A complexidade especificada é um argumento proposto por William Dembski e usado por ele e outros para promover a pseudociência do design inteligente. De acordo com Dembski, o conceito tem a intenção de formalizar uma propriedade que destaque padrões que sejam tanto específicos quanto complexos. Dembski defende que a complexidade especificada é uma ferramenta confiável para identificar sinais de design realizado por um designer inteligente, um princípio central do design inteligente que Dembski defende em oposição à teoria da evolução moderna. O conceito de complexidade especificada é amplamente considerado matematicamente frágil e até hoje não foi utilizado como base para trabalhos independentes posteriores, seja nas áreas da teoria da informação, teoria da complexidade, ou na biologia.Rich Baldwin, (2005). Information Theory and CreationismMark Perakh, (2005). Dembski "displaces Darwinism" mathematically -- or does he?Jason Rosenhouse, (2001). How Anti-Evolutionists Abuse Mathematics The Mathematical Intelligencer, Vol. 23, No. 4, Fall 2001, pp. 3-8. A complexidade especificada é um dos dois principais argumentos utilizados pelos defensores do design inteligente, sendo o outro a complexidade irredutível.
De acordo com a terminologia de Dembski, um padrão especificado é um que admite descrições curtas, e um padrão complexo é um que seja muito improvável de ocorrer ao acaso. Dembski argumenta que é impossível que a complexidade especificada exista em padrões desenvolvidos por configurações formadas somente por processos não guiados. Portanto, afirma Dembski, o fato de que padrões de complexidade especificada possam ser encontrados em seres vivos indica algum tipo de orientação em sua formação, e consequentemente um indicativo de inteligência. Dembski também argumenta que se pode rigorosamente demonstrar, aplicando-se os teoremas "não existe almoço grátis" a incapacidade dos algoritmos evolutivos em selecionar ou gerar configurações de grande complexidade especificada.
Na literatura do design inteligente, um agente inteligente é um que escolhe entre possibilidades diferentes e que, por meios e métodos sobrenaturais, causou o surgimento da vida."nenhum agente inteligente que seja estritamente físico poderia ter presidido a origem do universo ou a origem da vida." - Dembski The Act of Creation: Bridging Transcendence and Immanence Dembski também disse que "o design inteligente deveria ser entendido como a evidência que Deus colocou na natureza para mostrar que o mundo físico é o produto de uma inteligência e não simplesmente o resultado de forças materiais desprovidas de mente" Why President Bush Got It Right about Intelligent Design William Dembski DesignInference.com, 4 de agosto de 2005. Dembski também disse que "O design inteligente é apenas a teologia do Logos do Evangelho de João parafraseado na linguagem da teoria da informação." Signs of Intelligence A Primer on the Discernment of Intelligent Design. William Dembski. Touchstone Journal, Volume 12, Issue 4, July/August 1999. A complexidade especificada é o que Dembski define como um "filtro explanatório" que pode reconhecer design ao detectar informações complexas especificadas (ICE). O filtro é baseado na premissa de que as categorias de regularidade, acaso, e design são, de acordo com Dembski, "mutuamente exclusivas e exaustivas". A informação complexa especificada detecta design porque ela detecta o que caracteriza uma atividade inteligente; ela detecta a realização de uma entre várias possibilidades concorrentes.
Um estudo realizado por Wesley Elsberry e Jeffrey Shallit afirma que "o trabalho de Dembski é cheio de inconsistências, equivocações, uso falho da matemática, fraca qualidade acadêmica, e interpretações equivocadas dos resultados de outros".Wesley Elsberry e Jeffrey Shallit, (2003). Information Theory, Evolutionary Computation, and Dembski’s “Complex Specified Information” Outra objeção menciona os cálculos de probabilidade de Dembski. De acordo com Martin Nowak, um professor de matemática e biologia evolutiva da universidade de Harvard. "Nós não podemos calcular a probabilidade do surgimento do olho. Nós não possuímos a informação para fazer os cálculos".Martin Nowak (2005). Time Magazine, 15 August 2005, page 32Martin Nowak (2005). Time Magazine, 15 August 2005, page 32Críticos também rejeitam a aplicação da complexidade especificada para inferir design como um argumento da ignorância.
Definição Emprego original do termo por Orgel O termo "complexidade especificada" foi cunhado originalmente pelo pesquisador da origem da vida Leslie Orgel para denotar o que distingue as coisas vivas das não vivas:
O termo foi posteriormente empregado pelo físico Paul Davies de maneira similar:
A definição de Dembski
Para Dembski, a complexidade especificada é uma propriedade que pode ser observada nas coisas vivas. Porém, enquanto Orgel usou o termo para se referir a características biológicas que na ciência se considera que tenham surgido através de um processo de evolução, Dembski diz que ela descreve características que não podem se formar através de evolução "não guiada" — e conclui que isso permite inferir design inteligente. Enquanto Orgel empregou o conceito de maneira qualitativa, o uso de Dembski pretende ser quantitativo. O uso do conceito por Dembski remonta à sua monografia de 1998 intitulada The Design Inference. A complexidade especificada é fundamental à sua abordagem do design inteligente, e cada um de seus livros subsequentes também tratou substancialmente do assunto. Ele declarou que, em sua opinião, "se houver uma maneira de detectar design, complexidade especificada é ela."William A. Dembski (2002). No Free Lunch, p. 19.
