"I Do Not Hook Up" é uma canção da cantora norte-americana Kelly Clarkson, gravada para o seu quarto álbum de estúdio, All I Ever Wanted (2009). Composta por Katy Perry, Kara DioGuardi e Greg Wells, com a produção musical a cargo de Howard Benson, a faixa foi originalmente concebida por Perry para um projeto de estúdio próprio que acabou cancelado após a sua saída da editora Def Jam Recordings; subsequentemente, a obra foi cedida à equipa de Clarkson juntamente com o tema "Long Shot". A sua edição como segundo single oficial do disco ocorreu a 14 de abril de 2009 através da RCA Records, sendo distribuída nas estações de rádio de música contemporânea dos Estados Unidos e comercializada em formato de descarregamento digital e em múltiplos lançamentos de extended play (EP).

Estruturada a partir dos géneros dance-rock e power pop, a sua sonoplastia combina guitarras elétricas executadas por Phil X, baixo, batidas firmes de bateria acústica e modulações de sintetizadores. No plano lírico, a narrativa reflete a recusa de ligações afetivas superficiais e efémeras, defendendo a paciência e a maturidade emocional como alicerces indispensáveis para a construção de um relacionamento romântico estável. A receção crítica atribuída ao single foi predominantemente favorável: diversos analistas elogiaram a autoridade vocal e a energia interpretativa de Clarkson, destacando a sua capacidade em elevar a matriz melódica de Perry e comparando a sua mensagem de afirmação e dignidade feminina ao espírito de "I Kissed a Girl".

Em termos comerciais, o tema alcançou a 20.ª posição da tabela norte-americana Billboard Hot 100 — ultrapassando a marca de 700 mil descarregamentos digitais no país —, além de atingir o 8.º posto na Pop Songs, o 12.º na Adult Pop Songs e o 13.º lugar na listagem oficial do Canadá. Internacionalmente, a gravação conquistou posições entre os vinte primeiros postos na Austrália, na Hungria, nos Países Baixos e no México, recebendo o galardão de disco de ouro atribuído pela ARIA e pela Music Canada. O teledisco correspondente, filmado sob a direção de Bryan Barber, retrata a cantora num casamento a fantasiar de forma cómica e desinibida com homens atraentes antes de regressar à realidade sóbria do evento. A divulgação da faixa compreendeu apresentações em programas de televisão e constou ainda no alinhamento das digressões All I Ever Wanted Tour e Stronger Tour.

Antecedentes e lançamento Em janeiro de 2009, Tom Corson, vice-presidente executivo da editora discográfica RCA Records, revelou publicamente que Kelly Clarkson se encontrava num momento decisivo da sua trajetória em que pretendia recuperar a sua proeminência no panorama da música pop global. Em declarações ao jornal diário The Wall Street Journal, o representante informou que o futuro disco de estúdio tinha como título provisório Masquerade e que o single de apresentação estrearia nas emissoras de rádio a 19 de janeiro desse mesmo ano. A canção foi originalmente escrita por Katy Perry em parceria com Kara DioGuardi e Greg Wells por volta de 2004 e 2005 para figurar num álbum que preparava durante a sua passagem pela editora Def Jam Recordings. Contudo, na sequência do cancelamento desse projeto discográfico e da transição contratual de Perry para a Capitol Records, a artista optou por não incluir a maquete no alinhamento do seu disco de estreia comercial, One of the Boys (2008). Posteriormente, a sua equipa editorial submeteu a obra e o tema "Long Shot" aos produtores executivos de Clarkson para que integrassem as sessões de estúdio de All I Ever Wanted.

Durante a fase de divulgação da faixa, Clarkson reiterou em entrevista à estação televisiva MTV News e ao portal Digital Spy que orienta as suas escolhas artísticas pela intuição e pela determinação em supervisionar todas as etapas da produção musical:

A 14 de abril de 2009, a RCA enviou oficialmente o tema para as rádios de música contemporânea dos Estados Unidos na qualidade de segundo foco promocional do disco. Nas semanas subsequentes, a editora disponibilizou comercialmente dois lançamentos de extended play (EP) digitais contendo misturas alternativas, versões instrumentais e remisturas destinadas aos clubes noturnos. No mercado alemão e no espaço europeu continental, a obra recebeu ainda uma edição física em CD single, congregando a gravação original e o respetivo instrumental. A divulgação em território norte-americano incluiu interpretações ao vivo em emissões de televisão, destacando-se a presença no programa humorístico Saturday Night Live a 14 de março de 2009 e no matutino Good Morning America a 20 de março. O tema figurou igualmente no alinhamento das digressões mundiais All I Ever Wanted Tour (2009–2010) e Stronger Tour (2012), recebendo elogios da crítica especializada pela sua pujança cénica.

Estrutura musical e composição

"I Do Not Hook Up" é uma canção de andamento moderadamente acelerado enquadrada nas linguagens do dance-rock e power pop, com uma duração temporal de 3 minutos e 20 segundos. A sua produção musical esteve a cargo de Howard Benson, tendo sido gravada ao longo de 2008 nos estúdios Bay7, Sparky Dark e Sunset Sound, todos situados no estado da Califórnia. A arquitetura instrumental caracteriza-se por um arranjo musculado dominado pelas linhas melódicas de guitarra elétrica tocadas por Phil X, a percussão de bateria executada por Josh Freese, o baixo gravado por Paul Bushnell e o preenchimento harmónico de teclados e programação assegurado por Benson e Jamie Muhoberac. A captação de áudio e a edição vocal estiveram sob a responsabilidade dos engenheiros de som Mike Plotnikoff e Graham Hope. Bill Lamb, do portal About.com, observou que a faixa ostenta uma atmosfera abertamente orientada para o rock, sustentando que, embora a base instrumental utilize fórmulas tradicionais do género, a amplitude e a autoridade técnica da voz de Clarkson transportam o tema para um patamar de excelência.

