thumb|O General Juan Prim y Prats, retrato equestre pintado por Antonio Maria Esquivel (1806-1857) thumb|Monumento ao General Prim, em Reus, Catalunha Joan Prim i Prats (Reus, – Madrid, ), marquês de los Castillejos, conde de Reus e visconde del Bruch, foi um militar e político espanhol progressista muito influenteBallesteros considerou-o como "El hombre de Estado más hábil del siglo XIX". na política espanhola de meados do .

Iniciou a sua carreira militar em 1833 como voluntário num dos regimentos de miqueletesEstas tropas tinham tomado o nome do seu primeiro chefe, Miquelot de Prats, um mercenário valenciano que combateu na Navarra ao serviço de Cesare Borgia. Apesar dos miqueletes terem sido dissolvidos na sequência do Tratado de Rijswijk, na Catalunha o nome foi conservado pelos atiradores de montanha e pelos corpos milicianos improvisados em tempos de guerra ou agitação. cristinosAssim designados por apoiarem a regência liberal de María Cristina de Borbón-Dos Sicilias contra os carlistas. formados em 1834 na Catalunha, com o qual participou na Primeira Guerra Carlista (1833-1840), destacando-se pelo seu heroísmo em batalha, o que lhe granjeou enorme popularidade no campo liberal e a conquista do posto de coronel aos 26 anos de idade.

Pertencente à corrente liberal mais progressista, opôs-se à regência de Baldomero Espartero, o que o forçou ao exílio em França e no Império Otomano (1839-1843), voltando com a sua deposição.

Sem abandonar a carreira militar, ingressou na política parlamentar, foi capitão-general do Porto Rico (1847-1848), liderou as forças que obtiveram a vitória na Guerra de África (1859-1860) e comandou as forças espanholas que intervieram no México (1861-1862). Tentou um golpe de Estado que ao fracassar (1866) o obrigou a exilar-se na Grã-Bretanha e em França, mas em 1868 foi com o general Serrano um dos líderes da revolução que destronou .

Foi Ministro da Guerra no governo de Serrano e chegou a Presidente do Conselho de Ministros de Espanha no período de 16 de Junho de 1869 a 27 de Janeiro de 1870, acumulando com os cargos de Ministro da Guerra e Capitão-General dos Exércitos de Espanha.

Foi o principal obreiro da escolha de para o trono espanhol, mas foi assassinado em Madrid antes da coroação. Foi um dos políticos mais populares de Espanha, para o que contribuiu a sua trágica morte em circunstâncias nunca explicadas.

Biografia Juan Prim foi filho de Teresa Prats y Vilanova, descendente de uma família de comerciantes de Reus, e de Pablo Prim y Estapé de Reus, um notário de Reus originário de Verdú (Urgell) e pertencente a uma família com vínculos à Universidade de Cervera, que alternou a profissão de notário que herdara de seu pai com a de militar, sendo capitão durante a Guerra de la Independencia e tenente-coronel na Primeira Guerra Carlista. Na escola teve Alexandre Garcia como mestre.

A Primeira Guerra Carlista (1833-1840) Em 1834, com dezenove anos de idade, Juan Prim alistou-se no corpo franco de miqueletes da sua cidade natal de Reus, denominado os "Tiradores de Isabel II",Atiradores de Isabel II, a princesa herdeira apoiada pelo partido liberal. um dos batalhões voluntários catalães então formado para combater no levantamento carlista que dilacerava a Catalunha.

Na guerra civil que se seguiu, a Primeira Guerra Carlista, demonstrou dotes de grande coragem e mesmo de temeridade. Recebeu o seu baptismo de fogo a 7 de agosto de 1834 e pouco depois destacou-se ao conduzir uma carga de baionetas contra um grupo entrincheirado em casas de Raurell de Sagàs. Voltou a destacar-se quando à frente de uma companhia tomou Vilamajó del Vallés, uma praça defendida por forças carlistas superiores, ficando ferido na refrega, pelo que foi promovido a tenente pelo valor então demonstrado e pelas várias vitórias que conseguira.

