thumb|direita|upright=1.3|Busto de Lúcio Cornélio Sula, um dos mais famosos membros da gente Cornélia. A gens Cornélia (; pl. Cornelii) foi a mais distinta de todas as gens da Roma Antiga, especialmente por ter produzido a maior quantidade de pessoas ilustres entre todas as grandes casas de Roma. O primeiro a chegar ao consulado foi Sérvio Cornélio Cosso Maluginense, cônsul em 485 a.C..Smith, Cornelii Juntamente com os Fábios e Valérios, os Cornélios competiam pelos cargos mais altos da magistratura romana do século III a.C. em diante. Mais de 30% de todos os consulados foram ocupados por pessoas desta gente e muitos dos grandes generais romanos também eram Cornélios.
Origem A origem dos Cornélios se perdeu na história, mas o nome "Cornelius" pode ser uma referência a um hipotético cognome "Corneus", que significa "cornudo", ou seja, "de pele grossa ou calosa". A existência deste cognome em períodos muito antigos pode ser inferida pela existência de seu diminutivo, "Corneolus".George Davis Chase, "The Origin of Roman Praenomina", in Harvard Studies in Classical Philology, vol. VIII (1897).
Outra possibilidade é que o nomes tenha relação com o cognome "Cossus", utilizado nos tempos mais antigos pelos membros da gente. "Cossus" pode ser um prenome arcaico utilizado pelos ancestrais dos Cornélios que teria depois sido utilizado como cognome pela gente. Um evento similar aconteceu com a gente Furia, originalmente "Fusia", que evidentemente era derivada do prenome arcaico "Fusus". Os Fúrios depois utilizaram "Fusus" como cognome, exatamente como os Cornélios fizeram com "Cossus". Muito depois de esta família ter desaparecido, "Cossus" foi revivido como prenome pelos Cornélios tardios.
Prenomes Os Cornélios empregaram uma ampla variedade de prenomes ("praenomina") e cada família tinha suas preferências. Sérvio, Lúcio, Públio, Cneu e Marco eram utilizados pela maioria das famílias. Aulo foi utilizado pelos Cornélios Cossos, Caio, tanto pelos Cornélios Cetegos quanto os Lêntulos, e Tibério, pelos Lêntulos, que mais tarde reviveram o cognome "Cosso" como um prenome.
No século I a.C., o ditador Lúcio Cornélio Sula batizou seus filhos gêmeos de Fausto e Fausta, revivendo um antigo prenome que foi regularmente utilizado pelos seus descendentes nos dois séculos seguintes, a única família patrícia a ter utilizado este nome. Acredita-se que a filha mais nova de Sula teria se chamado Póstumo, embora nenhuma outra instância deste nome entre os Cornélios seja conhecida.Mika Kajava, Roman Female Praenomina: Studies in the Nomenclature of Roman Women (1994).
Ramos e cognomes thumb|esquerda|upright=1.4|Cipião Africano libertando Massiva.1719 e 1721. Por Tiepolo, no Museu de Arte Walters, em Baltimore, EUA. A gente Cornélia incluía ramos patrícios e plebeus, mas todas as grandes famílias eram patrícias: Arvina, Blásio, Cetego, Cina, Cosso, Dolabela, Lêntulo, Maluginense, Mamula, Merenda, Mérula, Rufino, Escápula, Cipião, Sisena e Sula. As famílias plebeias eram Balbo e Galo. Além disso há vários cognomes dados aos libertos da gente, como Crisógono, Culeolo e Fagita. Há ainda diversos plebeus mencionados sem nenhum cognome. Na época do Império Romano, o número de cognomes (famílias) cresceu consideravelmente.
A "estirpe" mais antiga dos Cornélios eram os Cossos e os Maluginenses, que, originalmente, eram, com grande probabilidade, uma única família, pois ambos os cognomes apareciam primeiro unidos, como no caso de Sérvio Cornélio Cosso Maluginense, cônsul em 485 a.C.. Logo depois, porém, as famílias se separaram. Os Cossos produziram muitos homens proeminentes nos séculos V e IV a.C., mas depois desapareceu. Os últimos cônsules da família tinham o agnome Arvina. Mais tarde, "Cosso" reapareceu como prenome na família dos Lêntulos, outro ramo dos Cornélios. Os Maluginenses foram cônsules pela última vez em 367 a.C..
