A insurgência talibã iniciou-se logo após queda do regime Talibã na sequência da Guerra no Afeganistão em 2001. Os talibãs continuaram a combater as tropas do novo governo afegão, e outras tropas dos Estados Unidos e da OTAN sob a ISAF, além de muitos incidentes terroristas atribuídos a eles serem registados. A Al-Qaeda está estreitamente associada à sua atividade. A insurgência também se espalhou em certa medida ao longo da fronteira afegã-paquistanesa e para o vizinho Paquistão, em particular a região do Waziristão e Khyber Pakhtunkhwa, na Guerra no Noroeste do Paquistão. O Talibã conduz uma guerra de baixa intensidade contra civis, as forças de segurança afegãs e seus instrutores da OTAN. Países da região, particularmente o Paquistão e o Irã, são frequentemente acusados de financiar e apoiar os grupos insurgentes.
Em agosto de 2021, após quase vinte anos de insurgência, o Talibã retomou o poder no Afeganistão após lançar uma ofensiva bem sucedida naquele verão.
Contexto geral
O Talibã surgiu na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão no final da década de 1980 como um grupo armado, período em que o Afeganistão estava sob ocupação soviética (1979-1989), reunindo pashtuns (maioria étnica da população afegã) que resistiam à presença soviética no Afeganistão. O governo paquistanês esteve diretamente envolvido na fundação e fortalecimento do Talibã. No período, Islamabad deu apoio direto e indireto ao movimento radical e treinou combatentes no Afeganistão; os Estados Unidos visando prejudicar a União Soviética, devido a Guerra Fria, forneceram apoio financeiro ao movimento.
O Talibã chegaria ao poder em 1996, vitorioso na guerra civil entre grupos islâmicos que se seguiu à retirada soviética, em 1989; e instauraria um governo de terror, impondo a sharia: oprimindo mulheres, perseguindo minorias étnicas, promovendo expurgos e implodindo as estátuas dos Budas de Bamiyan, patrimônio da humanidade.
Em 2001, após os atentados de 11 de setembro, o regime foi deposto por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar membros da al-Qaeda, incluindo seu líder Osama bin Laden. Guerra no Afeganistão fortaleceu Taleban; saiba mais sobre o grupo - Folha de S. Paulo
Assim, o Talibã foi derrotado e muitos combatentes talibãs deixaram o movimento ou se retiraram para santuários no Paquistão. Após fugir das forças dos Estados Unidos durante todo o verão de 2002, os talibãs remanescentes começaram gradualmente a recuperar a sua confiança e lançar a insurgência que Mulá Mohammed Omar havia prometido durante os últimos dias do Talibã no poder. Durante setembro de 2002, as forças talibãs iniciaram uma campanha de recrutamento em áreas pashtuns no Afeganistão e no Paquistão para lançar uma "jihad" renovada ou lutar contra o governo afegão e a coalizão liderada pelos Estados Unidos. Panfletos distribuídos secretamente à noite também começaram a aparecer em muitas aldeias no antigo reduto talibã no sudeste do Afeganistão. Pequenos campos de treinamento móveis foram estabelecidos ao longo da fronteira com o Paquistão por fugitivos da al-Qaeda e do Talibã para treinar novos recrutas em táticas de guerra de guerrilhas, segundo fontes afegãs e um relatório das Nações Unidas. A maioria dos novos recrutas foram retirados das madrassas ou escolas religiosas das áreas tribais do Paquistão, de onde o Talibã tinha inicialmente surgido. As principais bases, algumas com cerca de 200 homens, foram criadas nas áreas tribais montanhosas do Paquistão no verão de 2003. A determinação dos paramilitares paquistanesas estacionados nos postos fronteiriços para evitar essa infiltração foi posta em causa, e as operações militares paquistanesas provaram de pouca utilidade. A porosa região fronteiriça entre o Afeganistão e o Paquistão, controlada por lideres tribais da etnia pashtun, é um bastião do grupo islâmico Talibã e da al-Qaeda, e o Paquistão é acusado de fazer "vista grossa" aos extremistas islâmicos do Talibã. O ISI (serviço secreto paquistanês) foi acusado de manter estreitos laços com radicais islâmicos e de colaborar com os insurgentes.
