A metodologia dos rácios é a técnica mais utilizada pela análise financeira, e consiste em estabelecer relações, ou rácios, entre contas e agrupamentos de contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. Estas relações são um instrumento de apoio para sintetizar uma quantidade abundante de dados e comparar o desempenho económico e financeiro das empresas e a sua evolução no tempo.
O conceito de rácio pode afirmar-se como sendo uma relação existente entre duas grandezas que pode ser expressa, quer sob a forma de quociente, quer sob a forma de percentagem.JC Neves.Análise Financeira-Métodos e Técnicas
A aplicação do métodos dos rácios às empresas para apreciação da sua situação económica e financeira permite salientar correlações importantes existentes entre os dados contabilísticos e que nem sempre são apercebidos através do exame dos respectivos valores absolutos. Os rácios são, assim, um valioso instrumento de apoio para sintetizar os dados e avaliar o desempenho económico-financeiro das empresas, já que permitem acompanhar a sua evolução ao longo de vários anos e proceder a comparações entre empresas do mesmo sector de actividade ou sócio-profissional.
Convém, todavia, chamar a atenção para o facto de o cálculo dos rácios só ter significado após a realização de trabalhos preliminares de preparação e correcção dos elementos contabilísticos da empresa. Por outro lado, a análise de uma empresa não se deve limitar ao exame da sua situação de momento se se quiser emitir um juízo de valor completo sobre a situação da mesma.
Assim, a utilização deste método só terá sentido se os elementos contabilísticos disponíveis permitirem o seu cálculo em períodos sucessivos de actividades da empresa (normalmente, entre três e cinco anos), devendo utilizar-se sempre os mesmos critérios, quer na preparação e correcção de contas, quer no respectivo conteúdo e critérios valorimétricos.
Tipos de rácios
Podem construir-se inúmeros rácios, mas a sua utilização vai depender dos objectivos de análise. No estudo que ora se desenvolve irão distinguir-se dois tipos de rácios: Rácios financeiros: são aqueles que se relacionam exclusivamente com aspectos financeiros, tais como, a estrutura financeira, a capacidade de endividamento, a solvabilidade, etc. Rácios económicos: são aqueles que relevam aspectos de situação económica, como a estrutura de custos, a estrutura de proveitos, as margens, a capacidade de gerar excedentes, etc.
Sendo que outros tipos de rácios podem ser ponderados, como sejam: Rácios económico-financeiros, que permitem apreender os aspectos económico-financeiros, como sejam, a rendibilidade dos capitais, as rotações dos elementos do activo, etc. Rácios de funcionamento, que explicam os impactos financeiros da gestão ao nível do ciclo de exploração. São os rácios dos prazos médios de recebimento e de pagamento, de duração média de existências, etc. Rácios técnicos, que procuram relevar aspectos relacionados com a produção e a actividade em geral e se expressam normalmente em unidades físicas ou comparando unidades económico-financeiras com unidades físicas. Exemplos: Rendimento do equipamento, produtividade da mão-de-obra, etc. Principais Indicadores Economicos-Financeiro
• Indicadores de Liquidez • Liquidez Geral • Liquidez Corrente • Liquidez Seca • Liquidez Imediata • Indicadores de Rentabilidade • Giro do Activo • Margem Líquida • Rentabilidade do Activo • Rentabilidade do Património Líquido • Indicadores de Actividade e Gestão • Prazo Médio de Recebimentos • Prazo Médio de Pagamentos • Duração Média dos Inventários • Rotação de Inventários • Previsão de Falência
Limitações
A análise financeira através de rácios só tem sentido se tiver alguma base de comparação. A forma mais corrente é a comparação com o histórico, concluindo-se se a evolução tem sido favorável ou desfavorável. Outra forma é a comparação com empresas do mesmo sector ao nível do desempenho operacional e financeiro, ou com médias sectoriais. O ideal é não ter um único termo de comparação. Os analistas financeiros procuram diversificar as fontes de informação, enriquecendo assim a análise.
No entanto, a técnica dos rácios como instrumento de análise financeira tem algumas limitações, devendo ser usada com prudência, sob pena de se tirarem conclusões com pouco significado ou mesmo incorrectas. Referem-se algumas dessas limitações:
Não existe uma definição normalizada de cada rácio, quer a nível nacional, quer a nível internacional. Assim, pode-se calcular um mesmo rácio para a mesma empresa com valores diferentes, tudo dependendo das reclassificações e da forma como se constrói o rácio; A contabilidade é feita aos custos históricos, pelo que a inflação afecta diferentemente as empresas. Por outro lado, a comparação entre diferentes períodos é também afectada; Os rácios devem ser analisados no seu contexto. O apuramento de um valor para um rácio individualizado não permite retirar, só por si, qualquer conclusão. O seu valor depende do estado da economia, da actividade em que a empresa se insere, etc; Só tratam dados quantitativos e não têm em consideração factores qualitativos, como sejam, a qualidade dos gestores, a motivação ou a capacidade técnica dos quadros; Decisões de curto prazo podem afectar os mapas de prestação de contas e os respectivos rácios (vg., venda intempestiva das existências à data do balanço); A comparação de rácios com empresas do mesmo sector ou com médias pode ser falseada pelas diferenças das práticas contabilísticas das empresas. Realmente, apesar de existir a normalização contabilística, existem algumas liberdades em termos de critérios de amortizações, provisões, valorimetria das existências, etc; Os rácios analisados em dados publicados e a sua respeciva comparação com a empresa, deverão ser acompanhados do conhecimento do seu passado. Um analista, quando interessado no futuro, deve tirar conclusões que se baseiem no passado e reflectem na situação presente ou futura, por isso, deverá procurar obter os dados de plano da respectiva empresa.
Ligações externas Método dos Rácios
Categoria:Estatística Categoria:Finanças