Castelo Branco OC é uma cidade raiana portuguesa capital do Distrito de Castelo Branco, situando-se na sub-região da Beira Baixa da Região do Centro e tendo pertencido à antiga Província da Beira Baixa, com 33 772 habitantes (2021) no seu perímetro urbano.

É sede do município de Castelo Branco, o terceiro maior português em extensão, com de área e habitantes (albicastrenses) (2021), subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Fundão, a leste por Idanha-a-Nova, a sul pela Espanha, a sudoeste por Vila Velha de Ródão e a oeste por Proença-a-Nova e por Oleiros.

Ao contrário de outras cidades da região, que cresceram notavelmente devido à indústria têxtil, Castelo Branco sempre teve uma importância geoestratégica e política em Portugal. Não está, por esse motivo, sujeita às flutuações económicas que deslocalizaram empresas têxteis — mormente de laboração manual desqualificada — como sucedeu na região norte e na Cova da Beira. A composição sociológica predominante é por esse motivo também muito diferente de outras cidades de cultura do operariado.

Foi considerada em 2006, num estudo elaborado pela DECO, a segunda capital de distrito do país com melhor qualidade de vida. Em 2017, encontra-se em 36.º lugar nacional, e 7.º lugar da região Centro, segundo um estudo pela consultora Bloom Consulting.

A origem do nome da cidade — Castelo Branco — não é certa, embora a hipótese mais aceite se refira à antiga cidade de Cataleucos.

História miniaturadaimagem|Antigo Brasão de Armas, 1860.

thumb|Painel presente no Jardim do Paço Episcopal. Representa a vila de Castelo Branco, numa perspetiva de Duarte d'Armas. Castelo Branco terá tido a sua origem no local de um castro pré-romano. No início do séc XII existia uma povoação no cimo da Colina da Cardosa, em cuja encosta se desenvolveu o povoamento da vila.

A 22 de Setembro de 1931 foi feita Membro Honorário da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Geografia

thumb|Castelo no topo do Monte da Cardosa thumb|Nome e brasão da cidade

Localização A cidade de Castelo Branco localiza-se no interior de Portugal a aproximadamente 50 km da fronteira com Espanha e dista cerca de 100 km da cidade da Guarda e 80 km da cidade de Portalegre, as capitais de distrito mais próximas.

Orografia e hidrografia thumb|Traseiras do edifício da Câmara Municipal de Castelo Branco e Praça Centenário da República thumb|Miradouro de São Gens, na zona do castelo thumb|Jardim do Paço

A cidade foi edificada inicialmente no topo e na encosta adjacente do Monte da Cardosa, mas cresceu e, nos dias de hoje, ergue-se principalmente nas zonas planas adjacentes. Ainda assim, a cidade encontra-se 384 metros acima do nível do mar e o castelo, a 490 metros. No extremo oposto, ergue-se o Monte de São Martinho, uma formação quartzítica que constitui um importante centro arqueológico. O solo é na sua maioria do tipo granítico, do qual é exemplo uma afloração rochosa conhecida por barrocal, a sul da cidade.

A nível hidrográfico há dois rios que passam bem perto da cidade, o Rio Ponsul a este e o Rio Ocreza a oeste, no que desagua, por sua vez, a Ribeira da Líria. A área ocupada pelo município de Castelo Branco é parte integrante da bacia hidrográfica do Rio Tejo, que corre a sul, formando uma fronteira natural com Espanha. Tanto o Rio Ponsul como o Rio Ocreza são afluentes do Rio Tejo e, como tal, desaguam no mesmo.

Cultura Bordado de Castelo Branco thumb|Peça de bordado de Castelo BrancoUm dos produtos típicos da região é o bordado de Castelo Branco — em colchas de linho bordadas com fio de seda natural, que se crê serem de inspiração oriental e que se tornaram conhecidas a partir de meados do século XVI. São evidentes as suas cores vivas e também os elementos que retratam, normalmente relacionados com a Natureza, destacando-se o frequente uso de árvores e pássaros.

