"People Get Ready" foi um single de 1965 da banda The Impressions, e a faixa principal do álbum homônimo.

A canção de influência musical gospel foi composta por Curtis Mayfield, inspirado por Martin Luther King Jr. (1929-1968) demonstrando sua preocupação social e política na maneira de escrever.

O single é o mais conhecido trabalho do The Impressions, alcançando o 3º lugar na tabela Billboard de Rhythm and blues (R&B) e o 14º lugar na tabela do Billboard Pop.

A canção foi regravada por diversos artistas. Dentre eles está Bob Marley, que regravou no mesmo ano, 1965, de lançamento e posteriormente em 1977. E também a regravação feita por Jeff Beck e Rod Stewart, em 1985, que também atingiram um grande sucesso nas tabelas da Billboard.

Antecedentes A educação religiosa de Mayfield em Chicago influenciou a letra de "People Get Ready". A imagem do trem mencionada na letra ("People get ready/There's a train a-coming/You don't need no baggage/You just get on board") tem suas raízes nos cânticos espirituais negros dos movimentos metodista, batista e pentecostal, que antecedem em gerações o Movimento dos Direitos Civis da década de 1960.

O trem possui uma importância na música negra norte-americana que remete ao século XIX com registros de 1863 que citam o pastor John Chamberlain cantando o hino "Railroad Hymn"Carter, The Native Ministry of New Hampshire, p. 461: "John Chamberlain, ... Author of the railroad hymn, "Gospel Train."Bartlett, History of the Twelfth Regiment, New Hampshire Volunteers, p. 63: "Sunday, April 26, the members of the Twelfth present had the pleasure of listening to an eloquent discourse by Elder John Chamberlain, from New Hampshire, his text being the first verse of the eighteenth chapter of Matthew. He had a voice of remarkable clearness and power, and was gifted as a singer as well as an orator. He was the author of the celebrated 'Railroad Hymn,' which he sang on the occasion with fine effect.", além de uma conhecida canção de 1872 chamada "Gospel Train". miniaturadaimagem|Representação de "People get ready" criada por Lamerie em 2006. Curtis Mayfield, autor da canção, disse:"Isso foi tirado da minha igreja ou da educação que recebi da igreja. Tipo, não há onde se esconder, entrem nessa, e imagens desse tipo." Mayfield disse que estava "em um estado de profunda inspiração religiosa e espiritual quando escrevi essa música". Disse que escreveu a balada gospel de Rhythm and blues (R&B), pouco antes da marcha de Martin Luther King Jr. na cidade natal do grupo The Impressions, Chicago.

Repercussão Martin Luther King Jr. (1929-1968) considerou a canção o hino não oficial do Movimento dos Direitos Civis. A canção era frequentemente utilizada para incentivar as pessoas a marcharem ou para acalmá-las e confortá-las.

O ativista dos direitos civis, Gordon Sellers, disse que quando a canção foi lançada era “música de guerreiro”; o tipo de música que os ativistas ouviam enquanto se preparavam para ir à batalha.

Em 1998, a canção foi incluída no Hall da Fama do Grammy.

Em 2016, a Biblioteca do Congresso dos EUA admitiu "People Get Ready" no Registro Nacional de Gravações de 2015.

Ela também foi incluída pelo The Rock and Roll Hall of Fame entre as quinhentas músicas que moldaram o Rock and Roll (500 Songs that Shaped Rock and Roll).

Em 2000, People Get Ready foi escolhida por um grupo de editores da revista Mojo e compositores convidados na posição 9 dentre as 100 maiores canções de todos. Dentre os editores e compositores convidados para escolher as 100 canções estavamPaul McCartney, Brian Wilson, Hal David dentre outros. Durante o processo de votação da revista Mojo, a versão de Aretha Franklin de 1967 foi considerada como a versão definitiva (definitive version).

Listas da revista Rolling Stone A canção apareceu na edição de 2004 da lista das 500 melhores canções de todos os tempos da revista Rolling Stone, ocupando a posição 24.

Na edição de 2024, das 500 maiores canções de todos os tempos da revista Rolling Stone, a canção apareceu na 122ª posição.

Versões A canção se tornou um clássico que influenciou diversos artistas, desde cantores country, passando por artistas pop e rock. até a estrela do reggae.

