A FIFA de 2013 foi a nona edição da competição de futebol realizada a cada quatro anos pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Foi realizada no Brasil entre 15 a 30 de junho e serviu como teste para realização da Copa do Mundo de 2014.
A competição contou com a participação de oito equipes: a campeã da Copa do Mundo de 2010, os campeões continentais, e o Brasil, país-sede, além da vice-campeã europeia, Itália, pois a campeã, Espanha, já obtivera a vaga por ser campeã do mundo. Das seleções participantes quatro eram campeãs mundiais: Brasil, Espanha, Itália e Uruguai.
O Brasil derrotou a Espanha na final por 3–0 e conquistou seu quarto título da Copa das Confederações, sendo o terceiro consecutivo, após vencer as edições de 1997, 2005 e 2009. Na disputa pelo terceiro lugar, a Itália bateu o Uruguai por 3–2 na disputa por pênaltis após empate por 2–2 no tempo normal.
Participantes
As oito seleções participantes incluiam o país-sede, o vencedor da Copa do Mundo FIFA de 2010, e todos os campeões continentais (o vice no caso da Europa). Cada uma das equipes tinham direito a convocar 23 jogadores, três dos quais goleiros, até 3 de junho de 2013.
SeleçãoConfederaçãoModo de qualificaçãoMelhor resultado anteriorCONMEBOLPaís-sede da Copa do Mundo de 201430 de outubro de 20077.ªCampeão (1997, 2005 e 2009)UEFACampeã da Copa do Mundo de 2010 e Eurocopa de 201211 de julho de 20102.ª3.º lugar (2009)AFCCampeão da Copa da Ásia de 201129 de janeiro de 20115.ªVice-campeão (2001)CONCACAFCampeão da Copa Ouro da CONCACAF de 201125 de junho de 20116.ªCampeão (1999)CONMEBOLCampeão da Copa América de 201124 de julho de 20112.ª4.º lugar (1997)OFCCampeão da Copa das Nações da OFC de 201210 de junho de 20121.ªEstreanteUEFAVice-campeã da Eurocopa de 201228 de junho de 20122.ªFase de grupos (2009)CAFCampeão do Campeonato Africano das Nações de 201310 de fevereiro de 20132.ª4.º lugar (1995) a. A Espanha, campeã da Eurocopa, já estava classificada como campeã da Copa do Mundo de 2010.
Preparativos Infraestrutura Como evento-teste da Copa do Mundo, as sedes da Copa das Confederações necessitavam da conclusão antecipada de projetos de infraestrutura planejadas para o evento de 2014. As seis sedes conseguiram acelerar a implantação de serviços de acessibilidade, sinalização e centros de turismo, mas as obras de mobilidade urbana e reformas de aeroportos ficaram em sua maioria para depois do evento. Apenas dois estádios, Mineirão e Castelão, terminaram suas reformas no prazo, com o mais atrasado sendo o Maracanã, entregue incompleto para a FIFA menos de um mês antes do início do torneio.
Marketing Dezenove empresas atuaram como parceiras oficiais do torneio. Além de multinacionais como Coca-Cola, Adidas, Sony e Visa, houve o apoio de companhias brasileiras como AB InBev - dona da cerveja americana Budweiser, patrocinadora da Copa, e a brasileira Brahma, parceira da seleção brasileira - e o Banco Itaú. Mesmo não sendo patrocinadora oficial, a montadora Fiat lançou o comercial "Vem pra Rua", dando início a uma campanha celebrando os eventos esportivos no Brasil.<ref name="Estadão">Scheller, Fernando. [http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,vem-pra-rua-agora-e-dos-brasileiros-diz-fiat,156875,0.htm '"Vem Pra Rua" agora é dos brasileiros, diz Fiat], Estado de S. Paulo (18 de Junho de 2013)</ref>
Venda de ingressos thumb|right|Ingresso do jogo de abertura em Brasília Um total de 477.441 mil ingressos foram direcionados pela FIFA para o público em geral, e um número similar foi reservado a patrocinadores e autoridades em geral. Com preços entre R$ 57 e R$ 418, os ingressos foram divididos em quatro categorias, sendo que a quarta, com a faixa mais barata, era exclusiva para brasileiros. A FIFA inicialmente tinha vetado a meia-entrada, mas após extensa pressão da União Nacional dos Estudantes reservou 50 mil ingressos pela metade do preço para estudantes, idosos e beneficiários do programa Bolsa Família. Porém o lote promocional se restringiu à Categoria 4.