O bordado de Castelo Branco tem semelhanças com as colchas de Toledo e Guadalupe, na Espanha. Representaram, durante séculos, a dignidade do enxoval de qualquer noiva da região, quer fosse plebeia ou nobre.

Alguns dos elementos desses bordados são o lar e a árvore da vida. Os desposados são representados por pássaros juntos; os cravos e as rosas representam o homem e a mulher, respetivamente; os lírios, a Virtude; os corações, o Amor; as gavinhas, a Amizade, entre outros. miniaturadaimagem|Museu Cargaleiro na zona histórica de Castelo Branco

Museus O Museu Francisco Tavares Proença Júnior é o mais conhecido da cidade de Castelo Branco. Fundado em 1910, é já um museu centenário, embora nem sempre tenha estado aberto nesse período de tempo. Este museu guarda muitas peças identificativas da cidade e da região, como achados arqueológicos, tapeçarias do século XVI e arte primitiva portuguesa.

O Solar dos Cavaleiros, edifício de meados do século XVIII, em pleno centro histórico, serve de instalação a uma parte do Museu Cargaleiro, onde é possível apreciar um notável conjunto de obras que integra o acervo da Fundação Manuel Cargaleiro: pintura, cerâmica, escultura, azulejaria, tapeçaria. O Museu foi inaugurado a 25 de Abril de 2004.

A Casa da Memória da Presença Judaica é um museu destinado a homenagear a memória do povo judaico, nomeadamente os judeus albicastrenses que, enquanto lhes foi permitido viver em Portugal, viviam na Judiaria — na rua Nova — e os cristãos-novos (designação pela qual ficaram conhecidos os judeus que continuaram a residir em Portugal após a conversão forçada) que, sob o olhar ameaçador da Inquisição, viviam um pouco por toda a vila.

O Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB) é um museu dedicado à divulgação da cultura contemporânea, que pretende estimular a criação artística, trabalhar a criação e formação de novos públicos. Tem inclusive um auditório com capacidade para 275 pessoas e que está dotado com um sistema acústico da autoria de Higini Arau.

Por fim, há o Museu de Arte Sacra "Domingos dos Santos Pio", a funcionar no Convento da Graça desde 11 de Novembro de 1984, que alberga artefactos de cariz religioso.

Teatro Existem na cidade alguns grupos de teatro amador que realizam as suas peças em diversos espaços na cidade e por todo o município: Teatro Váatão Teatro Tramédia Terceira Pessoa

Música

Super Castelo Branco é uma colectânea sonora que junta o melhor da música moderna da cidade de Castelo Branco. Tem até ao momento, dois volumes, o primeiro editado em 2005, e o segundo volume editado em 2023.

Castelo Branco, cidade da música Rock, viu nascer uma editora independente que se tem encarregado de editar e distribuir o que de melhor se produz na cidade. Logo a partir do ano 2000, a Skud & Smarty tornou-se numa referência local e nacional.

Bandas filarmónicas do município de Castelo Branco Existem ao todo cinco bandas filarmónicas em atividade espalhadas por algumas freguesias do município. São elas:Lista de bandas filarmónica no Distrito de Castelo Branco

Associação Filarmónica Retaxense (Retaxo) Banda Filarmónica Cidade de Castelo Branco - integrada na Associação Cultural e Recreativa “As Palmeiras" Sociedade Filarmónica de Louriçal do Campo (Louriçal do Campo) Sociedade Filarmónica de Tinalhas (Tinalhas) Sociedade Filarmónica Vicentina (São Vicente da Beira)

Eventos A 6 de Janeiro e a 30 de Agosto - a Feira Franca A 4 de Outubro e 18 de Dezembro - a Feira do Gado Suíno

O feriado municipal, que se comemora no terceiro dia da Romaria da Nossa Senhora de Mércoles, tem sempre lugar na terceira terça-feira após a Páscoa.

População Número de habitantes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 29 668 31 806 35 068 38 302 42 547 44 300 50 434 58 700 63 305 63 091 55 195 54 908 54 310 55 708 56 109 52 272

De acordo com os dados do INE o distrito de Castelo Branco registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 9.3% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Castelo Branco esse decréscimo rondou os 6.8%.

