O termo Campanha Italiana refere-se à série de batalhas nas quais se confrontaram os exércitos do Império Áustro-Húngaro e do Reino de Itália, ao lado de seu aliados, no norte da Itália entre 1915 e 1918. O reino italiano esperava que juntando-se à Tríplice Entente contra os Impérios Centrais iria ganhar a Trento (também conhecida como Trentino) e o porto de Trieste, assim como as províncias de Bolzano-Bozen, Ístria e Dalmácia. Apesar das expectativas italianas de começar a guerra com uma ofensiva surpresa em território austríaco, que capturaria rapidamente várias cidades, as forças austro-húngaras conseguiram conter a invasão, e logo a Frente Alpina transformou em uma guerra de trincheiras, a semelhança da Frente Ocidental a qual nenhum lado conseguiu romper entre 1915 ou 1916. Em 1917 um ataque conjunto Austro-alemão em Caporetto infligiu uma massiva derrota à Itália mas que as Potências Centrais foram incapazes de capitalizar para nocautear a Itália, que por sua vez se recuperou bem. A Itália emerge vitoriosa na batalha final de Vittorio Veneto enquanto a Áustria-Hungria colapsa. Artigo sobre o Fronte Italiano na International Encyclopedia of WWI

Antecedentes Apesar de ser integrante da Tríplice Aliança ao lado da Áustria-Hungria e da Alemanha, a Itália não declarou guerra em agosto de 1914, alegando que o pacto era defensivo por natureza, e que como a Áustria-Hungria havia sido a agressora, a Itália não era obrigada a entrar em guerra. Além disso, a Áustria-Hungria omitiu a sua consulta com a Itália antes de enviar o ultimato à Sérvia e se recusou a discutir compensações como previsto no artigo 7 da aliança. Os povos italianos tinham uma longa história de rivalidade com a Áustria-Hungria, que datava desde o Congresso de Viena de 1815, realizado logo depois das Guerras Napoleônicas, no qual vários territórios importantes da península Itálica foram cedidos ao Império Austríaco. Por outro lado os irredentistas italianos buscavam a anexação de territórios com população nativa italiana sob poder da Áustria, especialmente no Litoral Austríaco e Condado de Tirol, a elite italiana passou a apoiar esse movimento e a anexação de territórios habitados por italianos se tornou o principal motivo italiano para guerra de maneira similar à Alsácia-Lorena para a França.

Nos estágios iniciais da guerra, os diplomatas das potências aliadas cortejavam a Itália, tentando garantir sua participação na guerra ao lado da Entente. Este cortejo culminou no Tratado de Londres de 26 de abril de 1915, no qual a Itália renunciou a qualquer obrigação que tivesse com a Tríplice Aliança. Em 23 de maio, a Itália declarou guerra contra a Áustria-Hungria, a Bulgária, a Alemanha e o Império Otomano.

A decisão italiana de entrar na guerra em 1915 colocou as forças armadas em uma posição difícil. A opinião pública italiana não era entusiástica da guerra e o exército não estava preparado para um conflito prolongado, ainda sofrendo com falta de equipamento e munições devido à Guerra Ítalo-Turca apenas 3 anos antes, assim a vitória rápida era vital. Enquanto a Itália estrategicamente deveria realizar a ofensiva a geografia da fronteira italo-austríaca impunha sérios problemas: no setor alpino norte a única área que parecia relativamente acessível era o planalto do Asiago, circundada por cadeias de montanhas fortemente guardada por fortificações austríacas que bloqueavam o caminho italiano à Trento e Tirol. Devido importância política e cultural da área, um foco patriótico chave, era essencial que a Itália lutasse vigorosamente nos Alpes que no entanto em termos militares era altamente desafiador. De trentino indo à nordeste a fronteira passava por cadeias das Dolomitas e Alpes Cárnicos basicamente impassáveis com pouca chance de vitória. A melhor perspectiva para uma ofensiva italiana estava ao leste onde o terreno era mais baixa se transformando em colinas onduladas e vales ao redor do rio Isonzo. O baixo Isonzo em particular foi colocado pelo comando italiano como o melhor lugar para romper as linhas inimigas. Chefe do Estado-Maior Luigi Cadorna fez planos ambiciosos de atacar em sentido leste, capturando Trieste e Liubliana, depois seguindo ao norte em direção à Viena; apesar do Fronte Ocidental ter se tornado uma guerra de trincheira imóvel, Cadorna acreditava que isso não se repetiria no seu teatro com sua doutrina de ofensiva, em realidade a situação geográfica da fronteira e a política na Itália lhe davam poucas opções.

