entre a Bulgária e a Rumélia Oriental, que acabou sendo concluída a partir de um golpe realizado em Plovdiv em setembro de 1885. As potências européias não intervieram na questão porque estavam ocupadas com disputas internas. Pouco depois, a Sérvia viria a declarar guerra à Bulgária numa tentativa de conquistar territórios enquanto os búlgaros estavam distraídos. Os exércitos do reino búlgaro acabaram sendo derrotado em Slivnitsa e usaram o momento para lançar um contra-ataque. O exército sérvio foi levado a recuar profundamente para dentro de seu território, mas a Bulgária foi forçada a capitular quando o Império Austro-Húngaro mostrou-se disposto a intervir no conflito, do lado sérvio. Por fim, a unificação realizada pouco antes acabou por ser aceita pelas potências na forma de uma união pessoal.

Fernando I thumb|right|200px|Czar Fernando I.

Estes acontecimentos tornaram Alexandre muito popular na Bulgária, mas a Rússia estava crescentemente insatisfeita com suas tendências liberais. Em agosto de 1886, eles fomentaram um golpe que acabou por forçar Alexandre a abdicar e se exilar na Rússia. Stambalov, no entanto, agiu rápido e fez com que as forças golpistas tivessem que deixar o país. Ele tentou reinstalar Alexander no poder, mas a forte oposição russa forçou o príncipe a abdicar novamente. Em julho de 1887, os búlgaros elegeram Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha como seu novo príncipe. Fernando era o "candidato austríaco", e os russos se recusaram a reconhecê-lo. O novo príncipe inicialmente trabalhou ao lado de Stambolov, mas em 1894 suas relações começaram a se desgastar. Stambolov renunciou ao seu cargo e acabou por ser assassinado em julho de 1895. Fernando então se decidiu por restaurar as relações com a Rússia, o que significava um retorno à política conservadora.

Ainda havia uma substancial população búlgara vivendo sob a tutela otomana, particularmente na Macedônia. Para complicar a questão, a Sérvia e a Grécia também faziam reivindicações territoriais em partes da Macedônia, enquanto a Sérvia, como uma nação eslava, também considerava a população macedônia como parte de sua nação.FROMKIN, 2005, p. 84. Assim começou uma disputa pelo controle destas áreas que durou até a Primeira Guerra Mundial. Em 1903, ocorreu uma insurreição búlgara na Macedônia e uma guerra parecia estar a caminho. Em 1908, Fernando usou as disputas entre as grandes potências para declarar a Bulgária totalmente independente, tornando-se czar em 5 de Outubro (22 de Setembro na época, já que o calendário oficial da Bulgária era o juliano até 1916) na Igreja de St. Forty Martyrs, em Veliko Tarnovo.

Revolta de Ilinden-Preobrazhenie

O principal problema da política externa búlgara durante o período pré-Primeira Guerra Mundial era o destino da Macedônia e da Trácia Oriental. No final do século XIX a Organização Interna da Revolução em Macedônia-Adrianópolis foi fundada e começou a preparar uma revolta armada nas regiões que ainda eram ocupadas pelos turcos-otomanos. Tendo o apoio nacional de toda a Bulgária, o IMARO tornou-se uma rede infiltrada em comitês na Macedônia e na Trácia. O objetivo maior da organização era liberar estas região, ou ao menos conseguir a atenção das grandes potências para a causa búlgara, ao divulgar que estas regiões poderiam sofrer reformas legais e econômicas caso ingressassem no reino búlgaro. Depois de três meses de disputadas batalhas, os exércitos otomanos conseguiram conter a rebelião e tomaram atitudes cruéis contra a população civil.

As Guerras Balcânicas

Em 1911, o primeiro-ministro nacionalista do Reino da Bulgária, Ivan Geshov, planejou uma aliança com a Grécia e a Sérvia, e os três aliados colocaram de lado suas rivalidades e planejando um ataque conjunto ao Império Otomano e seus últimos domínios na Europa.

Em fevereiro de 1912, o tratado secreto foi assinado entre a Bulgária e a Sérvia,FROMKIN, 2005, p. 90. e em maio de 1912, um tratado similar foi assinado com a Grécia.FROMKIN, 2005, p. 90. Montenegro também viria a tomar parte no pacto.FROMKIN, 2005, p. 90. Os tratados estabeleciam diretrizes para a partilha da Macedônia e da Trácia entre os aliados, apesar de as linhas da partilha ter sido deixado perigosamente vaga. Depois que os otomanos recusaram-se a implementar reformas nas áreas disputadas, a Primeira Guerra Balcânica foi iniciada, mais precisamente em outubro de 1912.FROMKIN, 2005, p. 102.

thumb|left|200px|Soldados búlgaros mortos durante as Guerras Balcânicas.

