Biblioteca das Moças foi uma coleção de romances publicada pela Companhia Editora Nacional, no Brasil, entre 1920 e 1960, especializada em literatura para jovens mulheres. A coleção era composta por cerca de 180 volumes, compreendendo romances de vários autores, a grande maioria assinada por M. Delly. Publicados entre 1920 e 1960 pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, com a reedição de alguns exemplares nos anos 80. Os romances geralmente eram ambientados na França e possuíam enredos com estrutura bem definidaCUNHA, Maria Teresa Santos. Armadilhas da sedução. Os romances de M.Delly. Belo Horizonte: Autêntica. 1999: o herói nobre e rico e a heroína plebéia e pobre, perfazendo uma trama complexa que finalizava com o casamento feliz, tal qual nos contos de fada. O casamento era apresentado como a redenção da mulher, e todos os romances terminavam com o encontro do herói com a "mocinha".

Histórico thumb|right|150px|Louisa May Alcott, autora do livro “Boas Esposas” (Good Wives), de 1869, primeiro volume da Biblioteca das Moças. A Coleção Biblioteca das Moças foi organizada entre 1920 e 1960, com uma tentativa de retorno em 1980. Seu início se deu em um período em que os livros estrangeiros, em especial os franceses e portugueses, começaram a ser importados para o Brasil. Havia uma tentativa de expansão do mercado editorial brasileiro, caracterizado pela busca de novos leitores, em especial as mulheres. Por volta de 1920, as jovens começaram a freqüentar as livrarias, escolhendo e comprando os próprios livros, e a Biblioteca das Moças foi organizada em função dessa alternativa, destinada ao público feminino da época. Os romances de amor, em especial os franceses, eram os mais consumidos pelas mulheres jovens da elite brasileira, e através deles houve a “importação de um modelo aristocrático notadamente francês para a educação feminina, como ler romances, por exemplo, dispositivos que vão ajudando a constituir culturalmente uma imagem da mulher burguesaCUNHA, 1995”.

Os romances que foram trazidos pela Biblioteca das Moças começaram a ser editados na França a partir de 1920. Em especial as obras de M. Delly, que foram publicados também em Portugal, na época, em uma coleção denominada de Biblioteca das Famílias, foram importadas de Portugal em 1924. Eram edições baratas, vendidas em livrarias e em bancas de jornal, e tiveram grande aceitação entre as jovens, ficando conhecidas como uma “literatura cor-de-rosa”.

Em 1930, a Companhia Editora Nacional chegou a publicar mais de 900 mil exemplares, em 1940 esse número chegou a 1.4 milhão, e em 1950 o número total de publicações duplicou em relação à década anterior, alcançando mais de 2,9 milhões de exemplares publicados. Na década de 1960 houve uma queda vertiginosa de publicação, com pouco mais de 130 mil exemplares. Quando ocorreu o retorno da publicação, em 1980, houve a média de 165 mil exemplares, 30 mil a mais em relação à década de 1960, mas a maioria dos livros era de M.Delly – 66% do número total publicado deste período. Analisando os títulos publicados se conclui que a editora praticamente só reeditou os títulos de M.Delly; logo após este período, não há mais registros de publicação dos seus títulos pela CEN.LANG, Cintia da Silva. Bastidores da Produção da Coleção Biblioteca das Moças.

Autores thumb|right|150px|Elinor Glyn, uma das autoras divulgadas no Brasil através da Biblioteca das Moças, autora de 15 dos livros da coleção. thumb|right|150px|Germaine Acremant (1924), autora de "Solteironas de Chapéu verde" Os autores mais conhecidos dessa coleção eram um casal de irmãos franceses que utilizavam o pseudônimo M. Delly e que detinham o maior número de títulos - cerca de 35 em um total de 175 - e o maior número de edições.

Outra autora de sucesso da coleção foi Elinor Glyn, pseudônimo de Elinor Sutherland, uma das precursoras da ficção erótica para mulheres. Foi ela quem cunhou o uso de "It" como um eufemismo para sexualidade ou para atração sexual, através de seu livro "O It", de 1927.

Concordia Merrel aparece com 13 livros e Florence L. Barclay com 6 livros na coleção, e é autora, entre outros de "O Rosário" (The Rosary), de 1909. Além delas, a coleção conta com autoras como Louisa May Alcott, autora de Mulherzinhas (“Little Women”), de 1868, e de "Boas Esposas" (“Good Wives”), de 1869, o primeiro volume da coleção; Eleanor H. Porter - com as conhecidas obras Pollyanna e Pollyanna Moça - ; Eugenie Marlitt e Wilhelmine Heimburg, entre outras.