Dembski afirma que a complexidade especificada está presente em uma configuração quando ela pode ser descrita por um padrão que apresenta uma grande quantidade de informação independentemente especificada e que também é complexa, o que ele define como tendo uma baixa probabilidade de ocorrência. Ele fornece os seguintes exemplos para demonstrar o conceito: "Uma única letra do alfabeto é especificada sem ser complexa. Uma longa frase de letras aleatórias é complexa sem ser especificada. Um soneto de Shakespeare é simultaneamente complexo e especificado."William A. Dembski (1999). Intelligent Design, p. 47.
Em seus artigos anteriores Dembski definiu informação complexa especificada (ICE) como estando presente em um evento especificado cuja probabilidade não excedesse 1 em 10150, o que ele chama de limite probabilístico universal. Nesse contexto, "especificado" significava o que em trabalhos posteriores ele chamou de "pré-especificado", isto é, especificado antes que qualquer informação sobre o resultado seja conhecida. O valor do limite probabilístico universal corresponde ao inverso do limite superior do "número total de eventos especificados [possíveis] ao longo de toda a história cósmica", tal como calculado por Dembski.William A. Dembski (2004). The Design Revolution: Answering the Toughest Questions About Intelligent Design]], p. 85. Qualquer coisa abaixo desse limite tem ICE. Os termos "complexidade especificada" e "informação complexa especificada" são empregadas indiferentemente. Em artigos mais recentes Dembski redefiniu o limite probabilístico universal com referência a outro número, correspondente ao número total de operações de bits que possivelmente foram executadas por toda a história do universo.
Dembski afirma que a ICE existe em numerosas características das coisas vivas, tais como o DNA e outras moléculas biológicas fundamentais, e argumenta que ela não pode ser gerada somente pelos mecanismos naturais conhecidos das leis físicas e do acaso, ou por sua combinação. Ele argumenta que isto ocorre porque as leis só podem deslocar ou perder informação, mas não produzi-la, e o acaso pode produzir informação não especificada complexa ou informação especificada simples, mas não ICE; ele fornece uma análise matemática que ele alega demonstrar que as leis e o acaso trabalhando juntos tampouco podem gerar ICE. Além disso, ele alega que a ICE é holística, com o todo sendo maior que a soma das partes, e que isto decisivamente elimina a evolução darwiniana como um meio possível de sua criação. Dembski defende que pelo processo de eliminação, a ICE é melhor explicada como sendo devida a uma inteligência, e é portanto um indicativo confiável de design.
Lei da conservação da informação Dembski formula e propõe uma lei da conservação da informação nos seguintes termos: Esta forte alegação proibitiva, de que as causas naturais só podem transmitir ICE mas nunca originá-la, eu chamarei de Lei da Conservação da Informação.
Corolários imediatos da lei proposta são os seguintes: A complexidade especificada de um sistema fechado de causas naturais permanece constante ou diminui. A complexidade especificada não pode ser gerada espontaneamente, originar-se endogenamente ou auto-organizar-se (tal como estes termos são usados na pesquisa sobre a origem da vida). A complexidade especificada em um sistema fechado de causas naturais ou esteve no sistema eternamente ou em algum ponto foi adicionada exogenamente (implicando que o sistema, embora agora fechado, não esteve sempre fechado). Em particular, qualquer sistema fechado de causas naturais que também seja de duração finita recebeu qualquer complexidade especificada que ele contenha antes de se tornar um sistema fechado.William A. Dembski (1998) Intelligent Design as a Theory of Information.
Dembski nota que o termo "Lei da Conservação da Informação" foi previamente empregado por Peter Medawar em seu livro The Limits of Science (1984) "para descrever a alegação mais fraca de que leis determinísticas não podem produzir nova informação." "Searching Large Spaces: Displacement and the No Free Lunch Regress (356k PDF)", pp. 15-16, descrevendo um argumento feito por Michael Shermer em How We Believe: Science, Skepticism, and the Search for God, 2nd ed. (2003). A validade e utilidade reais da lei proposta por Dembski são incertas; ela nem é usada amplamente pela comunidade científica nem é citada na literatura científica convencional. Um ensaio de Erik Tellgren forneceu uma refutação à lei de Dembski e conclui que ela é "matematicamente infundada".On Dembski's law of conservation of information Erik Tellgren. talkreason.org, 2002. (PDF file)
Especificidade
Em um artigo mais recenteWilliam A. Dembski (2005). Specification: The Pattern that Signifies intelligence, Dembski fornece uma explicação que ele alega ser mais simples e estar em maior conformidade com a teoria do teste estatístico de hipóteses tal como formulada por Ronald Fisher. Em termos gerais, Dembski propõe enxergar a inferência do design como um teste estatístico para rejeitar uma hipótese aleatória P em um espaço de resultados Ω.
O teste proposto por Dembski se baseia na Complexidade de Kolmogorov de um padrão T que é exibido por um evento E que ocorreu. Matematicamente, E é um subconjunto de Ω, o padrão T especifica um conjunto de resultados em Ω e E é um subconjunto de T. Citando Dembski(loc. cit. p 16)
A complexidade de Kolmogorov fornece uma medida dos recursos computacionais requeridos para especificar um padrão (tal como uma sequência de DNA ou uma sequência de caracteres alfabéticos).Michael Sipser (1997). Introduction to the Theory of Computation, PWS Publishing Company. Dado um padrão T, o número de outros padrões que podem ter complexidade Kolmogorov não maior do que a de T é denotado por φ(T). O número φ(T) assim fornece uma graduação de padrões do mais simples ao mais complexo. Por exemplo, para um padrão T que descreve o flagelo bacteriano, Dembski alega obter o limite superior φ(T) ≤ 1020.
Dembski define a complexidade especificada do padrão T sob a hipótese aleatória P como