A gramática do sânscrito tem um sistema verbal complexo, uma rica declinação nominal e um uso extensivo de substantivos compostos. Foi estudada e codificada por gramáticos sânscritos do período védico tardio (século VIII a.C., aproximadamente), culminando na gramática pāṇiniana do século IV a.C..

Tradição gramatical

A tradição gramatical do sânscrito (, uma das seis disciplinas do Vedanga) começou no início da Índia védica e culminou no de , que consiste de 3990 sutras (ca. século V a.C.). Após um século, (por volta de 400 a.C.) Kātyāyana compôs Vārtikas sobre os sũtras paninianos sũtras. Patañjali, que viveu três séculos após Pānini, escreveu o , o "Grande Comentário" sobre o e Vārtikas. Devido a esses três antigos gramáticos sânscritos, essa gramática é chamada de Trimuni Vyākarana. Para entender o significado dos sutras, Jayaditya e Vāmana escreveram um comentário chamado Kāsikā 600 d.C.. A gramática paniniana é baseada em 14 Shiva sutras (aforismos), onde todo o Mātrika (alfabeto) é abreviado. Essa abreviação é chamada de Pratyāhara.Kashinath V. Abhyankar, A dictionary of Sanskrit Grammar, Gaekwad's Oriental Series, No. 134, Oriental Institute, Baroda, 1986

Verbos Classificação dos verbos O sânscrito tem dez classes de verbos divididos em dois grupos principais: atemático e temático. Os verbos temáticos são assim chamados porque um a, chamado de vogal temática, é inserido entre a raiz e a terminação, o que faz com que os verbos temáticos sejam geralmente mais regulares. Expoentes usados na conjugação de verbos incluem prefixos, sufixos, infixos e reduplicação. Cada raiz tem graus zero, gua e vddhi (não necessariamente de todo distintos). Se V é a vogal do grau zero, a vogal no grau gua é tradicionalmente considerada a + V, e a vogal no grau vddhi é ā + V.

Tempo verbal Os tempos verbais (uma aplicação muito inexata da palavra, já que são usados para expressar mais distinções, e não só tempo) são organizados em quatro 'sistemas' (além de gerúndios e infinitivos, tal como intensivos/frequentativos, desiderativos, causativos e benedictivos derivados de formas mais básicas) baseados em diferentes formas da raiz (derivados de raízes verbais) usados em conjugações. Há quatro sistemas de tempo verbal: Presente (presente, imperfeito, imperativo, optativo) Perfeito Aoristo Futuro (futuro, condicional)

Sistema do presente O sistema do presente inclui os tempos verbais presente e pretérito imperfeito, os modos optativo e imperativo, e algumas formas restantes do antigo subjuntivo. A raiz que forma os tempos do presente é formada de várias formas. Os números que seguem são os números dos gramáticos nativos para essas classes.

Para verbos atemáticos, a raiz do tempo presente pode ser formada por 2) Nenhuma modificação, por exemplo ad de ad 'comer'. 3) Reduplicação prefixada à raiz, por exemplo juhu de hu 'sacrificar'. 7) Infixação de na ou n antes da consoante final da raiz (com as mudanças de sandhi apropriadas), por exemplo rundh ou ruadh de rudh 'obstruir'. 5) Sufixação de nu (forma em gua no), por exemplo sunu de su 'pressionar'. 8) Sufixação de u (forma em gua o), por exemplo tanu de tan 'estirar'. Para propósitos da lingüística moderna, é melhor tratá-la como uma subclasse da quinta. tanu deriva de tnnu, que é o grau-zero de *tannu, porque, no idioma proto-indo-europeu, [m] e [n] podiam ser vogais, que, em sânscrito (e grego), mudaram para [a]. A maior parte dos membros da oitava classe surgiram desta maneira; kar = "criar", "fazer" era da quinta classe no sânscrito védico (krnoti = "ele faz"), mas mudou para a oitava classe no sânscrito clássico (karoti = "ele faz") 9) Sufixação de nā (grau zero de nī ou n), por exemplo krīa ou krīī de krī 'comprar'.

Para verbos temáticos, a raiz do tempo presente pode ser formada por 1) Sufixação da vogal temática a com fortalecimento gua, por exemplo, bháva de bhū 'ser'. 6) Sufixação da vogal temática a com uma mudança de acentuação para essa vogal, por exemplo tudá de tud 'empurrar'. 4) Sufixação de ya, por exemplo dī́vya de div 'jogar'.