Novas acções vitoriosas elevaram-no a capitão. Em 1837, a tomada de San Miquel de Sarradell, onde capturou pessoalmente a bandeira do Quarto Batalhão Carlista da Catalunha, granjeou-lhe a Cruz Laureada de San Fernando de primeira classe. Pouco depois comandou o assalto a Solsona, cujo forte conseguiu escalar pessoalmente, abrindo as portas para que as suas tropas entrassem, acção pela qual foi promovido a comandante.

Seguiram-se novas demonstrações de valor extraordinário que foram objecto de comentário em toda a Espanha, sendo aclamado pelos seus próprios soldados. Por uma acção extraordinária em Àger foi promovido a major de batalhão e encarregado do comando de zona da linha de Solsona–Castellvell, pela qual passavam os comboios de aprovisionamento carlista. Nestes combates perdeu várias vezes o cavalo, sofreu diversos ferimentos e ganhou nova Cruz Laureada de San Fernando e o posto de coronel no ano de 1840.

Ao terminar a guerra, em 1840, tinha então 26 anos de idade, o seu nome já era símbolo de valor e distinção, tendo ascendido por mérito ao posto de coronel, conseguindo todos os postos possíveis no campo de batalha, para além de ter sido distinguido com duas cruzes de San Fernando. Combatendo sempre na Catalunha, tomara parte em 35 acções, tendo morto pessoalmente cinco inimigos e sido citado por bravura oito vezes. Distinguiu-se particularmente entre as tropas por ter sido o primeiro a entrar em combate nos ataques a Solsona e Àger e por mostrar grande habilidade táctica na Segunda batalha de Peracamps, em Abril de 1840.

Percurso político (1841-1843) Após o Motim da Granja de San Ildefonso, que culminou com o decreto real de 13 de agosto de 1836 restaurando a Constituição Espanhola de 1812, os constitucionalistas dividiram-se em conservadores e progressistas. Estes últimos, dirigidos por José María Calatrava e Juan Álvarez Mendizábal, obtiveram a adesão de Prim e da generalidade dos liberais da Catalunha.

Terminada a guerra, Juan Prim candidatou-se a deputado pela Província de Tarragona, sendo eleito (1841).

Como já se conseguira a paz com os carlistas, os corpos de voluntários foram dissolvidos e duvidava-se que o posto de coronel que Juan Prim obtivera em combate fosse reconhecido pela estrutura militar de primeira linha. Contudo, o seu imenso prestígio, superior ao de qualquer militar contemporâneo, e o cargo de deputado que exercia, permitiram que fosse confirmado no posto de coronel. Confirmado no posto e integrado na estrutura militar profissional, o regente Baldomero Espartero nomeou-o para o cargo de subinspector de carabineiros da Andaluzia.

Naquele cargo conseguiu evitar que os conservadores liderados por Ramón María Narváez, partidários da devolução da regência a María Cristina de Borbón, pudessem entrar em Espanha por Gibraltar. Em consequência, Leopoldo O'Donnell, outro dos líderes conservadores, foi obrigado a retirar-se depois de ter entrado no norte de Espanha e avançado até Pamplona.

Porém Prim incompatibilizou-se com Espartero e o seu governo, acusando-os de favorecer os tecidos ingleses com fim de arruinar a indústria têxtil catalã e assim melhor submeter o território catalão.

Em 1843 encabeçou a sublevação armada de Reus, com Jaime Milans del Bosch, e após a sublevação de Barcelona entra nessa cidade e forma uma milícia de voluntários catalães com os quais marcha sobre Madrid, onde entra com o general Francisco Serrano.

Após a vitória do movimento, Prim foi nomeado governador militar de Madrid e voltou a Barcelona para pôr fim ao confronto entre Junta da cidade e o governo espanhol. Em reconhecimento pela sua actuação, a rainha concedeu-lhe os títulos de conde de Reus e visconde de Bruch.

No ano seguinte ascendeu a general. Pouco depois entra em discordância política com o governo moderado de Ramón María Narváez, sendo acusado de conspiração, julgado e condenado. Apesar de ter sido indultado, em 1845 exila-se de Espanha e dirigiu-se a Paris, onde se encontrou com uma sociedade secreta de militares desterrados, fundada recentemente, chamada Orden Militar Espanhola, liderada por Leopoldo O'Donnell, a que também pertencia Narváez e outros.

