Frederica de Hanôver (nome completo em alemão: Friederike Luise Thyra Victoria Margarita Sophia Olga Cecilia Isabella Christa Prinzessin von Hannover; Blankenburg, – Madrid, ) foi a esposa do Rei Paulo e Rainha Consorte da Grécia de 1947 até 1964. Embora envolvida em atividades sociais, sua origem alemã, as acusações de simpatia ao nazismo e sua influência política sobre o governo do marido afetaram sua reputação, tornando-a impopular na Grécia e no exterior.

Neta do imperador Guilherme II da Alemanha, e uma princesa britânica e de Hanôver por nascimento, Frederica nasceu poucos meses antes da queda do Império Alemão. Após a deposição da família imperial, cresceu entre a Alemanha de Weimar e Áustria, onde seu pai possuía propriedades. Na adolescência, ingressou na Juventude Hitlerista em 1933, antes de estudar na Inglaterra e, posteriormente, na Itália. Em Florença, conheceu o príncipe Paulo da Grécia, com quem se casou em 1938. O casal teve três filhos, incluindo Sofia, Rainha Consorte da Espanha e Constantino II da Grécia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a partir de 1941, viveu exilada com sua família na África do Sul e, posteriormente, no Egito. Retornou à Grécia após o referendo sobre a monarquia realizado em 1946 e, poucos meses depois, tornou-se rainha consorte ao lado de seu marido, que ascendeu ao trono em 1947. Devido à sua personalidade firme e determinada, exerceu considerável influência na vida política e pública do reino. Nos últimos anos da Guerra Civil Grega, o casal real realizou diversas viagens pelo país com o objetivo de promover a unidade nacional em um período de forte instabilidade. Entretanto, sua atuação nos assuntos internos do Estado, sua proximidade com setores militares anticomunistas, sua origem alemã e as alegações de simpatia pelo nazismo contribuíram para o aumento de sua impopularidade, tanto na Grécia quanto no exterior.

Após ficar viúva, afastou-se da vida pública e manteve formalmente o título de rainha-mãe até a abolição da monarquia grega pelo governo militar, em 1973. Apesar disso, setores da oposição política continuaram a vê-la como uma figura de grande influência nos bastidores do reinado de seu filho, Constantino II, enquanto este permaneceu como chefe de Estado da Grécia. Após o golpe de Estado em 1967, iniciou um período de exílio, vivendo sucessivamente na Itália, na Índia e na Espanha. Nesse período, dedicou-se ao estudo e à prática da espiritualidade hindu. Faleceu em 1981 e foi sepultada no Cemitério Real de Tatoi, após prolongadas negociações entre os governos da Espanha e da Grécia para a realização do funeral e do enterro.

Início de vida Nascimento e educação miniatura|esquerda|O Castelo de Blankenburg, local de nascimento de Frederica Frederica nasceu no Castelo de Blankenburg, filha mais nova, a única menina, de Ernesto Augusto, Duque de Brunsvique, pretendente ao extinto Reino de Hanôver, e da princesa Vitória Luísa da Prússia, única filha do imperador Guilherme II da Alemanha. Passou a infância entre Blankenburg e Gmunden, na Austría, e estudou na Inglaterra e na Itália.

Nascida durante a Primeira Guerra Mundial, Frederica perdeu o direito ao título de princesa britânica em consequência do Ato de Privação de Títulos de 1917, que permitia a revogação de títulos de membros da nobreza ligados a países inimigos do Reino Unido. Seu nascimento também ocorreu poucos meses antes da Revolução Alemã, que levou à abolição do Império Alemão e ao exílio de parte de sua família.

Única menina entre quatro irmãos, Frederica cresceu em um ambiente familiar afetuoso, mas distante. Ela via os pais somente durante as refeições e orações, enquanto sua educação ficava a cargo de governantas. Mantinha uma relação próxima com a mãe, com quem passeava de bicicleta e praticava equitação, além de ser especialmente ligada à avó paterna, a princesa Tira da Dinamarca.