Versões de Bob Marley Bob Marley era fã de Curtis Mayfield, e no mesmo ano de lançamento de People Get Ready reagiu compondo uma canção ska chamada "One Love", que citava amplamente a letra de Mayfield. A letra não era idêntica; enquanto Mayfield declarava que "não havia lugar" ("no room") em seu trem para o "pecador sem esperança" ("hopeless sinner"), Marley se perguntava se eles poderiam ser perdoados: "Há lugar para o pecador sem esperança?" (“Is there a place for the hopeless sinner?”).

Essa primeira homenagem passou praticamente despercebida até 1977, quando Marley revisitou a canção, renomeando-a para "One Love/People Get Ready" e relançando-a em seu álbum Exodus. Na época, a Jamaica estava assolada pela violência política e a canção se tornou um dos destaques de seu lendário Concerto da Paz One Love em Kingston, em 1978, onde Marley uniu as mãos dos líderes políticos jamaicanos em conflito.

Versões nas igrejas As igrejas em Chicago, cidade natal do grupo The Impressions, começaram a incluir suas próprias versões da música em seus hinários. A versão de Mayfield terminava com “Você não precisa de ingresso/Você só precisa agradecer ao Senhor” (“You don’t need no ticket/You just thank the Lord”), mas a interpretação das igrejas, ironicamente, tornou a letra menos cristã e mais universal: “Todo mundo quer liberdade/Isso eu sei”. (“Everybody wants freedom/This I know.”).

Outras versões No mesmo ano de lançamento da canção, em 1965, diversos artistas regravaram ou executaram ao vivo a canção e as homenagens continuaram nas décadas seguintes.

1960 The Chambers Brothers - álbum "People Get Ready" de 1965.Both Sides Now Publications - Vault Album Discography By Patrice Eyries, Mike Callahan, Randy Watts, and David Edwards, LP/SLP 9003 - People Get Ready - Chambers Brothers (1966) The Everly Brothers - álbum "Beat and soul" (1965). Bob Dylan regravou a canção pela primeira vez em 1967, durante as sessões que mais tarde ficaram conhecidas como The Basement Tapes. Mais tarde, em 1989, ela foi regravada para a trilha sonora de Flashback. Aretha Franklin - gravada no álbum Lady Soul de 1968. Dionne Warwick - no álbum Soulful (1969).

1970 Bob Marley - álbum Exodus (1977). Bob Dylan - versão ao vivo gravada em 1975 e que foi incluída no filme de 1978, Renaldo and Clara, dirigido por Dylan e em seu box set de 14 CDs, Bob Dylan – The Rolling Thunder Revue: The 1975 Live Recordings. Curt e Roland - álbum "People get ready" (1972).

1980 Jeff Beck e Rod Stewart - a versão apareceu no álbum Flash de Jeff Beck, de 1985. A música alcançou o 5º lugar na parada Billboard Mainstream Rock Songs nos EUA em 1985, alcançou também o 48º lugar na BillBoard Hot 100 em 1985 e o 23º lugar na Austrália.

1990 Ziggy Marley - gravou a canção no álbum "Fallen Is Babylon" (1997) e também durante o programa de David Letterman no mesmo ano. Larry Norman - álbum "Copper Wires, Solid Rock" (1998).

2000 The Blind Boys of Alabama - álbum "Higher Ground" (2002). Daniel Lima com Isabella Taviani. Take 6 - álbum "Beautiful World" (2002). Bruce Springsteen cantou ao vivo a canção por centenas de vezes, sendo uma delas com a banda U2, em 2005. Paul McCartney - em 2006, no álbum "Chaos And Creation In The Backyard" foi gravada a canção chamada "Anyway" que muitos especialistas dizem que é uma versão de People Get Ready. Kevin Max - álbum "The Blood" (2007). Oficina G3 - álbum "Depois da Guerra" de 2008. Seal - gravou a canção no álbum "Soul" (2008).

2010

Phil Collins - álbum "Hello, I Must Be Going!" (Deluxe Edition, 2016). Ed Motta com a banda Blues Etílicos no álbum "Salamandra" (2017).

Mais versões foram gravadas ou executadas ao vivo por: The Doors, Alicia Keys; Dusty Springfield e Al Green.

Ver também

We Shall Overcome - canção gospel fortemente associada ao movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Movimento dos direitos civis (1896-1954) Movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos The Gospel Train - canção afro-americano tradicional publicada pela primeira vez em 1872.

Ligações externas

Curtis Mayfield no Rock Hall of Fame

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