Glicério (também conhecido como Baixada do Glicério ou Várzea do Glicério) é um bairro do centro de São Paulo, situado às margens do rio Tamanduateí, situado nos distritos da Sé, administrado pela Subprefeitura da Sé. Seu nome é uma homenagem a Francisco Glicério, político e advogado brasileiro do século XIX.Glicério Sua localização é estratégica, próxima a importantes vias como a Avenida do Estado e a Radial Leste, facilitando o acesso a várias partes da cidade. A proximidade com o centro torna o Glicério um ponto de passagem e residência para muitas pessoas que trabalham na região central. Histórico

Historicamente era conhecido no século XIX como Várzea do Carmo, por causa da Igreja do Carmo e da rua do Carmo. A história do Glicério começa no final do século XIX e início do século XX, quando a região era predominantemente rural, com grandes chácaras e sítios. Com o crescimento da cidade, o bairro passou por um processo de urbanização e começou a abrigar imigrantes, principalmente italianos, que buscavam oportunidades de trabalho e moradia nas proximidades do centro.Paróquia no Glicério, em SP, esconde obra de Pennacchi

O bairro se tornou um ponto de concentração de trabalhadores que vieram para São Paulo durante o processo de industrialização. A região atraiu uma população diversa, incluindo muitos imigrantes, devido à sua proximidade com o centro e às opções de moradia barata.Fotógrafo londrino retrata imigrantes haitianos moradores do centro de SP

Ao longo do século XX, o Glicério passou por grandes transformações urbanas. A construção de viadutos, como o Viaduto do Glicério, e a expansão das linhas de trem e ônibus contribuíram para a integração do bairro à malha urbana de São Paulo. No entanto, essas transformações também trouxeram desafios, como a deterioração de algumas áreas e a crescente desigualdade social.

A partir das décadas de 1960 e 1970, a região começou a enfrentar problemas relacionados à urbanização acelerada, como a falta de infraestrutura adequada, habitação precária e aumento da população em situação de rua. A proximidade com o centro da cidade e a oferta de moradias a baixo custo continuaram a atrair uma população vulnerável, agravando esses problemas.BAIXADA DO GLICÉRIO ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Contexto atual

Suas ruas principais são: a rua dos Estudantes com suas pensões, a rua Conde de Sarzedas, que abriga o maior centro comercial evangélico da cidadeRua Conde de Sarzedas e a rua do Glicério com a Igreja Nossa Senhora da Paz, uma paróquia pessoal dos imigrantes aos cuidados dos padres da congregação dos padres Scalabrianos. Abriga o Templo da Glória de Deus da Igreja Deus é Amor, grande reduto de cristãos Pentecostais.

O Glicério frequentemente aparece na mídia devido a questões sociais, como a presença de uma grande população de imigrantes e refugiados. O bairro é conhecido por suas iniciativas de apoio a essas comunidades, com várias ONGs e instituições oferecendo assistência social e jurídica, além de abrigar diversos projetos de assistência a pessoas em situação de rua, como albergues e programas de distribuição de alimentos, incluindo pessoas em situação de rua e imigrantes do Haiti,Glicério: the Haitian Neighborhood in SPBairro de haitianos, Glicério fala francês e refugiados da Síria e países africanos. Essa diversidade traz desafios e oportunidades, com o bairro servindo como um ponto de integração para muitos recém-chegados que buscam uma nova vida em São Paulo. Apesar dos desafios, o Glicério mantém sua importância como um ponto de diversidade cultural e social em São Paulo.Na Baixada do Glicério, a esperança dos refugiados O bairro é um exemplo das complexas dinâmicas urbanas da cidade, refletindo tanto os problemas quanto as oportunidades que surgem em um contexto de rápida urbanização e transformação social.Glicério Pela VidaGlicério: a disputa pelo território e o potencial criativo das crianças

Nos últimos anos, o Glicério tem sido alvo de iniciativas de revitalização, tanto por parte da prefeitura quanto de organizações sociais. Há esforços para melhorar a infraestrutura, ampliar o acesso a serviços públicos e promover a integração social dos moradores. No contexto atual, o bairro é conhecido por abrigar uma população de baixa e média renda, uma grande concentração de cortiços,DO GLICÉRIO: MEMÓRIAS ESQUECIDAS DE UM ESPAÇO DE EXCLUSÃO EM SÃO PAULO pessoas em situação de rua, Glicério tem protesto contra retirada dos objetos de moradores de ruaMoradores de rua embaixo do Viaduto do Glicério preocupam a população da região construções degradadas, grandes quantidades de resíduos"Região do Glicério está tomada pelo lixo", SPTV, 4/12/2009, visitado em 30/8/2009 e problemas de segurança publica.Falta de segurança deixa motoristas apreensivos na região da Rua do Glicério Em contraste, possui alguns edíficios novos e outros em construção de um padrão um pouco mais elevado. Alguns de seus principais pontos de degradação eram os edifícios São Vito e Mercúrio, já devidamente desocupados e demolidos,"Moradores são despejados de edifício Mercúrio no centro da capital", SPTV, 11/2/2009, acessado em 30/8/2009 além do Viaduto Diário Popular e casas e sobrados da região, em um total de três quadras, que serão incorporadas ao Parque Dom Pedro II. O bairro é classificado pelo CRECI como "Zona de Valor D", assim como outros bairros da capital: Casa Verde, Carandiru, Vila Formosa e Brás.

A Baixada do Glicério tem passado por um processo de gentrificação nos últimos tempos. Com diversos empreendimentos imobiliários em desenvolvimento, a região está projetada para receber cerca de 30 mil novos moradores. Nas proximidades, o projeto da Lavapés, por exemplo, contará com mais de 5 mil unidades residenciais.

Bibliografia

Categoria:Bairros da Liberdade Categoria:Bairros da Sé