Durante a infância, desenvolveu uma personalidade forte, marcada pela franqueza, teimosia e coragem. Gostava de atividades ao ar livre e frequentemente era descrita como uma "maria-rapaz". Até os dezessete anos, recebeu uma educação conservadora baseada no luteranismo. Apaixonada por literatura e filosofia, cultivava esses interesses apesar da rígida supervisão de suas leituras.

Envolvimento com o Nazismo miniatura|200px|Frederica com seus irmãos Cristiano e Guelfo Henrique, trajando uniformes de organizações da Juventude Hitlerista, 1933-1934 Assim como seus pais, Frederica demonstrava simpatia pela ideologia nazista. Ela recebeu destaque na imprensa do regime por cumprir seu dever no Serviço de Trabalho do Reich, sendo apresentada como "um exemplo de cidadã alemã comum". Frederica também ingressou na Juventude Hitlerista. Apesar disso, a experiência não lhe agradou, principalmente por não gostar de usar o uniforme da organização. Por outro lado, sua participação permitiu que, pela primeira vez, tivesse contato com jovens de sua idade fora dos círculos da realeza.

Em 1935, Frederica e sua mãe, Vitória Luísa, participaram de uma reunião realizada no apartamento de Adolf Hitler, em Munique. O encontro também contou com a presença de figuras influentes do regime nazista, como Joseph Goebbels e Joachim von Ribbentrop, além de Winifred Wagner e do líder fascista britânico Oswald Mosley.

Um dos planos de Hitler era promover um casamento entre Frederica e o Príncipe de Gales, posteriormente rei Eduardo VIII do Reino Unido, mas a iniciativa não se concretizou. Posteriormente, quando ficou noiva do príncipe Paulo da Grécia, ela teria afirmado a amigos que "poderia contribuir significativamente para os interesses do Terceiro Reich no exterior".

Casamento miniatura|esquerda|Frederica e Paulo em 1939 Em janeiro de 1938, Frederica casou-se com o príncipe Paulo da Grécia, a quem conheceu em Florença por intermédio de sua futura cunhada, Helena, Rainha-mãe da Romênia O pedido de casamento ocorreu em 1936, durante os Jogos Olímpicos de Berlim. Paulo e seu irmão Jorge II, que reinou até 1947, eram filhos do rei Constantino I da Grécia e da princesa Sofia da Prússia, irmã do avô de Frederica, o imperador alemão Guilherme II. Dessa forma, Frederica e Paulo eram primos em segundo grau.

O anúncio do noivado despertou preocupações entre parte da população grega, que temia arcar com os custos de uma cerimônia excessivamente luxuosa. Além disso, a origem alemã da noiva e seus laços familiares com Guilherme II evocavam lembranças das Potências Centrais durante a Primeira Guerra Mundial. O casamento também foi visto com simpatia por Adolf Hitler, que esperava ampliar a influência alemã sobre o Reino da Grécia. Em resposta a essas preocupações, Jorge II, conhecido por sua anglofilia, procurou destacar a ascendência inglesa de Frederica, que ainda figurava na linha de sucessão ao trono britânico. Outra controvérsia surgiu em torno do nome da futura princesa. O Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Grega considerava que o nome "Frederica" não era adequado à tradição ortodoxa e sugeriu que ela o alterasse. No entanto, a princesa recusou-se a fazê-lo, alegando que o nome fazia parte essencial de sua identidade.

Após a resolução das questões relacionadas à sua integração na corte grega, Frederica chegou à Grécia no início de janeiro de 1938, após encontrar-se com seu noivo e com o primeiro-ministro Ioánnis Metaxás fronteira entre a Iugoslávia e a Grécia. O casamento foi celebrado em 9 de janeiro daquele ano, quando ela tinha apenas vinte anos. Apesar do caráter grandioso da cerimônia, o evento foi recebido com reservas por parte da população. A expressiva presença de aristocratas alemães entre os convidados da nobreza europeia também contribuiu para o descontentamento popular.