Às vésperas da abertura em 15 de junho, mais de 739 mil ingressos haviam sido vendidos, com esgotamento das três primeiras partidas - a abertura Brasil x Japão em 15 de junho, mais México x Itália e Espanha x Uruguai no dia 16 - mais os outros dois jogos do Brasil na primeira fase e a decisão no Maracanã. Cerca de 73% dos ingressos foram vendidos para residentes dos seis estados-sede, com 23,5% por brasileiros de outros estados, e 2,9% por estrangeiros. O número final de ingressos vendidos foi 796.054, o segundo maior público após a edição de 1999 no México. A taxa de ocupação de 82% dos assentos disponíveis ficou apenas um por cento atrás do recorde da edição de 2005 na Alemanha. Os três maiores públicos foram no Maracanã, liderados pela final Brasil x Espanha com 73.351 espectadores. Os dois menores envolveram a seleção do Taiti, com o jogo dos taitianos contra a Nigéria em Belo Horizonte atraindo apenas 20.187 espectadores.
Público por estádio EstádioCapacidadeIngressos totaisTaxa de ocupaçãoMédia por partidaMaior públicoMaracanã (Rio de Janeiro)78.359216.86491,92%72.288 (3 partidas)73.351 (Brasil–Espanha, Final)Fonte Nova (Salvador)48.747119.02581,39%39.675 (3 partidas)48.874 (Brasil–Itália, primeira fase)Castelão (Fortaleza)64.846158.13781,29%52.717 (3 partidas)56.083 (Espanha–Itália, semifinal)Arena Pernambuco (Recife)44.248104.24178,53%34.747 (3 partidas)41.705 (Espanha–Uruguai, primeira fase)Mineirão (Belo Horizonte)62.547130.36069,47%43.453 (3 partidas)57.483 (Brasil–Uruguai, semifinal)Mané Garrincha (Brasília)70.06467.42381,39%67.423 (1 partida)67.423 (Brasil–Japão, primeira fase)
Sorteio No dia 28 de novembro de 2012, a FIFA anunciou que o Brasil e a Espanha seriam os cabeças de chave do torneio, nos grupos A e B respectivamente, e que o Uruguai seria adversário da Espanha e a Itália, do Brasil, evitando que países da mesma Confederação ficassem na mesma chave na primeira fase. O sorteio dos participantes dos grupos ocorreu em 1 de dezembro de 2012, no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo às 11 horas da manhã (horário local de verão) e foi nomeado de "Festival dos Campeões". Neste evento, foram assistentes convidados o chef Alex Atala e a supermodelo Adriana Lima, com apresentação da jornalista e apresentadora Glenda Kozlowski.
A distribuição das equipes pelos potes se deu da seguinte maneira:
Pote A
Pote B
thumb|370px|right|Equipes qualificadas para a competição, por confederação:
Durante o sorteio, Atala errou ao tirar as bolinhas e causou uma grande confusão na formação dos grupos. Ao invés de sortear a posição do Uruguai no Grupo B, ele sorteou uma das bolinhas do pote do Grupo A, o que confundiu o secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke. Para consertar o erro, ele colocou o Uruguai na posição B2, que foi a última bolinha que sobrou do sorteio do grupo da Espanha. Já no grupo do Brasil, o erro foi consertado colocando-se o México, último sorteado da chave da Seleção para ficar na posição que havia sido sorteada erroneamente.
O evento teve duração de 40 minutos e contou com shows musicais de Arlindo Cruz, Maria Gadú e da ONG Meninos do Morumbi.
A divulgação final da tabela de jogos foi determinada ao final do sorteio.
Bola
Durante o sorteio, a bola oficial do torneio foi apresentada pelo ex-jogador brasileiro Cafu. Fabricada pela Adidas, ela chamou-se "Cafusa", que significa a expressão "cafuzo", usada para designar no Brasil os indivíduos que nasceram da miscigenação entre índios e negros. Também deriva-se de uma mistura de três palavras que representam o país: "carnaval", "futebol" e "samba".
