thumb|300px|O jornalista e sociólogo Joelmir Beting (centro) mediando debate televisivo entre Mário Covas e Francisco Rossi durante a campanha eleitoral de 1994Os debates eleitorais televisionados no Brasil são, em suma, um choque ideológico, ora duelado intensamente, ora unissonante, ora ofensivamente, ora pacificamente entre agentes debatedores, ou seja, candidatos à presidência (sendo chamado debate presidencial), aos Governos do Estado e às Prefeituras, em horário agendado antecipadamente nas emissoras de televisão brasileiras (prática iniciada em 1982), ao vivo, vislumbrando as eleições realizadas no Brasil, a cada dois anos, sobre temáticas que teoricamente envolvem interesses em jogo para o telespectador, com o objetivo oficial de auxiliar a escolha de um candidato ou de uma ideologia para representar diretamente o eleitor no cargo eletivo. Em todos os debates existem a figura do mediador, a pessoa que atua como intermediário entre os candidatos.thumb|300px|Exemplo de um ambiente de debate televisionado; na imagem, candidatos a Prefeitura de Blumenau, nas eleições de 2012 thumb|direita|300px|Maria do Rosário e José Fogaça, candidatos a Prefeitura de Porto Alegre em 2008, em um debate na TV

Os temas discutidos no debate são muitas vezes as questões mais controversas da época, e, possivelmente, as eleições foram quase decididas pela repercussão (por exemplo, o último debate presidencial de 1989 com Lula e Collor). Os debates são direcionados principalmente para os eleitores indecisos, aqueles que tendem a não ser parcial a qualquer ideologia ou partido político.

São realizadas no final do ciclo eleitoral, depois dos partidos políticos terem indicado seus candidatos. Os candidatos ao pleito se encontram em um grande salão, muitas vezes nos estúdios da emissora, diante de uma plateia de cidadãos. Os formatos dos debates têm variado, com perguntas, por vezes, de mediadores, jornalistas e em outros casos populares.

A especialista em Comunicação Social e pesquisadora na Universidade Nova de Lisboa Janaína Leite, mostra na obra "Os presidenciáveis no ringue eletrônico", reproduzindo afirmação de Jeffery Auer no livro The counterfeit debates que ocorre num debate "verdadeiro": “(1) um confronto, (2) em tempo igual e adequado, (3) entre opositores de mesmo nível, (4) com temática pré-definida e declarada, (5) para conquistar a audiência”, o que seria "impossível" na linha de raciocínio de Auer, devido ao conflito dos interesses em jogo de políticos, telespectadores e meios de comunicação.LEITE, Janaína(2003). Os presidenciáveis no ringue eletrônico - Apontamentos sobre a história dos debates presidenciais televisivos. Trabalho, parte de dissertação feita na Universidade Nova de Lisboa no Mestrado em Ciências da Comunicação – Estudo dos Media e do Jornalismo. Localizado na página 6

Leite também afirma nos debates eletrônicos, principalmente entre presidenciáveis à semelhança dos eventos desportivos, "(…)por sua importância e capacidade de mobilização mediática – podem ser considerados combates regulamentados, precedidos de longas deliberações a respeito das 'regras do jogo'(…)". Regras de jogo estas, que condicionalmente atribuem aos combatentes chances iguais de vitória, ponto crucial em qualquer debate televisionado e fruto de litígio. A pergunta-chave, formulada após o debate é: "Quem ganhou o debate?", cujo juiz e o executor da resposta é a audiência (com influências externas), que também torce para seu(sua) candidato/ideologia ser o/a aclamado(a).LEITE, Janaína(2003). Os presidenciáveis no ringue eletrônico - Apontamentos sobre a história dos debates presidenciais televisivos. Páginas 2-3.