Número de habitantes por Grupo Etário 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 20210-14 Anos 13 404 14 339 14 494 16 432 18 509 18 269 16 468 12 340 10 920 8 941 7 369 7 107 5 95915-24 Anos 6 796 8 147 8 197 10 351 10 471 12 439 10 930 8 700 8 430 7 617 7 066 5 424 4 85025-64 Anos 15 512 17 000 18 570 20 735 24 046 27 302 29 675 26 110 26 418 27 241 28 893 30 222 26 589= ou > 65 Anos 1 928 2 267 2 556 3 205 3 787 4 486 6 018 7 285 9 140 10 511 12 380 13 356 14 874

(Obs: De 1900 a 1950 os dados dos grupos etários referem-se à população "de facto", ou seja, aos habitantes que estavam presentes no município à data em que os censos se realizaram, mesmo que ali não tivessem residência oficial. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

A população do município de Castelo Branco tem vindo a envelhecer ao longo das últimas décadas. Segundo o INE, cerca de 18% da população, o que corresponde a cerca de 6937 pessoas, tem 65 anos ou mais. Em contrapartida, apenas 15% da população se situa na faixa etária dos 0 aos 14 anos de idade. A corroborar este facto, o índice de envelhecimento localiza-se nos 168% o que, apesar de ser um dos valores mais baixos da Beira Interior, é elevado quando comparado com a média nacional (102%). Por outro lado, e não menos preocupante, é o facto da taxa de mortalidade superar a taxa de natalidade. Enquanto a primeira se situa nos 10,3 (óbitos por cada 1000 habitantes no espaço de um ano), a segunda atinge apenas os 8,8, o que se traduz num saldo populacional negativo.

A incapacidade de reter capital humano qualificado no município tem contribuído para uma descida do PIB per capita. Um dos exemplos verifica-se na dificuldade em preencher as vagas para especialidades médicas no Hospital Amato Lusitano, assim como em outros hospitais do interior centro. Jovens qualificados que se dirigem para o Ensino Superior fora do distrito apresentam uma taxa de retorno relativamente baixa, acabando por se fixar nos grandes centros urbanos. A emigração para o estrangeiro contribui também para a incapacidade de aumentar a população activa local, atingindo várias franjas, quer geracionais quer de qualificação. Esta saída de pessoas é compensada parcialmente pelo ingresso de estudantes na UPCB e pelo esvaziamento do interior raiano, havendo uma integração significativa desses movimentos na economia local. Castelo Branco tem desenvolvido uma política activa de emprego, através da criação de condições para a instalação de centros de contacto ("call centers"), que asseguram perto de 1000 empregos (PT/Altice, Segurança Social, Vodafone), apesar da precariedade associada. Entre os maiores empregadores estão o sector Estado (autarquia, ensino, gabinetes), Serviços Sociais (Santa Casa da Misericordia, APPACDM) e algumas indústrias (ex-Danone, Bitzer, Versigent, Centauro). No sector privado, a distribuição e o sector serviços representam uma expressiva fatia da oferta laboral.

Apesar de todos esses valores, a população do município de Castelo Branco tem-se mantido aproximadamente constante nas últimas décadas.

Património

miniaturadaimagem|Convento da Graça visto do parque da cidade.

Estação Arquelógica do Monte de São Martinho

Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Bronze com anterior ocupação do sítio no Neolítico e posterior ocupação romana. Povoado fortificado. Permanência longa da ocupação do povoado. Identificação de numeroso espólio arqueológico.

Convento e Igreja da Graça

O Convento de Nossa Senhora das Graças, também conhecido por Convento da Graça, é um convento situado junto à saída norte da cidade de Castelo Branco. Até 1834, foi pertença da Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho e atualmente é a sede da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco.

A Igreja de Nossa Senhora das Graças, vulgarmente conhecida por Igreja da Graça, é uma parte integrante do Convento da Graça de Castelo Branco.

Castelo