Por outro lado, as opções limitadas dos italianos não surpreendentemente permitiram ao Chefe de Estado-Maior austríaco Franz Conrad Von Hötzendorf identificar o baixo Isonzo como a melhor e mais provável área de ataque dos italianos. Assim, desde 1914 a Áustria criou rapidamente uma linha defensiva de fortificações, arames farpados e campos minados nessa região. O planalto do Asiago era ainda mais protegida com um conjunto de fortalezas blindadas. Essas fortificações eram fundamentais e com elas a Áustria poderia colocar relativamente poucas tropas na fronteira, usando a vantagem que tinham tanto geográfica possuindo o terreno alto quanto o bem desenvolvido sistema defensivo criado em toda a fronteira para negar a superioridade numérica italiana. Embora a Áustria-Hungria estrategicamente estava na defensiva, ela não percebia o Fronte Italiano como sem importância. Conrad era um grande italofóbico, vendo a Itália como o principal inimigo do Império enquanto que o ressentimento da população contra o que perceberam como traição da Itália foram motivos para a raiva popular, soldados de quase toda origem étnica ou linguística estavam inclinados a lutar contra a Itália.

Campanhas de 1915-1916 right|thumb|Frente italiana em 1915-1917: onze batalhas de Isonzo e Ofensiva Asiago. Em azul, as conquistas italianas iniciais.

Primeiras batalhas de Isonzo A Itália abriu a guerra com uma ofensiva concentrada em capturar a cidade de Gorizia no rio Isonzo (Soča, em esloveno). Entretanto, o exército italiano era deficiente em artilharia, transportes e reservas de munições. No começo da guerra, a Itália tinha apenas seiscentos veículos para mover suas tropas.

Ao lado de veículos militares contemporâneos, o exército italiano também usou cavalos para transporte, e estes falharam em mover suprimentos rápido pelo terreno montanhoso dos Alpes. Além disso, o comandante italiano, Luigi Cadorna, não tinha nenhuma experiência prévia de combate e era altamente impopular entre suas tropas. A Primeira Batalha do rio Isonzo começou em 23 de junho de 1915, cerca de 1 mês após a declaração de guerra, um atraso causado pela mobilização ineficiente italiana, permitindo que as forças austríacas cavassem trincheiras e criassem defesas efetivasNo começo da ofensiva, forças italianas venciam os austríacos em números numa proporção de dois para um, mas falharam em penetrar ao longo das poderosas linhas defensivas dos Alpes. Isso se deveu principalmente ao fato de as forças austríacas estarem em um terreno mais elevado, e por consequência, todas as ofensivas lançadas pela Itália envolveriam uma difícil possibilidade de atingir os inimigos antes de muitas baixas. Ataques foram realizados em 3 seções da linha austríaca mas após ganhos pequenos no Carso ocidental, a batalha foi parada para reorganizar as tropas, reiniciando em 18 de julho de 1915 como a Segunda Batalha do Isonzo. Apesar dos impressionantes esforços italianos durante o período de neutralidade no recrutamento de oficiais e suboficiais, adquirir artilharia e munições, o exército não estava totalmente preparado para o tipo de guerra que ele enfrentaria. Ataques frontais de infantaria foram feitos contra vários morros e montanhas no fronte, por volta da terceira (outubro de 1915) e quarta (novembro) batalhas o calor deu lugar ao frio e lama. As baixas italianas eram repetidamente maiores que as dos austríacos em suas fortes posições defensivas, nas batalhas do outono os italianos tiveram 116 mil baixas, enquanto que as austríacas foram 67 mil. Ao fim do outono as forças italianas no Isonzo estavam a beira do colapso sendo salvos porque os austríacos também estavam em situação ruim com tropas insuficientes e falta de artilharia, impedindo que um lado se aproveitasse das fraquezas do outro, os austríacos não poderiam fazer mais do que continuar nas suas fortificações e resistir os assaltos frontais italianos que falharam em romper as linhas austríacas ao fim de 1915. Nos Alpes a situação também chegou ao estase, onde ambos os exércitos enfrentavam os desafios da altitude, neve e gelo, terrenos vertiginosos nas faces das montanhas e mesmo o medo de avalanches no conflito conhecido como Guerra Branca. A Itália tinha um corpo de montanha conhecidos como Alpini, fundado em 1872, eram compostos por 8 regimentos em 1915; esses soldados tinham experiência nas extremas condições alpinas assim como treinamento e equipamento especializado, inclusive com unidades em esquis, contudo das demandas do fronte estavam muito acima do que o número de alpini disponíveis poderiam fazer e infantaria comum foi enviada, sofrendo com o clima e terreno local. Essa guerra de montanha com demandas táticas únicas e tremendo custo humano simbolizaram o conflito para a população italiana. O primeiro ano de guerra foi o pior com equívocos táticos, grande perda de vida humana, abrigos e trincheiras eram inadequados, rações não chegavam a tempo e itens básicos como botas, capacetes e cortadores de arame farpado tinham suprimentos desesperadamente baixos.