As traduções contam com autores como Jorge Amado, Godofredo Rangel, Ligia Estrada e Tito Marcondes, entre outros.

Títulos principais thumb|right|150px|Ellen Wood, autora de “O Pecado de Lady Isabel”. thumb|right|150px|Jean Webster, autora de “O Querido inimigo”, que foi traduzido por Monteiro Lobato para a Companhia Editora Nacional. thumb|right|150px|Wilhelmine Heimburg, autora de “Vendida!”, traduzido por Godofredo Rangel. Fonte:Catálogo da Companhia Editora Nacional Primeiros títulos Os livros da Biblioteca das Moças começaram a ser lançados por volta dos anos 20, e “O Rosário”, de Florence L. Barclay, escrito em 1909, foi a primeira publicação, em 1926. Alguns livros foram lançados apenas em uma ou duas edições, enquanto outros alcançaram sucesso e figuraram diversas vezes na coleção, alguns com mais de 10 edições. Entre os títulos que não permaneceram por muito tempo na coleção, estão: Doida Aventura, Guy Chantepleure, apenas uma edição, em 1927. A Volta (“Au Retour”), Henri Ardel. Duas edições: 1927, 1931. Tradução de Mário de Lurdel. Acompanhando a Estrela, Florence L. Barclay, apenas uma edição, em 1928. Voltou, mas Esqueceu, Florence L. Barclay, apenas uma edição, em 1928. Contas do Terço, Mário Sette, apenas uma edição, em 1928. Jardim Fechado, Florence L. Barclay, tradução de Martha de Sá, apenas uma edição, em 1928. Perdida ("Perdue"), Henry Gréville, única edição em 1928. Segunda Mãe ("La Seconde Mère"), Henry Gréville, uma só edição em 1928. O Castelo Encantado, Guy Chantepleure, duas edições: 1928, 1929. Tradução de Godofredo Rangel. A Comédia Nupcial, Guy Chantepleure, apenas uma edição, em 1929. Sônia ("Sonia"), Henry Gréville, tradução de Jorge Jobim, apenas uma edição, em 1929. Alvorada de Amor, Flora Klickmann. Tradução de Godofredo Rangel. Apenas uma edição, em 1929. A Princesinha, Henri Bordeaux, uma única edição em 1929. Casamento de Chiffon, Gyp,GYP é o pseudônimo da Condessa de Martel de Janville (Sibylle Gabrielle de Marie-Antoinette de Riquetti de Mirabeau) 1849 – 1932 apenas uma edição, em 1930, tradução de Mário Sette. Dosia ("Dosia"), Henry Gréville, apenas uma edição, em 1930. O Segredo da Solteirona, E. Marlitt, teve 3 edições, a última em 1930. Lazarina, Paul Bourget. Teve 4 edições, a última em 1931. Quando Éramos Dois, Huguette Garnier, única edição em 1932, com tradução de Ribeiro Couto.Biblioteca Municipal de Matosinhos Nobreza Americana ("Noblesse Américaine"), Pierre de Coulevain, uma única edição, em 1934. Tradução de Moacyr Deabreu.Catálogo da Biblioteca de Caxias do Sul Patty (“Just Patty”), Jean Webster, tradução de Monteiro Lobato.Traduções de Monteiro Lobato Só uma edição, em 1934. O Bosque Encantado, Jeanne Perdriel-Vaissière, apenas uma edição, em 1934. Tradução de Gustavo Barroso. A Caminho da Felicidade, Abel Risse, apenas uma edição, em 1934. Tradução de Benjamin Lima. O Homem sem coração, Ruby M. Ayres, apenas uma edição, em 1935. Tradução de Albertino Pinheiro. Ignez, Gabriel d'Aubarède, apenas uma edição, em 1935. Tradução de René de Castro.Biblioteca de Matosinhos

