miniaturadaimagem|Documento de 1869 assinado pelo Conde D'Eu no comando em chefe das forças da Guerra do Paraguai Um comandante em chefe (por vezes denominado comandante supremo ou comandante supremo em chefe) é a pessoa que exerce o comando e controle supremo sobre uma força armada. A função pode ser atribuída a um chefe de Estado, chefe de governo ou outro oficial ou funcionário público designado.
O título utilizado varia conforme o país e a língua. Em geral, os países anglófonos preferem "comandante em chefe", enquanto os francófonos preferem "chefe dos exércitos" (). A maior parte dos países da Europa continental utiliza o termo "comandante supremo", ao passo que a União Soviética e, consequentemente, as repúblicas pós-soviéticas, utilizam "comandante supremo em chefe" ().
Definição A função formal e o título de um governante que comanda as forças armadas derivam do Imperator do Reino de Roma, da República Romana e do Império Romano, que detinha poderes de imperium (comando e outros poderes régios).
Começou a ser utilizado amplamente durante a Guerra Civil Inglesa.For example: "Ordered, That this House joins and agrees with the House of Commons in this Vote; and that the Lord Admiral is hereby desired, from both Houses of Parliament, that the Commander in Chief of this Summer's Fleet under his Lordship, may be the Earl of Warwicke.", House of Lords Journal 15 March 1642 O chefe de Estado de uma nação, monárquica ou republicana, frequentemente ocupa a posição de comandante em chefe, mesmo quando o poder executivo efetivo é exercido por um chefe de governo distinto. Em um sistema parlamentar, o Poder Executivo depende, em última instância, da vontade do Poder Legislativo; embora o Legislativo não emita ordens diretamente às forças armadas e, portanto, não controle os militares em sentido operacional. O título também pode ser conferido a um oficial no comando de uma grande força militar ou naval, e governadores-gerais e governadores coloniais também eram frequentemente nomeados comandantes em chefe das forças dentro de seus territórios.
Um comandante em chefe é por vezes chamado de comandante supremo, expressão que também pode ser empregada como termo específico. O termo é ainda utilizado para oficiais militares que detenham tal poder e autoridade, nem sempre por meio de uma ditadura e, normalmente, como subordinados a um chefe de Estado (ver Generalíssimo). Também pode designar oficiais que exercem autoridade sobre um ramo militar, uma arma especializada ou dentro de um teatro de operações.Dupuy, Trevor N., Curt Johnson, and Grace P. Hayes. "Supreme Commander." Dictionary of Military Terms. New York: The H.W. Wilson Company, 1986.
Título por país Albânia Segundo a Constituição da Albânia, o presidente da República da Albânia é o comandante em chefe das Forças Armadas da Albânia.
Argentina De acordo com a parte II, capítulo III, artigo 99, incisos 12, 13, 14 e 15, a Constituição da Argentina estabelece que o presidente da Nação Argentina é o "comandante em chefe de todas as forças armadas da Nação". Também estabelece que o presidente pode prover os cargos militares mediante a concessão de postos ou graduações aos oficiais superiores das forças armadas e, por si próprio, no campo de batalha; dirige sua organização e distribuição de acordo com as necessidades da Nação e declara guerra e ordena represálias com o consentimento e a aprovação do Congresso da Nação Argentina.
O Ministério da Defesa é o departamento governamental que auxilia o presidente na administração das forças armadas (Exército, Marinha e Força Aérea).
Armênia O primeiro-ministro da Armênia detém o título de comandante supremo em chefe das Forças Armadas Armênias (). O título e posto hereditário de sparapet () era utilizado para designar o comandante supremo das forças militares da Armênia antiga e medieval. Desde sua introdução no século II a.C., o termo é frequentemente empregado atualmente para descrever oficiais militares armênios famosos e de alta patente. Entre os armênios notáveis que detiveram o título estão Garegin Nzhdeh, comandante supremo da República da Armênia Montanhosa, e Vazgen Sargsyan, que foi duas vezes ministro da Defesa da Armênia e primeiro-ministro na década de 1990.
