Pillow Talk (br: Confidências à Meia-Noite / pt: Conversa de Travesseiro) é um filme de comédia romântica americano de 1959 em CinemaScope, dirigido por Michael Gordon e estrelado por Rock Hudson e Doris Day com roteiro escrito por Russell Rouse, Maurice Richlin, Stanley Shapiro e Clarence Greene. O longa-metragem segue a história de Jan Morrow (Doris Day), uma decoradora de interiores e Brad Allen (Rock Hudson), um compositor mulherengo e solteirão que compartilham uma linha telefônica. Quando ela tenta, sem sucesso, denunciá-lo por usar constantemente a linha para cortejar suas conquistas amorosas, Brad descobre que ela é bonita e decide enganá-la, fingindo ser um fazendeiro do Texas. O plano parece funcionar até que o amigo em comum, Jonathan Forbes (Tony Randall), descobre tudo e desmascara Brad.
Após seu lançamento, Pillow Talk arrecadou a então impressionante quantia de US$ 18.750.000 com críticos impressionados com sua direção de arte refinada e edição estilizada para uma comédia romântica. Na cerimônia do Oscar de 1960, o longa-metragem foi indicado a cinco prêmios levando a estatueta de Melhor Roteiro Original. O sucesso de Pillow Talk fez com que Rock Hudson e Doris Day atuasse novamente juntos em Lover Come Back (1961) e Não Me Mandem Flores (1964). Em 2009, foi incluído no National Film Registry da Biblioteca do Congresso por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente".
Enredo Jan Morrow (Doris Day) é uma decoradora de interiores que mora na cidade de Nova York cujo único incômodo é ter que dividir a linha telefônica com Brad Allen (Rock Hudson), um compositor da Broadway e playboy que mora em um prédio próximo. Ela não consegue obter uma linha telefônica privada para seu negócio, que administra de casa, porque a companhia telefônica está sobrecarregada com a recente demanda por novas linhas.
Jan e Brad, que só se "conheceram" por telefone, desenvolvem uma rixa por causa do uso da linha telefônica compartilhada. Brad usa o telefone constantemente para conversar com uma jovem após a outra, cantando para cada uma delas uma canção de amor "original", supostamente escrita especialmente para ela, embora ele apenas mude o nome ou o idioma da música. Jan precisa da linha para o trabalho e tenta fazer com que ele seja mais atencioso. Brad sugere que Jan, solteira, está com ciúmes de sua popularidade e tem um problema "na cama". Ele conquista o inspetor de telefonia que é enviado para investigar a reclamação de Jan. Mais tarde, Brad e Jan concordam em compartilhar a linha telefônica em turnos alternados de meia hora.
Um dos clientes de Jan é o milionário Jonathan Forbes (Tony Randall), que repetidamente a pede em casamento mas a protagonista sempre recusa. Sem que Jan saiba, Jonathan também é um antigo colega de faculdade de Brad e seu atual benfeitor na Broadway. Jonathan revela a Brad seu novo interesse amoroso e Brad percebe que deve se tratar de seu antigo sócio. Ele fica intrigado.
Numa noite na discoteca, Brad vê Jan a dançar e descobre quem ela é. Atraído por ela, finge um sotaque e inventa uma nova persona: Rex Stetson, um rico rancheiro texano. Ele consegue conquistar Jan, em parte porque faz insinuações que ele pode usar a seu favor. Por exemplo, o protagonista sugere que Rex passe no seu quarto de hotel no encontro e tente seduzi-la; quando Rex o faz, mas apenas mostra a vista a Jan, ela pensa que ele é um perfeito cavalheiro. Quando Jan se gaba disso a Brad, ele sugere que Rex pode ser gay. Isto a leva a questionar Rex sobre a sua atração por ela, permitindo assim que ele a beije.
Jonathan contrata um detetive particular para descobrir com quem Jan está saindo. Depois de descobrir a verdade sobre a farsa de Brad, ele o obriga a colocar ela em um táxi e mandá-la para casa. Brad deve sair de Nova York e ir para a cabana de Jonathan em Connecticut para terminar suas novas músicas. No entanto, Brad o trai convidando Jan para ir com ele. Lá, eles se beijam até que Rex sai para buscar lenha para a lareira e Jan encontra uma cópia da partitura de Rex. Ela toca a melodia no piano próximo e reconhece a música que "inspirou" Brad. Ela confronta Brad e pede para ser levada para casa por Jonathan, que acaba de chegar à cabana.
