Atitude designa em psicologia a disposição ligada ao juízo de determinados objetos da percepção ou da imaginação - ou seja, a tendência de uma pessoa de julgar tais objetos como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis. A atitude se diferencia da postura pelo maior grau de concretude dos objetos a que se refere - assim, o limite entre esses dois construtos não é claro. Como no caso das posturas, há grande dificuldade na busca de uma classificação abrangente de todas as atitudes possíveis, pois os objetos a que uma atitude se pode referir são muito heterogêneos e concretos.Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer.

Atitude foi objeto de estudo sobretudo da psicologia social e em suas subdisciplinas mais aplicadas: na psicologia política (ex. atitude em relação a determinados programas e partidos políticos), na psicologia da propaganda (atitudes em relação a produtos) e na psicologia da saúde (atitude com relação a comportamentos ligados à saúde - como fumar ou beber). A psicologia experimental dedicou-se sobretudo à pesquisa de um tipo especial de atitudes ligadas a grupos de pessoas: o preconceito.

Definições

Psicologia social

A atitude é uma avaliação de um objeto que pode variar do extremamente negativo ao extremamente positivo, mas também admite que as pessoas podem estar em conflito ou ambivalentes em relação ao significado de um objeto que elas podem em momentos diferentes expressar tanto atitude positiva quanto negativa para o mesmo objeto. Isto levou a uma discussão sobre se o indivíduo pode ter várias atitudes em relação ao mesmo objeto.

Uma atitude pode ser como uma avaliação positiva ou negativa de pessoas, objetos, eventos, atividades e ideais. Ela pode ser concreta, abstrata ou apenas sobre qualquer coisa em seu ambiente, mas há um debate sobre definições mais precisas. Eagly e Chai ken, por exemplo, definem uma atitude como "uma tendência psicológica que se expressa por meio da avaliação de uma entidade particular com algum grau de favor ou desfavor".Eagly, Alice H., and Shelly Chaiken. 1998. “Attitude, Structure and Function.” In Handbook of Social Psychology, ed. D.T. Gilbert, Susan T. Fisk, and G. Lindsey, 269–322. New York: McGowan-Hill. Embora às vezes seja comum definir uma atitude como ações em direção a um objeto, a ação é geralmente entendida como sendo distinta da atitude e como uma medida de favorecimento.Ajzen, Icek. 2001. “Nature and Operation of Attitudes.” Annual Review of Psychology 52: 27–58. As atitudes podem influenciar a atenção para objetos de atitude, o uso de categorias para a codificação de informação e a interpretação, julgamento e gravação de informações relevantes sobre as atitudes.Vogel, T., Bohner, G., & Wanke, M. (2014). Attitudes and attitude change. Psychology Press. Estas influências tendem a ser mais poderosas para atitudes fortes, que são de fácil acesso e com base em uma estrutura elaborada de conhecimento. As atitudes podem orientar a atenção e codificação automaticamente, mesmo se o indivíduo estiver perseguindo outros objetivos.

Definição de Jung

Atitude é uma das 57 definições de Jung no Capítulo XI do livro "Tipos Psicológicos". Jung define a atitude como uma "disponibilidade da psique para agir ou reagir de uma determinada maneira ".Main, R. (2004). The rupture of time: Synchronicity and Jung's critique of modern western culture. Routledge. As atitudes muitas vezes vêm em pares, uma consciente e outra inconsciente. Dentro dessa definição ampla, Jung define várias atitudes.

As principais (mas não únicas) dualidades das atitudes que Jung define são as seguintes.

As conscientes e as inconscientes. A "presença de duas atitudes é extremamente frequente, uma consciente e outra inconsciente. Isto significa que a consciência tem uma constelação de conteúdos diferentes daqueles do inconsciente, uma dualidade particularmente evidente na neurose". Extroversão e introversão. Este par é tão fundamental para a teoria de tipos de Jung que ele chamou-lhes de "atitudes-tipos". Atitudes racionais e irracionais. "Eu concebo a razão como uma atitude". A atitude racional subdivide-se nas funções psicológicas pensamento e sentimento, cada uma com sua atitude. A atitude irracional subdivide-se entre as funções psicológicas sensibilidade e intuição, cada uma com sua atitude. "Há, portanto, um pensamento típico, sentimentos, sensações e atitudes intuitivas". Atitudes individuais e sociais. Muitos destes últimos são "ismos".

Além disso, Jung discute a atitude abstrata. "Quando eu tomar uma atitude abstrata ...". Abstração é contrastada com o criacionismo. "Criacionismo. Com isto quero dizer uma peculiaridade de pensar e sentir que é a antítese da abstração". Por exemplo: "Eu odeio a sua atitude de ser sarcástico".

Formação de Atitudes De acordo com Doob (1947), a maioria das atitudes que temos devem são aprendidas, não inatas. O estudo da formação de atitudes é o estudo de como as pessoas avaliam outras pessoas, lugares ou coisas. As teorias do condicionamento clássico, condicionamento operante/instrumental e de aprendizagem social explicariam a maneira na qual formamos atitudes. Ao contrário da personalidade, espera-se que as atitudes se modifiquem facilmente em função da experiência.

