Caldas da Rainha DmTE é uma cidade portuguesa na província histórica da Estremadura e localizada na região Oeste, e no distrito de Leiria, com cerca de 38 400 habitantes no seu perímetro urbano (2025). Integra atualmente a NUTII do Oeste e Vale do Tejo.
É sede do município das Caldas da Rainha que tem de área e habitantes (2025), subdividido em 12 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28 de janeiro de 2013. O município é limitado a nordeste pelo município de Alcobaça, a leste por Rio Maior, a sul pelo Cadaval, a oeste pelo Bombarral e por Óbidos e a noroeste pelo Oceano Atlântico.
Na Praça da República, conhecida popularmente como "Praça da Fruta", realiza-se todos os dias de manhã, ao ar livre, o único mercado diário horto-frutícola do país, praticamente inalterável desde o final do século XIX.
A cidade de Caldas da Rainha mantém como armas o brasão da sua fundadora, a Rainha D. Leonor, ladeado à direita pelo seu próprio emblema (o camaroeiro) e à esquerda pelo emblema de D. João II (o pelicano). Ao manter estas armas, a cidade é das poucas povoações do país a utilizar um brasão anterior à normalização da heráldica municipal levada a cabo em meados do século XX, não estando de acordo com a legislação em vigor.
A cidade está localizada a norte de Lisboa (93,5 km via A8) e a sudoeste de Coimbra (128 km via A1 / IC36 / A8).
História thumb|Edifício em estilo Arte Nova.
A história da cidade está intimamente ligada aos seus recursos hidro-termais.
Acredita-se que, em 1484, durante uma viagem de Óbidos à Batalha, a rainha D. Leonor, esposa de João II de Portugal, e a sua corte, tenham passado por um local onde várias pessoas do povo se banhavam em águas de odor intenso. Fazendo alto, a rainha indagou-lhes por que razão o faziam, uma vez que, naquele tempo, o banho não era comum, muito menos em águas de odor tão acentuado, sendo-lhe respondido que eram doentes, e que aquelas águas possuíam poderes curativos. A rainha quis comprovar a veracidade da informação e banhou-se também naquelas águas, de vez que também ela era doente (não existe unanimidade entre os autores com relação à natureza do mal: alguns autores afirmam que a rainha padecia de uma úlcera no peito, outros, problemas de pele, e outros ainda, que tinha apenas uma ferida no braço). De qualquer modo, de acordo com a lenda, a soberana curou-se e, no ano seguinte, determinou erguer naquele lugar um hospital termal para atender todos aqueles que nele se quisessem tratar.
Para apoiá-lo, a rainha fundou uma pequena povoação com trinta moradores, dando-lhes benefícios como não terem de pagar os seguintes impostos: jugada (antigo tributo que recaía em terras lavradias), oitavos, siza e portagem, privilégios que também se estendiam aos mercadores que viessem de fora para comprar ou vender.
O desenvolvimento das Caldas da Rainha iniciou-se com Afonso VI de Portugal, que fez reconstruir e ampliar o hospital. Durante treze anos, até ao fim da sua vida, ele, a família real e a corte usufruíram anualmente das águas termais, o que permitiu à vila desenvolver-se.
Caldas da Rainha atingiu o estatuto de vila em 1511. Apesar do desenvolvimento e prosperidade que conheceu na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, o Concelho das Caldas da Rainha foi criado apenas em 1821.
Foi durante o século XIX que a vila conheceu o seu maior esplendor, com a moda das estâncias termais, passando a ser frequentada pelas classes mais abastadas que aqui buscavam as águas sulfurosas para tratamentos.
Complementarmente, a abundância de argila na região, permitiu que se desenvolvessem numerosas fábricas de cerâmica, que converteram a então vila num dos principais centros produtores do país, com destaque para as criações de Rafael Bordalo Pinheiro iniciadas na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1907.
