A seleção russa de ginástica artística feminina é o grupo composto pelas seis atletas principais mais a primeira ginasta suplente. São elas as representantes da nação durante os eventos internacionais.
Sua aparição no meio internacional só se deu após 1991, com a dissolução da União Soviética e com isso a dissolução de suas equipes esportivas. Sem condições de competir como nação independente nos Jogos de Barcelona, em 1992, as russas fizeram parte da Equipe Unificada, onde obtiveram bons resultados. Nos Jogos seguintes, realizados em Atlanta, as russas alcançaram suas primeiras medalhas: as ginastas conquistaram a prata por equipes, à frente da Romênia e superada pelas norte-americanas. Em eventos individuais, a primeira medalha olímpica, de ouro, veio na mesma edição, através da bicampeã olímpica Svetlana Khorkina.
Após três edições dos Jogos, a Rússia encerrou participação sem subir a nenhum pódio, em Pequim, no ano de 2008, acontecimento inédito até então, superada pelas nações não europeias da China e dos Estados Unidos, além da constante "rivalidade" com a Romênia. Apesar de participar de Campeonatos Mundiais desde 1993, a Rússia só conquistou a primeira medalha de ouro por equipes em 2010, comandada pela estreante Aliya Mustafina. Em participações nos Campeonatos Europeus, as ginastas são as segundas mais bem sucedidas do continente, superando a tradicional equipe alemã.
Para o ciclo 2013 - 2016, a nação conta com uma competitiva equipe, liderada por Mustafina, campeã mundial da edição de Roterdã e Viktoria Komova, vice-campeã individual dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
História: surgimento e evolução 200px|thumb|esquerda|Pyotr Lesgaft, fundador da educação física e da ginástica russa, no século XIX. A história da ginástica russa iniciou-se no século XIX, junto a história nacional da educação física. Inspirado pelos movimentos ginásticos, Pyotr Lesgaft (1837-1909), que trabalhou no exército imperial em 1874, fundou o movimento de ginástica na Rússia. Como achava o método do alemão Friedrich Ludwig Jahn muito dependente dos aparelhos, retirou sua inspiração do suíço Pehr Henrik Ling, pioneiro na categorização da ginástica e de um desporto mais ligado aos movimentos, de uma prática em grupo e com fins delimitados, como o para formação. Seu programa influenciou-se também nos jogos coletivos. Em relação a ginástica, ainda que tenham chegado os dois estilos ginásticos no país, as críticas de Pyotr eram severas ao sistema alemão, não só pela dependência aos aparelhos, mas em relação às consequências que este sistema gerava, pois pensava ele que limitava as emoções dos jovens, tornado-os maquinados e menos receptivos e sensitivos. Adiante, um de seus discípulos, Pozner, manteve a postura crítica e classificou os aparelhos como "estimulantes artificiais", do ponto de vista pedagógico. Na época da formulação da educação física russa, os pensamentos sobre a ginástica recaíram sobre os pais e professores, pois não havia, na época, adaptação para as crianças, principalmente no que tocava incentiva-las à prática, que não com ganhos, já que isso poderia gerar apatia, caso um jovem não batesse uma marca, não conquistasse um prêmio ou não recebesse elogios pelo desempenho, e um falso entendimento do que seria a prática esportiva inevitavelmente acabaria surgindo. Desse modo, além das práticas exclusivamente gímnicas, Lesgaft levou para a formação da educação física na Rússia, os princípios de Ling, de uma ginástica que classificou como livre e estimulante natural para as crianças e jovens, devido a seus movimentos então elaborados, que também sobressaltavam a força de vontade e a iniciativa:
A partir daí, o conceito e os métodos foram evoluindo conforme os estudos foram sendo aprofundados. Como nação envolvida em guerras desde o Império, empobreceu e não demonstrou evolução esportiva até o fim da Guerra Civil Russa e da formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Efetivamente russa, a história da ginástica artística feminina é vista como recente, apesar de ter tido sua Federação fundada por Anton Chekhov em 1883, dois anos após a fundação da Federação Internacional. Datada de 1993, a nação só veio a ter uma equipe após a dissolução da União Soviética. Como nem todos os países da URSS tornaram-se esportivamente independentes, e a Rússia entre estes, acabaram por disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona como Equipe Unificada, para os quais os russos enviaram como representantes Rozalia Galiyeva e Elena Grudneva, medalhistas de ouro por equipes.