Os Cornélios Cipiões ("Scipio") aparecem pela primeira vez no século IV a.C., com Públio Cornélio Cipião, que foi mestre da cavalaria do ditador Marco Fúrio Camilo em 396 a.C. e tribuno consular no ano seguinte. Os Fastos Capitolinos identificam este mestre da cavalaria como sendo "Públio Cornélio Maluginense", o que sugere que os Cipiões podem ter se originado como um ramo dos Maluginenses.Lívio, Ab Urbe Condita v. 19.Fasti Capitolini
Acredita-se que o cognome "Scipio", que significa vara ou cajado, teria sido dado a um Cornélio por ele ter sido como um cajado para guiar seu pai cego ("patrem pro baculo regebat") e o apelido foi deixado para os filhos como nome de família. Alguns dos maiores homens da Roma Antiga foram desta família e tinham os seguintes agnomes: Africano, Asiático, Asina, Barbato, Calvo, Híspalo, Násica e Serapião. Com o cognome adicional "Orfito", a família continuou proeminente até o século II.Macróbio, Saturnalia i. 6.
"Lêntulo" () era o nome da mais altiva família da gente Cornélia; tanto que Cícero criou as palavras "appietas" e "lentulitas" para expressar as qualidades do partido aristocrático (optimates). Quando plebeus aparecem utilizando o nome (como tribunos da plebe, por ex.), sem dúvida eram descendentes de libertos da família. Conta-se que "Lentulus" seria derivado de "lens", "lentilha". Porém, o adjetivo latino "lentulus" significa "lento". Os Lêntulos apareceram pela primeira vez na história na época do saque de Roma pelos gauleses, no início do século IV a.C., e permaneceram relevantes até o século I. Eles utilizaram os agnomes Caudino, Clodiano, Crus, Getúlico, Lupo, Maluginense, Marcelino, Níger, Rufino, Cipião, Esfínter e Sura.Cícero, Epistulae ad Familiares iii. 7. § 5, Pro Lege Manilia 19, Epistulae ad Atticum i. 19. § 2.Plínio, História Natural xviii. 3.
Os Cornélios Rufinos apareceram na segunda metade do século IV a.C., começando com Públio Cornélio Rufino, ditador em 334 a.C.. Pelo cognome "Rufino", que significa "avermelhado, é possível inferir que o primeiro de sua família era ruivo. Um descendente desta família foi o primeiro a assumir o cognome "Sula" na época da Segunda Guerra Púnica. O nome provavelmente era diminutivo de "Sura", um cognome encontrado em diversas gentes, incluindo os Cornélios Lêntulos. Plutarco, que acreditava erroneamente que Lúcio Cornélio Sula seria o primeiro a utilizar este cognome, defendia que tratava-se de uma referência a uma compleição pessoal manchada de vermelho, enquanto que Macróbio Ambrósio Teodósio entendia que o termo seria uma derivação de "Sibila", uma etimologia rejeitada por Quintiliano. Os Sulas continuaram a ocupar as posições mais altas até o período imperial, alguns deles com o agnome Félix.Plutarco, Vidas Paralelas Sulla 2.Macróbio, Saturnalia i. 17.
Os Dolabelas ganharam notoriedade pela primeira vez no século III a.C. e permaneceu relevante até a segunda metade do século I. Os Cornélios Blásios floresceram por cerca de um século, começando no início do século III a.C. Os Cetegos, que apareceram pela primeira vez na última metade do século III a.C., foram descritos por Horácio como "cinctuti Cethegi", por manterem o antigo costume romano de vestirem roupas sem manga.
Os Cornélios Balbos não eram, de forma estrita, parte da gente Cornélia. O primeiro não era sequer cidadão romano e sim um nativo de Gades; seu nome original provavelmente tinha alguma semelhança com o termo latino "Balbus". Caio Cornélio Galo, o poeta e, depois, prefeito do Egito, era evidentemente de ascendência gaulesa. Ainda muito jovem, vivia na cidade romana de Fórum Júlio e foi presumivelmente libertado por um dos Cornélios Cinas ou Sulas. Nenhum de seus descendentes atingiu qualquer proeminência.
Membros
Cornélios Maluginenses Sérvio Cornélio Cosso Maluginense, cônsul em 485 a.C.. Lúcio Cornélio Maluginense, cônsul em 459 a.C.. Marco Cornélio Maluginense, um membro do Segundo Decenvirato em 450 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita iii. 35, 40, 41.Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas x. 58, xi. 15, 23. Marco Cornélio Maluginense, cônsul em 436 a.C.. Públio Cornélio Maluginense, tribuno consular em 404 a.C.. Públio Cornélio Maluginense, tribuno consular em 397 e 390 e mestre da cavalaria em 396 a.C.. Públio Cornélio Maluginense Cosso, tribuno consular em 395 e cônsul em 393 a.C.. Marco Cornélio Maluginense, censor em 393 a.C.. Sérvio Cornélio Maluginense, tribuno consular em 386, 384, 382, 380, 376, 370 e 368 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita vi. 6, 18, 22, 27, 36, 38.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica xv. 71. Marco Cornélio Maluginense, tribuno consular em 369 e 367 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita vi. 36, 42. Sérvio Cornélio Maluginense, mestre da cavalaria em 361 a.C..