A décima classe descrita por gramáticos nativos se refere a um processo que é derivacional por natureza, e, portanto, não é uma verdadeira formação de raiz de um tempo verbal. É formada por sufixação de ya com grau gua e alongamento da última vogal da raiz, por exemplo bhāvaya de bhū 'ser'.

Sistema do perfeito O sistema do perfeito inclui só o perfeito. A raiz é formada com reduplicação, igual com o sistema presente.

O sistema do perfeito também produz formas "fortes" e "fracas" separadas do verbo — a forma forte é usada com o singular ativo, e a forma fraca com o resto.

Sistema do aoristo O sistema do aoristo inclui o aoristo próprio (com significado de passado indicativo, por ex. abhū "tu foste") e algumas das formas do antigo injuntivo (usado quase exclusivamente com mā em proibições, por ex. mā bhū "não sejas"). A principal distinção dos dois é a presença/falta de um prefixo – a- na raiz.

A raiz do sistema do aoristo, na verdade, tem três formações diferentes: o aoristo simples, o aoristo com reduplicação (semanticamente relacionado ao verbo causativo), e o aoristo sibilante. O aoristo simples é formado diretamente da raiz do verbo (por ex. bhū-: a-bhū-t "ele foi"). O aoristo com reduplicação involve reduplicação, e também redução vocálica da raiz. O aoristo sibilante é formado com a sufixação de s à raiz.

Sistema do futuro O sistema do futuro é formado com a sufixação de sya ou iya e gua.

Verbos: Conjugação Cada verbo possui uma voz verbal: ativo, passivo ou médio. Há também uma voz impessoal, que pode ser descrita como a voz passiva dos verbos intransitivos. Os verbos do sânscrito tem um indicativo, um optativo e um imperativo. Formas mais antigas do idioma tinham um subjuntivo, embora este tenha caído em desuso na época do sânscrito clássico.

Terminações básicas de conjugação As terminações de conjugação do sânscrito convêm pessoa, número e voz. Formas diferentes das terminações são usadas dependendo do tempo e modo a que se anexam. Raízes verbais ou as próprias terminações podem ser modificadas ou obscurecidas por sandhi.

Ativo Médio Singular Dual Plural Singular Dual Plural Primário Primeira pessoa mi vás más é váhe máhe Segunda pessoa si thás thá sé ā́the dhvé Terceira pessoa ti tás ánti, áti té ā́te ánte, áte Secundário Primeira pessoa am vá má í, á váhi máhi Segunda pessoa s tám tá thā́s ā́thām dhvám Terceira pessoa t tā́m án, ús tá ā́tām ánta, áta, rán Perfeito Primeira pessoa a vá má é váhe máhe Segunda pessoa tha áthus á sé ā́the dhvé Terceira pessoa a átus ús é ā́te ré Imperativo Primeira pessoa āni āva āma āi āvahāi āmahāi Segunda pessoa dhí, hí, — tám tá svá ā́thām dhvám Terceira pessoa tu tā́m ántu, átu tā́m ā́tām ántām, átām

Terminações primárias são usadas com as formas do presente indicativo e do futuro. Terminações secundárias são usadas com o imperfeito, condicional, aoristo e optativo. Terminações do perfeito e do imperativo são usadas com o perfeito e o imperativo, respectivamente.

Conjugação do presente A conjugação do sistema do presente lida com todas as formas do verbo que utilizam a raiz do presente. Isso inclui o tempo presente em todos os modos, e também o imperfeito indicativo.

Flexão atemática O sistema do presente diferencia entre formas forte e fraca do verbo. A oposição forte/fraco se manifesta diferentemente dependendo da classe: As classes de raiz e reduplicação (2 e 3) não são modificadas nas formas fracas, e recebem nas formas fortes. A classe nasal (7) não é modificada na forma fraca, e estende o nasal para ná na forma forte. A classe de nu (5) possui nu na forma fraca e nó na forma forte. A classe nā (9) possui nī na forma fraca e nā́ na forma forte. O nī desaparece quando está antes de uma vogal.