Enquanto isso Cadorna deveria lançar uma ofensiva de acordo com suas promessas na Conferência de Chantilly em dezembro de 1915. Sob pressão francesa a Itália lança a Quinta Batalha de Isonzo em 9 de março de 1916, o ataque ocorreu em condições de inverno com o calor da primavera tardando neste ano, fazendo um ataque combinado muito difícil. Nessa ofensiva o exército italiano estava começando o melhorar o seu equipamento e organização, criando novas unidades e pondo mais atenção à artilharia e metralhadoras; no nível tático mudanças graduais foram feitas, os ataques frontais simples de 1915 deram lugar ao melhor uso do terreno e alguns elementos de infiltração foram introduzidos. No entanto essas mudanças não foram totalmente implementadas e os ataques em 1916 fora localizados, inefetivos e desarticulados.

A Ofensiva Asiago No início de 1916 a Áustria-Hungria poderia ser proativa no fronte pela primeira vez, Conrad pode transferir mais tropas, incluindo suas melhores divisões para a Itália; progressos significantes foram feitos na quantidade e qualidade da artilharia austríaca em 1916, artilharia pesada e metralhadoras estavam sendo divertidas ao Fronte Italiano ao invés do Leste e tropas de montanha de elite foram enviadas para Tirol. No entanto as esperanças de suporte alemão foram em vão, por causa da concentração alemã nas suas próprias batalhas de Verdun e Somme.

As operações italianas no Isonzo foram suspensas quase imediatamente quando se tornou aparente que os austro-húngaros preparavam uma grande ofensiva em Trentino. Seria a Batalha de Asiago, apelidada de Strafexpedition (expedição de punição) pelos italianos. O plano foi feito contra o conselho dos alemães, que instou para que a Áustria se concentrasse no teatro a nordeste, no entanto os austríacos teimosamente insistiram em perseguir uma ofensiva aos italianos, talvez encorajada pelo seu dramático sucesso na Balcãs, focando no sul ao invés do teatro ao norte da Áustria, assim como refletir os sentimentos pessoais de Conrad contra a Itália. O Trentino como outros setores no altos Alpes e Dolomitas estava quieto, ambos os lados se limitaram a ocupar suas posições na maior parte do tempo, o plano austríaco consistiria em realizar um massivo ataque em uma posição relativamente fraca da Itália, quebrar as linhas italianas, descer às planícies ao redor de Vicenza e Padua e então mover-se ao leste pela região de Veneza Júlia e atacar o grosso das forças italianas por trás.