O Porto de Estrela ficava localizado junto à margem do Rio Inhomirim, próximo a sua foz no rio Estrela, no atual município de Magé. Encontra-se em ruínas hoje, assim como os galpões de armazenagem de café e outras mercadorias para exportação. O porto de Estrela teve grande importância no período imperial por ser o ponto de embarque e desembarque de passageiros entre o Rio de Janeiro, então capital imperial, e a próspera Vila Rica, no estado de Minas Gerais, como ponto de partida em terra do Caminho do Proença.
História A área onde mais tarde se formou a povoação e o Porto da Estrela, antes habitada pelos índios Timbiras, foi dada no dia 9 de fevereiro de 1568 como sesmaria a Antônio da Fonseca, morador na então capital Salvador da Bahia. Seu provável genro João Botelho, cidadão do Rio e e membro de seu regimento, casado com Maria da Fonseca, reivindicou em novembro de 1603 ao governador do Rio Martim de Sá a propriedade legal desta terra, que havia sido ocupada pelo posseiro Domingos Fernandes, o Cara de Cão.
Por volta de 1650, um descendente de João Botelho, o juiz e vereador Simão Botelho de Almeida (também mencionado nas atas da câmara do Rio como Simão Botelho da Fonseca e Simão Botelho da Cruz) instituiu o Santuário de Nossa Senhora da Estrela dos Mares, junto ao porto do Rio Inhomirim, que daria origem à posterior povoação do Porto da Estrela.
Entre 1722 e 1725, o sargento-mor Bernardo Soares de Proença, proprietário de terras em Suruí, abriu uma variante que encurtava e facilitava em muito o trajeto do Caminho Novo entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, que tinha sido aberto alguns anos antes.
Desde 1767, o porto era assinalado nas cartas topográficas da baía. Por ele passaram numerosos viajantes ilustres, como o próprio D. João VI, Auguste de Saint-Hilaire, Johann Baptist Emanuel Pohl, Thomas Ender, John Mawe, Hermann Burmeister, Langsdorff, Spix, Martius, John Luccock, Ida Pfeiffer, que por lá passou na excursão a Petrópolis em 1846 durante sua primeira viagem de volta ao mundo,Ida Pfeiffer, Eine Frauenfahrt um die Welt (Viagem de uma mulher ao redor do mundo), Cap. III. e, naturalmente, a Família Imperial, que costumava passar o verão em Petrópolis. Pizarro, percorrendo o Brasil em 1819, disse que estava entre os principais portos pelos quais se conduziam os "produtos do continente".
Em 1824 o pintor alemão Johann Moritz Rugendas descreveu o porto da seguinte maneira:"Na vizinhança do Rio, a primeira aldeia de alguma importância é do Porto da Estrela, à margem do Inhomirim que se joga na Baía do Rio. As mercadorias destinadas as províncias do interior de Minas Gerais, Minas Novas, Goiás, etc., são primeiramente conduzidas, da mesma forma que os viajantes. em pequenas embarcações, do Rio ao Porto da Estrela. afastado de sete léguas. Aí são elas enfiadas a tropas de mulas que, por seu lado, trazem, de volta, carga para os navios no Rio de Janeiro. Nesse sentido, existe curiosa analogia entre o comércio do Porto da Estrela com o Rio de Janeiro, e o de Aldeia Galega com Lisboa. Sabe-se que Aldeia Galega se encontra no fundo da baía de Lisboa e que todas as mercadorias e viajantes, vindo de além-Tejo e da Espanha, chegam também a dorso de mula para serem carregados em pequenos navios e levados para Lisboa através da baía, ou vise-versa. Essa analogia de situação entre a antiga capital da metrópole e a nova capital das colônias, essa semelhança que se verifica ainda em muitos pontos, deve ter impressionado fortemente os primeiros portugueses que aqui se estabeleceram.
A estrada que vai de Porto da Estrela e Minas passa diante de belas plantações, atrás das quais se percebem, ao longe, as pontas angulosas da Serra dos Órgãos, erguendo-se por cima da Serra das Estrela cujas escapas constituem o espantalho dos tropeiros e o tormento das mulas, embora uma estrada larga, constituída e pavimentada com grande sacrificio, ai tenha sido aberta. Em mais de um lugar ela se assemelha mesmo a uma imensa muralha de dez pés de largo.
Diante dessa situação não é de espantar que Porto da Estrela seja a um tempo muito animado e muito industrial. Os estrangeiros e principalmente os pintores devem visitá-lo: mesmo se não estiver em seu caminho. É u lugar de reunião para os homens de todas as províncias do interior; ai se encontra gente de todas as posições sociais e podem-se observar suas vestimentas originais e sua atividade barulhenta. Ai se organizam as caravanas que partem para o interior e somente aí o europeu depara com os verdadeiros costumes do Brasil; aí deve ele despedir-se, não raro por muito tempo, de todas as facilidades e comodidades da vida européia e de todos os seus preconceitos (...)."O Porto da Estrela foi o local onde funcionou, a partir da década de 1830, a fábrica de pólvora que, em 1808, D. João VI mandara construir junto à Lagoa Rodrigo de Freitas. O porto arruinou-se e foi abandonado depois da inauguração da Estrada de Ferro Mauá. Em 1855, uma epidemia de cólera assolou o lugar. No entanto, ainda em 1857 partiam diariamente para o Rio de Janeiro 16 barcos, transportando produtos da lavoura. A Vila da Estrela era, então, um município, cuja decadência se acentuou em 1872. No ano de 1892, perdeu a autonomia e foi incorporado a Magé.
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