O presente indicativo leva terminações primárias, e o imperfeito do indicativo leva terminações secundárias. Formas singulares ativas têm acento na raiz e levam formas fortes, enquanto as outras formas têm o acento nas terminações e levam formas fracas. + Indicativo Ativo Médio Singular Dual Plural Singular Dual Plural Presente Primeira pessoa dvémi dvivás dvimás dvié dviváhe dvimáhe Segunda pessoa dvéki dvihás dvihá dviké dviā́the dvihvé Terceira pessoa dvéi dviás dviánti dvié dviā́te dviáte Imperfeito Primeira pessoa ádveam ádviva ádvima ádvii ádvivahi ádvimahi Segunda pessoa ádve ádviam ádvisa ádvihās ádviāthām ádvihvam Terceira pessoa ádve ádviām ádvian ádvia ádviātām ádviata

O optativo leva terminações secundárias. yā é adicionado à raiz no ativo, e ī no passivo. + Optativo Ativo Médio Singular Dual Plural Singular Dual Plural Primeira pessoa dviyā́m dviyā́va dviyā́ma dviīyá dviīvahi dviīmahi Segunda pessoa dviyā́s dviyā́tam dviyā́ta dviīthās dviīyāthām dviīdhvam Terceira pessoa dviyā́t dviyā́tām dviyus dviīta dviīyātām dviīran

O imperativo leva as terminações de imperativo. O acento é variável e afeta a qualidade da vogal. Formas com grau gua que gera acento na terminação e aquelas com acento na raiz não têm a vogal afetada. + Imperativo Ativo Médio Singular Dual Plural Singular Dual Plural Primeira pessoa dvéi dvéāva dvéāma dvéāi dvéāvahāi dvéāmahāi Segunda pessoa dvihí dviám dviá dvikvá dviāthām dvihvám Terceira pessoa dvéu dviā́m dviántu dviā́m dviā́tām dviátām

Flexão nominal

Sânscrito é uma linguagem altamente flexionada com três gêneros gramaticais (masculino, feminino, neutro) e três números (singular, plural, dual). Tem oito casos gramaticais: nominativo, vocativo, acusativo, instrumental, dativo, ablativo, genitivo e locativo.

O número verdadeiro de declinações é debatível. Panini identifica seis karakas correspondentes aos casos nominativo, acusativo, dativo, instrumental, locativo e ablativo . Panini os define do seguinte modo (Ashtadhyayi, I.4.24-54):

Apadana (lit. 'tirar'): "(aquele que é) firme quando a partida (ocorre)." Equivale ao caso ablativo, que significa um objeto estacionário de que procede movimento. Sampradana ('favor'): "aquele a quem alguém aponta com o objeto". Equivale ao caso dativo, que significa um recipiente em que um ato de doação ou similar ocorre. Karana ("instrumento") "aquele que dá mais efeitos." Equivale ao caso instrumental. Adhikarana ('locação'): ou "substrato." Equivale ao caso locativo. Karman ('ação'/'objeto'): "o que o agente mais procura atingir". Equivale ao caso acusativo. Karta ('agente'): "ele/aquele que é independente em ação". Equivale ao caso nominativo. (Baseado em Scharfe, 1977: 94)

Possessivo (Sambandha) e vocativo não são mencionados na gramática de Panini.

Nesse artigo as declinações são divididas em cinco. A declinação a que pertence um substantivo é determinada principalmente pela forma.

O esquema básico de sufixos de declinação para substantivos e adjetivos O esquema básico é dado na tabela abaixo—válido para quase todos os substantivos e adjetivos. Contudo, de acordo com o gênero e a consoante/vogal de terminação da palavra-raiz não declinada, há regras predeterminadas de sandhi compulsório que então dariam a palavra declinada final. Os parênteses dão as terminações de caso para o gênero neutro, o resto é para os gêneros masculino e feminino. Ambas a escrita devanagari e a transliteração IAST são dadas. Singular Dual Plural Nominativo -स् -s(-म् -m)-औ -au(-ई -ī)-अस् -as(-इ -i) Acusative -अम् -am(-म् -m)-औ -au(-ई -ī)-अस् -as(-इ -i) Instrumental -आ -ā-भ्याम् -bhyām-भिस् -bhis Dativo -ए -e-भ्याम् -bhyām-भ्यस् -bhyas Ablativo -अस् -as-भ्याम् -bhyām-भ्यस् -bhyas Genitivo -अस् -as-ओस् -os-आम् -ām Locativo -इ -i-ओस् -os-सु -su Vocativo -स् -s(- -)-औ -au(-ई -ī)-अस् -as(-इ -i)

raízes com a