A eleição presidencial brasileira de 1930 foi a décima segunda eleição presidencial e a décima primeira eleição presidencial direta. Foi realizada em 1º de março em todos os vinte estados da época e no Distrito Federal, tendo seus resultados divulgados em 20 de março. Foi a última eleição da República Velha.

Júlio Prestes, candidato da situação política, foi eleito com 59.3% dos votos, mas não chegou a tomar posse. Denúncias de fraude eleitoral e o assassinato do vice da chapa perdedora, João Pessoa, levaram à Revolução de 1930, que após um golpe militar entregou o poder a Getúlio Vargas.

Processo eleitoral da última eleição da República Velha (1889-1930) A Constituição de 1891 garantia o direito ao voto a todos os cidadãos com mais de 21 anos com exceção de analfabetos, mendigos, soldados, mulheres e religiosos sujeitos ao voto de obediência. Mesmo com o direito de voto estendido a mais pessoas, apenas uma pequena parcela da população participava das eleições. A Constituição também declarava que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011. O voto para presidente e vice era feito separadamente, tornando possível que o mesmo eleitor escolhesse dois representantes de chapas diferentes.

Durante a República Velha, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças no intuito de fazerem prevalecer seus interesses no âmbito nacional e se revezarem na Presidência da República. Portanto, estes partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo neste período. Estas alianças são chamadas de política do café com leite.

O voto não era secreto, tendo que ser proclamado em voz alta, o que facilitava a manipulação da parte dos líderes políticos locais. O A prática do “voto de cabresto” era comum, fazendo com que, em muitas regiões, os eleitores votassem não de acordo com a sua consciência ou preferência política, mas estritamente com base nas instruções e ordens dadas por um chefe político” local.

As candidaturas, a quebra da política do café com leite e a revolução de 1930

De acordo com a política do café com leite era a vez de um candidato mineiro ser Presidente da República, porém o então presidente paulista Washington Luís decidiu que outro paulista o sucederia, indicando o advogado conservador Júlio Prestes. Com o apoio de dezessete estados da época, Júlio Prestes - pelo Partido Republicano Paulista (PRP) - formou a "Concentração Republicana". O Partido Republicano Mineiro (PRM) não aceitou a candidatura de Júlio e decidiu apoiar o governador de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. O PRM, inseguro com sua situação na eleição, procurou fazer alianças com outros estados, e em 17 de junho de 1929, Antônio Carlos cedeu sua candidatura ao gaúcho Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda do governo do próprio Washington Luís, e filiado ao Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Assim, os três estados dissidentes de Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba formaram a Aliança Liberal (AL), e indicaram o governador do Rio Grande do Sul o ex-militar e advogado Getúlio Vargas para presidente, e o paraibano João Pessoa, sobrinho de Epitácio Pessoa, como candidato a vice.Eleição Presidencial - 1º de março de 1930 (Sábado) (Pós 1945) Acessado em 23/10/2011.

Getúlio Vargas defendeu o voto secreto, reformas democráticas, a independência do judiciário, a anistia para os tenentes envolvidos nas diversas rebeliões ao longo dos anos de 1920, proteção à exportação do café e reformas sociais. Ganhou a adesão do Partido Democrático Paulista, e da maior parte das oposições estaduais. A campanha mobilizou as grandes cidades, mas prevaleceu a fraude praticada por quase todos os partidos envolvidos. Júlio Prestes foi eleito, mas não assumiria o governo em novembro por conta da Revolução de 1930, desencadeada poucas semanas antes de sua posse.

A Aliança Liberal acusou de fraudulento o pleito eleitoral, porém a princípio não exigiu o governo do país. O assassinato de João Pessoa - candidato da chapa da Aliança Liberal à vice-presidência -, ocorrido no final de julho, foi o estopim para o crescimento da oposição ao Governo Washington Luís. Apesar do atentado contra João Pessoa ter sido motivado por questões da política regional da Paraíba, a responsabilidade pelo ocorrido foi atribuída ao governo federal.

Insatisfeitos com o resultado fraudulento, os membros da Aliança Liberal passaram a articular soluções alternativas para o caso, sendo a mais proeminente a saída revolucionária. Para tanto, via-se como necessário o apoio dos militares. Esse apoio foi encontrado entre os oficiais de baixa patente, os tenentes, que já possuíam um histórico de atividade no campo político desde o início da década. O tenentismo em sua grande maioria apoiou esse movimento. Houve mobilização de tropas em várias localidades no país, culminando na deposição de Washington Luís a poucas semanas de transferir a presidência para Julio Prestes, e na indicação de Getúlio Vargas, visto na época como um dos líderes oposicionistas, para a sucessão presidencial.

Depois de formalizada a posse de Vargas, vários tenentes envolvidos na revolução tornaram-se interventores. Luís Carlos Prestes não apoiou o movimento de 1930, pois aderira ao comunismo em maio daquele ano. Tenentes como Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Miguel Costa e quase todos os futuros comandantes militares do golpe militar de 1964 que eram na época jovens tenentes, como Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel, Eduardo Gomes, Castelo Branco, Emílio Médici, Juraci Magalhães e Juarez Távora apoiaram a Revolução de 1930. Em 24 de outubro de 1930 Washington Luís foi deposto pelas Forças Armadas, e sucedido por uma junta provisória composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto, e pelo almirante Isaías de Noronha. Getúlio Vargas então, assume a chefia do "Governo Provisório" em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha e da início a Era Vargas.

Resultados A população aproximada em 1930 era de trinta e sete milhões e quatrocentas mil de pessoas (37.400.000), sendo dois milhões e quinhentos e vinte e cinco (2.525.000) eleitores, dos quais compareceram um milhão e novecentos mil e duzentos e cinquenta e seis (1.900.256), representando 5% da população.

Eleição para presidente do Brasil em 1930 Eleição para vice-presidente do Brasil em 1930CandidatoVotosPorcentagemCandidatoVotosPorcentagem Júlio Prestes 1.091.709 59,39% Vital Soares 1.079.360 59,67% Getúlio Vargas 742.794 40,41% João Pessoa 725.566 40,11% Minervino de Oliveira151 0,008% Gastão Valentim Antunes 141 0,007% Outros 3.550 0,18% Outros 3.723 0,21% Votos nominais 1.838.335 Votos nominais 1.808.790 Votos brancos/nulos 61.921 Votos brancos/nulos 91.466 Total 1.900.256 Total 1.900.256 <small>Fonte: Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral). O Almanaque de Dados da 1a República dá dados ligeiramente diversos, extraídos do Diário do Congresso Nacional e publicações regionais, com 1.089.553 votos dados à Julio Prestes, e 742.879 votos dados a Getúlio Vargas, e que o terceiro mais votado foi Baptista soares, com 225 votos; na vice-presidência, 1.095.693 dados à Vital soares e 722.441 dados a João Pessoa, e 177 votos dados a Valentim Antunes.

Bibliografia PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.

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