Austrália De acordo com o capítulo II, seção 68, intitulado Comando das forças navais e militares, a Constituição da Austrália estabelece que:
Na prática, porém, o governador-geral não desempenha papel ativo na estrutura de comando das Forças Armadas da Austrália, e o Gabinete da Austrália, democraticamente responsável e presidido pelo primeiro-ministro, controla de facto as forças armadas. O ministro da Defesa e vários ministros subordinados exercem esse controle por meio da Organização de Defesa Australiana. A seção 8 da Defence Act 1903 estabelece:
Áustria O artigo 80 da Constituição da Áustria estabelece que o Presidente da Áustria é o comandante em chefe das Forças Armadas da Áustria. O mesmo artigo atribui ao ministro da Defesa o comando do Exército.
Azerbaijão O comandante supremo em chefe das Forças Armadas do Azerbaijão é o Presidente do Azerbaijão.
Barbados Segundo a Constituição de Barbados, o Presidente de Barbados é o comandante em chefe da Força de Defesa de Barbados. Entre 1966 e 2021, antes da transição para um sistema republicano, o monarca de Barbados, rainha Isabel II, era chefe da Força de Defesa, tendo o governador-geral de Barbados como vice-rei. O presidente assumiu esses poderes.
Bangladesh O primeiro presidente, Sheikh Mujibur Rahman, foi comandante supremo de todas as forças armadas da República. Em sua ausência, o então vice-presidente Syed Nazrul Islam atuou como presidente interino e comandante supremo interino de todas as forças armadas da República.
O comandante em chefe das Forças Armadas de Bangladesh é o presidente, embora o poder executivo e a responsabilidade pela defesa nacional pertençam ao primeiro-ministro. Isso é exercido por meio do Ministério da Defesa, chefiado pelo ministro da Defesa, que fornece a estrutura política e os recursos para que as forças armadas cumpram suas responsabilidades na defesa do país.
O primeiro comandante em chefe, general M. A. G. Osmani, durante a Guerra de Libertação de Bangladesh de 1971, comandou as forças de libertação de Bangladesh e foi reintegrado ao serviço ativo por ordem oficial do governo. Após a independência, a ordem foi publicada em 1972. Ele se aposentou em 7 de abril de 1972 e transferiu toda a autoridade e atribuições ao presidente de Bangladesh.Bangladesh : General M.A.G. Osmani (1918-1984) - C-IN-C Liberation Forces 1v MNH 1986
Bielorrússia thumb|O presidente Aleksandr Lukashenko usando o uniforme oficial de comandante em chefe das Forças Armadas da Bielorrússia.
O Presidente da Bielorrússia é o comandante em chefe das Forças Armadas da Bielorrússia (). O comandante em chefe bielorrusso possui uniforme oficial e insígnias correspondentes à função, usados pelo presidente em ocasiões oficiais e cerimônias ligadas às forças armadas. A função é definida no artigo 28 da Constituição da Bielorrússia, que lhe atribui autoridade para "nomear e demitir o alto comando das Forças Armadas".
Bélgica O artigo 167 da Constituição da Bélgica designa o rei como comandante em chefe. Na prática, o chefe da Defesa é o chefe e comandante das Forças Armadas da Bélgica. Ele responde diretamente ao ministro da Defesa e é responsável por assessorá-lo, implementar a política de defesa e administrar o departamento.
Bósnia e Herzegovina Segundo a Constituição da Bósnia e Herzegovina, a Presidência da Bósnia e Herzegovina coletiva é o comandante em chefe das Forças Armadas da Bósnia e Herzegovina. Em tempos de paz, o comandante em chefe exerce o comando por intermédio do ministro da Defesa. Em guerra, e quando o ministro da Defesa não cumpre ordens, o comandante em chefe exerce seu comando diretamente por meio do chefe do Estado-Maior Conjunto.
