A Batalha de Svolder (; ; ; em nórdico antigo Svǫlðr, Svöldr, Svöld) foi travada em setembro de 999 ou 1000 em lugar incerto - talvez no estreito de Öresund ou talvez perto da ilha de Rügen no oeste do Báltico - entre o rei e uma aliança de seus inimigos, com , Olavo da Suécia e o conde norueguês Érico. O contexto da batalha é a unificação da Noruega em um único Estado, antigos esforços dinamarqueses de obter controle do país e a disseminação do Cristianismo na Escandinávia.

Rei Olavo estava navegando para casa após uma expedição à Vendlândia (Pomerânia), quando sofreu uma emboscada por uma aliança de Sueno, Olavo e Érico. Olavo possuía somente onze embarcações de guerra na batalha contra uma frota de pelo menos setenta. Seus navios foram abatidos um por um, sendo o último a Longa Serpente, a qual Érico capturou enquanto Olavo se jogava no mar. Após a batalha, a Noruega foi dominada pelos condes de Lade como um feudo da Dinamarca e da Suécia.

As fontes mais detalhadas sobre a batalha, as sagas dos reis, foram escritas aproximadamente dois séculos após terem acontecido. Não-confiáveis historicamente, oferecem um relato literário estendido descrevendo a batalha e os eventos que levaram a ela em vívidos detalhes. As sagas relacionam as causas da batalha como a má-sucedida proposta de casamento de Olavo para Sigride, a Orgulhosa e seu problemático casamento com Tira, irmã de Sueno Barba-Bifurcada. Quando a batalha começa, Olavo é apresentado subestimando as frotas dinamarquesas e suecas com insultos étnicos e bravatas, enquanto admitindo que Érico e seus homens são perigosos porque "eles são noruegueses como nós". O episódio mais conhecido na batalha é a quebra do arco de Einar Agitador do Arco, o que proclama a derrota de Olavo.

Nos séculos posteriores, as descrições de batalha das sagas, especialmente aquela no Círculo do Mundo de Snorri Sturluson, inspiraram várias baladas e outros trabalhos de literatura.

Contexto

Na mais antiga história em registro, a Noruega estava dividida em diversos reinos, pequenos e por vezes em guerra, com fraca autoridade central. Na historiografia tradicional, a ascensão de Haroldo Cabelo Belo no iniciou o processo de unificação do país e a consolidação do poder real. Os descendentes de Cabelo Belo, e outros reivindicadores do trono, tiveram que competir com fortes líderes regionais, como os condes de Lade no norte e os reis de Vingulmarca no leste, enquanto os reis da Dinamarca reivindicavam regiões no sul e estavam ávidos para adquirir os vassalos noruegueses para aumentar sua influência. A disseminação do Cristianismo também tornou-se um assunto político cada vez mais importante no final do .

thumb|250px|Aclamado como rei em 995, Olavo rapidamente procurou converter a Noruega ao Cristianismo, usando todos os meios à sua disposição

Na década de 970, Haquino Sigurdsson, conde de Lade, se tornou o homem mais poderoso da Noruega, no começo, apoiado por Haroldo Dente-Azul da Dinamarca e pagando tributos a ele — apesar dos dois mais tarde brigarem devido a questões religiosas. Haroldo havia se convertido ao Cristianismo e estava ansioso por cristianizar a Noruega, enquanto Haquino permaneceu um sólido pagão. Em 995, Haquino foi deposto e o jovem líder cristão Olavo Tryggvason subiu ao trono.

Enquanto rejeitando a autoridade dinamarquesa, Olavo fez de sua missão converter a Noruega e as colônias nórdicas no oeste o mais rápido e completamente possível. A partir de ameaças, torturas e execuções, Olavo quebrou a resistência pagã e dentro de poucos anos a Noruega era, pelo menos nominalmente, um país cristão. Porém, o Rei fez muitos inimigos durante sua meteórica ascensão ao poder. Os mais proeminentes eram conde Érico, filho do conde Haquino, e Sueno Barba-Bifurcada, rei da Dinamarca, ambos sentindo que Olavo os havia desprovido de suas partes da Noruega.

Os mesmos interesses que entraram em conflito na Batalha de Svolder dividiriam a Noruega por décadas a seguir, levando a outros grandes engajamentos, incluindo a Batalha de Nesjar e a Batalha de Stiklestad. A resolução veio em 1035 com a ascensão do norueguês Magno, o Bom ao trono de uma Noruega independente e cristã.