O crescimento demográfico vivido no século XIX prosseguiu no século XX, com a elevação da vila à categoria de cidade em 1927. Ao longo do tempo, outras artes além da cerâmica aqui prosperaram, como a pintura e a escultura, fazendo das Caldas da Rainha um centro de artes plásticas, onde se destacaram nomes como os de José Malhoa, António Duarte e João Fragoso.
A 26 de Abril de 1919 foram feitas Dama da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
O malogrado "Levantamento das Caldas", em 16 de Março de 1974, foi precursor da Revolução dos Cravos.
Geografia Freguesias thumb|Freguesias do município das Caldas da Rainha O município das Caldas da Rainha está dividido em 12 freguesias: A dos Francos Alvorninha Carvalhal Benfeito Foz do Arelho Landal Nadadouro Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório (Caldas da Rainha) Salir de Matos Santa Catarina Santo Onofre e Serra do Bouro (Caldas da Rainha) Tornada e Salir do Porto Vidais Governo thumb|esquerda|Paços do Concelho de Caldas da Rainha|194x194px|alt= A Câmara Municipal é o braço executivo do governo municipal. É composta pelo presidente da câmara municipal e e mais seis outros membros, os vereadores, em conformidade com a legislação portuguesa, que toma por base o número de eleitores registrados no município. Vitor Marques (IND) serve como presidente da câmara, e Joaquim Beato (IND) serve como vice-presidente. Os outros membros são: Conceição Henriques (IND), Luís Patacho (PS), Fernando Tinta Ferreira (PSD), Hugo Oliveira (PSD) e Maria João Domingos. (PSD).
A Assembleia Municipal é o braço deliberativo do governo municipal. A Assembleia tem 33 membros. Os presidentes de cada uma das juntas de freguesia servem na Assembleia.
Eleições autárquicas +Data%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipaçãoPPD/PSDPSCDS-PPFEPU/APU/CDUPCTP/MRPPPRDBEGCECHMPTPPMNCPSD- CDSILL197637,34332,71315,9919,51 -0,76 -197955,13418,74111,07112,421198229,06220,14136,23310,741198546,41415,98112,8717,38 -14,201198952,94530,0528,05 -5,42 -199355,34529,4425,63 -5,50 -199754,59531,9325,28 -3,93 -200154,06529,7626,24 -4,38 -1,28 -200552,89529,3524,43 -4,80 -3,01 -200950,47425,48211,1114,15 -4,87 -201343,59422,9429,2815,15 -2,85 -8,81 -201752,23524,1628,28 -4,24 -5,50 -202134,71311,1412,82 -1,92 -2,37 -40,7032,91 -CDSCDSCDS2025CDSGCEPSD1,77 -1,34 -37,67311,43137,1132,58 -2,28 -
Eleições legislativas +Data%PSDPSCDSPCPUDPAD/ PàFAPU/ CDUFRSPRDPSNB.E.PANLCHIL197632,7732,3716,656,951,091979AD24,43ADAPU1,4954,4111,331980FRS0,9357,869,8724,35198335,7433,6715,310,709,77198537,5618,3810,200,837,6720,50198759,8618,705,55CDU0,616,164,41199158,0125,885,064,280,591,76199540,3639,5812,410,413,99199941,3837,6610,444,750,212,21200247,7632,1910,743,282,74200536,0538,489,253,996,76200933,7130,2813,974,6710,49201145,5120,6914,154,545,931,542015PàF26,33PàF44,984,9211,571,620,90201932,1731,265,344,2710,843,361,201,490,95202232,2536,562,103,045,541,531,428,065,502024AD23,44AD33,772,135,352,023,3618,905,572025AD20,15AD34,701,932,191,634,6323,036,17
Evolução da População do Município (resultados definitivos dos censos oficiais INE)
Número de habitantesInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 13 591 15 305 18 889 20 971 24 516 26 027 29 207 33 523 37 165 37 430 35 978 41 018 43 205 48 846 51 729 50 910 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Número de habitantes por Grupo Etáriohttp://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0011166&contexto=bd&selTab=tab2 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 7 094 8 057 8 073 8 966 10 106 9 926 9 700 8 950 9 393 8 037 7 666 7 539 6 16615-24 Anos 3 336 4 393 4 891 5 287 5 997 6 638 5 951 5 040 6 436 6 311 6 509 5 493 5 35525-64 Anos 9 018 10 196 11 214 12 981 14 675 17 498 18 387 17 455 20 086 22 381 25 867 27 877 26 298>= 65 Anos 1 325 1 589 1 693 2 133 2 577 2 873 3 392 4 140 5 103 6 476 8 804 10 820 13 091 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
