Friedrich Wilhelm von HoonholtzNa obra Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, é mencionado que nos documentos compulsados durante a pesquisa, o sobrenome de Frederico Guilherme também é mencionado como Hohnhorst, e não Hoonholtz. Frederico Guilherme é mencionado com o mesmo sobrenome - Hohnhorst - pelo seu contemporâneo no Corpo de Estrangeiros, Carl Schlichthorst. Hohnhorst é uma antiga família nobre alemã da Baixa Saxônia, remontando ao século XIII.Para mais detalhes sobre o título nobiliárquico de conde, visite a seção específica: Título nobiliárquico (em português: Frederico Guilherme von Hoonholtz; Prússia, 1795 - Itaguaí, 31 de dezembro de 1837), foi um nobre, militar, comerciante, empresário, mineralogista e engenheiro prussiano radicado no Brasil.

Biografia Cursava a Universidade de Leipzig, no setor de Engenharia, quando, junto a outros estudantes da universidade, decidiu abandonar o curso para participar das Guerras Napoleônicas, tendo participado das batalhas de Leipzig e Waterloo.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Durante a guerra, em 1813, seu pai faleceu e o castelo da família foi incendiado.Na obra Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, página 44. Terminada a guerra, retornou aos estudos de Engenharia e se graduou. Von Hoonholtz, então um tenente do Exército Prussiano, foi recrutado pelo major Schäffer para vir ao Brasil como mercenário a serviço de D. Pedro I, transferindo-se para o Brasil em 1824, no posto de alferes.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Páginas 37 e 43.

No navio Argus, que o transportava ao Brasil,LEMOS, Juvencio Saldanha. Os Mercenários do Imperador. Porto Alegre: PALMARINCA, 1993. Página 182. conheceu a jovem Johanne Cristine van Engel Alt, neta do almirante van Engel e sobrinha do comandante van Engel - ambos batavos -,Na obra Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, páginas 34, 39 e 40. que vinha ao Brasil acompanhada de seu meio-irmão, Henrique Alt, e de seu pai, o médico alemão Dr. Pedro Alt, recrutado como assistente de cirurgião no 27.º Batalhão de Caçadores do Corpo de Estrangeiros do Exército Brasileiro, mesmo regimento no qual Friedrich Wilhelm von Hoonholtz estava alistado.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista - Biografia do Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Centro de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1977. Páginas 43 e 47. Três meses depois de chegarem ao Rio de Janeiro, casaram-se na capela do 27.º Batalhão de Caçadores.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 44. O capelão do referido batalhão era o frei Joaquim de Santa Escolástica Mavignier.

Como militar, o quartel-mestre alferes von Hoonholtz participou da Guerra da Cisplatina, com o 27.º Batalhão de Caçadores, sendo parte do Estado-Maior, juntamente a seu sogro, o Dr. Pedro Alt.PORTO, Aurélio. O Trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p. 99.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista - Biografia do Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Centro de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1977. Página 47. Foi ferido por lança e sofreu inúmeras queimaduras no incêndio do campo da batalha do Passo do Rosário, em 20 de fevereiro de 1827.<ref>[http://www.ahimtb.org.br/sgabriel.htm BENTO, Cláudio Moreira. São Gabriel - A Atenas e Esparta Gaúchas, parágrafo 17]</ref> Alcançou a patente de capitão do Exército Brasileiro. TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 61. Licenciou-se do serviço militar e, em dezembro de 1829, seguiu com a família para a ilha de Santa Catarina, onde viveu por algum tempo, em Desterro, até mudar-se novamente para o Rio de Janeiro, em julho de 1830.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Páginas 62 e 63. Em 1830, o 27.º Batalhão de Caçadores foi desmobilizado, seguido dos demais batalhões estrangeiros do Exército Brasileiro, em razão da lei de 24 de novembro de 1830, votada na Assembleia Geral, que, no seu artigo 10, determinava que não haveria mais corpo algum composto de estrangeiros no Exército Brasileiro, e, no seu artigo 12, determinava execução imediata da referida lei.LEMOS, Juvencio Saldanha. Os Mercenários do Imperador. Porto Alegre: PALMARINCA, 1993. Página 400 a 421.

Em julho de 1830, volta ao Rio de Janeiro com a família, indo morar em Santa Teresa, pouco acima do convento das freiras, numa casa aprazível, com jardim e quintal, e de onde se descortinava toda a baía de Guanabara, desde o Pão de Açúcar até a Serra dos Órgãos. Certa manhã, cavalgava na praia de Botafogo, quando, depois de passado o morro do Pasmado, encontra Dom Pedro I, que cavalgava acompanhado de dois generais, seguido do seu séquito de cavaleiros logo atrás. O imperador saía do Forte da Praia Vermelha e seu cavalo, o Rapp (nome de um general de Napoleão), rebentou uma cilha. D. Pedro I parou o animal, fez um gesto amigável e puxou assunto com Friedrich Wilhelm, enquanto dois soldados do séquito imperial apressaram-se para consertar a cilha. Após uma conversa, seguida de algumas visitas, o imperador convida-o para passar uns dias na Fazenda Imperial de Santa Cruz. Friedrich Wilhelm ficaria hospedado na Fazenda Imperial de Santa Cruz, como hóspede do imperador.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Páginas 63, 64 e 65.LUSTOSA, Isabel. D. Pedro I: um herói sem nenhum caráter. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

