Bento de Moura Portugal FRS, Moimenta da Serra, Gouveia (21 de Março de 1702) - Lisboa (27 de Janeiro de 1766), foi um advogado, cientista, inventor e professor da Universidade de Coimbra. Era um aristocrata português, Fidalgo, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Membro da Royal Society reconhecido pela melhoria da máquina a vapor de Thomas Savery. Também referido simplesmente como Bento de Moura, foi um físico defensor da ciência newtoniana e várias vezes apelidado do "Newton português"Fiolhais, Prof. Carlos, ed., Membros Portugueses da Royal Society / Portuguese Fellows of the Royal Society. Coimbba: Universidade de Coimbra, 2011.Gama e Castro, José Osório, "Bartolomeu de Gusmão e Bento de Moura Portugal", in "Diocese e Distrito da Guarda" https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=20215
Biografia Bento de Moura Portugal, FRS nasce em Moimenta da Serra (Gouveia, Portugal)Figueiredo, José Joaquim Simões de Paiva e (ed.), Inventos e vários planos de melhoramento para este reino: escriptos nas prisões da junqueira por Bento de Moura Portugal, Coimbra, 1821Diccionario Aristocratico, Vol.1, A–E, Lisbon, 1840, accessed at Google Books 2015-12-20, p.320 e em 1741 é eleito Membro da Royal Society de Londres por contribuições científicas, nomeadamente na melhoria da "máquina de fogo" de Savery.List of Fellows of the Royal Society 1660 – 2007 A - J, The Royal Society, as "Portuga, Benito de Moura"; accessed 2015-12-20
Nasce a 21 de Março de 1702 em Moimenta da Serra. A casa onde viveu ainda existe e ao fundo da rua, já no largo da igreja encontramos o seu busto.Saraiva, Prof. José Hermano, in "Horizontes da Memória - No Calcanhar da Estrela (Gouveia)"- 2002 Tem uma educação esmerada e ministrada por padres, possivelmente jesuítas visto que ao longo da vida demonstra sempre afinidade aos mesmos, defendendo a Companhia até à sua morte. Certamente não estuda no Colégio da Companhia de Jesus de Gouveia, pois este só abre portas depois de 1739 altura em que Bento de Moura Portugal já viaja pela Europa. Ele é neto de D. Pedro Castanheira de Moura da Casa de Sinde e filho natural de D. Manuel de Moura Coutinho.Archeevo UC Bento de Moura https://pesquisa.auc.uc.pt/details?id=264930&detailsType=DescriptionPinto, Prof. Donzília Alves Ferreira Pires da Cruz. “Vida e obra de Bento de Moura Portugal.” Dissertação de mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 1993 Já os irmãos de Bento crescem em São Gião, numa das mais belas e imponentes casas da região ladeada pela Capela da Senhora da Criação.Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (2012). Património Histórico e Natural do Concelho de Oliveira do Hospital <http://www.cm-oliveiradohospital.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=123>. Visitado em 1 de Outubro de 2013BARATA, Alberto Fontes (2007) - "O Concelho de Oliveira do Hospital - Credenciais para a sua história", pp.: 230-243Ficha na base de dados SIPANEVES, Francisco Correia (2007) - "Enquadramento histórico e Toponímia do Concelho de Oliveira do Hospital", in Edições do Município de Oliveira do Hospital, pp.: 110-112, 406-408, 473-476, Oliveira do Hospital
Entra na Universidade de Coimbra em 1721 de onde sai formado em Leis já no ano de 1731. Vai à Hungria ainda antes de terminar os estudos, e embora seja advogado, o seu verdadeiro interesse é desde sempre a matemática e a física, é um homem de ciência.Na Europa dissemina-se a Ciência Newtoniana e Bento de Moura Portugal é dos primeiros entusiastas de Newton fora do Reino Unido. Viaja pela Europa onde desenvolve projetos relacionados com pneumática e o estudo dos gases, que contribuem para a melhoria da máquina a vapor e que lhe vale o convite para Fellow of the Royal Society de Londres em 1741. Foi um físico conceituado na Europa da sua época com contribuição no estudo das marés, da mecânica (hidráulica e pneumática) e também para a cartografia.Martins, Carlos, Intenção Política e Razão Técnica – o Porto do Douro e a Cidade do Porto, UC, 2014