Fontes thumb|esquerda|Ainda que a batalha seja descrita em diversas fontes medievais, a narrativa em Círculo do Mundo de Snorri Sturluson é o relato mais conhecido e aquele que mais influenciou trabalhos históricos e literários modernos

A Batalha de Svolder é mencionada em diversas fontes históricas. O mais antigo trabalho escrito é de Adão de Brema (aprox. 1080), que escreveu a partir de um ponto de vista dinamarquês, uma vez que sua fonte era o Rei Sueno II da Dinamarca. Posteriormente, o historiador dinamarquês Saxão Gramático fez uso e expandiu o relato de Adão de Brema em seu Feitos dos Danos (aprox. 1200).

Na Noruega, as três histórias sinóticas, Historia de Antiquitate Regum Norwagiensium, História da Noruega e Ágrip af Nóregskonungasögum (aprox. 1190), fazem um curto relato da batalha. As "sagas dos reis" islandesas oferecem um tratamento muito mais extenso, começando com a Saga de Olavo Tryggvason de Oddr Snorrason (aprox. 1190). Trabalhando a partir de escaldo, história oral, exemplos europeus assimilados e uma imaginação desinibida, Oddr construiu um relato elaborado da batalha. Isto foi mantido pelas sagas islandesas posteriores, Fagrskinna e Círculo do Mundo (aprox. 1220), ambas as quais adicionaram citações de versos de escaldo. Três poemas islandeses escritos em cerca de 1200 também possuem certo interesse histórico: Nóregs konungatal, Rekstefja e Óláfs drápa Tryggvasonar. O imenso Óláfs saga Tryggvasonar en mesta (aprox. 1300) combina várias das fontes acima para formar o último, maior e menos confiável relato desta saga.

Escaldos contemporâneos que se referem à batalha incluem um trabalho por Alfredo, o Poeta Perturbado, que estava a serviço de Tryggvason. Alfredo não estava presente, mas agregou informações sobre ela posteriormente, para um panegírico sobre Olavo. No lado de conde Érico, estão preservadas diversas estrofes por Haldor, o Não-Cristão, que fala da batalha como acontecendo no "ano passado" e enfatiza a cena de Érico capturando a Longa Serpente. Também foram preservados alguns versos sobre a batalha na elegia de Thordr Kolbeinsson sobre Érico, provavelmente composta em cerca de 1015. Finalmente, Skúli Þórsteinsson lutou ao lado de Érico e falou dela em versos quando idoso.

Enquanto historiadores valorizam muito a poesia de escaldo como a fonte mais precisa disponível, deve ser lembrado que os poemas não estão preservados independentemente, mas como citações nas sagas dos reis. Após dois séculos de preservação oral, frequentemente há dúvida de que um verso era lembrado exatamente e creditado corretamente. Além disso, o escaldo não tinha como objetivo primário passar informação, mas sim artisticamente imaginar fatos já conhecidos pelos ouvintes. Historiadores geralmente recorrem aos relatos menos confiáveis, porém mais detalhados das sagas.

Antecedentes à batalha thumb|250px|Olavo Tryggvason pede Sigride, a Orgulhosa em casamento, sob a condição de que ela converta para o Cristianismo. Quando Sigride rejeita isto, Olavo a ataca com uma luva. Ela avisa que isso pode levá-lo a morte.

Nada pode ser agregado a partir dos poemas de escaldos contemporâneos sobre as causas da batalha. Adão de Brema comenta que a esposa dinamarquesa de Olavo Tryggvason, Tiria, o instigou a fazer guerra contra a Dinamarca. Quando Olavo soube que Sueno Barba-Bifurcada e Olavo, o Tesoureiro haviam formado uma aliança, ficou enfurecido e decidiu que a hora havia chegado para um ataque. Ágrip e História da Noruega possuem um relato similar. Tiria era a irmã de Sueno Barba-Bifurcada, e quando Olavo Tryggvason se casou com ela, Sueno se recusou a pagar seu dote prometido. Enfurecido, Olavo lançou uma expedição para atacar a Dinamarca, foi muito impaciente para esperar por uma frota de toda a Noruega ser reunida e iniciou a viagem para o sul somente com onze navios, esperando que o restante o seguisse. Quando essa esperança não se tornou realidade, saiu em viagem para Vendlândia (Pomerânia) a fim de procurar aliados. No caminho foi emboscado por Sueno e seus seguidores. Estes relatos são contraditos por um verso contemporâneo de Haldor, o Não-Cristão, que afirma que Olavo Tryggvason estava navegando do sul quando ele entrou em batalha.

esquerda|thumb|200px|Olavo oferece a Rainha Tiria um caule de angelica. Ela chora e o repreende por não enfrentar Sueno Barba-Bifurcada e recuperar seu dote.

