Capitalismo Industrial O surgimento do capitalismo industrial se deve em grande parte ao desenvolvimento tecnológico. As empresas evoluíram de manufaturas para mecanizadas. O Capitalismo Industrial é uma fase da história do capitalismo que ocorreu de 1780 a 1870, na qual baseia-se em classes sociais e dividem-se em: burguesia e proletariado. Essas classes moldam suas identidades de acordo com normas comportamentais que são continuamente repetidas para seguir padrões socialmente aceitos. Embora essas normas nem sempre sejam explicitamente articuladas, elas influenciam as formas de viver e interagir no ambiente urbano. A delimitação desses comportamentos é especialmente visível quando se considera as questões relacionadas aos desvios da heterônoma. Os escritores da época Adam Smith,John Locke, Karl Marx e outros conceituaram a "máquina" da sociedade (cada um dentro de suas ideologias), fazendo com que se entendessem e colocassem em prática no capitalismo industrial esses conhecimentos.
miniaturadaimagem|direita|O Gênio Industrial
Cultura, Disciplina e Resistência Operária A consolidação do capitalismo industrial operou uma transformação que foi muito além das inovações tecnológicas e das mudanças macroeconômicas: ela foi, fundamentalmente, uma profunda revolução cultural que remodelou a percepção humana e a vida cotidiana das classes trabalhadoras. A transição para a maturidade da sociedade industrial exigiu o estabelecimento de uma rígida reestruturação dos hábitos de trabalho, impondo novas disciplinas corporais e uma severa padronização do tempo social que colidia frontalmente com as antigas tradições do mundo pré-industrial.THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum.
A Mudança na Concepção do Tempo Nas sociedades agrárias e de manufatura doméstica, a medição do tempo era prioritariamente orientada pelas tarefas. O ritmo cotidiano baseava-se nos ciclos da natureza, nas marés, nas estações do ano e na lógica direta das necessidades do trabalho (ritmos coletivos que misturavam a lida e a vida social, sem barreiras nítidas de separação). Na fábrica capitalista, contudo, o tempo tornou-se uma moeda abstrata e mensurável: o tempo não era simplesmente "passado", mas "gasto" e monetizado. A máxima "tempo é dinheiro" foi internalizada, transformando as horas em unidades de ouro cunhadas para a exploração econômica e sincronização minuciosa do esforço humano.THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum.
A Disciplina dos Corpos e o Relógio como Instrumento de Poder Para viabilizar essa sincronização e garantir a máxima extração da mais-valia, os industriais recorreram a um aparato obrigatório que utilizava sinos, multas severas, supervisores e, primordialmente, a precisão matemática do relógio mecânico. O relógio deixou de ser apenas uma convenção de conveniência urbana para se tornar um verdadeiro instrumento de dominação e tirania patronal dentro do espaço de trabalho. Através dele, os corpos dos operários foram enquadrados a horários rígidos e inflexíveis . O domínio sobre a contagem do tempo era tão central que os mestres industriais tentavam expropiar os trabalhadores de qualquer conhecimento autônomo sobre as horas, em casos que algumas fábricas onde apenas o mestre e seus filhos podiam portar relógios, e onde os cronômetros das oficinas eram intencionalmente adiantados pela manhã e atrasados à noite, funcionando como ferramentas de fraude, engano e opressão. O operário que ousasse usar um relógio próprio para questionar a extensão da jornada corria o risco iminente de demissão por "saber demais sobre a ciência das horas".THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum.
A Resistência Operária Diante da imposição violenta desse novo universo disciplinar e da repressão contra hábitos considerados tradicionais (como a folga costumeira da "Santa Segunda-Feira"), o operariado não agiu como uma força inerte. A investida capitalista enfrentou forte resistência cultural em suas primeiras etapas, manifestada através do absenteísmo, da manutenção de ritmos próprios e da rejeição moral à submissão absoluta da máquina . Em um segundo momento, conforme a disciplina de tempo das fábricas estabilizava-se, a própria natureza da contestação operária mudou de caráter: os trabalhadores integraram a nova notação do tempo às suas próprias formas de organização coletiva. Em vez de lutarem puramente contra o tempo, os operários passaram a lutar sobre o tempo. O controle sobre os minutos tornou-se o eixo das primeiras greves, petições sindicais e movimentos cartistas, direcionados para a limitação legal da jornada de trabalho (como as campanhas pelas dez horas diárias), demonstrando que a resistência da classe trabalhadora foi capaz de converter o próprio instrumento de controle em um mecanismo de defesa de sua dignidade e direitos humanos.THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum.
Capitalismo Comercial ao Capitalismo Industrial O advento do Capitalismo Industrial não se deu por uma ruptura abrupta, mas por uma transição histórica profunda que ressignificou o acúmulo capitalista. Na fase anterior, o chamado Capitalismo Comercial ou Mercantil (que vigorou entre os séculos XV e XVIII), a principal fonte de riqueza concentrava-se na circulação de mercadorias e na balança comercial favorável, sustentada pela exploração colonial, pelo monopólio estatal e pelas rotas de comércio renascentistas europeias. Gradualmente, contudo, a saturação desse modelo mercantilista e o imenso volume de capital acumulado nas metrópoles direcionaram os investimentos para a esfera da produção. A transição para o Capitalismo Industrial consolidou-se quando a principal atividade econômica deixou de ser o comércio, a força de trabalho e passou a ser a manufatura fabril mecanizada. Essa mudança reconfigurou as estruturas sociais e a divisão do trabalho, impulsionada pelo surgimento das primeiras máquinas a vapor no século XVIII. A partir desse momento, a própria força de trabalho humana passou a ser comprada e vendida como uma mercadoria regulada pelo tempo, dando origem a uma estrutura de classes nitidamente polarizada que definiu a economia contemporânea :
· A Burguesia: Classe detentora dos meios de produção (fábricas, terras, ferramentas, matérias-primas e máquinas). Deixando de ser essencialmente mercantil e tornando-se industrial, passou a exercer o controle político e econômico, estruturando o espaço da fábrica e ditando as regras do mercado de trabalho.
· O Proletariado: Classe composta pelos trabalhadores manuais que, destituídos de qualquer meio de produção próprio devido aos cercamentos dos campos e à dissolução das corporações de ofício rurais, viram-se obrigados a vender sua força de trabalho em troca de um salário de subsistência, submetendo-se a regimes de sincronização mecânica até então inéditos.E. K. Hunt, History of Economic Thought: A Critical Perspective, Nova York e Londres, M.E. Sharpe 2002, p. 282.
Tempos presentes miniaturadaimagem|direita|Fases do Capitalismo A sociedade dos tempos atuais se caracteriza pela generalização do trabalho assalariado na produção de praticamente tudo (de ventiladores a obras cinematográficas), e, neste sentido, ela é uma continuidade do capitalismo industrial, que se difundiu no mundo inteiro. Tanto nos países chamados capitalistas quanto nos chamados socialistas, a mercadoria força de trabalho, comprada seja por empresas seja por instituições estatais, é a fonte da riqueza material, isto é, a relação social fundamental do capitalismo industrial se aplica a ambos.HOBSBAWN, Eric J. A Revolução Industrial. A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1994.
Referências THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum.
HOBSBAWN, Eric J. A Revolução Industrial. A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1994.
Bibliografia
THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In Costumes em Comum. HOBSBAWN, Eric J. A Revolução Industrial. A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1994.
Ver também Revolução Industrial
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