Em Lisboa de 1742, sobre o olhar atento da Família Real Portuguesa e de alguns membros da corte o Dr. Bento Moura Portugal mostra uma “Máquina do Fogo”, a sua versão melhorada da máquina a vapor de Thomas Savery.in a "Gazeta de Lisboa" de 6 de Fevereiro de 1774 https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/GazetadeLisboa/1742/Fevereiro/Fevereiro_master/GazetadeLisboa1742Fevereiro.PDF Foi no regresso de uma viagem, alegadamente ao Brasil, que teve o incidente com a Inquisição. Vai a julgamento por "proposições heréticas e escandalosas" e pela montagem das tais "máquinas de incêndio".Processo de Bento de Moura, Arquivo Nacional, accessed 2015-12-20Baiño, António in "Episódios dramáticos da inquisião portuguesa" O processo dura três anos e só se livra de uma mão pesada mediante retratamento público escrito a 5 de Fevereiro de 1748."PROCESSO DE BENTO DE MOURA PORTUGAL" Arquivo Nacional da Torre do Tombo https://digitarq.arquivos.pt/details?id=2306238
alt=por Bento de Moura Portugal|miniaturadaimagem|Dialogo sobre hua nova obra no Rio Tejo por Bento de Moura Portugal, FRS|309x309pxFontes da época dão-no como protegido do rei D. João V, este já lhe havia atribuído carruagem para Bento de Moura se deslocar no Reino, em 1744 concede-lhe uma tença de 12$000 reis"Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 32, f.266" Arquivo Nacional da Torre do Tombo https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1902266 e agracia-o com o hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo"DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO PARA A ORDEM DE CRISTO DE BENTO DE MOURA PORTUGAL" Arquivo Nacional da Torre do Tombo https://digitarq.arquivos.pt/details?id=7677991 em 1750 faz dele Fidalgo Cavaleiro."Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 32, f.266" Arquivo Nacional da Torre do Tombo https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1902267 Isto aleado ao facto de ser neto de D. Pedro Castanheda de Moura, familiar do Santo Ofício e ter boas relações com alguns membros da igreja, pode ter-lhe valido uma pena mais branda no seu primeiro julgamento. Volta a ser enviado em viagem por D. João V, durante os períodos em que não está no país os processos judiciais onde é advogado são suspensos e só são retomados no seu regresso.É enviado com bolsa de estudos a diversos países europeus, nomeadamente à Hungria, por cá Moura Portugal contribuiu para várias melhorias no Reino, com grande parte da obra voltada para a hidráulica. Exemplos incluem a construção de diques no Rio Tejo, como o de Vila Velha de Rodão e mais a norte, no Mondego. Projetos que pretendem evitar as inundações prejudiciais para os terrenos agrícolas circundantes. Além disso, Bento projeta uma roda hidráulica para drenar terras alagadas no Paul de Fôja, em Coimbra e desenvolve sistemas de drenagem de pântanos em Vila Nova de Magos, Juncal e Tresoito no Ribatejo. Bento de Moura Portugal desempenha ainda o cargo de Superintendente e Conservador das Fábricas Reais da "Real Fundiçam da Artelharia da Comarca de Thomar”BENTO DE MOURA PORTUGAL Arquivo Nacional da Torre do Tombo https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1902265 comumente conhecidas como as "ferrarias", localizadas em Figueiró dos Vinhos, onde eram produzidas as armas e as alfaias do Império.