Património
Estação da Malaposta do Casal dos Carreiros Igreja Matriz das Caldas da Rainha ou Igreja de Nossa Senhora do Pópulo Edifício do Museu de José Malhoa Chafariz do Largo da Copa (hoje na rua Vitorino Fróis) Chafariz da Rua Nova Chafariz das Cinco Bicas Ermida de São Sebastião (Caldas da Rainha) Ermida do Espírito Santo
Cultura Museus thumb|Museu de José Malhoa
Casa Museu de S. Rafael Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro Centro de Artes Atelier-Museu António Duarte Atelier-Museu João Fragoso Museu Barata Feyo Museu de Cerâmica Museu de José Malhoa Museu do Ciclismo Museu do Hospital e das Caldas
Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha thumb|Centro Cultural e Congressos Caldas da Rainha
O Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha é uma infra-estrutura destinada à realização de eventos culturais e de congressos.
Banda Comércio e Indústria
Arquitetura religiosa thumb|Igreja de N. Sra. do Pópulo: campanário
Ermida de São Sebastião - do século XVI, adjacente à Praça da República, que de destaca pelos magníficos painéis de azulejos setecentistas que a revestem internamente. Igreja de Nossa Senhora do Pópulo - de estilo tardo-gótico integrante do conjunto do Hospital Termal. Igreja de Nossa Senhora da Conceição - do século XX localizada na Praça 25 de Abril. Igreja do Espírito Santo - do século XVI, vizinha ao Hospital Termal e à Igreja do Pópulo.
Cerâmica thumb|Zé Povinho (Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, Museu Rafael Bordalo Pinheiro). thumb|Placa de identificação de arruamento (Largo Rainha D. Leonor) em louça das Caldas
A atividade desenvolveu-se historicamente na região a partir dos solos ricos em argila, o que é indicado, por exemplo, na toponímia da vizinha Bombarral, onde "barral" (ou "barreiro") designa um local de onde se tira barro.
A primeira fase da cerâmica caldense iniciou-se na década de 1820, com a produção de D. Maria dos Cacos, caracterizada pela monocromia verde-cobre ou castanho-manganês de peças de tipo utilitário (funcionalista) de gosto popular. Um segundo momento é marcado, em meados do século, pela renovação introduzida por Manuel Cipriano Gomes Mafra, mais tarde conduzida ao seu ápice por Rafael Bordalo Pinheiro e discípulos seus, como por exemplo Francisco Elias.
As peças produzidas a partir de então caracterizam-se pela profusão de modelos formais, assim como por uma diversificada abordagem de temas decorativos. Os principais tipos da chamada "louça das Caldas" são:
Utilitária louça de cozinha - apresentada em duas abordagens distintas: a contemporânea, com linhas e design simples, para uso diário; e a naturalista, representando folhas de couve, de alfaces, peixes, fruta, enchidos, etc.
Humorística/Peculiar Decorativa Erótica Caricaturista Naturalista
A louça caricatural originariamente apresentava profissões (padres, pescadores, agricultores) estereotipadas de maneira sarcástica e depreciativa. Atualmente as figuras representam políticos ou celebridades, embora a mais popular tradicionalmente seja, sem dúvida, a do "Zé Povinho". Este personagem, criado por Rafael Bordalo Pinheiro para "A Lanterna Mágica", afirmou-se desde a sua criação como estereótipo, sendo utilizado como símbolo de Portugal e do povo português.