Em Nova York, Jonathan está menos apaixonado por Jan porque ela chora muito por causa de Brad. Ele fica feliz ao saber que o playboy se apaixonou, enquanto Jan, por outro lado, não quer nada com Brad. Brad pede conselhos a Alma (Thelma Ritter), feliz por conhecer Brad depois de ouvir as conversas da festa por tanto tempo, sugere que ele contrate Jan para decorar seu apartamento, assim eles serão obrigados a colaborar. Jan só concorda para que seu patrão não perca a encomenda. Brad deixa todas as decisões de design a cargo de Jan, dizendo-lhe apenas para projetar um lugar onde ela mesma gostaria de morar.
Ainda ressentida, Jan decora o apartamento de Brad com a decoração mais extravagante que consegue encontrar. Horrorizado com o que vê, Brad invade o apartamento de Jan e a carrega de pijama pela rua até o seu apartamento para se explicar. Brad menciona todas as mudanças que fez para acabar com a vida de solteiro, pois achava que eles iriam se casar. O rosto dela se ilumina e, enquanto ele sai furioso, ela usa um dos controles remotos "de playboy" dele para trancar a porta. Ela aciona outro interruptor e o piano mecânico toca uma versão country da canção de amor favorita de Brad. Ele se vira, seus olhares se encontram e eles se abraçam.
Algum tempo depois, Brad vai contar a Jonathan que vai ser pai, mas é chamado à força pelo obstetra Dr. Maxwell (Alex Gerry) e pela enfermeira Resnick (Mary McCarty) para um exame no consultório, quando diz que vai ter um bebê. Elenco Rock Hudson como Brad Allen Doris Day como Jan Morrow Tony Randall como Jonathan Forbes Thelma Ritter como Alma Nick Adams como Tony Walters Julia Meade como Marie Allen Jenkins como Harry Marcel Dalio como Mr. Pierot Lee Patrick como Mrs. Walters Mary McCarty como Nurse Resnick Alex Gerry como Dr. Maxwell Hayden Rorke como Mr. Conrad Valerie Allen como Eileen Jacqueline Beer como Yvette Arlen Stuart como Tilda Perry Blackwell como Perry Karen Norris como Miss Dickenson Produção Desenvolvimento O roteiro do filme foi recusado e readquirido pela RKO algumas vezes no final da década de 1940 e início da década de 1950, até que Martin Melcher (então marido de Doris Day) e seu selo Arwin Productions compraram o roteiro e o levaram à Universal. De acordo com Day na biografia de A. E. Hotchner Doris Day: Her Own Story, o filme recebeu o título de Pillow Talk, mas o nome desagradou à Código Hays (PCA). Melcher tentou convencer o coprodutor Ross Hunter a mudar o título para Any Way the Wind Blows, nome de uma canção que ele estava prestes a publicar, mas Hunter manteve o título original. O final originalmente planejado para o filme mostraria Jan, após usar o interruptor falso para trancar a porta e então sorrir para Brad, apagar a luz e dizer: “Todos os apartamentos parecem iguais no escuro.” Esse final em aberto foi alterado na versão final do filme para mostrar que Jan e Brad se casaram e agora estão esperando um bebê.Pillow Talk Production Notes
O diretor Michael Gordon havia sido incluído na lista negra e estava trabalhando na Broadway. Ele disse que o produtor Ross Hunter assistiu à peça The Tender Trap na Broadway, dirigida por Gordon, e “sentiu que a peça demonstrava o temperamento geral e o espírito que ele queria” para Pillow Talk. Gordon recordou que era conhecido “como aquele judeu intelectual e intenso vindo do Group Theater, e eu não estava associado a comédias. Mas sempre gostei de comédia e apreciava trabalhar com comédia.”Davis p 119 Gordon afirmou: “Fiquei muito feliz por voltar a trabalhar remuneradamente em Hollywood, embora deva dizer honestamente que, no fundo do meu coração, tinha algumas reservas quanto ao chauvinismo desenfreado de Pillow Talk. Mas foi divertido de fazer, e gostei