As relações entre Argentina e Brasil são tanto estreitas como históricas e abrangem todas as dimensões possíveis: economia, comércio, educação, cultura, turismo, defesa, ciência e tecnologia, entre outras. De guerra e rivalidade à amizade e aliança, esta complexa relação se estende por mais de dois séculos. Os dois países combinados representam 63% da área total da América do Sul, 60% de sua população e 61% de seu PIB.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e esta é o terceiro maior parceiro comercial do BrasilTransações comerciais entre Brasil e Argentina recuaram em janeiro e também considerada seu principal parceiro político.expectativa na reunião de Cristina e Rousseff A oficialização da aliança estratégica Brasil-Argentina foi firmada pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem em abril de 1997.

História thumb|A batalha de Juncal, durante a Guerra da Cisplatina. thumb|Desenhos alegóricos de 1890 representando a amizade entre a República Argentina e a recém-formada República Brasileira.

Após conseguirem a independência do Império Espanhol e do Império Português no início do século XIX, respectivamente, a Argentina e o Brasil herdaram uma série de disputas territoriais não resolvidas de suas potências coloniais. A violação mais grave na relação foi a Guerra da Cisplatina (1825-1828), liderada pela invasão brasileira e anexação da Banda Oriental. Apesar dos numerosos períodos de hostilidade mútua, a relação argentino-brasileira não foi definida pela hostilidade aberta na maior parte dos séculos XIX e XX. Houve uma competição em muitos níveis, e suas respectivas políticas de defesa refletiram desconfiança mútua, mas a sua relação bilateral não foi contraditória.

Século XX Na década de 1970, a rivalidade Brasil-Argentina esteve relacionada aos projetos hidrelétricos da bacia do Paraná, com alegações sobre a suposta incompatibilidade dos projetos de Itaipu e Corpus, bem como à competição dos projetos nucleares nacionais dos dois países. Em 1976, com o golpe militar na Argentina, houve certa aproximação como governo Geisel.CANDEAS, Alessandro Warley. Relações Brasil-Argentina: uma análise dos avanços e recuos. Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília, v. 48, n. 1, p. 178-213, 2005. Firmado em 19 de outubro de 1979, o Acordo Tripartite Brasil-Argentina-Paraguai - Acordo de Aproveitamento Hidrelétrico de Itaipu e Corpus, que trata do aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde o município de Sete Quedas (MS) até a foz do Rio da Prata - pôs fim à crise Itaipu-Corpus.VAZ, Alcides Costa, Cooperação, integração e processo negociador: a construção do Mercosul. Brasília: IBRI, 2002.

Em 1980, Brasil e Argentina firmaram um Acordo de Cooperação para o desenvolvimento e a aplicação dos usos pacíficos da energia nuclear. Esse fato daria início a uma maior aproximação entre os dois países na temática nuclear, o que levaria, em 1991, à criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares. Em 1985, os governos civis de Sarney e Alfonsín firmaram a Declaração do Iguaçu, com o propósito de aprofundas as relações econômicas e comerciais entre os dois países. Além disso, outro acordo nuclear aprofundou o anterior.

Com a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, em 1991, os dois países voltaram a sua concorrência em cooperação nuclear por meio da confiança mútua. Ainda em 1991, foi assinado um acordo de salvaguardas, o Acordo Quadripartite entre a ABACC, o Brasil, a Argentina e a Agência Internacional de Energia AtômicaBrasil e Argentina comemoram 20 anos de acordo nuclear. O Acordo Quadripartite entrou em vigor em 1994 e foi reconhecido pelo Grupo de Fornecedores Nucleares como alternativa válida para o Protocolo Adicional ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.Página da ABACC

Guerra das Malvinas

Três anos depois de reivindicar, no âmbito da Operação Soberanía, as ilhas Picton, Lennox e Nueva, a Argentina invadiu as Ilhas Falkland () em abril de 1982, em uma breve mas importante guerra com o Reino Unido. O Brasil apoiou a reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas:

Em 3 de junho de 1982, caças Northrop F-5E Tiger II da Força Aérea Brasileira interceptaram um bombardeiro estratégico Avro Vulcan da Força Aérea Real em rota para a Ilha de Ascensão depois de bombardear posições argentinas nas ilhas Malvinas. O avião foi obrigado a pousar no Base Aérea do Galeão no Rio de Janeiro, onde a tripulação e a aeronave foram apreendidos. Depois de negociações diplomáticas com o Reino Unido, a aeronave e tripulação foram liberados em 11 de junho. No entanto, os mísseis AIM-9 Sidewinder e AGM-45 Shrike a bordo da aeronave foram confiscados pelas autoridades brasileiras.F-5 Tiger II IBGE.gov.br. Retrieved on 2010-11-20 .Um Vulcan inglês apanhado na rede do Cindacta Veja: June 09, 1982. Acessado em 20 de novembro de 2011. .