Oddr Snorrason possui um relato elaborado dos problemas que surgiram dos casamentos de Tiria. Conta que ela estava noiva e casou-se com um rei sorábio, Boleslau, o Bravo, que recebeu um grande dote; mas ela não queria ser a esposa dele e deixou de comer após sua cerimônia de casamento. Então, Boleslau a mandou de volta à Dinamarca. Pouco depois, Tiria arranjou para se casar com Olavo Tryggvason, para o desgosto de seu irmão Sueno. A rainha de Sueno, Sigride, a Orgulhosa, uma sólida oponente de Olavo, instigou Sueno a iniciar uma guerra contra ele. Sueno então conspirou com conde Sigualdo e Rei Olavo da Suécia para atrair Olavo Tryggvason a uma emboscada. Olavo viajou à Vendlândia para coletar o dote de Tiria do Rei Boleslau e enquanto lá, ouviu rumores de uma armadilha planejada; mas Sigualdo chegou para dizer a ele que estes boatos eram falsos. Acreditando em Sigualdo, Olavo mandou a maior parte de sua frota para casa, uma vez que seus homens estavam impacientes. Ele, portanto, possuía somente uma pequena frota restante quando foi emboscado próximo a Svolder.

Fagrskinna e Círculo do Mundo seguem em grande parte o relato de Oddr, mas o simplificam e divergem dele em alguns aspectos. Segundo Círculo do Mundo, Sigualdo navegou de Vendlândia com Olavo e uma frota de navios sorábios e o levou até a emboscada.

Sendo os detalhes acima exatos ou não, está claro que Sueno, Olavo da Suécia e Érico possuíam amplas razões para se oporem a Tryggvason. Olavo havia tomado controle de Vica no sul da Noruega, uma área havia muito sob soberania dinamarquesa. Olavo e Sueno estiveram na Inglaterra juntos, mas Olavo havia feito paz enquanto Sueno continuava em campanha. Sueno estava em termos amigáveis com Olavo da Suécia e foi ligado a ele por casamento, tornando os dois aliados naturais. Finalmente, conde Érico havia sido desprovido de seu patrimônio por Olavo Tryggvason, como discutivelmente havia sido seu pai, conde Haquino, o qual ele pode ter desejado vingar.

A partir dos relatos conflitantes das fontes, historiadores tentaram reconstruir a sequência mais provável de eventos antecedentes à batalha. É provável que Olavo Tryggvason estivesse de fato navegando de Vendlândia à Noruega quando foi emboscado, apesar de as sagas dos reis possivelmente exagerarem a importância de Tiria e seus casamentos. Enquanto é possível que Olavo tivesse ido coletar o dote, parece ser mais provável que estivesse esperando a guerra e buscando aliados em Vendlândia, apesar do pouco êxito. O personagem de Sigualdo permanece enigmático, apesar de haver evidência da poesia de escaldo que ele de fato traiu Olavo.

Época e localização thumb|250px|A runa de Aarhus, DR 66, da Era Viquingue homenageia um homem que "encontrou a morte quando reis lutaram". O referido evento pode ser a Batalha de Svolder

Todas as fontes que datam a batalha concordam que esta aconteceu no ano 1000. A fonte mais antiga até esta data é o meticuloso Livro dos Islandeses, escrita por volta de 1128, a qual especifica que aconteceu no verão boreal. Oddr Snorrason disse que a batalha é "lembrada pelos homens mortos no terceiro ou quarto idos de setembro", (10 ou 11 de setembro). Mesta afirma que a batalha ocorreu em 9 de setembro, e outras fontes concordam com as duas datas. Visto que alguns escritores medievais calculavam o fim do ano em setembro, é possível que o ano referido seja, na verdade, o de 999.