Ademais, a frequência de exposição que uma pessoa tem em relação a determinado objeto pode ter um efeito na formação atitudinal daquela pessoa em relação àquele determinado objeto. Esse efeito é conhecido como "Efeito da Mera Exposição", e foi descoberto por Robert Zajonc. Zajonc demonstrou que havia mais chance de pessoas avaliarem determinado objeto atitudinal como positivo quando elas eram expostas a esse objeto frequentemente. A mera exposição repetitiva de um indivíduo a determinado estímulo é uma condição suficiente para o aumento positivo de sua atitude em direção àquele objeto. Tesser (1993), no entanto, argumentou que variáveis hereditárias podem ter efeito sobre as atitudes - mas acredita que apenas indiretamente. Estudos com gêmeos geralmente são utilizados para determinar se algum traço tem base genética ou algum tipo de hereditariedade. Teorias de consistência psicológica por exemplo implicam que devemos ter uma coerência interna e externa entre nossas crenças e valores. O exemplo mais famoso e divisor de águas desse tipo de teoria é a teoria da dissonância cognitiva, de Leon Festinger. A teoria explica que quando determinados componentes de uma atitude (tais como crenças e comportamento) estão em conflito um com o outro, o indivíduo ajusta um comportamento com uma crença, ou vice-versa, para diminuir a inquietude causada pela disparidade, como mudar um comportamento para justificar uma crença, ou mudar uma crença para justificar um comportamento.

Pode-se exemplificar mudanças de atitudes ou ambivalência atitudinal entre uma pessoa e um objeto atitudinal, um indivíduo pode sentir desejo de parar de fumar por que é cientificamente considerado prejudicial à saúde; para diminuir a tensão ele pode dar inúmeras justificativas para continuar fumando, dizendo: "Conheço uma pessoa que fumou a vida inteira e nunca morreu por isso"; ou "As pessoas exageram os efeitos do tabagismo"; ou até mesmo; "Hitler foi o primeiro antitabagista do mundo, logo essa coisa de que o cigarro faz mal é conspiração... índios vivem fumando tabaco e são saudáveis"; ou até mesmo dar justificativas amenizadoras como "Vou compensar o fumo caminhando a partir de amanhã". Todas essas justificativas ou mudanças de crenças serviram para diminuir a dissonância cognitiva e a tensão causada entre uma crença e outra (Fumar faz mal vs Fumar é bom), e um comportamento contrastante (Preciso fumar agora vs Fumar faz mal).

Outra teoria é a teoria do equilíbrio de Fritz Heider, e a teoria da autopercepção, proposta originalmente por Daryl Bem.

Mensuração de Atitudes Muitas medidas e escalas são usadas para analisar as atitudes. Atitudes podem ser difíceis de medir pois mensurar é arbitrário, ou seja, as pessoas têm de dar às atitudes uma escala contra a qual medi-la, e atitudes são em última análise construções hipotéticas que não podem ser observadas diretamente.

Seguindo a dicotomia explícito-implícito, atitudes podem ser examinadas através de mensurações diretas e indiretas.

Se as atitudes são explícitas (isto é, tomadas deliberadamente) ou implícita (ou seja, inconscientes) tem sido um tema de considerável pesquisa. As pesquisas sobre atitudes implícitas usam métodos sofisticados que envolvem os tempos de resposta das pessoas a estímulos para mostrar que atitudes implícitas existem (talvez em conjunto com as atitudes explícitas do mesmo objeto). Atitudes implícitas e explícitas parecem afetar o comportamento das pessoas, embora de maneiras diferentes. Elas tendem a não ser fortemente associadas umas às outras, embora em alguns casos elas sejam. A relação entre atitudes implícitas e explícitas é mal compreendida.

Atitudes Explícitas

Atitudes medidas como explícitas tendem a confiar em autorrelatos ou comportamentos facilmente observáveis. Estes comportamentos tendem a envolver escalas bipolares (por exemplo, bom-mau, favorável-desfavorável, concordância-oposição, etc.).Olson, James M., Zanna, Mark P. (1993). Attitudes and Attitude Change. Annual Review of Psychology, 44:117-54. Mensurações explícitas também podem ser realizadas medindo-se a atribuição direta de características para nomear grupos. Atitudes explícitas que ocorrem em resposta a informações recentes, avaliações automáticas que foram pensadas para refletir associações mentais formadas através das primeiras experiências de socialização. Uma vez formadas, estas associações são altamente robustas e resistentes a alterações, bem como estáveis ao longo do tempo e do contexto. Por isso, o impacto das influências contextuais foi assumida como o que ofusca a "verdadeira" e duradoura disposição avaliativa de uma pessoa, bem como limita a capacidade de prever o comportamento subsequente.Buhrmester, Michael D., Hart Blanton, and William B. Swann Jr. "Implicit self-esteem: nature, measurement, and a new way forward." Journal of personality and social psychology 100.2 (2011): 365. Escalas Likert e outros autorrelatos também são comumente usados.

Atitudes Implícitas