O desvio de foco e de atenção por parte da administração de George W. Bush devido a Guerra do Iraque, a topografia e o isolamento do local, a profunda desconfiança paquistanesa com os Estados Unidos, e o fortalecimento da al-Qaeda na região, favoreceram o aumento da insurgência talibã, o que tornou-se um empecilho para os Estados Unidos. Outro problema é a produção ópio, uma vez que a atual insurreição depende da venda de ópio para comprar armas, formar os seus membros, e comprar apoio. Em 2001, o Afeganistão produziu apenas 11% do consumo mundial de ópio, e atualmente produz 93% da produção mundial, e o comércio de drogas é responsável por metade do PIB do Afeganistão. July 27, 2008. Taliban Insurgency Funded by Poppy and Marble
Em maio e junho de 2003, altos oficiais talibãs proclamaram o Talibã estava se reagrupado e preparado para a guerra de guerrilha para expulsar as forças estadunidenses do Afeganistão. Omar atribuiu cinco zonas operacionais aos comandantes talibãs, como Dadullah. Este último, assumiu o comando na província de Zabul.
No final de 2004, o então líder escondido do Talibã, Mohammed Omar, anunciou uma insurgência contra "a América e seus fantoches" (ou seja, as forças do governo transitório afegão) para "reconquistar a soberania de nosso país".
Embora, o Talibã passasse vários anos se reagrupando, lançaram uma nova escalada da campanha de insurgência em 2006.
Com a eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, mudou-se o foco da ação militar global da Guerra ao Terror do Iraque para a fronteira Afeganistão-Paquistão. O "Plano Obama" previa a derrota da al-Qaeda no Afeganistão e Paquistão, ajuda financeira ao Paquistão, aumento da presença militar dos Estados Unidos no Afeganistão e negociar com os membros moderados do Talibã com o objetivo de torná-los um partido político. Obama quer "estratégia de saída" do Afeganistão - Folha de S. Paulo Taleban pode virar partido, dizem EUA - Folha de S. Paulo
O líder do Talibã, Mulá Omar, lidera a Shura de Quetta. A Rede Haqqani, Hezbi Islami, e grupos menores da al Qaeda também se juntaram à insurgência. Our Man in Kabul? by Michael Crowley, tnr.com, 9 de março de 2010 Eles costumam usar ataques terroristas em que as vítimas são geralmente civis afegãos. De acordo com relatórios das Nações Unidas e outros, os insurgentes foram responsáveis por 75-80% das mortes de civis entre 2009 e 2011.
Após maio de 2011, a morte de Osama bin Laden no Paquistão, muitas figuras afegãs proeminentes foram assassinadas pelos insurgentes, incluindo Mohammed Daud Daud, Ahmed Wali Karzai, Jan Mohammad Khan, Ghulam Haider Hamidi, Burhanuddin Rabbani e outros. Em resposta a isso, as grandes operações foram iniciadas dentro do Afeganistão contra os insurgentes. Estas destinam-se a interromper as redes dos insurgentes e forçá-los à mesa de negociação.
Histórico 2002–2006: reagrupamento da insurgência talibã thumb|left|Mapa detalhando a propagação da insurgência talibã no Afeganistão, 2002-2006 Após a Batalha de Tora Bora e a Operação Anaconda, o Talibã foi derrotado e muitos combatentes talibãs deixaram o movimento ou se retiraram para santuários no Paquistão, onde começaram os estágios iniciais de reagrupamento. Stephen Tanner, Afghanistan: A Military History, Page 317
Panfletos talibãs e de outros grupos foram espalhados nas cidades e na zona rural no início de 2003, exortando os fiéis islâmicos a se rebelarem contra as forças estadunidenses e outros soldados estrangeiros numa guerra santa. Em 27 de janeiro de 2003, durante a Operação Mongoose, um grupo de combatentes foi atacado pelas forças estadunidenses no complexo da caverna Adi Ghar, a 25 km ao norte de Spin Boldak. O local era suspeito de ser uma base para suprimentos e combatentes vindos do Paquistão. Os primeiros ataques isolados de bandos relativamente grandes do Talibã contra alvos afegãos também apareceram nessa época.
