Jilçária Cruz Costa, mais conhecida como Tia Doca da Portela ou apenas Tia Doca (Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 1932 — Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2009), foi uma cantora, compositora e pastora brasileira. Obteve projeção no cenário musical por integrar a Velha Guarda da Portela e por ter fundado o Pagode da Tia Doca, um dos principais redutos de preservação do samba carioca.
Biografia Nascida no Rio de Janeiro e de família oriunda do Morro da Serrinha, Tia Doca cresceu imersa na cultura do samba. A sua mãe, Albertina Aragão, foi a primeira porta-bandeira da extinta escola Prazer da Serrinha (agremiação que deu origem ao Império Serrano). Seguindo a matriz familiar, Doca atuou como porta-bandeira da Unidos da Congonha aos 14 anos de idade.
Para garantir a sua subsistência antes da profissionalização musical, trabalhou como tecelã e empregada doméstica, além de auxiliar a sua mãe na venda de sopa no cais do porto do Rio de Janeiro.
O seu vínculo definitivo com a Portela consolidou-se na década de 1970, quando passou a integrar o coro de pastoras da Velha Guarda da escola. Como membro do grupo, participou ativamente de gravações fonográficas ao lado de artistas como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola e Marisa Monte. Como compositora, é autora do partido-alto "Temporal" (gravado com Monarco) e de "Orgulho Negro" (parceria com o filho Jadilson Costa, gravada por Jovelina Pérola Negra).
Em 1978, fundou o "Pagode da Tia Doca" (também conhecido como Terreirão da Tia Doca), roda de samba realizada no quintal de sua residência no bairro de Madureira. O evento tornou-se um importante polo socioprodutivo, revelando nomes da nova geração e abrigando encontros com compositores veteranos. O repertório consolidado nas apresentações resultou na gravação do álbum Pagode da Tia Doca, lançado em 2000 pela gravadora Paradoxx Music.
Em 2008, a sua trajetória foi documentada no filme O Mistério do Samba, dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, com produção de Marisa Monte.
Morte Tia Doca faleceu em 25 de janeiro de 2009, aos 76 anos, no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro. A cantora havia sido internada após sofrer um acidente vascular cerebral na semana anterior e foi vitimada por um infarto agudo do miocárdio. O seu corpo foi velado na quadra da Portela e sepultado no Cemitério de Irajá.
Ligações externas Tia Doca da Portela: "Não sabia que existia americano preto"
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