Guerra e exílio miniatura|esquerda|A invasão da Grécia pelas forças do Eixo em abril de 1941 Após o casamento, o casal estabeleceu-se no Palácio de Psichiko, nos arredores de Atenas. Em novembro de 1938 nasceu sua primeira filha, Sofia, posteriormente Rainha Consorte da Espanha. No ano seguinte, Paulo e Frederica realizaram uma visita oficial à França e, posteriormente, viajaram para Doorn, nos Países Baixos, onde Frederica visitou seu avô, o ex-imperador Guilherme II, por ocasião de seu 80º aniversário. Em 1940 nasceu o segundo filho do casal, Constantino, posteriormente rei Constantino II da Grécia.

Com a invasão da Grécia pelas forças do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, a família real grega foi evacuada para Creta em abril de 1941. Pouco tempo depois, diante da invasão alemã da ilha, Frederica, Paulo e os demais membros da família real foram novamente forçados a deixar o país. Inicialmente, o governo grego no exílio estabeleceu-se em Londres, enquanto o rei Jorge II e seus familiares se instalaram na África do Sul.

Durante o período de exílio, Frederica e Paulo permaneceram na África do Sul, onde nasceu sua terceira filha, Irene, em 11 de maio de 1942. Entre seus padrinhos estava o estadista sul-africano Jan Smuts. Em fevereiro de 1944, a família transferiu-se para o Egito, onde permaneceu até o fim da guerra. Embora, durante a juventude, tivesse integrado a Liga das Moças Alemãs, organização ligada ao regime nazista, Frederica não apoiava o Terceiro Reich. Durante a guerra, opôs-se à aproximação da Grécia com as Potências do Eixo e considerava que uma eventual aliança com a Alemanha Nazista seria contrária aos interesses nacionais gregos.

Frederica e sua família só puderam retornar à Grécia em 1946, após a realização do referendo que confirmou a restauração da monarquia no país. Em 27 de setembro daquele ano, ela e o marido reuniram-se com o rei Jorge II em Elêusis e, em seguida, regressaram a Atenas, onde voltaram a residir no Palácio de Psichiko. Nesse período, o casal fundou uma escola destinada à educação de seus filhos. Foi também nessa fase que Frederica converteu-se oficialmente à Igreja Ortodoxa Grega, adotando a fé predominante do país que a acolhera como futura rainha.

Rainha

Paulo ascendeu o trono da Grécia em 1º de abril de 1947, sucedendo seu irmão, Jorge II, em meio à Guerra Civil Grega (1946–1949). Durante seu reinado, Frederica destacou-se pela criação de programas de assistência social, incluindo escolas de enfermagem, orfanatos e escolas agrícolas.Sommer, Theo. Prinzenhochzeit, Pomp und Politik. In: Die Zeit, Nr. 20/1962 (zeit.de) Essas iniciativas foram financiadas tanto por doações quanto por impostos incidentes sobre determinadas compras, como veículos. A própria rainha supervisionava a distribuição dos recursos arrecadados. Como resultado dessas ações, cerca de 20 mil crianças receberam educação e formação profissional em 51 aldeias infantis estabelecidas pelo programa. Para ampliar o alcance da iniciativa, a rainha também buscou apoio financeiro e doações no exterior.

Apesar de sua atuação como rainha, Frederica enfrentou frequentes críticas na Grécia devido à sua origem alemã e às alegações de simpatia pelo nazismo. Sua participação na Liga das Moças Alemãs durante a juventude, bem como o fato de dois de seus irmãos terem servido na Waffen-SS, foi frequentemente explorado por políticos e grupos de esquerda para questionar sua imagem pública. Em uma visita a Londres, na qual representou seu marido adoentado durante o casamento da Princesa Elizabeth com Filipe Mountbatten, nascido príncipe Filipe da Grécia e primo de Paulo, Frederica teria sido lembrada por Winston Churchill de que seu avô era o imperador alemão Guilherme II, figura então amplamente impopular na Inglaterra. Em resposta, ela confirmou o parentesco e retrucou com confiança que seu pai, segundo a interpretação da lei sálica, seria o legítimo rei da Inglaterra.

Influência política controversa