Acredita-se que tenha concordado cooperar para derrubar o governo de Baldomero Espartero. Apesar de no seu regresso ter sido detido em Perpinhão, foi libertado e autorizado a recolher-se à sua cidade natal, Reus.

A capitania geral de Porto Rico (1847-1848) upright|thumb|El General Prim, , por Antonio María Esquivel (RABASF, Madrid) Narváez demitiu-se por desacordos com o príncipe consorte e, após um breve governo presidido por Francisco Javier de Istúriz, formou governo Joaquín María Pacheco, que de imediato concedeu amnistia a Prim. O Ministro da Guerra, Fernando Fernández de Córdova, amigo de Prim, nomeou-o capitão-general de Porto Rico em 1847.

Em Porto Rico Juan Prim reprimiu as rebeliões de escravos e promulgou o Código Negro, iniciando um processo de revitalização da economia e de combate à corrupção.

As ideias de Prim levaram-no ao onfronto com autoridade da ilha devido às sua intenções de atrair novos colonos e pela sua atitude de dureza na repressão do bandoleirismo. Capturou o chefe guerrilheiro conhecido como "El Águila", a quem libertou com a promessa de que se submeteria à autoridade da Coroa. Mas o guerrilheiro, logo que se viu livre, tentou mostrar que podia confrontar-se com Prim, roubando-lhe o seu cavalo. Prim capturou-o de novo e mandou-o fuzilar.

Um suposto ataque de negros da Martinica contra uma das Antilhas Dinamarquesas foi repelido graças ao auxilio de Prim.

Exerceu o cargo apenas por uns meses, pois foi substituído pelo governo o 14 de julho de 1848, regressando de imediato a Espanha.

O regresso ao parlamento (1850-1853) Nas eleições parlamentares de 1850 Prim apresentou-se como candidato por vários distritos eleitorais catalães, sendo eleito pelo de Vic. Mas as Cortes foram dissolvidas e convocadas novas eleições para 31 de maio de 1851. Prim voltou a apresentar-se por Vic, mas o governo, incomodado com a sua posição parlamentar, nomeou-o de novo Capitão General de Porto Rico, nomeação que aceitou, mas que foi anulada após as eleições. Prim ficava assim sem assento parlamentar e sem cargo.

A situação foi ultrapassada quando um deputado progressista, que obtivera eleição por dois distritos, deixou livre um deles, em Barcelona, oferecendo apoio a Prim para o obter na eleição suplementar.

Prim, que em 1843 participara na repressão da rebelião de Jamància, não gozava de simpatias em Barcelona. Prometeu rectificar os seus erros e ser o campeão do liberalismo progressista, defendendo os direitos catalães, e erigir-se máximo defensor das liberdades cidadãs; o povo acreditou e foi eleito, cumprindo depois a palavra dada ao golpear o governo com os seus discursos de grande talento, sem deixar passar qualquer injustiça que se cometesse contra a Catalunha.

Quando o ministério de Juan Bravo Murillo dissolveu as Cortes e começou a governar por decreto, ocorreram movimentos militares; por isso, o governo, que o considerava suspeito, obrigou a Prim a sair do país durante um tempo.

Estando exilado em França houve novas eleições, e ainda que Prim tenha sido autorizado a regressar apenas cinco dias antes, o foi eleito por Barcelona, encabeçando a oposição no Parlamento, mas este foi dissolvido novamente pouco depois e Prim saiu de Espanha com destino a França no ano de 1853.

Estada no Império Otomano (1853-1854) Estando Prim na França, iniciou-se a Guerra da Crimeia e solicitou para ser delegado espanhol observador na frente turca, petição que lhe foi concedida.

No mesmo ano, 1853, desembarcou em Constantinopla e esteve como observador, entre outras acções, no ataque à cidadela búlgara de Tutrakan (a antiga Totorkan), aconselhando ali, com grande acerto, a colocação da artilharia.

Em 1854 regressou temporariamente a França, voltando de seguida à frente turca. O sultão concedeu-lhe a condecoração da ordem de Medjidie () e um sabre de honra.

A Vicalvarada e o regresso à actividade militar (1854-1856)

thumb|General Prim, 1868.