A autoria lírica reuniu contribuições de Katy Perry, Kara DioGuardi e Greg Wells. De acordo com a partitura musical publicada pela editora EMI Music Publishing, a composição foi concebida no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento rítmico vivo de 144 batidas por minuto na tonalidade de fá maior. A extensão vocal demonstrada pela cantora compreende o intervalo entre a nota grave de si na terceira oitava (B3) e a nota aguda de fá na quinta oitava (F5). No plano temático, a lírica explora a firmeza com que uma mulher estabelece os seus limites na dinâmica amorosa, rejeitando relações superficiais de conveniência em favor da construção de uma cumplicidade genuína: "Oh, querido, pousa a garrafa, tens demasiado talento / [...] Não me envolvo por impulso, não perco o controlo / Portanto, se me quiseres, não te sairá barato".

Jon Caramanica, no diário The New York Times, assinalou que o texto redefine o apego a um amor exigente e estável como uma ferramenta emancipatória de recuperação pessoal. Diversos analistas consagraram o tema como um hino de autodeterminação feminina, ao passo que outros avaliadores interpretaram a sua mensagem como uma apologia direta à prudência e à preservação da integridade moral perante a leviandade dos encontros contemporâneos.

Receção pela crítica

Após o seu lançamento, a faixa acolheu apreciações amplamente positivas da imprensa musical especializada. Bill Lamb, na plataforma de crítica About.com, atribuiu quatro de cinco estrelas possíveis à gravação, asseverando que a obra se posiciona com naturalidade entre os momentos mais fortes da carreira de Clarkson e salientando que "embora a premissa lírica não pretenda revolucionar a filosofia dos relacionamentos, Kelly Clarkson comprova que domina na perfeição os meandros do rock melódico, desafiando o ouvinte a entoar o refrão em uníssono". Em resenha publicada a 29 de abril de 2009, a revista Billboard elogiou o dinamismo da sonoplastia, afirmando que o tema "é impulsionado pelas guitarras abrasivas de Phil X, uma pulsação rítmica contagiante e um refrão categórico que veicula uma mensagem clara de emancipação feminina; trata-se de um modelo magistral de música pop concebido por autores experientes". Nick Levine, em texto para o sítio britânico Digital Spy, concedeu igualmente quatro estrelas ao tema, observando com humor que a linha de abertura permite visualizar com imediata clareza a matriz estilística de Katy Perry.

Ann Powers, no jornal Los Angeles Times, qualificou o registo como uma escuta obrigatória para jovens mulheres que ponderem os seus princípios pessoais, enquanto Stephen Thomas Erlewine, na base de dados musical AllMusic, considerou a faixa um dos pontos culminantes de All I Ever Wanted, realçando que a artista se entrega com paixão ao número e atrai o público para o centro da narrativa em vez de manter uma postura distante. Jody Rosen, na revista Rolling Stone, caracterizou a criação como uma fusão efervescente de guitarras incisivas e melodias desafiadoras, definindo-a como "uma das odes mais estridentes à sensatez amorosa e à castidade na memória recente". Olivia S. Pei, na publicação universitária The Harvard Crimson, descreveu a peça como "uma variação refrescante" perante o teor de "I Kissed a Girl", assinalando a ironia de Perry ser uma das suas coautoras e apontando a versatilidade vocal de Clarkson como o motor fulcral da canção. Blake Solomon, no portal AbsolutePunk, elogiou a vitalidade do tema como uma sucessora espiritual do clássico Breakaway (2004), sustentando que o seu coro grandioso possuía capacidade para dominar as emissões radiofónicas. Numa perspetiva discordante, Sal Cinquemani, na revista Slant Magazine, mostrou-se mais cético, avaliando que a versão final de estúdio acrescentava "pouca substância diferenciadora" quando comparada com a maquete preliminar gravada por Perry.

Vídeo musical thumb|left|260px|alt=Captura de ecrã do vídeo musical exibindo Kelly Clarkson vestida como dama de honor sentada a uma mesa de casamento, a olhar com expressão desconcertada para um convidado sentado ao seu lado.|No teledisco, Clarkson desperta de uma fantasia sedutora no momento em que um convidado do casamento comenta distraidamente sobre um morango com chocolate. O vídeo musical foi gravado a 25 de março de 2009 sob a direção do realizador norte-americano Bryan Barber. Em declarações ao espaço noticioso televisivo Access Hollywood, a artista descreveu o conceito visual:

Clarkson adiantou que o argumento original previa interações com três figuras masculinas, embora a montagem definitiva tenha suprimido uma das sequências para focar a narrativa em dois intervenientes centrais. A estreia do teledisco ocorreu a 21 de abril de 2009 na página oficial da cantora, sendo disponibilizado nas lojas digitais três dias depois.