O Parque Buenos Aires, anteriormente denominado Praça Buenos Aires, é um parque urbano público situado no bairro de Higienópolis, no distrito da Consolação, região central da cidade de São Paulo. Ocupa o quarteirão delimitado pela Avenida Angélica e pelas ruas Piauí, Alagoas e Bahia e possui área de 20.745,67 metros quadrados.
Inaugurado como praça em 1913 e classificado como parque em 1987, o espaço conserva elementos de seu desenho paisagístico original e um conjunto de esculturas públicas. O parque é protegido como patrimônio cultural nas esferas municipal e estadual.
História
A área que deu origem ao parque foi desapropriada pela Prefeitura de São Paulo em 1912. A criação do jardim havia sido mencionada no relatório de remodelação urbana apresentado em 1911 pelo urbanista francês Joseph-Antoine Bouvard, cuja proposta também contou com a participação do paisagista Gérard Cochet. Segundo pesquisa publicada pela revista Casa e Jardim, o desenho específico da praça foi elaborado pelo engenheiro-arquiteto Heribaldo Siciliano.
O cadastro da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente registra 24 de setembro de 1913 como a data de inauguração. O espaço foi chamado inicialmente de Praça Higienópolis e, ainda em 1913, recebeu o nome de Praça Buenos Aires. Seu desenho seguia princípios do jardim paisagístico inglês, com caminhos sinuosos, relevo aproveitado para contemplação e vegetação disposta de maneira informal.
miniatura|esquerda|O parque em 1928, quando ainda era denominado praça.
Na parte mais elevada do terreno havia um mirante, posteriormente substituído por um observatório astronômico utilizado pela Escola Politécnica. Entre 1913 e 1964, o observatório serviu a aulas práticas de topografia, geodésia e astronomia. A verticalização do entorno e o aumento da iluminação artificial reduziram sua utilidade, levando à desativação da estrutura em 1964.
Na década de 1950, parte do terreno foi destinada à instalação da Escola Municipal de Educação Infantil Monteiro Lobato. Em 1987, a praça foi transformada administrativamente em parque e passou à responsabilidade do então Departamento de Parques e Áreas Verdes. Uma intervenção paisagística conduzida por Miranda Martinelli Magnoli, em 1999, procurou recuperar características de seu desenho original.
Paisagismo
O projeto paisagístico foi concebido em contraste com o traçado ortogonal das ruas de Higienópolis. Em vez de grandes eixos retilíneos, foram empregados caminhos curvos e sucessivos espaços de contemplação. A configuração atual compreende bosque heterogêneo, áreas ajardinadas, alamedas e gramados.
Entre os elementos remanescentes da configuração histórica estão os traçados dos passeios, as orlas cerâmicas que separam alguns canteiros, o mirante, uma mureta de arrimo em pedra voltada para a Rua Piauí e um pilar do antigo muro de fechamento na Rua Alagoas.
Patrimônio cultural
Em julho de 1992, a Resolução nº 10 do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) abriu o processo de tombamento da Praça Buenos Aires e de outros espaços verdes paulistanos.
O tombamento municipal definitivo foi estabelecido pela Resolução nº 32/CONPRESP/2013. O ato reconheceu os valores histórico, arquitetônico, paisagístico e ambiental do parque e determinou que intervenções em seus elementos protegidos fossem submetidas à análise dos órgãos municipais de preservação.
Em 2019, o parque foi incluído no tombamento estadual do Conjunto de Bens Imóveis do Bairro de Higienópolis, determinado pela Resolução SC nº 49 do CONDEPHAAT.
Obras de arte
Próximos à entrada principal encontram-se os grupos escultóricos “Leão lutando com uma serpente” e “Veado lutando contra três tigres”. As peças foram executadas em ferro fundido pela Fonderies d'Art du Val d'Osne. Adquiridas pela prefeitura durante a administração de Raymundo Duprat, provavelmente foram instaladas por volta de 1920. miniaturadaimagem|A escultura “Mãe”, de Caetano Fraccaroli. O acervo também inclui “Mãe”, de Caetano Fraccaroli, esculpida em um único bloco de mármore; “O Tango”, de Roberto Vivas, realizada em bronze e granito em 1996; e uma cópia em bronze de “Emigrantes”, de Lasar Segall. O chafariz histórico é ornamentado pelo conjunto “Anfitrite e Tritão”.
Biodiversidade
O inventário municipal registra oitenta espécies de plantas vasculares no parque. Entre os exemplares presentes estão o alecrim-de-campinas (Holocalyx balansae), a embaúba-branca (Cecropia pachystachya), a falsa-seringueira (Ficus elastica), o ipê-amarelo (Handroanthus chrysotrichus) e a pitangueira (Eugenia uniflora).
Quatro espécies registradas no local constam em listas de plantas ameaçadas de extinção: o palmito-jussara (Euterpe edulis), o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), o pau-brasil (Paubrasilia echinata) e o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).
Foram catalogadas 57 espécies de animais, das quais cinquenta são aves. Entre as aves observadas estão o tico-tico, o sabiá-laranjeira, o sanhaço-cinzento, o periquito-rico e a rolinha. Também foram registrados gambás-de-orelha-preta e saguis.
Equipamentos e uso público
O parque possui playground, aparelhos de ginástica, gramados para piqueniques, área para apresentações culturais, espelho d'água, sanitários e um cercado para cães. A entrada, as áreas de circulação, os sanitários e parte dos equipamentos possuem recursos de acessibilidade.
A área denominada Praça das Mães fica nas proximidades da escultura de Caetano Fraccaroli. Os demais espaços são destinados a atividades como caminhadas, exercícios físicos, recreação, contemplação e eventos culturais.
Ver também
Parques da cidade de São Paulo
Ligações externas
Página oficial do Parque Buenos Aires
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