Antes da dissolução, as russas, junto às ucranianas e bielorrussas, como Larissa Latynina e Nellie Kim, conquistaram praticamente todos os títulos por equipes disputados entre os anos de 1952 e 1991. Após tornar-se uma equipe unicamente nacional, a Rússia tornou-se a mais expressiva nação descendente da União Soviética, conquistando medalhas nas competições internacionais mais significativas, como os Jogos Olímpicos e os Campeonatos Mundiais.
A entidade que a representa é a Federação Russa de Ginástica, no original: Федерация спортивной гимнастики России, uma das mais antigas da Europa, que tem como presidente, A. L. Costin.
Quadro de desempenho Abaixo, o quadro demonstrativo do desempenho das equipes russas ao longo de suas participações em grandes competições internacionais até o último evento – entre Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundias e Campeonatos Europeus – realizado. Ao longo de sua competitiva história, nenhuma medalha conquistada fora retirada.
Aparelhos A seguir, quadro de desempenho por aparelhos. Analisando abaixo, chega-se à conclusão de que as russas são mais bem-sucedidas nas barras assimétricas, em um somatório geral dos aparatos, nos campeonatos mundiais e nos europeus. O salto, no entanto, foi o aparelho no qual as ginastas mais conquistaram medalhas de olímpicas, totalizando quatro, apesar do maior número de ouros olímpicos pertencerem às paralelas assimétricas. O solo é em total de medalhas, o aparelho de pior desempenho, o mesmo aplicando-se a cada campeonato disputado. Conquistas25px|Solo25px|Barras assimétricas25px|Trave25px|Salto sobre o cavaloJogos Olímpicos 1 1 1 3 3 0 0 3 0 1 1 2 1 0 3 4Campeonatos Mundiais 2 2 4 8 7 2 2 11 1 2 2 5 3 2 0 5Campeonatos Europeus 1 3 5 9 8 7 2 17 7 2 3 12 3 6 2 11Total 4 6 10 20 18 9 4 31 8 5 6 19 7 8 5 20
Seleções Seção dividida por ciclo olímpico a partir dos anos 2000, com destaque para as ginastas representantes destes grupos de quatro anos. Para datas anteriores, destacados momentos, ginastas e conquistas nas três maiores competições internacionais.
1993 - 2000 A seleção russa formou-se apenas um ano após a realização dos Jogos Olímpicos de Barcelona, que foram disputados pela Equipe Unificada. A primeira medalha russa feminina foi conquistada na prova do salto, no Mundial de Birmingham, na Inglaterra. A regularidade das ginastas manteve-se até os Jogos de Sydney, quando conquistaram oito medalhas. Com um total de 63 pódios, as russas são uma das nações mais vitoriosas da Europa.
Durante esta fase destacou-se a ginasta Svetlana Khorkina, que participou de cinco edições mundiais durante esses anos e conquistou quatorze medalhas. Leonid Arkaev, coordenador técnico das seleções femininas e masculinas de ginástica artística durante esse período, é o detentor de quatrocentas medalhas, sendo 150 delas de ouro, o que o tornou um dos mais bem sucedidos técnicos do mundo.