Trecho da página 59 do referido livro: "Tinha gosto pelas armas e pelos exercícios militares. Organizara, quando rapazinho, um regimento de pequenos escravos. Em Santa Cruz, já imperador, mostrou ao ex-capitão von Hoonholtz, seu hóspede, o quarto que ocupara quando criança e onde conservava as espadas e espingardas de folha-de-flandres com as quais na infância armava aquele exército de meninos. Contou ainda que, no comando desse regimento mirim, batia-se com exército idêntico comandado por d. Miguel, antecipando os dois irmãos, na infância, a guerra que travariam mais tarde em Portugal." Nessa visita, D. Pedro I mostra a von Hoonholtz o quarto que ocupara quando criança naquela fazenda. Nesse quarto, o imperador mostra a Friedrich Wilhelm as espadas e espingardas de folha-de-flandres com as quais, na infância, armava um exército de meninos escravos para lutar contra um exército idêntico comandado por seu irmão, D. Miguel, antecipando a guerra que os dois irmãos travariam mais tarde em Portugal. Em seguida, D. Pedro I propõe a Friedrich Wilhelm que coordene a instalação de amplos quartéis para cerca de dez mil homens na região, tirando o grosso do exército do centro urbano da Corte, de forma que as tropas passariam a permanecer sob controles mais eficazes do imperador. Para realizar o projeto, von Hoonholtz muda-se para Itaguaí, onde se fixou com a família numa chácara localizada nos arredores do sítio da Grimaneza, considerada a região mais bonita de Itaguaí. Parte do território da Fazenda Imperial de Santa Cruz ficava em Itaguaí. Porém, o projeto, que já estava em andamento, é cancelado com a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, e seu subsequente retorno a Portugal. TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 67.

Friedrich Wilhelm era primo do barão von Schneeburg,TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 66. que também se mudaria para o Brasil, e que visitaria a família von Hoonholtz algumas vezes. O barão von Schneeburg, depois de uma longa estadia em terras brasileiras, posteriormente retornaria à Europa.

Friedrich Wilhelm von Hoonholtz se dedica então ao comércio de café e transporte de mercadorias, constituindo, em fins de 1831, uma firma com Stockmayer, Felipe Neri de Carvalho e Antônio Vicente Danemberg para deter em Itaguaí todas as tropas enviadas pelos fazendeiros para a Capital. Era um monopólio do gênero. Os plantadores eram favorecidos pelo pronto pagamento do produto. A nova companhia depositava o café em armazéns para o escoamento. Daí seria transportado em carros de bois até Itacuruçá, onde seriam embarcados em navios para a Corte. Projetaram, para mais tarde, a canalização do rio, com o objetivo de facilitar a operação de transporte. Para neutralizarem a inconveniência de as tropas de torna-viagem não levarem as mercadorias que traziam do Rio, alugaram um entreposto destinado a tal comércio. Os negócios prosperaram.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 69. Von Hoonholtz depois constrói juntamente com o coronel engenheiro Antônio Vicente Danemberg, o primeiro porto de Itaguaí e um canal de escoamento - o Canal D. Pedro II. Em 27 de dezembro de 1837, Friedrich Wilhelm retorna já doente de uma viagem de negócios ao Rio de Janeiro com febre, dores atrozes de cabeça e colapsos periféricos, falecendo poucos dias depois, no dia 31 de dezembro de 1837. D. Joana Cristina passa então a administrar sozinha os negócios da família.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Páginas 71 e 72.

Em 1847, os negócios da família sofrem um golpe tremendo: o monopólio da dragagem (ainda não terminada) e o direito de exploração econômica do complexo portuário de Itaguaí são outorgados a um concorrente, o comendador Francisco José Cardoso; o que leva D. Joana Cristina a decidir por liquidar com o menor prejuízo possível a firma e mudar-se, novamente, para o Rio.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Páginas 72 e 73. D. Joana Cristina passa então a residir com os cinco filhos numa chácara urbana, chamada Chácara do Mirante, no então aristocrático bairro carioca da Gamboa.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz. Rio de Janeiro: Centro de Documentação Geral da Marinha, 1977. Página 77 e outras.

A condessa D. Joana Cristina posteriormente se mudaria para Paris, França, junto a seu filho caçula, o barão de Teffé; à nora, Maria Luísa Dodsworth von Hoonholtz, baronesa de Teffé; e aos netos que eram filhos do barão de Teffé; residindo à Avenue Kleber, no refinado 16.º arrondissement. D. Joana Cristina viria a falecer na capital francesa, em 15 de novembro de 1889, dia em que foi proclamada a república no Brasil.Na obra Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, páginas 390 e 412.

Descendência O casal von Hoonholtz teve os seguintes filhos: