Jardim São Bento é um bairro-jardim localizado na Zona Norte do município de São Paulo. Integra o distrito da Casa Verde, administrado pela Subprefeitura da Casa Verde/Cachoeirinha, e faz divisa, a leste, com o distrito de Santana. Com aproximadamente 600 mil metros quadrados, foi concebido como um loteamento predominantemente residencial, formado por habitações unifamiliares, lotes de grandes dimensões, ruas arborizadas e traçado adaptado à topografia local.
História
Até as primeiras décadas do século XX, a área do atual bairro conservava características rurais. Por volta de 1900, o território encontrava-se dividido entre propriedades como o Sítio da Casa Verde, a Chácara Baruel, o Sítio Mandaqui e o Sítio Morrinhos, situado na área posteriormente ocupada pelo Jardim São Bento. A casa rural do Sítio Morrinhos foi utilizada pela família Baruel entre 1857 e 1882. Em 1902, a propriedade foi adquirida em leilão para o Mosteiro de São Bento, passando a funcionar como chácara de repouso e recreação de seus membros e alunos. Em 1911, o imóvel foi incorporado ao patrimônio da Associação Pedagógica Paulista, instituição ligada aos beneditinos. A casa-sede apresenta sobre sua porta principal a inscrição “1702”, considerada uma provável referência ao ano de sua construção, e conserva características da arquitetura rural paulista executada em taipa de pilão.
A expansão urbana da Zona Norte levou o Mosteiro de São Bento, em associação com a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A., a promover a transformação das terras situadas ao redor do Sítio Morrinhos em um loteamento residencial. Segundo o estudo de Luciana Monzillo Oliveira e Adriana Monzillo Oliveira, a escritura de doação do loteamento denominado Jardim São Bento foi lavrada em 16 de abril de 1948, embora a regularização de seu arruamento tenha ocorrido apenas em 30 de julho de 1994. Anúncios publicados em 1949 apresentavam o empreendimento como uma alternativa aos bairros-jardins já existentes nas zonas oeste e sul da cidade e destacavam sua distância de aproximadamente 6,7 quilômetros em relação à antiga Praça do Correio, no centro paulistano.
O projeto previa aproximadamente setecentos lotes para residências unifamiliares, além de uma área de três mil metros quadrados reservada à construção de uma igreja. O loteamento foi delimitado pela Avenida Brás Leme, ao sul; pelas ruas Certosinos e Ouro Grosso, a oeste; pela Rua Núrsia, ao norte; e pela Rua Leão XIII, a leste. Seu sistema viário foi composto por dezesseis ruas e 22 quadras, além de sete pequenas vielas originalmente destinadas à circulação de pedestres, posteriormente fechadas. Entre as vias implantadas encontram-se as ruas Santo Anselmo, Monte Cassino, Tibães, Subiaco, São Mauro, São Plácido, São Bruno, Frei Machado e Dom Domingos de Silos, cujas denominações remetem, em grande parte, à tradição católica e beneditina.
O desenho das ruas acompanhou as curvas de nível do terreno, formando um traçado sinuoso e orgânico, característico dos projetos inspirados nos princípios da cidade-jardim. A diferença de altitude entre as porções mais altas e mais baixas do loteamento é de aproximadamente sessenta metros, condição que influenciou diretamente a implantação das vias e das quadras. O projeto também previa arborização com espécies como eucaliptos, pinheiros, cedros e olmos, além da conservação de uma área verde de aproximadamente quarenta mil metros quadrados junto ao Sítio Morrinhos. Fotografias e levantamentos cartográficos mostram que, em 1954, o bairro ainda apresentava ocupação reduzida, com apenas 24 construções, enquanto as áreas vizinhas da Casa Verde e de Santana já possuíam urbanização mais consolidada.
Um acordo realizado em 1952 entre o Mosteiro de São Bento e a Camargo Corrêa transferiu para Sebastião Ferraz de Camargo o lote no qual se encontrava o conjunto arquitetônico do Sítio Morrinhos. No mesmo ano, o imóvel foi doado à Prefeitura do Município de São Paulo. O conjunto é formado pela casa-sede do início do século XVIII e por construções anexas dos séculos XIX e XX, anteriormente utilizadas como alojamentos, oficinas e abrigos para animais. Após obras de consolidação estrutural iniciadas em 1984 e um processo de restauração desenvolvido a partir de 2000, o espaço foi reaberto ao público em 2008 e passou a abrigar o Centro de Arqueologia de São Paulo, vinculado ao Museu da Cidade de São Paulo.
Levantamento baseado em uma imagem aérea de 2017 identificou no Jardim São Bento a permanência de edificações de baixa altura, geralmente com até dois pavimentos, ruas densamente arborizadas, praças e lotes maiores do que os encontrados nos bairros circundantes. Essas características diferenciam sua paisagem do tecido urbano mais regular e verticalizado de partes de Santana e da Casa Verde. As autoras do estudo morfológico classificam o bairro como um fragmento urbano planejado originalmente para grupos de maior renda e observam que suas condições paisagísticas e ambientais contrastam com as de localidades vizinhas. Essa diferenciação insere o Jardim São Bento no debate sobre a formação dos bairros-jardins paulistanos e sobre as desigualdades existentes entre diferentes porções do território municipal.
Situa-se no bairro a Casa-Mãe dos Arautos do Evangelho, a Sociedade Amigos do Jardim São Bento, a Paróquia Nossa Senhora Consolata e a ex-sede da Riachuelo, tranformada no SESC Casa Verde, o Parque Linear e a Ciclovia Braz Leme,Praça Braz LemeSMT inaugura duas Ciclofaixas de Lazer nas Zonas Norte e Leste e a Ciclovia Braz Leme além do futuro Parque Sítio Morrinhos, que ocupará uma área de aproximadamente 35 mil m². Localizado entre a Rua Santo Anselmo e Avenida Braz Leme, o ambiente possui uma casa construída no início do século XVIII e que abriga o Museu da Cidade e o Centro de Arqueologia de São Paulo. Não há ainda previsão exata de término do projeto.É tido pelo CRECI como uma "Zona de Valor B". Mesma classificação do: Brooklin, Cerqueira César e Alto de Santana, outras áreas nobres da capital.
Na ficção: a novela "Sangue Bom", produzida pela Rede Globo, com direção de núcleo de Dennis Carvalho e direção geral de Carlos Araújo destaca a Zona Norte de São Paulo como um dos principais cenários de sua narrativa. Bairros como Casa Verde e Brasilândia são frequentemente mencionados e utilizados como ambientações. Adicionalmente, o bairro é apresentado como um local habitado por indivíduos de maior poder aquisitivo do núcleo rico da novela. Bibliografia
Categoria:Bairros da Casa Verde