Peirópolis é um distrito rural pertencente ao município de Uberaba, em Minas Gerais. Situa-se a uma distância de 20 km do centro urbano de Uberaba, sendo acessado principalmente pela rodovia BR-262.
Na região, ocorrem dois sítios paleontológicos: Peirópolis, e Serra da Galga, ambos apresentando ricas faunas de vertebrados e invertebrados do Cretáceo Superior do Brasil. Os depósitos fossilíferos estão localizados em rochas da Formação Marília, Grupo Bauru, e Bacia do Paraná, e são compostos por fósseis de crocodilomorfos, dinossauros e outros répteis, além de anfíbios. Desde 2007, é considerado um dos sítios geológicos do Brasil.
História Peirópolis desenvolveu-se devido à atuação do empresário Federico Peiró (1859-1915), um imigrante espanhol que se estabeleceu na localidade em 1896. Devido à abundância de rocha calcária na região, Peiró iniciou a construção de caieiras para a extração e queima de cal virgem, utilizando o ramal ferroviário local para escoar os materiais produzidos na área para outras regiões. Na época, a vila era conhecida como "Paineiras" e se destacou como um pequeno centro econômico e religioso com forte influência do espiritismo, doutrina à qual Peiró se converteu. A pequena estação local chamada originalmente de "Cambará", era operada pela "linha do Catalão", e fazia parte da rota entre os municípios de Conquista e Uberaba pertencente à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, a primeira ferrovia a chegar ao Triângulo Mineiro em 1889.
Em 1924, anos após o falecimento de Peiró, a comunidade local renomeou o bairro como "Peirópolis", em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da região. Com o declínio da exploração de calcário nas décadas seguintes, somado a um fatídico acidente ferroviário ocorrido na região no ano de 1970, as operações do ramal ferroviário para Peirópolis foram encerradas. Paleontologia miniaturadaimagem|234x234px|Réplica em tamanho natural de um Titanossauro, criada pelo artista plástico Northon Fenerich, e exposta em frente ao Museu dos Dinossauros. Em meados da década de 1940, a descoberta de fósseis de animais extintos trouxe nova notoriedade à região, quando o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) recebeu informações de que ossos fossilizados haviam sido encontrados durante as obras de retificação de um ramal local da Companhia Mogiana. A serviço do DNPM, o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980) visitou o local em 1946 e, a partir de então, conduziu escavações sistemáticas na região.
Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas vizinhos até 1974. No intervalo de 1949 a 1961, centenas de fósseis do Cretáceo Superior foram encontrados, incluindo dinossauros do grupo dos titanossauros.RIBEIRO, José Hamilton Revista Globo Rural ed. 296 jun/2010 O dinossauro-zebu Na época, todo o acervo de fósseis coletado por ele e sua equipe foi destinado ao Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro.NOEL, Francisco Luiz Revista Problemas Brasileiros (ed. 383 set-out/2007) Em Minas, um ninho de dinossauros
Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba empreendeu a restauração do prédio da estação e outras estruturas adjacentes com o objetivo de criar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price". No ano seguinte, sob a supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, o centro foi inaugurado. A antiga estação ferroviária foi transformada em um laboratório de preparação de fósseis e abriga um museu paleontológico, aberto ao público, que é vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Além disso, outras construções próximas foram adaptadas como residências para pesquisadores.
Anos mais tarde, precisamente durante as obras de duplicação da rodovia BR-050, entre Uberaba e Uberlândia, em 2004 foram identificados fósseis do Uberabatitan ribeiroi, reconhecido como o maior dinossauro brasileiro. Três indivíduos da espécie foram encontrados na Serra da Galga, e a escavação, concluída em 2006, demandou a remoção manual de aproximadamente 300 toneladas de rochas do Cretáceo e Paleogeno.... Em 2011, a mesma área revelou novos achados, incluindo um fêmur de 1,4 metro do Uberabatitan....
No período de 2022 a 2023, Peirópolis foi integrado ao inventário geológico de Uberaba e ao mapa geológico patrimonial do Geoparque de Uberaba. Durante este processo, foram identificados 31 geossítios e locais de geodiversidade da área.
Complexo Cultural e Científico de Peirópolis – CCCP
Entre 2003 e 2004, o Ministério da Ciência e Tecnologia concedeu financiamento para a construção da sede da Rede Nacional de Pesquisas Científicas em Paleontologia em Peirópolis, com o objetivo de preservar os sítios fossilíferos locais e promover a divulgação da paleontologia.Folha de S. Paulo 09/05/2005 Sem revisão, rede nacional de paleontologia tem R$ 4,3 milhões O projeto, entretanto, enfrentou problemas e nunca foi efetivamente implantado.Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Paleontologia ano 19, nº 48 Rede Nacional de Pesquisa em Paleontologia
Posteriormente, suas instalações passaram a ser utilizadas para exposições científicas, atividades educativas voltadas a crianças e estudantes de Uberaba e região, além de servir como sede da Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis (AASPP). O edifício também passou a abrigar um auditório para palestras, salas para oficinas e réplicas em tamanho real de animais extintos encontrados na região.
Em 2010, foi criado o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), por meio de parceria entre a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. O complexo integrou a infraestrutura do distrito, que ficou composta por três núcleos musealizados: o Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” (CPPLIP), o Museu dos Dinossauros e o edifício da AASPP, este último transformado na sede administrativa do CCCP. Em conjunto, esses núcleos passaram a concentrar atividades de pesquisa, ensino, extensão e preservação do patrimônio paleontológico, incluindo mostras de caráter musealizado.
Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” (CPPLIP) O CPPLIP realiza pesquisas paleontológicas na região de Peirópolis, apoiando a catalogação e preservação de fósseis, análises paleobiológicas e estudos taxonômicos. O centro participa de projetos de ensino e extensão, divulgação científica e proteção de sítios fossilíferos. Também oferece formação prática a estudantes de graduação, pós-graduação e ensino básico, por meio de atividades em escavações, laboratórios e coleções técnicas.
Museu dos Dinossauros miniaturadaimagem|Ossos fossilizados de Uberabasuchus terrificus, expostos no Museu dos Dinossauros Instalado na antiga estação ferroviária do distrito, o museu apresenta fósseis originais, réplicas e dioramas em tamanho real que ilustram a fauna e a flora da região na época em que viveram. O espaço inclui laboratórios para pesquisa, exposições internas e externas e um jardim com réplicas de animais em tamanho real.
Em seu acervo, destacam-se fósseis e réplicas do dinossauro gigante Uberabatitan ribeiroi, do crocodilomorfo Uberabasuchus terrificus, do terópode Abelisaurus comahuensis e do Maniraptora, além de outros dinossauros, vertebrados e plantas fósseis.
Ver também Sítios paleontológicos do Brasil Sítio geológico
Ligações externas Peiropolis.com.br - Sobre Peirópolis Sobre vidas e fósseis - documentário sobre Peirópolis Sociedade Brasileira de Paleontologia - Centro de Pesquisas Paleontológicas "Llewellyn Ivor Price" Prefeitura Municipal de Uberaba - Peirópolis
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