miniaturadaimagem|510x510px|"A Criação de Adão", afresco de Michelangelo no qual Deus aponta seu membro superior para Adão e vice-versa, de modo que ambos quase se tocam. Extremidade superior ou membro superior refere-se ao conjunto formado por ombro, braço, cotovelo, antebraço e mão.
No cotidiano, os leigos chamam o membro superior todo de braço. Há, inclusive, dicionários que consideram tais termos como sinônimos. Assim, não há problemas em intercambiar os termos informalmente. É desaconselhada, porém, essa troca no ambiente acadêmico, pois é anatomicamente imprecisa; de modo que os livros de Anatomia conceituam braço como uma região específica do membro superior, compreendida entre o ombro e o cotovelo.
Funções As funções dos membros estão, fundamentalmente, atreladas à mobilidade. Assim, na espécie humana, os membros superiores se encarregam de golpear, segurar e manipular objetos. Finalmente, é importante pontuar que, embora as principais funções dos membros superiores sejam relacionadas ao movimento, os membros também se envolvem no equilíbrio.
Anatomia miniaturadaimagem|424x424px|No quadro "A morte de Sócrates", pintado por Jacques Louis David, são nítidos os quatro segmentos no membro superior do filósofo: ombro, braço, antebraço e mão.
Segmentos do membro superior O membro superior é uma estrutura complexa, de modo a ser dividido didaticamente em alguns segmentos, para facilitar seu estudo. A saber, há quatro segmentos principais: ombro, braço, antebraço e mão.
O ombro é o segmento mais proximal do membro superior, que se sobrepõe a parte do tronco (tórax e dorso), bem como porção ínfero-lateral do pescoço. Abrange as regiões deltoidea (na qual está o músculo deltoide), escapular (que contém a escápula) e peitoral (em que se encontra o músculo peitoral maior). Abriga também o cíngulo do membro superior, responsável por fixar o membro superior ao resto do corpo.
Abaixo do ombro, observa-se o braço, que é o primeiro segmento livre do membro superior (isto é, independente do tronco). Corresponde à porção mais longa do membro superior. Está compreendido entre o ombro e o cotovelo, unindo-os.
Em seguida, há o antebraço, o qual corresponde ao segundo segmento mais longo do membro superior. Une o cotovelo ao punho, de modo a localizar-se entre os dois.
Em última instância, visualiza-se a mão, segmento mais distal do membro superior. É composta por punho, dorso da mão, palma da mão e dedos da mão. A mão humana conta, inclusive, com um polegar que se opõe aos demais dedos, típico da maioria dos primatas. Trata-se de um local repleto de terminações nervosas para dor, pressão e temperatura. Além disso, os músculos da mão apresentam abundantes unidades motoras (conexões entre axônios de neurônios e fibras musculares), sendo que cada uma contém poucas fibras musculares; o que permite numerosas gradações de contracção, para gerar movimentos bastante precisos.
Ossos do membro superior esquerda|miniaturadaimagem|407x407px|Esqueleto humano, no qual se visualizam ossos do membro superior Enquanto os ossos do crânio, as vértebras, as costelas e o esterno compõem o arcabouço central do corpo, denominado esqueleto axial; os ossos dos membros superior e inferior constituem um apêndice, por isso compõem o esqueleto apendicular.
Primeiramente, faz parte desse conjunto de ossos o chamado cíngulo do membro superior, responsável por unir o membro ao esqueleto axial. No caso do membro superior, o cíngulo é formado pela clavícula e pela escápula.
Em seguida, observa-se no braço um osso longo e único, denominado úmero. Ele se estende desde o ombro, onde se articula com a escápula, até o cotovelo, onde forma articulação com o rádio e a ulna. O úmero é o maior osso do membro superior.
Mais abaixo, no antebraço, há dois outros ossos longos, o rádio e a ulna. Eles se articulam, no cotovelo, com o úmero e se prolongam pelo antebraço até o punho, onde o rádio estabelece articulação com os chamados ossos do carpo; ao contrário da ulna, que não chega até eles. No antebraço, o rádio e a ulna também se articulam entre si. A ulna é mais longa que o rádio e se localiza medialmente, enquanto o rádio está no mesmo lado que o polegar, isto é, encontra-se lateralmente.
Já no punho, existem oito ossos, referidos conjuntamente como ossos carpais. Tais ossos se organizam em duas fileiras: a fileira proximal (constituída, de lateral para medial, pelos ossos escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme); e a fileira distal (formada, também de lateral para medial, por trapézio, trapezoide, capitato e hamato). Trata-se de ossos curtos, que conferem grande flexibilidade ao punho. A fileira proximal dos ossos carpais se articula, em primeiro lugar, com o rádio. Além disso, uma fileira de ossos carpais estabelece articulação com a outra. Por fim, existe articulação entre a fileira distal dos ossos carpais e os ossos metacarapais.
Na sequência, há os ossos que constituem a palma da mão, chamados de ossos metacarpais, numerados de um a cinco. O primeiro osso metacarpal é aquele que se articula com a falange proximal do primeiro dedo (polegar), ao passo que o quinto osso metacarpal é o que estabelece articulação com a falange distal do quinto dedo (mínimo). Apesar do pequeno tamanho, os ossos metacarpais são classificados como ossos longos devido a sua estrutura. Além disso, estabelecem articulação com ossos carpais e falanges proximais.
Enfim, os ossos encontrados nos dedos recebem a nomenclatura de falanges. Em geral, os dedos possuem três falanges: falange proximal (mais próxima da palma da mão), falange média (intermediária) e falange distal (mais distante da palma da mão). No entanto, ainda que os dedos indicador, médio, anelar e mínimo apresentem todos três falanges; o polegar é uma exceção: apresenta somente duas, uma falange proximal e uma falange distal. Assim como os ossos metacarpais, classificam-se como ossos longos, apesar do tamanho, pelo mesmo motivo. As falanges estabelecem articulações entre si e com os ossos metacarpais.
Dessa maneira, cada membro superior apresenta uma escápula, uma clavícula, um úmero, uma ulna, um rádio, oito ossos carpais, cinco ossos metacarpais e quatorze falanges (pois há quatro dedos com três falanges cada uma e um dedo com duas falanges). Isso totaliza 32 ossos em cada membro superior, com 64 ossos ao serem considerados ambos os membros. Essa abundância de ossos é consistente com a riqueza de articulações sinoviais ali presentes, responsável pela grande mobilidade, a qual é a principal função dos membros.
Articulações sinoviais do membro superior As articulações do tipo sinoviais são protagonistas nos membros, de modo que quase todas as junturas do membro superior são classificadas dessa maneira. Trata-se de articulações que permitem livre movimento entre os ossos participantes, o que é essencial no membro superior, uma estrutura especializada em mobilidade.
miniaturadaimagem|A clavícula se articula com o esterno, de modo a conectar o membro superior ao esqueleto axial. Ainda serve como uma escora, afastando-o do tronco
A clavícula e a escápula integram o cíngulo do membro superior, responsável por fixá-lo ao tronco. Tal fixação envolve algumas articulações. Primeiramente, a face esternal da clavícula se articula com o esterno, precisamente com a incisura clavicular do manúbrio do esterno. A junta formada, que recebe o nome de articulação esternoclavicular, tem um encaixe similar ao estabelecido entre uma sela e o dorso de um cavalo, logo é classificada como articulação sinovial selar. Ela possibilita que a clavícula se eleve e retorne à sua posição inicial, conforme o ombro se eleva ou se deprime, respectivamente; bem como se retraia ou se protraia, ao longo da retrusão ou protrasão da escápula, respectivamente.
