Galegos são um grupo nacional, cultural e etnolinguístico que habitam primariamente a Galiza, região autónoma espanhola no extremo noroeste da Península Ibérica. A sua língua nativa e histórica é o galego. Porém, Madrid tem, pela castelhanização colocado a língua galega em perigo, sendo hoje o castelhano amplamente falado na Galiza, além do galego.

A Comunidade Autónoma da Galiza, um conceito estabelecido na Constituição espanhola de 1978, é composta por quatro províncias: Corunha (em língua galega e oficialmente A Coruña, em reintegrado A Corunha ou Corunha, em castelhano La Coruña), Lugo, Ourense (em galego e oficialmente Ourense, em reintegrado Ourense, em castelhano Orense) e Pontevedra.

No Estatuto de Autonomia da Galiza de 1981 é reconhecida nacionalidade histórica. Na Sociedade das Nações foi reconhecida nacionalidade europeia em 1933.

Outras áreas de língua galega estão localizadas nas províncias espanholas de Leão e Zamora nas comunidades autónomas de Castela e Leão, das Astúrias e da Estremadura (xalimego).

População O organismo estatístico regional da Galiza é o Instituto Galego de Estatística (IGE). Segundo o grupo, em 2008 a população total foi de 2 783 000. As línguas oficiais são o galego e o espanhol. O conhecimento da língua espanhola é obrigatório de acordo com a constituição espanhola e praticamente universal. Quanto à fala do galego, após muitos anos de declínio, atualmente, cerca de 82% da população da Galiza fala galego e cerca de 61% da população tem-no como língua materna.

Além disso, a Galiza apresenta uma distribuição populacional bastante desigual, com uma maior concentração de habitantes nas áreas costeiras e nas principais cidades, como Vigo, Corunha e Santiago de Compostela, enquanto o interior da região tende a ser mais rural e menos povoado. Esta dinâmica influencia não só a economia e os serviços públicos, mas também a preservação e o uso do galego, que tende a ser mais dominante nas zonas rurais, ao passo que nas áreas urbanas o castelhano predomina em contextos formais e educativos. O envelhecimento da população é outro fator relevante, refletindo tendências demográficas semelhantes às do conjunto de Espanha, com uma proporção crescente de idosos e uma taxa de natalidade relativamente baixa.

Cultura

Celtismo De raízes célticas, a cultura galega é rica e remonta à época pré-romana. Na Galiza, aproximadamente a metade dos topónimos não latinos transmitidos desde a antiguidade nas obras dos autores e geógrafos clássicos (Pompônio Mela, Plínio, Ptolemeu, etc.), ou nas inscrições epigráficas romanas, resultaram ser de origem celta.Curchin (2008) pp. 109, 130-131.Vallejo (2009) pp. 272-273. Há historiadores que, sem negar essas raízes culturais, acreditam que foram usadas politicamente para afirmar as realidades nacionais da Galiza e de Portugal, em particular no século XIX.

De qualquer forma, "celta" é um termo polissêmico como "latino" pode ser, e os laços entre Galiza e Irlanda foram historicamente destacados pela cultura irlandesa, desde o Lebor Gabála Érenn até as peregrinações do St. James Gate em Dublin ou o exílio após a Fuga dos Condes no século XVI. Santiago tornou-se, segundo o Bispo Thomas Strong (tio de Thomas White, fundador do Colégio dos Irlandeses de Compostela) a «verdadeira capital do povo irlandês no exílio». Dois séculos mais tarde, esta tradição influiu no Rexurdimento e levou à consideração do mito fundador por vários intelectuais galegos (Vicetto, Murguía, etc.) e a sua inclusão no hino Os Pinos de Pascual Veiga e Pondal.

Portugal e a Galiza A similaridade entre as culturas portuguesa e galega é marcante e perceptível, ao ponto de muitos estudiosos não identificarem uma divisão nítida entre os dois povos irmãos. No caso da língua, por exemplo, sabe-se que as duas (portuguesa e galega) partilham uma origem comum relativamente recente no galego-português, também chamado de galaico-português, e muitos linguistas ainda consideram o galego e o português contemporâneos como dois dialetos de uma mesma língua, corrente na qual se insere o movimento reintegracionista.cfr. pág 1775, Díaz Pardo (2007)

Com base em tais semelhanças, as relações culturais entre Portugal e a Galiza têm-se vindo a fortalecer nos últimos anos e este movimento histórico de reaproximação já produz frutos concretos, refletindo-se, nomeadamente, no reconhecimento por parte da UE do Patrimônio Imaterial Galego-Português.miniaturadaimagem|Bandeira da Galiza.|esquerda|231x231pxEntretanto, vertentes pró-castelhanas, as quais afirmam que o galego é um idioma mais antigo que o português, têm uma postura diferente, considerando que o português é uma «mistura» do galaico-português medieval com aos dialectos árabes que se falavam no território português (ao sul da Península Ibérica), e portanto, idioma de mesma raiz, mas distinto do galego. Assim, separar de tal formas estas duas línguas revela-se intrinsecamente incorreto também pela factualidade da aproximação linguística das português e do galego.

Algo é certo, a riqueza literária do galaico-português, evidente nas cantigas de amigo, de amor e de escárnio e maldizer, mostra que já no século XIII existia uma tradição poética sofisticada que transcende fronteiras modernas e reforça a unidade histórica e cultural destas línguas.

Migrações miniaturadaimagem|Dornas na ria de ArousaComo outras regiões da Espanha, a Galiza tem sido um paradigma da emigração em massa. A emigração galega foi notável para outras partes do país, Portugal, resto da Europa e América do Sul. Ao contrário de outras regiões espanholas (País Basco e Catalunha) — mais ricas e urbanizadas —, a Galiza manteve-se relativamente fraca, dominada pela agricultura e vilas rurais. Além do mais, o seu setor agrícola continua a ser um dos mais atrasados em Espanha. Por essas e outras razões, a Galiza era um exportador de mão de obra para o resto da Espanha. Entre 1900 e 1981, a saída líquida de pessoas da Galiza foi mais do que pessoas. Na realidade, a cidade com o segundo maior número de população galega é Buenos Aires, na Argentina, onde imigração da Galiza era tão maciça que todos os espanhóis são agora conhecidos como gallegos (em espanhol, galegos). Durante a ditadura de Franco houve uma nova onda de emigração da Galiza a outros países europeus, como França, Suíça e Reino Unido.

Estima-se que haja, atualmente, cerca de 10 milhões de descendentes ao redor do mundo.

No Brasil O gentílico «galego» é atribuído em certas regiões brasileiras a pessoas brancas de cabelos e olhos claros e na Galiza há, de facto, uma percentagem de louros algo maior por causas históricas, no entanto, a população de modo geral se caracteriza por olhos e cabelos escuros, além da pele branca clara.

O Brasil atualmente abriga a terceira maior diáspora galega fora da Espanha, atrás apenas da Argentina e Venezuela. Com o tempo, houve também uma grande miscigenação dos descendentes de galegos no Brasil e em outros países do mundo com os locais, e a gradual integração da diáspora à população brasileira.

Um dos reflexos dessa imigração é a preferência pelo uso do nome "Galícia" em detrimento de Galiza no Brasil, uma vez que a diáspora se refere à sua terra pelo nome mais comum em galego, "Galicia". Dessa forma, no geral, o termo Galiza passou a ser mais adotado em portugal, enquanto no Brasil se utlizia com maior frequência a versão galega do nome.

Ligações externas

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