Em 1760, no retorno da sua última viagem e já no reinado de D. José I, Bento de Moura Portugal é preso por ordem do Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda Conde de Oeiras. É acusado de traição por defender publicamente a inocência da Companhia de Jesus e dos Távora. É ainda acusado de propor emendas à legislação que segundo o ministro prejudicavam a fazenda real. De nada lhe vale a influência junto dos Infantes de Portugal nem o apoio dos Meninos de Palhavã.Oliveira, Maria José, "Bento de Moura Portugal, um génio esquecido" in Mensagem de Lisboa
Bento de Moura Portugal FRS é encarcerado na prisão Forte de São João da Junqueira em Julho de 1760 enlouquecendo gradualmente e onde tem como companheiro de cela "O Marquesinho" . Morre a 27 de Janeiro de 1766 na Prisão Forte da Junqueira, em Lisboa, de onde nos escreve Inventos e vários planos de melhoramento para este Reino, manuscritos salvos com o contributo do Conde de S. Lourenço e editados em 1821 por Antônio Ribeiro Saraiva. A Formação de um Estrangeirado (1702-1741)
A identidade intelectual e social de Bento de Moura Portugal, demonstra como a sua origem e a sua educação, patrocinada pelo Estado, cria uma figura que é simultaneamente portuguesa e parte integrante de uma comunidade científica europeia mais vasta.
Origens e Educação numa Era de Transição Bento de Moura Portugal nasce a 21 de março de 1702, em Moimenta da Serra, Gouveia. É um aristocrata, descendente dos Moura de Castelo Rodrigo. Esta e as suas outras linhagem nobres, fruto da endogamia aristocrática, são fundamentais para garantir e seu acesso à corte e ao mecenato real, culminando na sua nomeação como Cavaleiro da Ordem de Cristo, a 12 de agosto de 1744, e Cavaleiro da Casa Real, a 24 de março de 1750.
A sua educação formal, contudo, segue o caminho tradicional da elite à época. Matricula-se na Universidade de Coimbra a 1 de outubro de 1720 e forma-se em Direito a 11 de maio de 1731. A duração invulgarmente longa do curso, quase onze anos, sugere interrupções, possivelmente devido a viagens precoces à Hungria, mesmo antes de concluir os estudos. Esta formação jurídica contrastava fortemente com a sua verdadeira paixão, que desde sempre foram a matemática e a física.
A Grande Viagem de um Cientista O talento técnico de Bento de Moura não passou despercebido e em 1736, o rei D. João V, reconhece as suas "invulgares competências técnicas em assuntos mecânicos", enviou-o numa Grand Tour pela Europa, financiada pelo Estado através de uma tença. Esta não é uma Grand Tour aristocrática de lazer, mas uma missão estratégica, parte de uma política régia deliberada para importar conhecimento e tecnologia modernos para o Reino. A sua jornada de quatro anos é um período de intensa aprendizagem e de estabelecimento de contatos.
A sua itinerância europeia foi vasta e produtiva:
Inglaterra: Passa quinze meses em Londres, onde mergulha na filosofia newtoniana e se torna um dos seus primeiros e mais fervorosos proponentes fora do Reino Unido. As suas atividades são ativamente apoiadas pelos diplomatas portugueses, evidenciando o caráter oficial da sua missão. É aqui que a sua reputação lhe vale a alcunha de "Newton português".
Hungria: Realiza ensaios com um invento náutico que consiste na aplicação de remos a navios de grande porte.
Alemanha e Áustria: Viaja por estas regiões, observando obras públicas e projetos de mecânica, alargando o seu repertório de conhecimentos práticos.
A sua crescente reputação internacional contribui decisivamente para que a 5 de fevereiro de 1741, seja eleito Fellow (Membro) da Royal Society de Londres. O seu certificado de eleição, assinado por figuras notáveis como o médico Jacob de Castro Sarmento e o físico John Theophilus Desaguliers, elogia a sua perícia em "Filosofia natural e um Génio Extraordinário para a mecânica". Esta eleição não é apenas uma honra pessoal; representava a sua entrada formal na elite aristocrática da comunidade científica internacional e a validação do investimento que a Coroa portuguesa fizera nele. É agora, na plenitude do termo, um verdadeiro estrangeirado: um homem que pertence a Portugal, mas cuja mente habita o mundo mais vasto da ciência europeia do Iluminismo.
O Ápice de uma Carreira: Invenções e Mecenato Real (1741-1748) Este período representa o auge da carreira de Bento de Moura Portugal, uma fase em que o seu génio inventivo floresce sob a proteção e o incentivo da Coroa. As suas criações não são meros exercícios académicos, mas soluções pragmáticas para os desafios técnicos do Reino, desde a automação de máquinas à engenharia de transportes e de recursos hídricos.
"Máquina de Fogo" Autossuficiente: Automatizando a Alvorada Industrial