Na sequência, a outra face da clavícula, denominada extremidade acromial da clavícula, estabelece articulação com o acrômio da escápula. Trata-se de uma articulação sinovial plana, responsável pelo deslizamento entre clavícula e escápula durante os movimentos da escápula. A clavícula, com sua disposição, funciona como uma escora, de modo a afastar o membro superior do tronco e, de tal maneira, dá-lo máxima liberdade de movimento.
Já a articulação entre a escápula e o tórax (escapulotorácica) é meramente fisiológica, isto é, funcional. Não se encaixa no conceito de articulação anatômica: é estabelecida por intermédio da musculatura e é desprovida dos elementos de uma articulação, sem sequer haver dois ossos em junção direta. É responsável pelos movimentos de protração e retração, elevação e depressão, bem como rotação da escápula. esquerda|miniaturadaimagem|403x403px|Na obra "A escola de Atenas", afresco de Rafael Sanzio, Platão (à esquerda) aponta para cima e Aristóteles (à direita) para baixo. Para fazer o movimento de Platão, é preciso usar a articulação do ombro, para flexionar o braço, e utilizar a articulação do cotovelo, para flexionar o antebraço. Já Aristóles se encontra com o antebraço pronado, o que é possibilitado pelas articulações radioulnares Por outro lado, o ombro é a articulação mais móvel do corpo, estabelecida entre a escápula e o úmero. Mais precisamente, o úmero contribui com sua cabeça, uma elevação arredondada, quase hemisférica. Por outro lado, a escápula providencia uma cavidade para o encaixe com a cabeça do úmero, denominada cavidade glenoide (ou glenoidal). A articulação do ombro, portanto, também pode ser chamada de articulação glenoumeral. Ela permite movimentação em três eixos, de modo a produzir os movimentos de flexão e extensão, adução e abdução, circundução, rotação lateral e rotação medial do braço.
Já o cotovelo é a uma articulação complexa, pois há encontros entre diferentes ossos, porém todos no interior de uma única cápsula articular.
Em primeiro lugar, a tróclea do úmero se articula com a incisura troclear da ulna, constituindo a articulação umeroulnar. Além disso, existe juntura entre o capítulo do úmero e a cabeça do rádio, o que constitui a articulação umerorradial. Juntas, correspondem à articulação do cotovelo. Tal articulação sinovial é do tipo gínglimo, isto é, apresenta movimentação semelhante à de uma dobradiça. Os movimentos propiciados por ela são a flexão e a extensão do antebraço.
O bom encaixe entre úmero e ulna faz que o cotovelo seja uma das articulações mais estáveis do corpo. O grau de encaixe entre dois ossos em uma articulação sinovial se chama congruência óssea.
Adicionalmente, há na região uma articulação independente, mas cuja cápsula articular é contínua com a cápsula articular da articulação do cotovelo. Dá-se entre a incisura radial da ulna e a circunferência articular da cabeça do rádio. É denominada articulação radioulnar proximal, dado que há outra articulação entre o rádio e a ulna, porém no punho, mais distalmente
Perceba que três articulações estão na região do cotovelo, ou seja, entre o braço e o antebraço; porém apenas duas delas pertencem à articulação do cotovelo, sendo a terceira uma junta à parte.
Tal juntura independente, a articulação radioulnar proximal, envolve-se na pronação e na supinação do antebraço (movimentos nos quais o rádio gira sobre a ulna). Articulações sinoviais como esta, na qual há a movimentação se assemelha à de um pivô, são incluídas no grupo das articulações trocoides. miniaturadaimagem|345x345px|Na pintura de Almeida Júnior, "Moça com livro", a disposição da mão direita da mulher é permitida pela flexão do punho, enquanto a posição da mão esquerda se deve à hiperextensão do punho. As articulações envolvidas em ambos os casos são a radiocarpal e as intercarpais. A articulação radioulnar distal, conforme antecipado acima, fica no punho. Tem a mesma classificação que a articulação radioulnar proximal (sinovial trocoide) e a auxilia a pronar ou supinar o antebraço. É estabelecida entre a incisura ulnar do rádio e a cabeça da ulna.