Cornélios Cossos Sérvio Cornélio Cosso Maluginense, cônsul em 485 a.C.. Sérvio Cornélio Cosso, tribuno consular em 434 a.C..Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica xii. 53.Lívio, Ab Urbe Condita iv. 23. Aulo Cornélio Cosso, cônsul em 428 e tribuno consular em 426 a.C., matou Lars Tolúmnio, rei de Veios. Públio Cornélio Cosso, tribuno consular em 415 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita iv. 49.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica xiii. 34. Cneu Cornélio Cosso, tribuno consular em 415 e cônsul em 409 a.C.. Aulo Cornélio Cosso, cônsul em 413 a.C.. Públio Cornélio Cosso, tribuno consular em 408 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita iv. 56.Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica xiii. 104. Públio Cornélio Rutilo Cosso, ditador em 408 e tribuno consular em 406 a.C.. Cneu Cornélio Cosso, tribuno consular em 406, 404 e 401 a.C.. Públio Cornélio Maluginense Cosso, tribuno consular em 395 e cônsul em 393 a.C.. Aulo Cornélio Cosso, ditador em 385 a.C.. Aulo Cornélio Cosso, tribuno consular em 369 e 367 a.C.. Aulo Cornélio Cosso Arvina, cônsul em 343 e 332 e ditador em 322 a.C.. Públio Cornélio Arvina, cônsul em 306 e 288 e censor em 294 a.C..
Cornélios Cipiões Públio Cornélio Maluginense Cipião, mestre da cavalaria em 396 a.C. e tribuno consular em 395 e 394 a.C..Robert T. Broughton, The Magistrates of Roman Republic, v.1 p. 88 Lúcio Cornélio Cipião, um dos dois primeiros edil curules nomeados em 366 a.C. e mestre da cavalaria em 350 a.C.. Lúcio Cornélio P. f. Cipião, cônsul em 350 a.C.. Públio Cornélio Cipião Escápula, cônsul em 328 a.C. e ditador em 306..Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (1952).Friedrich Münzer, "Roman Aristocratic Parties e Families" p. 42. Lúcio Cornélio Cipião Barbato, cônsul em 298 a.C. e censor em 280 a.C.. Cneu Cornélio Cipião Asina, cônsul em 260 e 254 a.C., durante a Primeira Guerra Púnica. Lúcio Cornélio Cipião, cônsul em 259 a.C. e censor em 258 a.C., capturou Sardenha e Córsega. Públio Cornélio Cipião Asina, cônsul em 221 a.C.. Cneu Cornélio Cipião Calvo, cônsul em 222 a.C., assassinado na Hispânia em 211 a.C.. Públio Cornélio Cipião, cônsul em 218 a.C., assassinado na Hispânia em 211 a.C.. Lúcio Cornélio Cipião, irmão do anterior. Públio Cornélio Cipião Africano, conquistador de Aníbal; cônsul em 205 e 194 a.C. e censor em 199 a.C.; príncipe do senado. Públio Cornélio Cipião Násica, cônsul em 191 a.C.. Lúcio Cornélio Cipião Asiático, cônsul em 190 a.C.. Conquistador de Antíoco III, o Grande em 189 a.C.. Públio Cornélio Cipião Africano, eleito áugure em 180 a.C. e flâmine dial. Lúcio Cornélio Cipião Africano, pretor peregrino em 174 a.C., expulso do Senado Romano pelos censores. Cornélia Africana Maior, esposa de Públio Cornélio Cipião Násica Córculo. Cornélia Africana, esposa de Tibério Semprônio Graco Maior. Cneu Cornélio Cipião Híspalo, cônsul em 176 a.C.. Lúcio Cornélio Cipião Asiático, questor em 167 a.C.. Públio Cornélio Cipião Násica Córculo, cônsul em 162 e 155 a.C. e censor em 159 a.C.; príncipe do senado. Públio Cornélio Cipião Emiliano Africano Menor, cônsul em 147 e 134 a.C. e censor em 142 a.C.. Cneu Cornélio Cipião Híspalo, pretor em 139 a.C.. Públio Cornélio Cipião Násica Serapião, cônsul em 138 a.C.. Públio Cornélio Cipião Násica, cônsul em 111 a.C..