Cerimônias Abertura thumb|right|275px|Cerimônia de abertura da Copa das Confederações no Estádio Nacional Mané Garrincha. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr. A cerimônia de abertura teve uma apresentação comandada pelo carnavalesco Paulo Barros. Ela começou por volta das 14:30 (UTC−3), uma hora e meia antes da partida de abertura, e durou cerca de 20 minutos. A festa, que exaltou as oito seleções participantes da competição através de uma homenagem à cultura dos oito países participantes, contou com a participação de 2,8 mil voluntários.
Sobre a cerimônia, o idealizador fez a seguinte explicação:
A cerimônia foi marcada por vaias do público ao presidente da FIFA, Joseph Blatter, e à presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Pouco após a abertura oficial do torneio, várias hashtags foram postadas na rede social Twitter sobre a presidente do Brasil, o que fez o assunto alcançar o "Top 10" dos trending topics do dia.
Encerramento 300px|miniaturadaimagem|Seleção do Brasil antes da partida final (foto:Danilo Borges/Portal da Copa) A cerimônia de encerramento da competição iniciou-se às 17:25 locais (UTC-3), a pouco mais de uma hora e meia da partida final, e durou 18 minutos. Com o tema "Juntos num só ritmo", a apresentação contou com 1 250 voluntários que usavam uma fantasia que sugeria uma bola, como se fossem "joaninhas" nas cores preto e branca. Os ensaios para a apresentação na final começaram no dia 3 de junho sob coordenação do Comitê Organizador Local (COL).
Na parte musical, a cerimônia contou com shows de Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor, da dupla sertaneja Victor & Leo, além de Arlindo Cruz e a bateria da escola de samba Grande Rio.
Na parte final da apresentação, dois figurantes que participavam da cerimônia no gramado tentaram mostrar uma faixa de protesto com a mensagem "Imediata anulação da privatização do Maracanã", mas foram rapidamente repreendidos pelos seguranças. Um terceiro figurante também aproveitou a ocasião para protestar contra a homofobia.
Protestos e incidentes
thumb|Espectadoras estendem faixa de protesto no Mineirão durante a semifinal Brasil-Uruguai Durante a competição, uma série de protestos iniciaram-se por todo o país provocado pelo aumento dos preços dos bilhetes nos transportes públicos, e posteriormente o crescente descontentamento com o poder público na gestão financeira do país pelo governo, especialmente devido à alta inflação e corrupção.
Antes da cerimônia de abertura no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, em 15 de junho, manifestações ocorreram fora do estádio, organizado por pessoas descontentes com a quantidade de dinheiro público gasto para permitir a realização da Copa do Mundo FIFA de 2014. A polícia usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para conter os protestos, gerando mais insatisfação popular. Mais protestos ocorreram no dia seguinte antes do jogo entre México e Itália, no Rio de Janeiro.
Enquanto os protestos se intensificavam durante a semana, com a participação de mais de um milhão de pessoas às ruas em mais de cem cidades diferentes, surgiram relatos de que a FIFA estaria pensando em suspender a Copa das Confederações e que algumas delegações teriam solicitado o cancelamento da competição por falta de segurança. No entanto, um comunicado da FIFA em 21 de junho insistiu que "em nenhum momento a FIFA, o Comitê Organizador Local (COL) ou o Governo Federal discutiram ou sequer consideraram o cancelamento da Copa das Confederações da FIFA".
Para além dos protestos diários nas imediações dos estádios, incluindo apedrejamentos e incêndio a dois ônibus da FIFA, outros incidentes ocorreram durante a prova, como uma inundação no Aeroporto Internacional de Salvador e dificuldades para treino da seleção do Uruguai na capital baiana, o assalto à mão armada que teve como vítima a esposa do goleiro Júlio César, Susana Werner, em Fortaleza, e um suposto furto à delegação da Espanha e problemas relacionados aos treinamentos do Uruguai ocasionados pelas fortes chuvas que alagaram o Estádio do Arruda no Recife.