Pode-se pressupor que a história destes dos debates transmitidos via televisão (inclusive no Brasil) está intimamente ligada a dois pontos centrais: a tecnologia (através das inovações e invenções proporcionadas pela propagação da televisão) e a evolução, adicionado ao amadurecimento do contexto político (implantação de regime político que estabeleça a participação e a democracia, através do voto popular).LEITE, Janaína. Os presidenciáveis no Ringue Eletrônico. Página 3

Comparecimento Na história do Brasil, muitos acreditam que, nos teledebates, aquele que comparecer aos debates televisionados tendo muitas intenções de voto nas pesquisas corre grande risco de ser prejudicado no pleito ao cargo majoritário, devido à sua exposição.

Leite cita a declaração do marqueteiro responsável pela imagem do candidato Lula em 2002, Duda Mendonça, no livro "Casos e coisas",Trecho extraído do livro Casos e Coisas, de autoria de Mendonça São Paulo: Globo, 2001. pg.123-124, encontrado no "Os presidenciáveis no ringue eletrônico para dar ênfase nesta questão no ponto de vista da propaganda eleitoral, onde diz que a "decisão [de frequentar debates] pode variar de lugar para lugar, de candidato para candidato, de campanha para campanha e, sobretudo, em função da posição que o sujeito ocupa nas pesquisas eleitorais."

Podemos citar vários casos de não-participações de debates eletrônicos: o dos presidenciáveis Fernando Collor (apenas no primeiro turno) - no pleito de 1989, Fernando Henrique Cardoso - no pleito de 1998, Luiz Inácio Lula da Silva (apenas no primeiro turno)"LULA NÃO VAI AO DEBATE DA TV GAZETA NA TERÇA, DIZ GARCIA" - no pleito de 2006, e Jair Bolsonaro (apenas no segundo turno) - no pleito de 2018.

Formato Abertura De forma geral, nos primeiros segundos depois do teledebate entrar no ar o mediador faz a saudação ao público, anuncia a realização do debate televisivo e apresenta a presença dos candidatos.

Um exemplo de como um mediador faz a abertura do debate, logo após a vinheta e apresentação panorâmica do estúdio é este:Reprodução da abertura do debate feito em 24-10-2008 na RBS TV

Nas eleições gerais de 2010, nos dois teledebates presidenciais hospedados na Bandeirantes, houve duas apresentações da Orquestra Filarmônica Bachiana do Sesi.ARAÚJO, Washington. Os melhores momentos. 6 de setembro de 2010.

Regras As "regras do jogo" nos debates televisionados brasileiros, de forma genérica, são sempre didaticamente explicadas via mediador, investindo bastante tempo fazendo a locução da mecânica do debates eletrônicos aos candidatos, ao público presente e aos telespectadores(os que possuem interesses) a cada bloco do teledebate, dada a sua complexidade das regras e o os tipos de estratégia adotadas pelos candidatos.Quando o debate deixa de ter importância, por Aristeu Portela JúniorLEITE, Janaína. Os presidenciáveis no Ringue Eletrônico. Página 7

Perguntas, respostas, réplicas, tréplicas e direitos de resposta Geralmente seguem estas linhas mestras.

Em alguns debates, há declarações de abertura e de fechamento(considerações finais), ou apenas a última. Um sorteio determina a ordem de todos os candidatos para fazerem as perguntas, em período de tempo determinado, sendo que o sorteado escolherá quem irá responder, com os temas às vezes também decidido em sorteio. Existe algumas vezes, a possibilidade de o candidato que irá perguntar ser sorteado, assim como quem dará a resposta e como pode haver uma limitação ao número de vezes que um candidato possa perguntar e responder para que seja assegurado que todos perguntem e respondam. O opositor adquire certo tempo para responder a pergunta. Depois deste período, o candidato que fez a pergunta agora faz a réplica, para refutar a argumentação. E o candidato que interrogou terá um tempo para tréplica, a contestação para a refutação. Dependendo do formato feito através de acordo entre os partidos políticos, os jornalistas, o mediador ou populares também podem fazer perguntas, para que um dos candidatos ao pleito responda e outro candidato dê sua réplica. Pode também ser concedido "direito de resposta" ao candidato que sofreu ofensa de natureza moral ou ideológica. Em alguns debates com candidatos a presidente, governador ou prefeito utiliza-se um cronômetro à vista do telespectador, portando um medidor de tempo de cada pergunta, resposta, réplica, tréplica ou direito de resposta. No passado utilizava-se um sinal sonoro para determinar oficialmente o esgotamento do tempo, motivo de polêmica na época nos debates presidenciais de 1989.