Brasil O artigo 142 da Constituição brasileira de 1988 estabelece que as Forças Armadas do Brasil estão sob a autoridade suprema do presidente da República.Constitution of the Federative Republic of Brazil: 3rd Edition , Câmara dos Deputados (2010) . Retrieved on 21 August 2013.
Brunei O sultão de Brunei é o comandante em chefe das Forças Armadas Reais de Brunei.
Canadá thumb|O rei Jorge VI inspeciona uma guarda de honra da Marinha Real Canadense durante a visita real ao Canadá em 1939. Os poderes de comando em chefe sobre as Forças Armadas do Canadá pertencem ao monarca canadense e são delegados ao governador-geral do Canadá, que também utiliza o título de comandante em chefe. Nessa condição, o governador-geral tem direito ao uniforme de general ou oficial-general naval, com o brasão do cargo e um galão especial nos punhos servindo como insígnia de posto.
Por convenção constitucional, as prerrogativas da Coroa sobre as forças armadas e os poderes constitucionais de comandante em chefe são exercidos segundo o conselho do primeiro-ministro e do restante do Gabinete do Canadá, o ministério governante que detém a confiança da Câmara dos Comuns do Canadá. Segundo a National Defence Act, o ministro da Defesa Nacional é responsável perante o Parlamento do Canadá por todas as questões relacionadas à defesa nacional e às Forças Armadas canadenses.
China
O artigo 93 da Constituição da China determina que a autoridade para dirigir as forças armadas pertence à Comissão Militar Central da República Popular da China. O mesmo artigo estabelece que o presidente da Comissão Militar Central assume responsabilidade geral pelo trabalho da comissão e que esta responde à Assembleia Popular Nacional e ao seu Comitê Permanente. Existe também a Comissão Militar Central do Partido Comunista da China, subordinada ao Comitê Central do Partido. Na prática, ambas as comissões possuem membros idênticos, salvo por um breve período entre o Congresso do Partido e a Assembleia Popular Nacional, e constituem praticamente a mesma instituição sob o sistema de "uma instituição, dois nomes".
Além disso, o artigo 80 atribui à Assembleia Popular Nacional e ao seu Comitê Permanente o poder de proclamar a lei marcial e o estado de guerra e de emitir ordens de mobilização.
Os cargos de presidente do Estado e presidente da Comissão Militar Central são juridicamente distintos e nem sempre foram exercidos pelas mesmas pessoas. Contudo, a partir de 1993, durante o mandato de Jiang Zemin como secretário-geral do Partido Comunista e presidente da Comissão Militar Central, tornou-se prática padrão que os cargos de secretário-geral do Partido, presidente da República e presidente da Comissão Militar Central sejam normalmente exercidos pela mesma pessoa, embora pequenas diferenças nas datas de início e término dos mandatos produzam algum período de sobreposição entre um ocupante e seu antecessor.
Hong Kong Quando Hong Kong estava sob autoridade britânica, o governador civil era, ex officio, comandante em chefe das forças britânicas em Hong Kong. Após a transferência do território para a República Popular da China em 1997, os comandantes da guarnição do Exército de Libertação Popular em Hong Kong são militares provenientes da China continental e comandados pela Comissão Militar Central.
Croácia Segundo a Constituição da Croácia, o Presidente da Croácia é o comandante em chefe das Forças Armadas da Croácia. Originalmente havia uma designação e insígnia de posto para a função, conhecida como Vrhovnik. Ela foi utilizada pelo ex-presidente Franjo Tuđman e abolida após sua morte. Em tempos de paz, o comandante em chefe exerce o comando por intermédio do ministro da Defesa. Em guerra, e quando o ministro da Defesa não cumpre ordens, exerce o comando diretamente por meio do chefe do Estado-Maior.
Chéquia