thumb|Mapa da distribuição aproximada das línguas faladas na Itália da Idade do Ferro durante o século VI a.C.. O falisco é a língua extinta falada pelos faliscos, povo que habitou a península Itálica durante o início da Antiguidade. Juntamente com o latim, forma o grupo das línguas latino-faliscas. Foi preservada até os dias de hoje na forma de 100 inscrições curtas, que datam dos séculos III e II a.C., e foram escritas numa variante do alfabeto itálico antigo, derivado do etrusco e escrito da direita para a esquerda, que já apresentava alguns traços da influência exercida pelo alfabeto latino.
Um exemplo do idioma aparece escrito em torno das bordas de uma pintura sobre uma pátera: "foied vino pipafo, cra carefo"; em latim: hodie vinum bibam, cras carebo, 'hoje beberei vinho; amanhã não terei'.Conway, R. S., Italic Dialects, p. 312, b Nele podem ser vistas algumas das características fonéticas do falisco, como:
Retenção do f medial, que no latim se tornou b; Representação do gh inicial do proto-indo-europeu por f (foied, em contraste ao latim hodie, "hoje"); Palatalização do d+ i consonântico (iod) num som expresso apenas pelo i- (o som central de foied, anteriormente fo-died; Perda do s final, ao menos diante de certos sons (cra, em contraste ao latim cras, "amanhã");
Outras características indicadas em outras inscrições são: Retenção das labiovelares (fal. cuando = latim quando; em contraste, o úmbrio pan(n)u;) Assimilação de certas consoantes finais ao som inicial da próxima palavra: "pretod de zenatuo sententiad",Conway, lib. cit. 321 em latim "praetor de senatus sententia" (zenatuo de senatuos'', um genitivo arcaico).Para maiores detalhes, ver Conway, ib. pp. 370 ff., especialmente pp. 384–385, onde a relação entre os nomes Falisci, Falerii ao herói local Heleso (Halaesus) (Ovídio, Fasti, iv. 73) é discutida, e onde são apresentados os motivos para acreditar que a mudança do f inicial (de um bh ou dh original) para um h inicial seria uma marca genuína do dialeto falisco.
Parece provável que o dialeto perdurou pelo menos até 150 a.C., embora tenha sido gradualmente influenciado pelo latim.
Além dos restos que foram descobertos em sepulturas, e que pertencem principalmente ao período da dominação etrusca, e que dão amplas evidências de refinamento e prosperidade material, os estratos anteriores produziram descobertas ainda mais primitivas do período itálico. Diversas inscrições que consistem apenas de nomes próprios podem ser vistos como etruscos, e não faliscos, e por este motivo foram desconsiderados no que diz respeito ao estudo do próprio falisco. É digno de menção a existência da cidade chamada Feronia na Sardenha, que provavelmente recebeu este nome em homenagem à deusa nativa dos colonos faliscos, dos quais encontrou-se uma inscrição votiva da igreja de Santa Maria di Falleri.Conway, ib. p. 335
O Museu Nacional Etrusco, de Roma, contém diversos artefatos faliscos.
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