muito de trabalhar com Doris Day.”Gordon p 119 Elenco O filme é notável por reinventar as imagens de Rock Hudson e, particularmente, de Doris Day na tela. Hunter identificou o potencial de Day para ser sensual e recrutou o lendário figurinista Jean Louis, que desenhou 18 ou 24 figurinos para que ela usasse no filme. Hunter disse a Day: “Você é sensual, Doris, e já está na hora de lidar com isso... se você me permitir chamar Jean Louis para fazer suas roupas, quero dizer um guarda-roupa realmente sensacional que destaque esse seu traseiro exuberante, colocar uma maquiagem maravilhosa em você, dar-lhe um ar elegante e um penteado magnífico que a valorize; assim, toda secretária e toda dona de casa dirá: ‘Olhe só isso — veja o que Doris fez consigo mesma. Talvez eu possa fazer a mesma coisa’”.. A atriz reconheceu que o filme transformou sua imagem de “a garota da casa ao lado” em um símbolo sexual elegante, descrevendo que a trama, para a época, era muito sensual, envolvendo uma cena culminante na qual o protagonista a carrega para fora da cama em seu pijama e a leva para a rua.. Além disso, a joalheria Laykin et Cie emprestou joias avaliadas em US$ 500.000 para que Day usasse no filme.
Este foi o primeiro filme de comédia de Hudson, após uma série de dramas que ele realizou ao longo da década de 1950, incluindo All That Heaven Allows (1956) e Adeus às Armas (1957). Foi Hunter quem percebeu o potencial de Hudson para a comédia. O conselho que ele recebeu do diretor Michael Gordon foi: “A comédia é a tragédia mais séria do mundo. Interprete-a dessa forma e você não errará. Se algum dia você se achar engraçado, não terá a menor chance.” Em 2 de fevereiro de 1959, Thelma Ritter foi escalada como Alma, a governanta de Jan, enquanto Lee Patrick foi escalada como Sra. Walters no mês seguinte. Hope Emerson foi recrutada por Hunter para interpretar uma princesa indígena chamada “Dessert Flower” no filme. Ela não aparece na versão final. Uma participação especial da amiga de Day e atriz Miriam Nelson ocorre na cena em que Brad entra rapidamente no consultório do Dr. Maxwell (o obstetra) para evitar encontrar Jan. Nelson recebeu o pequeno papel de uma paciente na sala de espera para que pudesse almoçar com Day no refeitório do estúdio.
Gordon disse que teve “problemas” com o produtor Marty Melcher, marido e empresário de Day, “porque ele não conseguia entender por que eu dizia que Doris não teria um número musical para cantar. Ela canta no filme, mas informalmente. Eu disse: ‘Ela é decoradora de interiores neste filme, não cantora’. A própria Doris estava disposta a aceitar isso".David p 119
Filmagem De acordo com Hudson, a cena final, na qual Brad invade o apartamento de Jan, a puxa da cama e a carrega pelas ruas de Manhattan até seu apartamento redecorado, foi na verdade filmada primeiro. Devido a problemas nas costas, Hudson carregou Day em uma prateleira, com seus lençóis e cobertores sobre ela, para conseguir suportar as muitas tomadas. Segundo Hudson, “eu teria conseguido se apenas uma tomada tivesse sido necessária, mas continuamos interminavelmente, principalmente porque havia um ator coadjuvante que interpretava um policial na rua e, quando passávamos por ele, a fala de Doris era ‘Oficial, prenda este homem’, e o policial deveria dizer para mim ‘Como vai, Brad?’, mas aquele ator idiota continuava me chamando de Rock (01:39:36). Então voltávamos às nossas marcas para outra tomada e mais outra e outra. Aposto que fizemos aquela cena vinte vezes. Foi por isso que havia a prateleira para Doris se sentar.” Além disso, Hudson relatou que, quando puxou Doris Day da cama, esqueceu de soltar seus tornozelos “…com o resultado de que minha protagonista caiu no chão.”.