Um exemplo de como um mediador explica as regras, logo após a abertura do debate é este:

Alguns alegam que esta explicação das regras do jogo é uma maneira de transmitir uma "suposta" neutralidade da emissora quanto a escolha do candidato "vencedor" do teledebate e o que de fato incentiva o eleitor a assistir o debate eleitoral é o desejo de vigiar os candidatos presentes, verificar o cumprimento das regras e se a emissora/hospedadora do debate está favorecendo alguém.

Mobilidade É permitido aos candidatos ficarem em pé atrás das suas "bancadas", nas laterais do estúdio com o mediador ao centro. Nos debates televisionados hospedados pela Rede Globo entre candidatos à presidente(iniciado em 2002 - apenas no segundo turno) rompeu-se esta regra, dando-lhes autonomia para movimentar-se pela arena.

Impedimentos no transcorrer do debate Precisamente em 1997, ficou proibida, via Lei Eleitoral, da apresentação de montagens ou recursos visuais durante entrevistas (como nos telejornais) ou debates em que o candidato ao pleito participa, por causa de suspeitas de favorecimento.ZERBATO, Diego. "Debates na TV e o objetivo de alcançar todo o território brasileiro" 05/08/2010-15h11

Já em 2007, a Lei Eleitoral vetou aos candidatos o uso dos papéis e pastas(dossiês), supostamente para chantagear candidatos adversários. Esse tipo de caso não era raro, porque o candidato Fernando Collor carregava uma pasta rosa com informações que desestabilizariam o concorrente Luiz Inácio Lula da Silva num debate durante o segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Num debate dos "prefeituráveis" na cidade do Rio de Janeiro em 2004, o candidato Cesar Maia carregava uma ata da reunião de uma creche em que supostamente faltava pão, causando irritação de outro candidato, Luiz Paulo Conde.

Duração e mediação Atualmente, debates televisionados entre candidatos aos cargos majoritários de forma praticamente generalizada possuem duração próxima das duas horas, com espaço para anúncios publicitários, para seguir a legislação eleitoral brasileira vigente.

Nos debates televisionados brasileiros, as emissoras que hospedam o debate televisionado escalam de forma geral os principais âncoras de seus telejornais para mediarem.

Impacto no eleitor Em pesquisa realizada pelo Datafolha nos meses de julho e agosto de 2000, em São Paulo com a pergunta "Você diria que são muito importantes, um pouco importantes ou nada importantes para você decidir o seu voto[...]", com a temática da importância da informação, o item "debate entre os candidatos na TV e rádio", dentre vários itens foi citado como "muito importante" por 51% dos entrevistados em julho de 2000 e 49% em agosto de 2000.Opinião Pública/Universidade de Campinas (publicação de pesquisas) pp.107-132

Também, segundo pesquisas de opinião (publicadas pelo Datafolha), na cidade de São Paulo, os debates televisionados possuem impacto menor sobre as preferências. 42% dos entrevistados diriam que a chance de mudar o voto é grande (18%) ou média (24%). Entretanto, 45 em cada 100 entrevistados diriam que a chance de mudar o voto devido a um debate é nenhuma (45%). A pesquisa foi realizada durante as eleições de 2000 (setembro).- Opinião Pública/Universidade de Campinas (publicação de pesquisas) Página 14

Histórias e polêmicas Ponto de referencial Geralmente estes clássicos acontecimentos na América Anglo-Saxônica e na Comunidade Europeia são lembrados como as alavancas para este tipo de evento televisivo:

Debate presidencial nos Estados Unidos