Em maio de 2003, o presidente da Suprema Corte do Talibã, Abdul Salam, proclamou que o grupo estava de volta, reagrupado, rearmado e pronto para a guerra de guerrilha para expulsar as forças estadunidenses do Afeganistão.
Pequenos campos de treinamento móveis do Talibã foram estabelecidos ao longo da fronteira para treinar recrutas na guerra de guerrilha, de acordo com um importante combatente talibã Mullah Malang em junho de 2003. A maioria era proveniente de madrassas de áreas tribais no Paquistão. Bases, algumas com até 200 combatentes, emergiram nas áreas tribais no verão de 2003. A vontade do Paquistão de evitar a infiltração era incerta, enquanto as operações militares paquistanesas provaram ser de pouca utilidade.
À medida que o verão de 2003 continuava, os ataques talibãs aumentaram gradualmente em frequência. Dezenas de soldados do governo afegão, trabalhadores humanitários de ONGs e vários soldados estadunidenses morreram nos raides, emboscadas e ataques com foguetes. Além dos ataques da guerrilha, os combatentes talibãs começaram a constituir forças no distrito de Dai Chopan, na província de Zabul. O Talibã decidiu se posicionar ali. Ao longo do verão, cerca de 1.000 guerrilheiros se mudaram para lá. Mais de 220 pessoas, incluindo várias dezenas de policiais afegãos, foram mortas em agosto de 2003.
A Operação Valiant Strike foi uma importante operação militar terrestre dos Estados Unidos no Afeganistão anunciada em 19 de março de 2003, envolvendo o 2.º e o 3.º batalhões do 504.º Regimento de Infantaria de Paraquedistas, tropas romenas e afegãs. As forças combinadas moveram-se através de Kandahar e partes do sul do Afeganistão com o objetivo de eliminar as forças talibãs inimigas e esconderijos de armas enquanto também tentavam reunir informações sobre a atividade do Talibã na área. Na conclusão da operação em 24 de março de 2003, as forças da coalizão detiveram 13 supostos combatentes e confiscaram mais de 170 granadas propelidas por foguete, 180 minas terrestres, 20 rifles automáticos e metralhadoras, bem como muitos foguetes, rifles e lançadores.
As forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos realizaram a Operação Asbury Park em 2 de junho de 2004 e 17 de junho de 2004, da força-tarefa da 22.ª Unidade Expedicionária dos Fuzileiros Navais engajada no combate ao Talibã e outras forças anti-coalizão na província de Oruzgan e na província de Zabul terminando na região de Dai Chopan. Esta operação foi caracterizada por combates atípicos do lado das táticas talibãs e dos outros guerrilheiros encontrados. A 22ª Unidade Expedicionária se deparou com um oponente que frequentemente se entrincheirava e emboscava as forças dos Ffuzileiros navais, em vez dos métodos tradicionais de "bater e correr" (ou "ataque assimétrico"). Como tal, os fuzileiros navais, com a ajuda dos aviões B-1B Lancer, A-10 Warthog e AH-64 Apache, se envolveram em "batalhas campais a cada dia", culminando em uma grande batalha em 8 de junho. Asbury Park
No final de junho até meados de julho de 2005, os United States Navy SEALs realizaram a Operação Asas Vermelhas como uma operação militar conjunta / combinada no distrito de Pech na província de Kunar, nas encostas de uma montanha chamada Sawtalo Sar, a aproximadamente 32 km a oeste da capital provincial de Kunar, Asadabad. A operação tinha como objetivo interromper a atividade da milícia talibã local anti-coalizão, contribuindo assim para a estabilidade regional e facilitando as eleições para o Parlamento afegão programadas para setembro de 2005. Na época, a atividade da milícia anti-coalizão região era realizada principalmente por um pequeno grupo, liderado por um residente local da província de Nangarhar, Ahmad Shah, que tinha aspirações de proeminência fundamentalista islâmica regional. Ele e seu pequeno grupo estavam entre os principais alvos da operação.