O Brasil manteve-se, oficialmente, neutro no conflito. De acordo com o historiador e cientista político Moniz Bandeira, entretanto, essa neutralidade foi imperfeitaBANDEIRA, Moniz. O Eixo Argentina-Brasil. Brasília, Ed. UnB, 1987. O Brasil reconhece a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas desde 1833, ano da terceira invasão inglesa às ilhas. Quando o governo imperial brasileiro foi informado pela Argentina da ocupação das ilhas pelo governo britânico pelo uso da força, o Brasil instruiu seu ministro plenipotenciário em Londres a apoiar um protesto junto à corte de Saint James. Em 1982, o Brasil, honrando sua tradição pacífica, demonstrou não concordar com o recurso ao uso da força como ferramenta de solução de conflitos.Brasil era a favor do direito da Argentina, mas contra a guerra

Além disso, em um contexto de crise econômica profunda, o governo brasileiro não poderia contrariar os interesses ingleses. O governo brasileiro adotou, então, uma neutralidade ambivalente, em uma postura pragmática. Moniz Bandeira, entretanto, argumenta que o Brasil adotou, na prática, posicionamento favorável à Argentina, ao ceder, sob a forma de leasing, dois aviões de patrulha EMB-111 da Embraer, estacionados na base aérea de Santa Catarina, ao governo argentino. O Brasil também vendeu obuzeiros e peças de fuzil à Argentina.

Século XXI thumb|Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, 10 de março de 2004. thumb|As presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, 12 de janeiro de 2011.

O governo do presidente Néstor Kirchner colocou o Brasil como uma prioridade da política externa e as relações com os brasileiros eram consideradas estratégicas,A Política Internacional, a Conjuntura Econômica e a Argentina de Néstor Kirchner Vadell, Javier Alberto. Revista Brasileira de Política Internacional. p. 204-211. Acessado em 4 de fevereiro de 2015. o que foi recebido com reciprocidade no Brasil, quando Lula da Silva colocou a Argentina como a principal prioridade de sua política externa. Deve-se ressaltar, que a primeira visita ao exterior de Lula da Silva, como presidente eleito, foi para a Argentina em dezembro de 2002.A Cooperação Brasil-Argentina na área militar: da autonomia das Forças Armadas às relações estratégicas (1978-2009) Moraes, Rodrigo Fracalossi. UFRS. Acessado em 4 de fevereiro de 2015. Do ponto de vista brasileiro, apenas com esta aliança estratégica seria possível transformar a América do Sul em uma potência mundial, um dos objetivos da política externa de Lula.A política exterior: de Cardoso a Lula Cervo, Amado Luiz. Revista Brasileira de Política Internacional. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.

Desde 2003, Argentina e Brasil têm coordenado suas posições nos fóruns multilaterais, como pode ser visto pela sua participação conjunta nas negociações agrícolas na reunião da OMC em Cancún, México, a sua posição conjunta no que diz respeito à criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e sua articulação no G20 pela reforma do sistema financeiro internacional. A criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), em 2008, foi um marco nas novas políticas externas de ambos os países. Em outro sinal de confiança mútua, desde 2003, os diplomatas dos dois países ocupam um único assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, quando qualquer um deles ocupar um assento não-permanente.El vecino como oportunidad Secretaría de Relaciones Exteriores. Acessado em 30 de novembro de 2010. .

Na área econômica, a Argentina e o Brasil deixou o dólar norte-americano e começou a usar suas próprias moedas em todas as transações comerciais bilaterais em 2008.Argentina, Brazil to drop U.S. dollar in bilateral commercial transactions Xinhua. Acessado em 30 de novembro de 2010.

Em 6 de setembro de 2008, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, viajou ao Brasil para consolidar as relações entre os dois países. Ela era a convidada de honra nas comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro de 2008, e testemunhou o desfile militar em Brasília. No dia seguinte, ela manteve discussões com o presidente Lula em uma variedade de questões bilaterais, incluindo a energia, defesa e cooperação em energia nuclear.Argentina, Brazil consolidate relations G15. Acessado em 17 de janeiro de 2008.Brazil and Argentina's Nuclear Cooperation NPS Global. Acessado em 23 de junho de 2009.

Em 28 outubro de 2010 o presidente Lula da Silva viajou para Buenos Aires para dar suas condolências pela morte de Néstor Kirchner.Lula: 'Kirchner was able to pull Argentina out of the pit it was in' Buenos Aires Herald. Acessado em 23 de junho de 2009. O governo brasileiro declarou três dias de luto nacional.Lula decreta luto de três dias e diz que Kirchner era 'fraternal amigo' Estadão. Acessado em 23 de junho de 2009. .

A presidente Dilma Rousseff escolheu a Argentina como a primeira viagem internacional de sua presidência, em uma demonstração das relações "especiais e estratégicas" entre os dois países.Rousseff to make first foreign visit in Argentina Channel News Asia. Acessado em 23 de junho de 2009. Durante a sua visita de Estado à Buenos Aires, em 31 de janeiro de 2011, Dilma afirmou que "não foi uma decisão casual escolher a Argentina como o meu primeiro destino estrangeiro" e elogiou a país vizinho como um "aliado estratégico" do Brasil.'I'm here to make our relationship stronger than ever,' Rousseff Buenos Aires Herald. Acessado em 30 de novembro de 2010. "O governo brasileiro assume, mais uma vez, um verdadeiro compromisso com o governo argentino, bem como uma política conjunta destinada a promover uma estratégia de desenvolvimento para a região", disse Rousseff em conversas com os jornais locais antes de chegar em Buenos Aires.Dilma Rousseff Makes First Trip Abroad As President to Argentina MercoPress. Acessado em 30 de novembro de 2010.

Em 2015, apesar do governo brasileiro ter apoiado a candidatura de Daniel Scioli nas eleições presidenciais argentinas, Dilma convidou o liberal Mauricio Macri, vencedor da eleição, para visitar o Brasil logo após a sua vitória. No encontro realizado em 4 de dezembro de 2015, 6 dias antes da posse presidencial, Macri e Dilma discutiram sobre relações bilaterais do Mercosul, e a situação política no Brasil, além da crise na Venezuela.

Deterioração das relações bilaterais