Coleção numeradaKIRCHNER, Cássia Aparecida Sales Magalhães. Práticas de leitura: a Coleção Biblioteca das Moças no Instituto de Educação "Carlos Gomes" em Campinas (1951-1976). Tese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação. Páginas 180-238 Boas Esposas (“Good Wives”), de Louisa May Alcott, escrito em 1869, tradução de Genolino Amado. A 1ª edição pela Companhia Editora Nacional foi em 1935, e a última em 1983, tendo no total 5 edições. Traduzido, eventualmente, como “As Mulherzinhas Crescem”. Louco Amor (Charlotte Mary Brame), tradução de Luiz Amaral. A 1ª edição em 1935, a última em 1957, 3 edições, a 3ª edição em 2 volumes. Francesca (“Francesca”), de Cecil Adair, tradução de Godofredo Rangel. A 1ª edição pela Companhia Editora Nacional foi em 1935, e a última em 1947, tendo no total 3 edições. Nina Rosa (“Ninon Rose”), de Guy Wirta, escrito em 1923, tradução de Pepita de Leão. A 1ª edição é de 1928, a última de 1984, 9 edições. O Amor Nunca Morre (“Lilac Time”), de Guy Flower,No Brasil, o nome Fowler foi grafado como Flower. tradução de Azevedo Amaral. A 1ª edição é de 1935 e a última de 1984, perfazendo 6 edições. O livro foi transformado em filme em 1928, e ficou conhecido, também, como “Love Never Die”.Lilac TimeFilmaffinityEncyclo-cine Um nobre amor (Florence L. Barclay), tradução de Luiz Amaral. A 1ª edição é de 1935, a 2ª 1948. Só teve duas edições. Por Quê? (“The Reason Wy”), de Elinor Glyn, escrito em 1911. A 1ª edição é de 1935, a última de 1960, 9 edições. O Grande Momento (“The Great Moment”), de Elinor Glyn, escrito em 1925. A 1ª edição é de 1935, a última de 1955, num total de 5 edições. O Casamento de Ana (Concordia Merrel), tradução de Azevedo Amaral. A 1ª edição é de 1935, a última de 1984, num total de 6 edições. Vendida! (W. Heimburg), tradução de Godofredo Rangel. Teve 4 edições, a 1ª em 1935, a última em 1956. Casamento de Experiência (Concordia Merrel), tradução de Oliveira Ribeiro Neto. A 1ª edição é de 1935, a última de 1960, em 5 edições. A Noiva (Fiancée D Avril), de Guy Chantepleure. A 1ª edição é de 1929, a última de 1956, foram 8 edições. Tradução de Theobaldo Sirginde. Beijo ao Luar (Guy Chantepleure). A 1ª edição é de 1930, a última de 1955, em 7 edições. Paixão e Sangue (Marie Adelaide Belloc Lowndes), tradução de Azevedo Amaral. A 1ª edição é de 1936, a última de 1955, 3 edições. Filha e Rival (Henri Ardel). A 1ª edição foi em 1936, a última em 1955, com 3 edições. Primeiro amor (Marion Forrester), tradução de Oliveira Ribeiro Neto. Apenas uma edição, em 1936. Seis Dias de Amor (“Six Days”), de Elinor Glyn, escrito em 1924. A 1ª edição é de 1934, e a última de 1955, 6 edições. O Rapto de Jadette (“L’Enlèvement de Jadette”), de Dyvonne, tradução de Sarah Pinto de Almeida. A 1ª edição em 1936, a última em 1956, 3 edições. Uma Moça de Hoje (T. Trilby). A 1ª edição em 1932, a última em 1955, teve 6 edições. A Aliança Partida (Charlotte Mary Brame). A 1ª edição é de 1933, a última de 1948, num total de 6 edições. A Sogra ("Mother-in-law"), de Emma Southworth, tradução de Oliveira Ribeiro Neto. A 1ª edição é de 1936, a última de 1984, 5 edições. Elfrida (“Elfrida Norstein”, 2ª parte de “Le Secret de la Sarrasine”), de M. Delly. A 1ª edição é de 1930, a última de 1957, em 9 edições. Na 9ª edição, foi dividido em 2 volumes. O Perfume do Passado (Acton Davies), tradução de Flávio de Campos. A 1ª edição em 1936, a 2ª em 1941. Só teve 2 edições. O Noivo Desconhecido (Eveline Le Maire), tradução de L. C. Berrini. A 1ª edição é de 1932, a última de 1955, 6 edições. Redimida (Letty Lyton) de Marie Adelaide Belloc Lowndes. A 1ª edição é de 1936, a última de 1948, 3 edições. Letty Lynton serviu de base para o filme estadunidense homônimo de 1932, estrelado por Joan Crawford e Robert Montgomery, sob direção de Clarence Brown.Letty Lynton – IMDBCinetógrafo O romance foi traduzido, para o cinema, como “Enfeitiçados”. Escrava... ou Rainha? (.“Esclave... ou reine?” “Esclave... ou Reine”), de M. Delly. Foi o livro da Biblioteca das Moças que mais foi editado, num total de 20 edições, sendo a última em 1985. Abandonada (Henri Ardel). A 1ª edição foi em 1933, e a última em 1956, tendo 6 edições.