Os aliados tiveram um sucesso colossal.FROMKIN, 2005, p. 102. O exército búlgaro infligiu várias derrotas decisivas nas forças otomanas, e chegaram a ameaçar perigosamente a cidade de Constantinopla, enquanto os exércitos sérvios e búlgaros se concentravam na tarefa de tomar o controle da Macedônia.FROMKIN, 2005, p. 84. Os otomanos pediram a paz em dezembro, mas as negociações foram interrompidas e as hostilidades só seriam contidas em fevereiro de 1913. Os otomanos já haviam perdido então Adrianópolis para uma força combinada de búlgaros e sérvios. Um segundo armistício seguiu-se em março, e os turcos perderam todos seus territórios europeus a leste da linha Midia-Enos, não muito longe da capital Constantinopla. A Bulgária ganhou a maior parte da Trácia, incluindo Adrianópolis e o porto de Dedeagach (atual Alexandropoli). O Reino da Bulgária também ganhou uma pequena parte da Macedônia, territórios a leste e norte de Tessalônica (que fora entregue aos gregos), e algumas pequenas áreas ao longo de sua fronteira ocidental.

right|thumb|200px|Fronteiras dos Bálcãs depois das duas Guerras Balcânicas (1912-1913).

A Bulgária sofreu as mais severas penalidades entre todos os aliados, e isto era a base para que sentisse que devesse possuir a maior parte nos espólios de territórios otomanos. Os sérvios, em particular, não viam as coisas desta maneira, e se recusaram a deixar qualquer território tomado na Macedônia do Norte (que corresponderia atualmente à República da Macedônia), alegando que o exército búlgaro não haviam concluído seus objetivos de capturar Adrianópolis (isto é, falhando a capturar Adrianópolis sem ajuda sérvia) e que os acordos de divisão feitos antes da guerra deveriam ser revisados. Alguns círculos na Bulgária sentiram que aquela era um momento adequado para declarar guerra à Sérvia e à Grécia como forma de se impor.

Em junho de 1913, Sérvia e Grécia formaram uma nova aliança, desta vez contra a Bulgária.LOHBAUER, 2005, p. 22. O primeiro-ministro sérvio, Nikola Pasic, disse aos gregos que estes poderiam receber a Trácia caso se unissem aos sérvios para reter qualquer possível invasão da Bulgária na Macedônia sérvia. Vendo os combinados de antes da guerra serem desprezados, e sendo incentivado discretamente pela Alemanha e Áustria-Hungria, o czar Fernando declarou guerra contra a Sérvia e a Grécia e o exército búlgaro atacou em 29 de junho.FROMKIN, 2005, p. 102. As forças sérvias e gregas inicialmente recuaram na frente ocidental, mas logo recuperaram suas posições e forçaram a Bulgária a recuar. A luta foi dura, com muitas penas, especialmente durante a Batalha de Bregalnitsa. Pouco depois, a Romênia viria a ingressar na guerra,LOHBAUER, 2005, p. 22. e atacaria a Dobruja no norte da Bulgária. Por fim, o Império Otomano também atacou a partir do sudeste. A guerra mostrou-se definitivamente perdida para a Bulgária,FROMKIN, 2005, p. 102. que teve que abandonar todas as suas pretensões na Macedônia cedida para a Sérvia e a Grécia,LOHBAUER, 2005, p. 22. enquanto os revividos otomanos retomavam Adrianópolis, e os romenos tomavam posse da Dobruja.

Guerra e conflitos sociais Primeira Guerra Mundial

No pós-guerra, a opinião pública búlgara voltou-se contra a Rússia e as potências ocidentais, que os búlgaros achavam que nada poderiam fazer para ajudá-los. O governo de Vasil Radoslavov alinhou a Bulgária com a Alemanha e com a Áustria-Hungria, mesmo que isto significasse se aliar também com os otomanos, tradicionais inimigos do reino búlgaro.LOHBAUER, 2005, p. 33 Entretanto, agora a Bulgária não tinha mais disputas contra os otomanos, mas sim contra Sérvia, Grécia e Romênia (aliados do Reino Unido e da França), que haviam tomado territórios ocupados por búlgaros.LOHBAUER, 2005, p. 33 O reino búlgaro permaneceu neutro durante o primeiro ano da Primeira Guerra Mundial, mas quando a Alemanha prometeu restaurar as fronteiras do Tratado de San Stefano, a Bulgária, que tinha o maior exército dos Bálcãs, declarou guerra contra a Sérvia em outubro de 1915. Reino Unido, França e Itália então declararam guerra à "Prússia dos Bálcãs".

Mesmo que a Bulgária, aliada à Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano tenha vencido várias batalhas contra a Sérvia e a Romênia, ocupando boa parte da Macedônia (tomando Skopje em outubro), avançando por dentro da Macedônia grega e tomando a Dobruja dos romenos em setembro de 1916, a guerra logo tornou-se impopular entre a maior parte da população búlgara, que sofreu gravemente os efeitos econômicos da situação e ainda tinha de lutar contra os irmãos cristãos ortodoxos ao estar aliada com os muçulmanos otomanos. O líder do Partido Agrário, Aleksandur Stamboliyski, foi preso por sua oposição à guerra. A Revolução Russa de fevereiro de 1917 também teve grandes efeitos em terras búlgaras, espalhando um sentimento antiguerra e antimonarquista entre as tropas nas cidades. Em junho o governo de Radoslavov resignou. Os motins se tornaram comuns entre o exército, Stamboliyski foi libertado e a república foi proclamada.

Anos entre-guerras