Ginastas destacadas
Na história da ginástica russa não há ginasta mais condecorada, admirada e respeitada que a atleta Svetlana Khorkina. Ao longo da carreira, disputou três edições olímpicas, entre 1996 e 2004, e sete edições mundiais. Durante seus dez anos como representante sênior da nação, conquistou um bicampeonato olímpico nas barras assimétricas, que lhe rendeu o apelido de rainhas das assimétricas, além de outras cinco conquistas: o pentacampeonato mundial no mesmo aparelho e o tricampeonato também mundial do concurso geral, somadas a outras doze medalhas nesta competição; e o tricampeonato do individual geral continental, feito este só antes realizado pela romena Nadia Comaneci. A ginasta também tornou-se conhecida por seu temperamento e por gostar de desestabilizar as adversárias antes e depois das disputas utilizando de algumas provocações. Rejeitada na ginástica artística, os conselhos de seus primeiros treinadores foram para que disputasse a ginástica rítmica, devido a sua altura e porte físico esguio. Obstinada, decidiu permanecer na modalidade, pela qual é conhecida em seu país, e onde já recebera inúmeras homenagens.
Outra destacada ginasta que também transitou por três ciclos olímpicos foi Elena Zamolodchikova. Diagnosticada erroneamente com um grave problema cardíaco, quase abandonou a modalidade ainda criança. Fã de Elena Produnova e da companheira de equipe, Khorkina, Zamolodchikova conquistou, ao longo da carreira, quatro medalhas olímpicas, sete mundiais e nove continentais, que a tornaram uma das mais bem sucedidas ginastas da Rússia. No ano 2000, nos Jogos de Sydney, tornou-se a primeira russa componente da seleção nacional a conquistar duas vitórias olímpicas em uma mesma edição, bem como a primeira a conquistar as medalhas de ouro nas provas do salto e do solo. Anteriormente, a primeira e única vitória era de Svetlana Khorkina, nas assimétricas.
Jogos Olímpicos A estreia olímpica da Rússia deu-se nos Jogos de Atlanta, nos Estados Unidos em 1996. Formada pelas ginastas Dina Kochetkova, Rozalia Galiyeva, Svetlana Khorkina, Elena Grosheva, Eugenia Kuznetsova, Oksana Liapina e Elena Dolgopolova, a equipe conquistou sua primeira medalha, de prata, a frente de outra seleção europeia (Romênia) e superada pelas anfitriãs, chamadas após a vitória por Sete Magníficas. Nos eventos individuais, as russas foram a todas as finais. Na primeira, o individual geral, Dina Kochetkova obteve a melhor colocação, a sexta, ao totalizar 38,980. Rozalia Galiyeva, sétima colocada, e Svetlana Khorkina, 15ª, foram as outras participantes deste evento, conquistado pela ucraniana Lilia Podkopayeva. Nos aparelhos, Galiyeva atingiu a quinta posição, à frente da bielorrussa Svetlana Boginskaya e da companheira de equipe Grosheva (7ª), na prova do salto. Nas barras assimétricas, Khorkina e Kochetkova foram as participantes russas: Favorita na disputa por seus resultados anteriores, como o do Campeonato Europeu, Svetlana conquistou a primeira medalha de ouro russa em uma Olimpíada; Dina, em um tríplice empate, encerrou em quinto lugar. Na trave de equilíbrio, em prova vencida pela estadunidensde Shannon Miller, as russas não subiram ao pódio: Kochetkova foi a quarta e Rozalia, a sétima. No solo, último evento disputado, Dina participou de sua quinta final e encerrou participação em quinto lugar.
Como último evento destes ciclos deram-se os Jogos de Sydney, a segunda edição disputada pela Rússia. Formada pelas ginastas Svetlana Khorkina, Ekaterina Lobazniouk, Elena Produnova, Anastasia Kolesnikova, Elena Zamolodchikova e Anna Tchepeleva, a equipe subiu ao pódio na segunda colocação, pela segunda vez consecutiva. No concurso geral, a melhor classificada foi Lobazniouk, com a quarta posição, seguida de Zamolodchikova, na sexta, na disputa vencida pela romena Simona Amanar. Nas finais por aparelhos, a Rússia obteve o melhor resultado de todas as suas participações - as atletas conquistaram sete medalhas. No salto, ouro para Elena Zamolodchikova e bronze para Ekaterina Lobazniouk. Nas barras assimétricas, ouro para Khorkina e a sétima posição para Produnova. Na trave, parata para Lobazniouk e bronze para Produnova. No solo, o segundo ouro de Zamolodchikova e prata para Svetlana.
Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística